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OS INIMIGOS DO POVO LEGISLAM A IMORALIDADE EM CAUSA PRÓPRIA

Além de se acharem intocáveis para cometer qualquer crime com a imunidade parlamentar, o Congresso Nacional não para de abusar da nossa paciência e nos tripudiar com suas leis imorais em defesa unicamente de seus interesses. Sem o menor respeito ao povo, e com o maior cinismo, esses parlamentares legislam em causa própria. Um dia a casa cai.

Como se não bastasse, agora mesmo, em votação relâmpago, a Câmara votou a lei da carteirada e quer punir com cadeia quem praticar a discriminação de políticos. Enquanto isso, a turma do mal suprime os direitos individuais e ninguém faz projeto para acabar com o desemprego, com a fome, a miséria no Brasil e a falta de punição.

Após quase um mês de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal ter anulado a condenação do ex-deputado ladrão Eduardo Cunha, a Câmara aprovou um projeto histórico vergonhoso. Com rápida tramitação, passou por 252 votos contra 163, um projeto de Dani Cunha (União Brasil – RJ), filha do doutor Eduardo onde criminaliza práticas que venham a ser consideradas discriminatórias da atividade pública e a medida estende-se aos seus familiares.

Entre outras blindagens dos intocáveis inimigos do povo, os bancos não podem negar crédito a algumas pessoas de qualquer um dos três poderes porque elas têm atividade pública. Entre outras imoralidades esdrúxulas, o nojento projeto blinda cerca de 10 mil pessoas, parlamentares, magistrados, procuradores e dirigentes de partidos políticos e seus familiares.

Nessa hora, meu amigo eleitor do voto de cabresto e vendido por favores, direita, centro e gente das esquerdas se unem em causa própria, e que se dane a população. Para nos debochar por completo, ainda aparecem aqueles caras parlamentando da tribuna de que tudo está sendo feito pelo bem do Brasil.

As castas brasileiras da nossa frágil democracia cada vez mais se protegem e se fortalecem, enquanto os súditos e vassalos do rei ou dos reis, rainhas e príncipes são esmagados como farelos na máquina de triturar humanos. O projeto inconstitucional institucionaliza mais ainda a corrupção e protege os milhões de laranjas.

No século XIX (1826/27, 1831 e 1850), o parlamento brasileiro com sua aristocracia, procurava travar a aplicação de leis que proibiam o tráfico ilegal de escravos africanos e ainda dava guarida aos negociantes contrabandistas, como ainda ocorre nos tempos atuais.

Em pleno século XXI, essa Câmara imoral está a criar uma categoria especial de cidadãos com base em suas atividades ou malfeitos. As outras leis de proteção dos negros, dos menores, do consumidor e idosos são todas genéricas e desrespeitadas. Se o projeto passar pelo Senado, os 10 mil formarão uma máfia, uma gangue ou quadrilha organizada.

Somente cinco partidos votaram em bloco contra o projeto (PSOL, PC do B, Cidadania, Novo e Rede), somando 16 votos. Teve até gente do PT, como José Guimarães e Rui Falcão que votaram a favor. Também do PSDB, o senhor corrupto Aécio Neves se juntou a eles.  Para contrariar, Bia Kicis, do PL, votou contra. Nesse saco de farinha ou nesse caldeirão de feijoada, tem de tudo a gosto do freguês.

UM SARAU ARRETADO DE BOM!

Diva Santana Coqueiro, irmã de Dinaelza, morta na guerrilha do Araguaia durante a ditadura civil-militar de 1964, acompanhada da sua irmã Dilma Santana e da escritora Gilneide Padre, se deslocou de Salvador para participar e prestigiar o nosso “Sarau A Estrada” que teve como tema “Festa Junina – Cultura, Tradição e Religiosidade.

O evento colaborativo, que está completando 13 anos de existência e já merece uma grande comemoração em estilo pela sua duração e conteúdo cultural artístico (muitos falam que de fato já é de utilidade pública), foi realizado neste último sábado à noite (dia 17/06/23), no “Espaço Cultural A Estrada”, com as presenças de artistas, intelectuais, professores, jovens e outras pessoas interessadas que estiveram ao nosso encontro pela primeira vez.

Foi um sarau arretado de bom, que varou a madrugada com declamações de poemas autorais, causos e, principalmente, o show de violadas de cancioneiros da nossa música popular brasileira, no caso particular do momento, do nosso autêntico forró, com Walter Lajes, Manu di Souza, Dorinho Chaves, Marta Moreno e outros.

