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AS BELEZAS DA CHAPADA

Uma vez perguntaram para um viajante do mundo qual o lugar mais lindo que ele havia visto. Sem titubear respondeu que foi sobrevoando a Chapada Diamantina, na Bahia.  Completou que ficou encantado com as paisagens, as cachoeiras, as serras e morros. Em seu parapente ou coisa assim, que dá assas ao homem, ele desceu para conferir e ficou ainda mais convicto com o que viu ao visitar os locais, cada um mais deslumbrante, como mostram essas imagens do rio Paraguaçu, em Andaraí. Fica difícil fazer uma seleção das grutas, das quedas d´água, dos rios, dos pantanais, dos picos, das trilhas, das lagoas, dos povoados históricos (Igatu), das comunidades e das cidades, se Lençóis, Rio de Contas, Mucugê, Piatã, Iraquara, Palmeiras, Ibicoara, Seabra ou outra que fica nessa região feita e abençoada pela natureza. E a cultura do seu povo! É claro que cada um vai ter seus pontos preferidos, mas a Chapada tem suas magias e energias diferenciadas das outras. Toda vez que corto a Chapada, cerca de duas vezes por ano, para ir a Juazeiro, me sinto renovado. Não é bom morrer sem nunca ter ido apreciar as belezas da Chapada Diamantina, que cura os tormentos da alma e o cansaço do corpo. Quem nasceu e se criou em algum lugar da Chapada pode se sentir um ser privilegiado. Passei boa parte da minha infância no Piemonte da Chapada, em minha querida Piritiba e morei bom tempo em Rui Barbosa, mas gostaria de ter nascido bem no centro do seu coração.

 

 

CLUBE PAGA POR TORCEDOR RACISTA

A Confederação Brasileira de Futebol – CBF (olá, seu Ednaldo Rodrigues) e seu conselho técnico de representantes das federações estaduais continuam insistindo numa coisa esdruxula que na prática é contraditório e absurdo (olá meu amigo Gonzalez) que é punir o time quando no estádio uns torcedores raivosos praticam atos de racismo contra jogadores negros.

Não consigo entender ou sou mesmo burro! Como o clube pode controlar torcedor desvairado, aloprado, idiota e estúpido numa multidão de uma partida de futebol, chamando o atleta de macaco, fedorento ou outra coisa ultrajante! Time nenhum concorda ou incentiva que seus torcedores façam isso e não dispõe de condições parta evitar que fatos desse tipo ocorram.

A CBF com seus prepostos e a polícia não têm capacidade de detectar os racistas e aí transfere a responsabilidade para os times, com punições de perda de campo, multas altíssimas e até com retirada de pontos ganhos, o mais grave e que vai gerar uma tremenda confusão e ira das torcidas, com toda razão.

É aquele negócio dos santos pagarem pelos pegadores. Futebol brasileiro está em plena decadência com medidas e mudanças incoerentes e ridículas. Primeiro veio o VAR que bagunçou com tudo e desvalorizou o árbitro; introduziram a troca de até cinco jogadores; e inventaram a tal parada técnica que irrita o torcedor.

A regra estabelece 90 minutos de jogo, mas de bola rolando não chega a 70, mesmo com os acréscimos para enganar os bestas. Cartão vermelho só quando o cara quebra a perna ou o pescoço do adversário. Para ser sincero, não vale mais a pena sair de casa e gastar dinheiro para ir a um estádio, cheio de loucos e agressivos que descontam suas frustações nas brigas de morte!

A seleção brasileira das dancinhas do pombo foi uma vergonha na Copa Mundial do Katar. O Flamengo perdeu para um time da Arábia Saudita e foi eliminado no primeiro jogo do Mundial de Clubes. Agora estoura a manipulação de jogos da Série B, em Goiás, onde jogadores recebiam propinas para provocar pênaltis.

Atualmente, tenho mesmo é saudade dos meus babas de várzeas e quando jogava pela seleção de Amargosa e do Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho. Tinham bons craques e não esses pernas-de-paus que caem rolando no campo e demoram de levantar.

