Nas enormes filas do auxílio nos bancos e lotéricas, os rostos calados de sofrimento na espera por um atendimento. Ninguém tem a certeza de que lá dentro vai solucionar seu problema e receber a prometida ajuda. Todos parecem manadas sendo levadas para um matadouro.

Infelizmente, foi esse triste cenário que senti ontem nas ruas do centro de Vitória da Conquista, inclusive entre as pessoas com as quais mantive um contato. Não encontrei uma palavra de ânimo de que as coisas vão melhorar, muito pelo contrário, de que o pior pode estar por vir. Cheguei a dizer de que, quem viver verá fazendo uma referência à minha idade já avançada.

Brigas, racismos, xenofobia e homofobia, xingamentos e o semblante de um povo desanimado e sem esperanças quanto ao futuro. Será que vivemos num quadro de depressão coletiva? Os psicólogos e psiquiatras podem melhor fazer esse diagnóstico, mas são sinais característicos de um povo em desânimo.

Muitos podem não concordar e afirmar que sou uma ave agourenta, mas é a dura realidade nessa reta final das eleições que terminam no próximo dia 30. A ansiedade bate no peito de cada um e se pode perceber isso nas expressões. Todos querem que essa agonia se acabe logo, mesmo diante das incertezas. O que mais dói é ver o sofrimento estampado em milhões de brasileiros que vivem na miséria e passam fome.

Toda essa camada de excluídos luta a cada dia para sobreviver na base das tais das doações, num fogo cruzado de informações dos candidatos que correm em disparada nas mídias, especialmente nas redes sociais.

Como apurar essa enxurrada de fake news e separar a verdade da inverdade? As propagandas eleitorais nas emissoras de rádio e televisão mais parecem um ringue de luta livre. As torcidas têm sede de sangue e se odeiam.

Em meio a todo esse turbilhão, a televisão já anuncia o Natal sem Fome, o que, para mim, soa como uma hipocrisia. Só uma noite? Logo tudo isso é esquecido e lá vem o monte de saudações de Feliz Natal e Ano Novo. A impressão que tenho é que a fé e a esperança nesse nosso Brasil estão cada vez mais minguando.

Depois das eleições vem a corrida às lojas e aos shoppings para a compra de presentes, as fartas mesas de perus, nozes, lentilhas, leitões, frutas, chesters, vinhos e outras bebidas e comidas, com abraços e confraternizações. Uma semana após vem ainda o réveillon regado a muita orgia, shows musicais e fogos de artifícios. Fazemos muitas promessas que deixamos de cumprir no decorrer do ano, para tudo começar novamente depois.

O tempo passa rápido para nos entregar as folias dos carnavais dionisíacos e assim continuamos alimentando as mentiras e as falsidades de muito amor e paz. As doações, os vales auxílios e as campanhas nos momentos de tragédias vão continuar engrossando as fileiras da pobreza. Até quando?