O pessoal foi chegando a partir das 20 horas com aquele espírito junino nordestino, recebidos pelos anfitriões Jeremias Macário e Vandilza Silva Gonçalves que preparou o nosso quentão e um assado de porco para dar mais sustança ao sarau.

Estiveram ainda presentes, João Paulo Oliveira Santana, Antônio Cilmo Monteiro de Brito, Sheila, Jurandi, Lany Fagundes, Adalberto (Dal), Jurandi, Conça, Cleide, Maria Luiza, Lídia, o nosso bom português Luis Altério, o professor José Carlos, o contador de causos Jhesus, o professor Itamar Aguiar, Alexandre Santana, nosso cantador e compositor Baducha que abrilhantaram nossa festa na troca de ideias, cantorias e recitais de poemas.

Como foi uma festa junina, não faltaram as comidas e bebidas típicas da época para não quebrar a nossa tradição cultural nordestina, a exemplo do quentão, do licor e também da cerveja e do vinho. Como sempre, a anfitriã Vandilza fez uns pratos deliciosos que foram saboreados por todos, num clima fraternal e festivo num bom papo bem proseado.

RELIGIOSIDADE, HISTÓRIA E TRADIÇÃO

Sobre o tema falaram o professor Itamar Aguiar, Jeremias Macário e Manu Di Souza. O professor fez uma relação antropológica e filosófica a respeito das festas juninas com as religiões católicas, o candomblé, as influências indígenas e a mistura de culturas africanas em seus ritmos, danças (o toré) e nas comidas.

O jornalista Jeremias Macário fez um breve histórico sobre o surgimento do forró lá pelos anos 30 e sua popularização nos anos 50 com Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Marinês, Trio Nordestino e Dominguinhos. Forró vem do forrobodó e forrobodão de onde depois nasceram os gêneros baião, xote (danças dos salões europeus) e o xaxado que tem muita ligação com o cangaço nordestino.

Entre as décadas de 70 e 80, os chamados cabeludos Zé Ramalho, Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, principalmente, introduziram outros instrumentos no forró, como a guitarra, o sax, a bateria, o violão e o baixo, mas mantendo os mesmos conteúdos das letras que falam dos costumes, da vida nordestina, amor, dos retirantes e saudades da terra natal.

No entanto, a partir dos anos 90 a 2000, o nosso genuíno forro do zabumba, do triângulo e da sanfona, o chamado arrasta-pé do chão batido (o forró pé de serra) sofreu uma tremenda descaracterização, lamentavelmente com a introdução da lambada, do arrocha, do axé music, do sertanejo (sertanojo) e do pagode, com péssimas letras de cunho pornográfico, sendo a maioria de curtos versos sem sentido.

“FLUXO E REFLUXO” XXIV

CURIOSIDADES HISTÓRICAS DO TRÁFICO NEGREIRO, COMO A CAPELA DO SENHOR DO BONFIM E A REVOLTA DO PORTO.

A obra de Pierre Verger, “Fluxo e Refluxo” traz várias curiosidades a partir de pesquisas do autor em documentos e correspondências entre cônsules, vice-reis, capitães de navios e os próprios traficantes de carnes humanas. As negociações entre a Bahia e o Golfo do Benin eram cheias de intrigas e mortes que violavam as leis e os tratados.

Em uma de suas anotações, Verger registra que, em 1745, o capitão Theodózio Rodriguez de Faria, um traficante dono de três embarcações, construiu, por devoção, uma capela dedicada ao Senhor do Bonfim Crucificado de Setúbal, em Portugal, a mesma que, ainda hoje ergue-se acima do altar da mais popular igreja da Bahia. A capela foi inaugurada por ele em 1754.

Diante da desorganização que era o tráfico negreiro, um grupo de negociantes da Bahia propôs criar uma companhia onde limitaria o número de navios em 24 que iriam fazer o comércio na Costa da Mina, divididos e repartidos de três em três com uma espera de três meses entre a saída de uns e a partida de outros, fazendo assim o turno de dois anos. A empresa seria constituída entre Bahia e Pernambuco.

A companhia teria 31 artigos e o projeto previa a duração de dez anos. Os diretores seriam eleitos pelos interessados e a administração da Bahia, sob a proteção do vice-rei. Os navios seriam de uma capacidade de 440 a 600 escravos cada um e seriam armados para se defenderem dos piratas.