Ainda existem os brutos que nunca deveriam entrar num campo de futebol. Só sabem dar porrada e voadoras para arrebentar os colegas! Os técnicos xingam palavrões e berram na beira das quatro linhas. Sou ainda um admirador do futebol, mas não como antigamente quando se via belas jogadas e dribles, sem falar que a redonda rolava por mais tempo e não era tão maltratada.

UM PLANO DIRETOR URBANO QUE HÁ CINCO ANOS NÃO SAIU DO PAPEL

Os projetos, as reformas dos equipamentos culturais e outras demandas em benefício de Vitória da Conquista estão emperrados na Prefeitura Municipal. Um exemplo é a reformulação ou revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, o PDDU, que há cinco anos começou a tramitar na Câmara de Vereadores, ainda no Governo de Hérzem Gusmão, mas ainda não saiu do papel.

A última vez que o Plano recebeu uma nova roupagem foi no Governo de José Raimundo Fontes, há quase 20 anos e, de lá para cá, a cidade, a terceira maior da Bahia, com mais de 300 mil habitantes, expandiu para todos os pontos cardeais, de norte a sul, de leste a oeste, com construções e loteamentos, muitos dos quais de forma desordenada e sem o devido planejamento.

Um Plano Diretor, não sou urbanista e nem arquiteto, mas sabemos que traça as diretrizes para que a cidade cresça de forma ordenada em benefício da população. Atualmente, por exemplo, temos loteamentos chamados de bairros com vários nomes, inclusive ruas que não constam nos arquivos do poder público da prefeitura e da Câmara de Vereadores.

Outra questão a ser revista e regularizada é que grande parte das habitações de Conquista, especialmente nas regiões periféricas, é irregular e isso aumenta a cada dia que passa. Precisamos de uma cidade mais humana que viva em harmonia com o meio ambiente e ofereça qualidade de vida aos seus moradores.

O trânsito de Conquista sempre foi complicado e caótico em alguns lugares. Estabelecimentos são erguidos, como escolas, supermercados, casas de eventos e shows sem o devido planejamento, provocando transtornos no tráfico de veículos, como já está ocorrendo na Avenida Juracy Magalhães que começa a ter engarrafamentos.

Aqui mesmo no Jardim Guanabara ou Felícia e ainda Jatobá para outros (exemplo de três nomes) que confundem Correios e empresas de entregas de correspondências e encomendas, foi construída a casa de eventos Paradise numa rua totalmente residencial que perturba os moradores, principalmente idosos e crianças, em dias de festas.

Conquista tem terrenos abandonados entregues ao mato e ao lixo onde os donos não são devidamente fiscalizados e punidos para que sejam obrigados a cuidar de seus imóveis. Como consequência, essas áreas têm transmitido doenças e servido de esconderijos para bandidos e marginais, aumentando a violência através de assaltos.

É uma vergonha que este Plano Diretor esteja parado na Prefeitura Municipal depois da Câmara de Vereadores ter feito algumas correções. Pelo que se sabe, já foram gastos mais de um milhão de reais, dinheiro do povo que não está sendo respeitado, ao contrário, desperdiçado. Toda cidade com mais de 20 mil habitantes deve ter o seu Plano.

Outro problema grave que há anos vem se empurrando com a barriga é com relação aos equipamentos culturais de Vitória da Conquista, como o Teatro Carlos Jheovah, interditado há três anos, o Cine Madrigal, adquirido pelo Tesouro por um milhão e 100 mil reais e que continua fechado, a Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho e a Praça Céus (J. Murilo), no Alto Maron que funciona de forma precária por falta de reformas.

O tempo está se encarregando de destruir esses centros culturais, enquanto os artistas de um modo geral, abrangendo todas linguagens ficam sem espaço para realizar seus ensaios, treinos e shows. Todos têm que recorrer ao Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, do Estado, que vive com sua agenda cheia.

Há um ano que o Conselho Municipal de Cultural vem lutando para reformar esses equipamentos, mas a resposta é sempre falta de recursos e que as licitações estão em andamento. Nosso patrimônio material (arquitetônico) e imaterial também estão se acabando. É nossa memória que está deixando de existir. É nossa história se apagando.

