:: 29/dez/2022 . 22:49
MONUMENTO AOS PRESOS POLÍTICOS
Está na Praça Tancredo Neves. Muitos passam por lá, mas não sabem o que representa aquela escultura que, inclusive, serviu de ilustração para a capa da minha obra “Uma Conquista Cassada – cerco e fuzil na cidade do frio”. Trata-se de uma homenagem aos presos políticos baianos que tombaram durante a ditadura civil-militar de 1964. Na lista, a conquistense Dinaelza Coqueiro que lutou na Guerrilha do Araguaia. Nessa época, o monumento está todo iluminado, e a imagem é justamente de uma pessoa que se rende à brutalidade do regime dos generais que durou quase 30 anos no Brasil. Vitória da Conquista também esteve no roteiro das prisões em maio de 1964 quando o prefeito Pedral Sampaio, eleito democraticamente em 1962, foi cassado do seu cargo pelas tropas do exército. Perdeu seus direitos políticos por 20 anos. Toda essa história é contada no livro “Uma Conquista Cassada”, do escritor Jeremias Macário. O monumento é uma homenagem aos que lutaram pela democracia. Infelizmente, a nossa juventude pouco sabe sobre esse período. O pior é que muitos nem acreditam que aconteceu, principalmente nestes últimos quatro anos de um governo negacionista que tentou apagar nossa memória, mas isso nunca irá acontecer.
VIOLEIRO VIAJANTE
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Pelo meu canto de tocador,
Um dia meu pai,
Me chamou de vagabundo.
Botei minha viola na sacola,
Gastando sola, girando mundo,
Com meu pranto profundo.
Do Oiapoque ao Chuí,
Chorei nas motosserras Amazonas;
Naveguei pelos rios das chalanas,
Entre fumaças do Pantanal,
Onde o homem destila seu mal,
Contra a fauna e a flora,
Manda embora o tuiuiú e a sucuri.
Como violeiro viajante,
Fiz um tour,
Pela cultura gaúcha do Sul;
Bebi das maiores fontes,
Nas terras do meu Nordeste,
Dos cancioneiros cabras da peste.
Como violeiro viajante,
Cortei pontes, estradas e montes,
Pelos canais dos festivais,
Desses rincões nacionais,
Espalhei minhas mensagens,
Nessas longas viagens.
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