A carga principal seria o tabaco, completada com açúcar e aguardente. O tráfico seria feito à razão de cinco a seis rolos de tabaco, e não doze, quinze ou vinte, como acontecia de se fazer, por força da concorrência. A companhia seria obrigada a trazer todos os anos pelo menos quatro mil escravos à Bahia. Os cativos seriam vendidos por 130 mil reis os da primeira escolha, e por um preço menos elevado os de segunda e terceira escolhas.

Outra questão abordada por Verger foi quanto a criação da Companhia das Vinhas do Alto Douro, em 1757, da qual Joaquim Ignácio da Cruz era o administrador. Isso ocorreu durante o vice-reinado do conde dos Arcos. Fazia parte dessa sociedade o futuro marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Mello.

Na mesma época, na cidade do Porto, os atos e críticas dirigidos contra um organismo administrativo sob a proteção do rei de Portugal, na época D. José, eram considerados crimes de lesa-majestade, conforme a doutrina do futuro marquês de Pombal.

Alguns meses após a sua constituição, a Companhia das Vinhas (um monopólio) tornou-se tão impopular que todos os habitantes do Porto se levantaram contra ela, e os taverneiros lesados provocaram um tumulto, em fevereiro de 1757. Gritavam: Viva o povo! Morra a Companhia! Eles levaram o “juiz do povo” ao chanceler, rogando que a empresa fosse abolida, com ordens para que cada um pudesse vender e comprar o vinho livremente.

Os revoltosos invadiram a casa da companhia, quebraram móveis e rasgaram os documentos. O castigo exigido pelo governo foi o mais severo e foi conduzido pelo desembargador João Pacheco Pereira de Vasconcelos e o escrivão José Mascarenhas.

A manifestação foi considerada como crime de lesa-majestade. No total, 478 pessoas foram condenadas (424 homens e 54 mulheres), sendo 21 homens e cinco mulheres condenadas à pena capital. Outros tantos foram mandados para o exílio em diversas galés da África, além de outras penas, como proibição de permanecer no Porto, confiscos e penas pecuniárias.

AS LENTES FAZEM TUDO

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Sempre falam que uma boa imagem vale por mil palavras, isto é, dispensa até a linguagem dos textos. Existem matérias jornalísticas que, por mais que sejam bem-feitas, têm que vir acompanhadas de uma ou mais fotos. E por falar em fotografia, vem logo na cabeça a máquina fotográfica profissional que ainda sobrevive (estão comentando que a analógica vai voltar), mesmo com o advento do celular que pode registrar tudo, mas não com aquela resolução desejada. No entanto, o nosso papo aqui são as lentes, as peças mais importantes de uma máquina, que fazem tudo. Elas são delicadas e precisam ser bem cuidadas, senão pegam fungos e estraga tudo. São sensíveis à luz, na abertura e no fechamento, com a velocidade ideal para captar a imagem no foco certo. Desde quando foram inventadas, elas são preciosas e poéticas, a depender da imagem, como uma bela paisagem e até o desabrochar de uma flor, mas são também instrumentos de denúncia e registro de tragédias, catástrofes e da nossa história. Mesmo assim, o bom trabalho delas estão nas mãos, na sensibilidade e no olhar de um grande fotógrafo. Em Vitória da Conquista temos muitos bons profissionais, com seus notáveis legados na imprensa e nos acontecimentos em geral, mas não vamos citar nomes para não cometer injustiças. As lentes fazem tudo e ainda nos impressiona.

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DO PARAÍSO AO FIM

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Da explosão, o Supremo fez o paraíso,

O irracional ateou fogo;

O profeta alertou sobre o final juízo;

Ganância e arrogo;

Foguetes rasgam os céus desse espaço,

Do universo sideral;

O homem estúpido dele fez lixo e bagaço,

Selvageria do vil capital;

As florestas em labaredas ardem chamas,

Fumaças, cinzas, poluição;

Enchentes arrastam casas, morros e lamas,

Ciclones, ventos e furacão;

Lero-leros de reduzir gazes na atmosfera;

O incentivo é consumir;

Natureza não perdoa, nem o tempo espera,

Sem essa de choro e mimimi;

Não mais reversão do aquecimento global;

Primeiro vão os pobres,

Na tragédia do derretimento do gelo glacial,

E chega a vez dos nobres;

Aumentam os níveis dos rios e dos mares;

Somem ilhas e cidades;

A enxada tini no agreste salgado dos secos ares,

Prenuncio do fim das eras idades.