Onde estão as lideranças da sociedade, dos movimentos sociais e entidades sindicais patronais e de empregados, os intelectuais, os empresários, associações, artistas, a mídia e demais organizações que não juntam forças para que essas ações sejam colocadas em pratica com urgência, e não fiquem somente no papel? Povo sem memória é um povo sem identidade, sem presente e futuro, de passado destruído.

 

 

ESSA SEGUNDA-FEIRA!

Numa coisa acho que todos concordam, seja de esquerda, direita ou centro, que essa tal de segunda-feira é o pior dia da semana, mesmo para quem não bebe, não entra em farras, não tem atividades fixas e até mesmo para o aposentado. Na verdade, é um dia enfadonho que poderia receber uma honraria de “Dia da Preguiça ou da Moleza”!

Quando estava na ativa, para mim era um tormento porque me atolava nas boemias da vida e muitas vezes dormia na redação do jornal em cima da antiga máquina de datilografia.

Agora seria no computador, com linhas trocadas e lead invertido. E fazer uma entrevista numa segunda-feira! É Tico Oliveira, você ainda me pede para escrever para o “Impacto” numa segunda-feira! Quer me torturar?

Sobre a segunda-feira, já ouvi muita gente propor para ser um dia de pleno descanso, mas aí, meu amigo, a terça ficaria no lugar da segunda, passando a ser o pior dia da semana. Melhor não azucrinar a terça-feira quando você começa a entrar no eixo, pensando na sexta-feira.

É duro ter que realizar alguma atividade na segunda e ainda participar de uma reunião à noite, como fiz ontem. É para matar qualquer cristão! Pelo menos não deveria haver encontro na segunda e nenhum outro evento.

Mesmo aposentado ainda vivo procurando sarna para mim coçar, e não é que tenho reunião do Conselho de Cultura toda primeira segunda-feira do mês!  Tento fazer algum texto na segunda-feira e olha a brabeira! As ideias não se conectam bem e lá vou eu tateando e tropeçando aqui e acolá.

Preciso tomar vergonha na cara e não fazer absolutamente nada na segunda-feira, mesmo que seja um velório ou enterro de um parente e amigo do peito. Não maltrate esse velho corpo, nem o espírito! Os dois não aguentam mais!

Depois de umas geladas no sábado e no domingo, o negócio é ficar olhando o tempo passar na segunda-feira, claro tomando chás, caldo de cana, sorvete e frutas. Nada de feijão e carne, principalmente se for vermelha.

Como hoje é segunda-feira, vou mesmo é parar por aqui antes que fale mais besteiras com essa crônica enfadonha e chata de ser ler. Dá até vontade de cair na cama, mas o cachacista sempre diz que é bom tomar uma gelada para rebater.

Cada viciado com sua mania. Isso não passa de mais uma pirraça para contrariar com a segunda-feira pé de boi. Vou ficar por aqui mesmo, se quiser que alguém acrescente mais alguma coisa. Estou indo.

NA ESPERA DA GRAÇA – ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS

Não são textos pandêmicos, mas, em sua maioria foram inspirados durante o período da pandemia da Covid-19 quando as pessoas estavam todas na espera de uma graça.

Com apresentação do professor Itamar Aguiar, a  obra “Na Espera da Graça – Entre Engaços e Bagaços” será lançada no próximo dia 3 de março, na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves), às 19 horas, com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.

Trata-se de um conjunto de textos poéticos, ou versos, com uma pegada do agreste nordestino que fala desse povo sofrido, mas também aborda questões políticas, filosóficas, sociais, amor, dor, saudades e o cotidiano da vida.

O título foi exatamente inspirado numa letra musicada pelo companheiro músico, cantor e compositor Walter Lajes, em sua viola mágica e apresentada em festivais.

Outros versos da obra também foram musicados por artista locais e do Nordeste, como Edilsom Barros, de Fortaleza (A Dor da Finitude) e Antônio Dean, de Campina Grande (Lembro Ainda Menino e Minha Filha Cintia). Estão ainda nele músicas de Papalo Monteiro e Dorinho Chaves

Muitos outros poemas foram gravados em vídeos com minha esposa Vandilza Gonçalves e meu amigo José Carlos D´Almeida, que resultaram em dois curtas metragens, um dos quais premiado pelo edital da Lei Aldir Blanc, lançado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.