A DESONERAÇÃO DE IMPOSTOS DOS RICOS ONDE OS POBRES FICAM A VER NAVIOS

É sempre assim. Eles dizem que vão repartir, mas é tudo uma mentira, como foi a reforma trabalhista, ou escravista, onde os empresários gananciosos garantiram que iam gerar mais empregos e rendas para os trabalhadores. Tudo uma mutreta para explorar e escravizar mais ainda a mão-de-obra subserviente e necessitada que é obrigada a calar a boca a denunciar a transgressão às leis.

Aliás é mais uma lei “para inglês ver”, como foi a de 1813 selada num tratado entre Inglaterra e Portugal para acabar com o tráfico de negros trazidos da África para o Brasil. Ao contrário, os traficantes aumentaram mais ainda seus negócios ilegais e continuaram com seus navios negreiros comprando carnes humanas no Golfo do Benin, na Costa da Guiné e em Lagos.

A esta altura estou falando da dita desoneração de impostos dos setores mais ricos da economia onde eles prometem distribuir essas benesses coloniais, imperiais e republicanas mantendo os empregos e contratando mais gente, só se for para serviços de baixa qualificação, sem carteira assinada no chamado subemprego temporário ou intermitente. Enquanto isso, nossa educação, a saúde e o saneamento básico estão na lista dos níveis mais baixos do mundo. Aqui, os mais pobres pagam o máximo e recebem o mínimo.

Essa desoneração vai servir para encher mais ainda os bolsos deles e aumentar a concentração de rendas com o consequente aprofundamento das desigualdades sociais. Alguém aí acha que eles vão ser bonzinhos e dividir a bolada com seus trabalhadores, melhorando o salário ou promovendo cargos? O brasileiro acredita em tudo, mesmo depois de levar uma porrada. É do tipo que dá a outra face para apanhar.

Com um forte lobbie dos empresários (a maioria dos parlamentares é do ramo), esse Congresso Nacional aprova com a maior rapidez qualquer projeto do interesse de seus pares (caso da desoneração de impostos) e, com a maior cara de pau, dizem que é para o bem do Brasil.

No Senado e na Câmara existe todo tipo de bancada, desde a evangélica, a ruralista, do comércio, da indústria, da máfia e até a da bala, menos a do povo, que só serve mesmo para votar. Esse Congresso aristocrático, anacrônico e coronelista sempre foi imoral. Com ele, o Brasil vai continuar atrasado como nos tempos coloniais.

Para enganar os otários e fazer de conta que estão trabalhando, agora eles vão exibir, em horários nobres nas televisões, as novelas das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquéritos) para distrair e divertir a população. O lamentável em tudo isso é que ainda tem gente que acha que essas CPIs vão resultar em punição contra criminosos e ladrões da pátria. Temos o pior e o mais caro Congresso do mundo.

O AGRO É TAMBÉM QUILOMBOLA?

O Brasil carrega o agro nas costas com um plano safra de 348 bilhões de reais e isenção fiscal, inclusive do ICMS de exportação pela velha Lei Kandir, para beneficiar o mercado exterior dos produtos in natura, os chamados grãos de “ouro” (soja, milho, algodão e outros).

Na propaganda, o agro é tech, é pop, é riqueza do Brasil e agora é até quilombola para convocar o pequeno a defender a pauta do grande empresário. Até pouco tempo, o pequeno era considerado pela economia como trabalhador autônomo individual ou familiar, mas passou a fazer parte do grupo empreendedor, incluso na pauta do capital, para confundir.

O roceiro que tem um sítio, ou o assentado do movimento do sem-terra com seu lote, acha que é agro porque dizem para ele que faz parte da categoria tech e pop. No sistema sempre os “sabidos e estudiosos” estão mudando a nomenclatura para ninguém entender nada. O propósito é este mesmo.

AGRICULTURA FAMILIAR

Costumo afirmar que minha alimentação na mesa do dia a dia vem da agricultura familiar e não da desse agro devastador dos nossos biomas (cerrado, pantanal, caatinga, pampas, amazônico e até da mata atlântica) que queima e derruba nossas vegetação e floresta, para expandir suas lavouras e criar gado para exportar para o mercado internacional.

É precisamente essa riqueza do Brasil latifundiário que encarece nossos produtos aqui dentro, porque é esse agro que dita os preços de suas culturas de acordo com as cotações das bolsas no mercado internacional. Sem consciência política do que ocorre, o pequeno termina defendendo a pauta que é só deles, dos grandes das bancadas ruralistas.

Neste último final de semana terminou no município de Luis Eduardo Magalhães, no oeste baiano, a maior feira agro do Norte e Nordeste, que movimentou mais de oito bilhões de reais. A exposição foi um desfile grandioso de máquinas potentes e sofisticadas. Não se ouviu falar sobre os financiadores, mas certamente lá estiveram o BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Esse agro é tão “pop” que, ironicamente, o milho e seus derivados, os quais fazem parte das comidas típicas do nosso São João Nordestino, sofreram aumentos em seus preços nessa época do ano porque esses grandes produtores beneficiários do suor do pequeno trabalhador preferem vender a matéria-prima (o milho) para o exterior (bem mais lucrativo e em dólar) e não para os próprios brasileiros.

Por causa deles vamos ter que substituir o milho por outro item alimentar fora da nossa tradição cultural, talvez por aqueles bagulhos norte-americanos, como o hambúrguer, o sanduiche ou o cachorro-quente. Só nesse pequeno detalhe, ou exemplo, você tem uma ideia mais exata de como funciona esse agro capitalista que vem causando sérios impactos ao nosso meio-ambiente.

Ainda na semana passada estava assistindo uma reportagem na televisão sobre a seca e a falta de água para os pequenos agricultores no sertão agreste de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Paraíba por onde passam os canais da transposição do Rio São Francisco, o nosso “Velho Chico”, tão maltratado.

As imagens mostravam justamente o contraditório desse sistema. De um lado, em Petrolina (Pernambuco), um assentamento do movimento do sem-terra praticamente sem água onde vizinhos chegam até a brigar pelo líquido. Pouco mais adiante, ao lado, um canal do rio nas terras de um empresário, com água em abundância, para irrigar suas frutas (uva, manga, melão, melancia) e outras lavouras.

Os assentados e até um núcleo de um quilombo sem acesso à água, enquanto o rico se deleita produzindo em grande quantidade suas frutas para exportação. Agora os assentados e os quilombolas estão inclusos como “agro é tech”, “agro é pop”.

OS ELEITOS DE DEUS

Tudo isso me faz lembrar a Nobreza Real e a Igreja Católica latifundiárias na Idade Média. A Igreja consolava os servos e vassalos de que a nobreza era eleita por Deus e que os pobres tinham que servir e trabalhar para ela, incluindo a própria Igreja, com todo fervor, devoção e submissão.

Bem, como nos tempos atuais do nosso capitalismo selvagem ocidental, herdado dos burgueses do Norte, tanto a plebe de lá, como a de cá também desses tempos modernos tecnológicos, acreditava e acredita, aceitava e aceita, com toda sua humildade, nesse papo sobrenatural dos eleitos do Senhor, isto porque dizia para si mesma e ainda diz que eles estavam e estão certos, com toda razão, porque detinham e detém a “sabedoria e o conhecimento” sobre os assuntos mais profundos e teológicos do Reino de Deus.

 

O DESCARTE DE “AMIGOS” COMO COISAS QUE PERDEM A VALIDADE E AS DESCULPAS

Nos tempos atuais, amigos são tratados como se fossem aparelhos celulares, geladeiras, fogões ou outros bens materiais que só servem enquanto estão funcionando. Quando dão defeitos, joga-se no lixo como imprestáveis ou objetos descartáveis. O mesmo se faz com os “amigos” quando eles não representam mais interesse para o interessado. Simplesmente joga-se fora, pede-se desculpas e vira-se as costas. “Amigo” hoje tem prazo de validade.

Antigamente, amigo não tinha prazo de validade vencida. Valia para sempre. Podia ter em conta que o amigo era sincero e eterno. Hoje, o tempo de duração, na maioria das vezes, é bem curto, dependendo do ter posses ou do sucesso social e econômico.

Se entre os dois um entra em fracasso financeiro ou perde seu destaque na sociedade, o outro que ainda estiver numa boa, não mais o procura e, quando o encontra por acaso, sempre vem com aquelas desculpas fajutas na tentativa de justificar seu afastamento, ausência ou sumiço. Não existe mais aquele amigo certo nas horas incertas, dos problemas e dos momentos difíceis.