Para finalizar a obra, o capítulo “Entre Engaços e Bagaços” é um épico sobre o nosso querido Nordeste onde destaca os costumes, cultura e hábitos do nosso povo na fala e na escrita dos principais personagens escritores e poetas, relatos que podem ser transformados numa peça teatral.

Este é o quinto livro do jornalista e escritor Jeremias Macário que já lançou “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” (seis em um) e “Andanças” (dois em um). “Na Espera da Graça” são textos poéticos inéditos e impactantes para o leitor refletir, criticar e divulgar entre amigos, parentes e familiares.

 

“FLUXO E REFLUXO” VII

OS INGLESES E A QUESTÃO RELIGIOSA NA COSTA DA MINA OU COSTA A SOTAVENTO

Como já tratamos em comentários anteriores em nosso blog, o livro “Fluxo e Refluxo, do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, uma pesquisa de 20 anos de trabalho, é um intricado de conflitos e guerras na região do Golfo de Benin entre portugueses do Brasil, ingleses, franceses, holandeses e os reis de Daomé durante o tráfico negreiro.

A disputa era acirrada por cativos, e o tabaco era a moeda mais cobiçada pelos países. Os holandeses detinham praticamente o monopólio com o domínio do Castelo de São Jorge (Elmina) e exigiam dos portugueses da Bahia e do Brasil que negociassem com eles com o pagamento de uma taxa de 10% sobre tudo que era comercializado e trocado.

As outras nações não gostavam nada disso e tentavam atrair os portugueses para outros portos e fortificações (Porto Novo, Badagri e Onim –Lagos), como ocorreu no final do século XVIII onde os ingleses procuraram proteger os capitães e navios vindos da Bahia com o cobiçado tabaco, que não era de tão boa qualidade, mas os negros o apreciavam.

Pierre Verger cita que uma das consequências da lei de 30 de março de 1756, destinada a tornar o comércio da Costa da Mina livres para todos, foi controlá-lo no Porto de Uidá ou Ajudá, onde o diretor da fortaleza devia fazer respeitar as ordens do rei de Portugal, ou seja, um navio de cada vez, mas sempre essa norma era desobedecida.

Enquanto isso, os capitães procuravam outros portos. Os holandeses concediam quatro na Costa a Sotavento, como Popo, Ajudá, Jaquim e Apá. Em seguida, novos centros foram criados em Porto Novo, Badagri e Onim (Lagos).

João Oliveira, um escravo alforriado se tornou traficante astuto que retornou à África para comerciar com negros e enviá-los para a Bahia. Na velhice ficou rico, mas teve a infelicidade de estar a bordo de um navio que transportava mercadorias de contrabando. Foi injustamente implicado no caso.

“A política dos reis do Daomé, desde a conquista de Ajudá, em 1727, procurava impor que o comércio com os estrangeiros na costa se fizesse exclusivamente com aquele porto. Eles destruíram o porto de Jaquim, em 1743. No entanto, o comércio se alargava em Porto Novo, Badagri e Lagos.

RELIGIOSO

Mesmo diante de toda desorganização que era o tráfico negreiro, por volta de 1780/82, um ponto que chamou a atenção foi o religioso sob a direção do forte português por Francisco da Fonseca e Aragão.

As instruções não falavam mais em proibir a entrada de mais de um navio de cada vez no porto. Refletiam essencialmente preocupações com a respeitabilidade e a prática religiosa. Os oficiais e capitães eram obrigados a assistir as missas e a rezarem o Terço de Nossa Senhora do Rosário.

Na época, o diretor não consentia navios sem capelães. A ordem era que o diretor procurasse saber se as embarcações levavam capelães. Repelia o capitão que não notificava a morte do capelão e não substituía logo por outro. Era ordem da sua majestade, na época a rainha Maria I.

Depois de um certo tempo, o diretor da fortaleza de São João de Audá, Francisco Antônio da Fonseca Aragão não atormentava mais os “americanos” (portugueses brasileiros) para obrigá-los a irem à missa, deixando cair em ruínas a fortificação, nem tampouco se preocupava com os marinheiros portugueses capturados pelos doameanos.