– Oh, “amigo”, desculpa aí não ter comparecido ao seu aniversário. É que tenho andado com a vida corrida, com falta de tempo. Sabe como é a vida hoje: É aquela loucura! Desculpe por não ter lhe telefonado, passado uma mensagem ou feito um áudio! Meu celular estava com problema! Esqueci totalmente…

É assim o papo que rola quando o “amigo da onça” se encontra com o outro que tanto lhe dava atenção e depositava nele consideração e confiança. O sujeito até inventa que estava doente ou em viagem, na maior cara de pau. Ele já está em outro esquema, se passando de “amigo” para um novo conhecido abonado.

-Entendo a situação, tudo bem, sem problema! Para um bom entendedor, tudo basta, só que não dá para engolir as desculpas mentirosas. Lá se vai mais uma “amizade” em que o outro achava ser firme e sincera. Lá se vai mais uma ilusão, mais uma decepção com o ser humano.

Por falar em desculpas, coisa também são as quantidades delas que se pedem atualmente ao outro, desde a falta de pontualidade corriqueira nos encontros marcados até às agressões verbais e físicas, principalmente quando se trata do homem que bate na mulher.

A desculpa se tornou tão maquinal que a pessoa repete a palavra tantas vezes sejam as ofensas cometidas, isto sem corrigir o erro, e nem sente. No caso da violência contra a mulher, ele pede mais desculpas do que o número de agressões. É um rosário de desculpas

Existe até a desculpa pelas desculpas, e a do namorado ou namorada que termina o relacionamento pelo celular e depois pede desculpas pelo mesmo aparelho por não ter praticado o ato pessoalmente, como deveria ser.

Essa ação repetitiva de pedir desculpas e não refletir depois que foi errado se tornou coisa normal nos dias de hoje. Você solicita desculpa hoje por um gesto desagradável contra o outro e amanhã faz a mesma coisa e volta a pedir desculpas da mesma forma, sem perceber que está sendo falso.

Tem também os grosseiros e as grosseiras que nem pedem desculpas, quanto mais perdão pelo que faz. Há quarenta ou cinquenta anos, as pessoas tinham mais consideração uns para com os outros, e um pedido de desculpas era carregado de sentimentos verdadeiros, sem contar que se procurava não mais cometer o mesmo erro.

Nesse mundo tecnológico e superficial, a desculpa virou sinônimo de falsidade na boca das pessoas, tanto quanto chamar o outro de amigo-irmão numa mesa de bar, puramente por interesse. Basta um aperto de mão para a pessoa desconhecida chamar a outra de “amigo”.

 

“FLUXO E REFLUXO” XXIII

“INCENTIVO OFICIAL DAS AUTORIDADES BRITÂNICAS AOS IMIGRANTES “BRASILEIROS”

De acordo com a obra “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, os imigrantes de Serra Leoa formavam em Lagos uma classe média de comerciantes e de funcionários subalternos na administração britânica.

A formação que recebiam em seu pais, a adoção da língua inglesa, o protestantismo que exibiam e a sua condição de cidadãos britânicos os tornavam mais próximos dos funcionários e comerciantes ingleses vindos da metrópole do os imigrantes brasileiros, separados dos britânicos pelos seus hábitos do Brasil, pela religião católica e pela própria condição de estrangeiros.

Os “brasileiros” simplesmente eram vistos como parentes pobres ao lado dos habitantes de Serra Leoa. A administração britânica adotava um certo preconceito com relação ao Brasil e aos brasileiros. No entanto, africanos emancipados que voltavam para Lagos eram bem-vindos, e o cônsul Benjamin Campbell procurava estimular os navios da Bahia a irem para Lagos e não para Uidá.

A mesma linha de conduta foi também seguida pelos governadores de Lagos até fins do século XIX, mas eles consideravam “iorubás repatriados” e não “imigrantes brasileiros”.

Em 1871, o governador de Lagos, John Hawley Glover, dizia que a terra estava destinada a ser povoada e cultivada pelos escravos emancipados de volta do Brasil e pelos imigrantes do interior. Em 1872 ele escrevia sobre as constantes chegadas de imigrantes brasileiros. John recomendava que esses brasileiros, para ele semicivilizados, fossem acolhidos por serem bons agricultores.

Em mensagem entre autoridades brasileiras, o governador afirmava que o repatriamento de seus artesãos e agricultores qualificados é particularmente desejável e deveria receber incentivo geral. Em 1887, o inglês parlamentar Cornelius Alfred Moloney foi um dos maiores incentivadores para a ida de brasileiros para Lagos. Na época ele sugeriu uma linha direta de navios a vapor saindo da Bahia para Lagos, ao invés da viagem ser feita por veleiros.

Sobre os “brasileiros”, Cornelius dizia que eram os nascidos na região iorubá que foram capturados e enviados para o Brasil como escravos; ou os seus descendentes; ou, em certos casos, alguns que, tendo sido levados também como escravos para o Brasil de outros pontos da África, fixaram-se em Lagos.

Segundo Cornelius, os brasileiros começaram a ser estabelecer em Lagos por volta de 1847, desde que passou a haver certa segurança, em consequência do incentivo e das garantias dadas aos negros do Brasil por uma visita do chefe tapa, conhecido como Osodi, sob a autoridade de Kosoko, então rei de Lagos.

Em 1871 havia 1237 repatriados do Brasil. Dez anos depois esse número passou para 2.732. A mão-de-obra do Brasil naquela época era constituída sobretudo de ex-escravos e seus descendentes e de negros escravos. Só na Bahia, segundo relatório consular de 1884, existiam 108 mil escravos de todo Império do Brasil, a maioria nas culturas de cacau, café, arroz, índigo, tabaco e algodão. Todos esses produtos podiam ser aclimatados em Lagos.

Foram criadas linhas de navios a vapor da Bahia para Lagos em comum acordo com os governos e companhias particulares, mas não deram bons resultados, sem bem que muitos continuaram a fazer esse caminho de volta através de veleiros. O sr. Conerlius acreditava que o retorno dos trabalhadores africanos do Brasil proporcionaria a criação de novas culturas em Lagos.

Os “brasileiros” e os cubanos formavam um grupo homogêneo e compunham uma sociedade em que as preocupações mundanas não estavam ausentes. A abolição da escravidão, em 1888, foi bastante festejada nas colônias em Lagos, conforme descreviam os jornais locais africanos.

CIGANOS EM TEMPOS DE TERROR E TRATADOS COMO MERCADORIAS

O INSTITUTO DOS CIGANOS DO BRASIL ESTÁ RECORRENDO AO GOVERNO FEDERAL PARA TOMAR PROVIDÊNCIAS CONTRA AÇÕES DE PRECONCEITOS AO SEU POVO.

Como nos tempos coloniais e do império quando para o Brasil eles foram deportados por Portugal e aqui perseguidos pela polícia com toda carga de preconceitos e violências como bandoleiros, preguiçosos, embusteiros, ladrões e malfeitores, o povo cigano continua a viver a mesma situação de terror e sendo “tratados como mercadorias”, conforme desabafou Rogério Ribeiro, ex-presidente e assessor de Comunicação do Instituto dos Ciganos do Brasil.

Em nome do presidente do Instituto, Itamar Cigano, com sede no Ceará, Rogério esteve nesta quarta-feira (dia 07/06), em Brasília, no Ministério da Justiça, Flávio Dino, e no Superior Tribunal de Justiça quando protocolou documento de revogação de prisão de ciganos e em defesa do seu povo contra os preconceito e abordagens arbitrárias por parte da polícia, inclusive muitos deles envolvidos em abuso de poder.

Entre outros assuntos, em audiências, Rogério falou da situação de vários sequestros na Bahia, como em Camaçari e Vitória da Conquista, bem como nos estados da Paraíba, Pernambuco e Minas Gerais. “Chega de tanta discriminação, abordagens desnecessárias e cigano não é mercadoria. Estamos solicitando apoio da Força Nacional para que se acabe de vez com essas perseguições” Ele se disse confiante nas tomadas de medidas do governo federal. “Os preconceitos continuam fortes e as coisa devem mudar”

Cita o documento que a Associação Beneficente Cultural e de Desenvolvimento Social dos Povos Ciganos do Brasil – ABECC foi formada por lideranças de diferentes comunidades, com o intuito de promover o desenvolvimento sustentável, para a defesa e garantia dos direitos do seu povo em situação de conflito.

SEQUESTROS E UMA TRAGÉDIA EM CONQUISTA

“As ameaças, sequestros e declarações de ódio contra os povos ciganos estão promovendo um verdadeiro medo e insegurança às famílias ciganas no estado da Bahia”- destaca o documento, ao denunciar que mais de 20 pessoas de origem cigana foram vítimas de sequestros, em 2021, na região metropolitana de Salvador, precisamente em Simões Filho e Camaçari.