O tenente do forte, Francisco Xavier do Amaral, que chegou em Uidá, em 1791, influenciava Agongló, rei do Daomé, para que não mandasse uma embaixada para a Bahia e sim para Portugal, para propor que o comércio de escravos dos negociantes da Bahia fosse exclusivamente feito com Uidá.

Em 1795, porém, o rei de Daomé enviou para a Bahia dois mensageiros. O tenente, então, organizou essa embaixada a fim de redigir, em nome do rei, suas próprias queixas contra o diretor da fortaleza. Os dois embaixadores foram batizados em Lisboa.

Um morreu lá e o outro tornou-se cavaleiro da Ordem de Cristo. Este teve uma permanência agitada na Bahia, quando da sua volta. “A sofreguidão em cortejar o “belo sexo” escandalizou o governador da Bahia”. A rainha dona Maria tentou converter o rei do Daomé ao catolicismo.

MAIS DO QUE SOFRI NA VIDA…

(AFONSO MANTA)

Afonso Manta, nasceu em Salvador, em 23 de agosto de 1939. Passou a infância em Iguaí e a adolescência em Poções, voltando a Salvador para fazer o curso clássico no Colégio Central. Trabalhou em jornais, nos telégrafos no Rio de Janeiro e veio a falecer em Poções, em 3 de dezembro de 2003. Um grande poeta dos poetas baianos e brasileiros.

Mais do que sofri na vida

É simplesmente impossível.

Mas não quero uma medalha

Sobre o meu peito invencível.

 

Mais do quer andei pelo mundo.

Sem sair do meu lugar,

Nenhum homem do planeta

Pode com os seus pés andar.

 

Mais do que lutei e luto

Nas horas de cada dia,

Num combate desarmado,

Não sabe a filosofia.

 

Mais do que sonhei e sonho,

Em sonhos de olhos abertos,

Não sonham nem as palmeiras

Das areias dos desertos…

A REALIDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO

Carlos González – jornalista

A explicação, no meu modesto conhecimento, para a queda do Flamengo, na verdade, do futebol sul-americano, para o Al Hilal, da Arábia Saudita, não está no noticiário esportivo da impensa. O esporte mais popular do continente, como todos os produtos destinados ao lazer do povo, vem sofrendo há décadas com a instabilidade de uma economia mal administrada pelos governantes.

Brasil e Argentina, os dois maiores centros esportivos da América do Sul, passaram há algum tempo a ver o futebol como uma indústria em processo de falência, com a prerrogativa de  se desfazer de parte do seu patrimônio, no caso, seus atletas, negociando-os com o mercado externo, em troca de muitos euros e dólares. Outros esportes, como o vôlei, o futsal, o handebol e o basquete, também foram atraídos pelo tilintar das moedas estrangeiras. Adotam, como se vê, a prática nociva da nossa agroindústria.

Estudos feitos por uma empresa de consultoria revelam que os 20 clubes da série “A” em 2022 acumulavam uma dívida de R$ 11,9 bilhões, com Atlético Mineiro e Corínthians no topo da lista. Esse passivo foi reduzido em R$ 1, 4 bilhão com a venda de jogadores para clubes estrangeiros.

Nos últimos anos,  clubes e bilionários chineses, europeus e árabes, inclusive  Ronaldo Fenômeno, têm investido na compra de equipes brasileiras. Trata-se de uma fórmula para alivia o “sufoco” financeiro dos clubes. A direção do Bahia, com o apoio dos seus conselheiros, foi seduzida pelos euros oferecidos pelo Manchester City. Ainda é cedo para avaliar se o Tricolor fez um bom negócio, mas é inegável que o desempenho técnico do time em campo não tem agradado à torcida.

O leitor talvez não tenha percebido, mas o futebol praticado entre jovens com menos de 20 anos, os antigos juvenis, é muito mais agradável de  acompanhar – assista esta semana pela TV o Campeonato Sul-Americano Sub 20, disputado na Colômbia – do que uma partida, por exemplo, do Campeonato Baiano.

O empenho é uma das qualidades de um garoto de família pobre, morador da favela ou da periferia das cidades, porque o sonho dele é vestir a camisa de um clube europeu. Ele pode está sendo observado naquele momento por um dos muitos olheiros do Real Madri que atuam em diferentes cidades do Brasil e da Argentina.