Essas pessoas somente foram devolvidas mediante resgate com valores que chegaram a 150 mil reais. Em 2022 foram cerca de 10, sem contar outras tentativas. Neste ano, o primeiro ocorreu na tarde de quarta-feira, dia 11 de janeiro, na cidade de São Felipe. A vítima foi um adolescente de 14 anos. Os criminosos ameaçaram matar o jovem. O resgate custou o valor de 200 mil reais.

Os relatos prosseguem em relação aos constantes sequestros, como o do dia sete de março deste ano quando o cigano Lourival Gama, morador de Simões Filho reagiu a uma tentativa de sequestro e trocou tiros com os bandidos. A vítima foi morta com um tiro na barriga. Outros sequestros ocorreram em várias cidades. Outra agressão com assalto aconteceu recentemente no município de São Sebastião do Passé.

Há cerca de dois ou três anos ocorreu, em Vitória da Conquista, uma tragédia onde dois soldados foram mortos, no distrito de José Gonçalves. Em resposta a polícia militar agiu com terror e vários ciganos (uns sete ou oito) foram eliminados em “supostas trocas de tiros”. Como se não bastasse, muitos foram espancados e uma família foi obrigada a fugir do município através de uma medida protetiva.

VÍTIMAS DE UMA SOCIEDADE SEGREGACIONISTA

O autor da obra “Ciganos no Brasil-uma breve história” Rodrigo Correia Teixeira, desmistifica o estigma da visão estereotipada dos ciganos como sujos, embusteiros, baderneiros, trapaceiros e preguiçosos. Eram vítimas de uma sociedade segregacionista. Nascer cigano era ter seu destino marcado do lado oposto da “boa sociedade”. Sempre foram prejulgados, inclusive por crimes não cometidos, como de ladrões, assassinos, salteadores e até sequestradores de crianças.

Perseguidos por D. João V, de Portugal, muitas das vezes condenados injustamente, eram embarcados para o Brasil Colônia, mas até certo ponto bem aceitos na corte de D. João VI e no primeiro Império, como artistas dançarinos, músicos e circenses. Muitos ficaram ricos como negociantes de escravos, mas suas atividades mais fortes eram no ramo do comércio de cavalos, bestas e a prática da “buena dicha” (leitura das mãos), no caso das mulheres.

CAMINHOS INÓSPITOS

Afirma o escritor, na conclusão do seu livro, que, “como nômades ou sedentarizados, perambulavam por caminhos inóspitos, acampavam em áreas pouco propícias e se estabeleciam em espaços insalubres nas cidades”, como é o caso do Campo de Santana, ou Rua dos Ciganos (Constituição – Praça da República, no Rio de Janeiro).

Destaca que “a sobrevivência foi a realização mais duradoura, o grande evento da história cigana”. Ele cita Angus Fraser, como maior historiador sobre o assunto, quando diz que, quando se consideram as vicissitudes que eles encontraram, deve-se concluir que a sua principal façanha foi a de ter sobrevivido”. Teixeira acrescenta que “o universo cigano, mais que de duplicidade, é repleto de multiplicidades, entre as quais estão as relações com os não-ciganos, as identidades dos grupos e as imagens que se formaram dos ciganos”.

UM CIGANO NA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

O Brasil já teve presidentes nordestino (pau-de-arara), gaúcho fazendeiro, mineiros, paulistas, marechal das Alagoas, generais da ditadura civil-militar, um sádico capitão, mas poucos sabem de um presidente-cigano, Juscelino Kubitschek, que construiu Brasília, a qual virou um covil de ladrões, mas não por culpa da nação cigana.

Quem revelou esta curiosidade, que eu nem sabia, foi o autor do livro “Ciganos no Brasil – Uma Breve História”, de Rodrigo Corrêa Teixeira. Os  Calon, ou Kalé, vieram da Península Ibérica e aqui se aportaram desde o início do século XVI.

No entanto, na primeira metade do século XIX, o Brasil recebeu o grupo Rom, ou Roma, da Europa do Leste, com suas famílias. De acordo com informações, o Rom que mais cedo chegou ao território mineiro foi Jan Nepomuscky Kubitschek, que trabalhou como marceneiro no Serro e em Diamantina. Ele era o avó direto de Juscelino.

 

 

 





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