A Copa São Paulo de Futebol Júnior, promovida há 53 anos pela prefeitura paulistana se transforma na maior vitrine do futebol de base, atraindo observadores de clubes europeus. Alguns dos 128 participantes da Copinha recebem a ajuda financeira de empresas, que buscam o lucro com a venda de um ou até mais garotos.

Há, inclusive, exemplos no futebol baiano. O Doce Mel, que disputa a 1ª Divisão do Estadual e foi um dos times da Copinha 2023, é mantido por uma fábrica de polpas de frutas, com sede em Iguaí e mais de 30 filiais no interior baiano; o Canaã, da 2ª Divisão, participante da Copinha no ano passado, é bancado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em Gandu. A rede de farmácias Pague Menos mantém no Ceará um projeto voltado para as divisões de base.

Uma das prioridades do Barcelona é “fabricar” talentos, incluindo-os, desde a mais tenra idade, num projeto escolar e esportivo, destinado aos filhos de jogadores e funcionários do clube. Thiago, o primogênito de Messi, foi “contratado” aos 4 anos de idade; Ronaldinho Gaúcho mandou recentemente seu filho João para Barcelona.

Os jogadores que não dispõem de qualificação técnica e nem de um empresário com trânsito no mundo do futebol, disputam no momento desinteressantes campeonatos estaduais, que já levaram ao antigo estádio da Fonte Nova  97.240 pagantes (Ba-Vi de 7 de agosto de 94). Depois da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, os estádios ou arenas encolheram,  o ingresso aumentou e o torcedor preferiu ficar em  casa.

Dados divulgados pela CBF mostram que 55% (49,5 mil) dos jogadores profissionais que atuam no Brasil  ganham um salário mínimo. Para a maioria deles, o calendário anual organizado pela Confederação é desumano com aqueles que têm seu período de atividade limitado aos três meses dos campeonatos estaduais, caso os seus clubes não estejam inscritos na Libertadores, Sul-Americano, Copa do Brasil e nas quatro séries do Brasileirão.

Temos uma amostra em casa. Os profissionais – o sub 20 disputou a Copinha deste ano, passando da fase de grupos – do Vitória da Conquista pisou num gramado pela última vez em 16 de março de 2022, já rebaixado para a série B do Baianão, cujo início este ano ainda não foi anunciado pela FBF. O “Bode” está desaparecido, ocorrência que não causa a menor preocupação da Prefeitura local, como se o esporte não fizesse parte de uma de suas secretarias, assim como dos seus torcedores, mais flamenguistas do que conquistenses. Sua página na internet está desatualizada desde janeiro de 2022.

As melhores equipes representativas do Brasil em Copas do Mundo foram, sem dúvida, as de 59, 70 e 82, formadas, exclusivamente, com jogadores que atuavam em casa, que não possuíam mansões e nem pagavam milhares de euros por um bife folheado a ouro. O mesmo se pode dizer da Argentina com relação às seleções de 78 e 86. No último Mundial, os dois países foram representados por “estrangeiros”. Nossos “hermanos” tiveram o privilégio de contar com a genialidade de Messi e levantaram a taça.

Os números não mentem: em Copas do Mundo, a Europa tem 12 títulos e a América do Sul, 10. Em Mundiais de Clubes – Europa 34; América do Sul 23. A partir do quarto lugar conquistado pelo Marrocos na Copa do Catar e a eliminação do Flamengo pelo Al Hilal (cada jogador recebeu um prêmio equivalente a R$694 mil),  o mundo deve olhar com mais atenção para o futebol praticado pelos árabes.

 

 

 

 

 

A FLOR DO CACTO E A QUARESMEIRA

Coisas misteriosas e sábias da nossa natureza, muitas das quais invisíveis aos olhos do homem que é um predador nato e nunca aprendeu a ter uma visão mais apurada e poética. Alguém já viu uma flor roxeada de um cacto? Difícil de ser encontrada, mas tive o prazer de fotografá-la num caqueiro do meu quintal.  Verdade que ela é pequena diante de uma quaresmeira toda frondosa e florida, bem mais vista, mas, mesmo assim, muitos passam apressados nas correrias da vida da cidade e não param para refletir sua beleza e agradecer a vida. O cacto e a quaresmeira. Um simples e modesto, mas rico por brotar uma flor inusitada que desperta em nós o sentido da grandeza, sem muito se aparecer. A quaresmeira, com toda sua eloquência e colorido, não é tanto admirada quanto a outra flor que chama mais a atenção quando apresentada. Num salão ou numa passarela, a flor do cacto, com certeza, seria mais aplaudida. Seja simples, mas nobre.

VEREADORES DA OPOSIÇÃO FAZEM DURAS CRÍTICAS À PREFEITA SHEILA LEMOS

Na sessão ordinária do dia 08/02 (quarta-feira) da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, os vereadores da oposição Viviane Sampaio (PT) e Andreson Ribeiro, do PCdoB, fizeram duras críticas à administração da prefeita Sheila Lemos e avaliaram que foi ruim seu discurso pronunciado na abertura dos trabalhos legislativos da semana passada.

Numa plenária praticamente vazia, mas barulhenta por causa das conversas paralelas, mesmo assim a parlamentar Viviane declarou que a cidade está abandonada, a começar pelas ruas e avenidas cheias de crateras por todos os lados, sem falar na iluminação precária na maioria dos bairros. Na área da saúde, segundo ela, falta planejamento, com projetos inacabados.

Sobre sua fala na Casa Legislativa, afirmou que nada anunciou do que pretende fazer para solucionar os problemas. “Ela só faz pedir mais recursos”. Na mesma linha, seu colega Andreson foi ainda mais enfático e afirmou que a prefeita não apresentou projetos para a cidade. “Seu discurso foi ruim”.

Em seu pronunciamento, Luis Carlos Dudé, ex-presidente da Câmara, rebateu as críticas dizendo que a Prefeitura de Conquista é adimplente e tem condições de contrair empréstimos no valor de até 700 milhões de reais, referindo-se aos 72 milhões contraídos recentemente para realização de projetos estruturantes.

O atual presidente da Casa, Hermínio Oliveira, estabeleceu o tempo de fala dos vereadores em três minutos, com um de tolerância, sob pena de ser cortado o microfone, e pediu mais silêncio da plenária para ouvir os vereadores.

Nelson de Vivia agradeceu à prefeita pelos serviços de reparos de estradas atendidos nos povoados de Capinal e da Limeira, bem como da malha urbana com o início da operação tapa-buracos. Elogiou também a ação do poder executivo no distrito de São Sebastião.

O vereador da situação, Ivan Cordeiro, aproveitou para criticar o Governo do Estado, principalmente no que tange a educação, como a intenção de encerrar os turnos noturnos no Colégio Militar, causando apreensões aos pais dos alunos, os quais só podem frequentar a escola nesse horário.

Sobre o Hospital Afrânio Peixoto, Cordeiro destacou que cirurgias de pacientes estão sendo adiadas por falta de lençóis e até roupas para o pessoal que atua na saúde, como médicos e enfermeiros. Para ele, a unidade hospitalar vive uma situação de calamidade pública.

Fernando Jacaré, do PT, destacou a agenda positiva dos atuais governos estadual e federal, com as reformas das escolas e outros equipamentos públicos. Sobre o Afrânio Peixoto, adiantou que o partido está acompanhando o problema, mas reconheceu a superlotação da UPA de Conquista.

Em sua fala, o tenente Muniz, vice-presidente do legislativo, assinalou que a prefeitura está atendendo as demandas de reparos das estradas e das ruas da cidade. Assinalou que, durante o período de recesso, os vereadores continuaram trabalhando para atender a população e citou inúmeras reuniões realizadas com secretários e a prefeita, para avaliar os estragos provocados pelas chuvas.

Lúcia Rocha chamou a atenção da importância de se fortalecer as políticas públicas em parcerias com os governos federal e estadual. Lembrou que irá continuar sua luta em defesa das mulheres, dos feirantes e da zona oeste durante seu mandato. Também o vereador Admilson Pereira fez um relato do seu trabalho como parlamentar junto às comunidades.





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