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:: 31/out/2022 . 22:32

QUE POVO É ESSE?

Mesmo com todos xingamentos, bravatas, ameaças à democracia, preconceitos, atos de racismo e homofobia, destruição do meio ambiente, fazer do Brasil um pária, desdenhar a vida e debochar dos nordestinos, o capitão Bozó ainda teve uma careta de milhões de votos, perdendo apertado para o Lula, de 77 anos, o mais velho a ser eleito presidente.

Que povo é esse? Ou foi o ódio ao PT de 2018 que veio ainda mais forte em 2022? O despertar dos extremistas nazifascistas e fanáticos que estavam no armário e ganharam voz com seu líder autoritário? Muitos têm seus diagnósticos filosóficos, sociológicos e versões academicistas. Ou é coisa para ser analisada num divã psiquiátrico? Como explicar tudo isso?

Fico aqui a burilar em minha mente que se fosse outro candidato com um partido de centro mais palatável, sem costas largas do passado para bater, a diferença da vitória teria sido bem mais larga. Pelos resultados dessas eleições e da anterior, o país vai continuar dividido, cheio de ódio e intolerância. O outro lado não vai se conformar em apertar as mãos.

Podemos até dizer que nos livramos de um inferno, mas vamos ter de enfrentar momentos difíceis e não sabemos se o Lula irá terminar seu mandato. Será que não se vai repetir o mesmo que ocorreu com Dilma, quando passaram a rasteira nela e assumiu o Temer, mordomo de drácula?

Outra questão é que pela idade já avançada, o Lula não deverá partir para outra eleição. Como sempre arrogante e prepotente, o PT não vai querer largar o osso, ou seja, o poder. Na hora do vamos lá, não existe essa de coligação com objetivo único de se pensar no bem do Brasil. Vamos continuar penando por mais algum tempo até que paguemos nossos pecados, nossos erros e tropeços. Precisamos de purificação.

Pelo estilo louco, raivoso e psicopata do capitão-presidente, não vai haver governo de transição como recomenda o estilo democrático e o “centrão” no Congresso Nacional vai começar a armar seus complôs para que continue o esquema do escambo do toma lá, dá cá. Será que o Lula e o PT vão sentar na mesa e corrigir os erros do passado? Sim, porque houve muitos e precisam ser evitados.

Entendo que, ao lado de matar a fome e dar comida a todos, como insistiu o Lula em toda sua campanha, são mais que necessárias políticas públicas para que esse 33 milhões de famintos não engrossem mais ainda as fileiras das esmolas miseráveis.

As pessoas precisam ganhar autoestima e começar a viver por conta própria através do seu emprego e do seu trabalho. As bolsas, os vales, auxílios e doações viciam, principalmente quando se trata de gente sem instrução que acha que não tem mais saídas para suas vidas.

É preciso fazer diferente, com honestidade, seriedade e, acima de tudo, moralidade com a coisa pública, sem roubos e maracutais, como o PT pregou na sua fundação lá no início dos anos 80. Essa é a única oportunidade para fazer a coisa certa e tirar essa pecha de ladroagem que ainda está impregnada na cabeça de muitos.

Infelizmente, houve desvios de conduta e mudança de rota com alianças burguesas e gente inescrupulosa do pior quilate, sem contar que muitos do partido se deslumbraram e passaram da cachaça para o uísque.

É isso que o povo mais consciente politicamente e os partidos de esquerda que o apoiaram esperam que ocorra. Senão, será outro grande desastre, outra desilusão, outra grande decepção e deixará a porta aberta para volta dos lobos raivosos fascistas. É bom não ficar brincando de se locupletar do poder. Caso contrário o ódio será bem pior, a maldição mais maligna e haverá uma verdadeira convulsão social.

Em seu discurso na Avenida Paulista num caminhão de som, em algumas palavras, Lula não deu aquele tom de conciliação quando em certo momento disse que iria se dirigir à multidão da outra ponta do veículo que estava à esquerda e ao centro, nunca à direita. Isso pode até ser irrelevante, mas não é bom para unir o país. Que nunca mais exista essa de “é nós contra eles”.

O VELHINHO ESTÁ DE VOLTA

Carlos González – jornalista

“Bota o retrato do velho de novo/Bota no mesmo lugar/O sorriso de velhinho faz a gente se animar”. Versos de uma marcha, interpretada por Francisco Alves, cujos autores, Haroldo Lobo e Marino Pinho, homenageavam a volta de Getúlio Vargas à Presidência da República, em outubro de 1950.

Sucesso do Carnaval do ano seguinte, a marcha acompanhou as manifestações de entusiasmo do brasileiro com o retorno do político de 68, que durante seis anos esteve asilado nos Pampas gaúchos.

Há certa semelhança entre o cenário de 1950 e aquele que se desenhou após a apuração dos votos do 2º turno das eleições para o cargo de presidente da República. Uma parcela do povo brasileiro festejou ontem nas ruas a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, outro velho político de 77 anos, que, na verdade, não tem o mesmo carisma de Vargas, lembrado até hoje por aqueles que conviveram com o getulismo.

O vermelho predominou entre os saltaram e dançaram atrás dos trios elétricos, celebrando o fim do ódio, da intolerância, da violência, da prepotência, do escárnio, da corrupção, dos preços altos dos alimentos, que nesses últimos quatro anos asfixiou a classe média e os que não têm o que comer no dia a dia.

Reconheçamos que entre os que deram um terceiro mandato a Lula havia os antipetistas, que, honestamente, não concordam com a prescrição de crimes cometidos pelo PT no passado. Mas, no interior da cabine de votação, veio à lembrança o alerta do cardeal de Aparecida, Dom Orlando Brantes: “Pátria amada e não Pátria armada”.

Num comentário anterior escrevi que o bolsonarismo não morre com a derrota de seu líder, assim como o fascismo não desapareceu com Benito Mussolini.

“Não daremos um minuto de sossego a Lula”, declarou ontem, à noite, um ativista do ódio, ao lado de produtores rurais e caminhoneiros, que poderão ser criminalmente acusados pelo bloqueio de rodovias em 12 estados, e incitações a um golpe militar.

Senhores golpistas: em 1950 e em 1956, dois marechais (não foram generais, nem um ex-capitão expulso de Exército), Eurico Gaspar Dutra e Henrique Teixeira Lott, garantiram as posses de dois civis, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, cujas eleições pelo voto direto eram contestadas pelos fascistas de ontem.

Senhores inconformados com o resultado das urnas: voltem ao trabalho e aguardem para dentro de 20 dias o início da Copa do Mundo do Qatar, quando voltarão a vestir a amarelinha, cantar o “Prá frente Brasil” e torcer pelo bolsonarista evangélico Neymar Jr, que responde por sonegação fiscal (R$ 188 mi) no Brasil, e corrupção empresarial (dois anos de prisão e multa de 10 milhões de euros, cerca de R$ 10 mi) na Espanha.

Contrariando determinação da FIFA, Neymar promete fazer o 22 a cada gol marcado.  Na Olimpíada de 2016, no Brasil, ele foi punido por exibir na testa uma faixa com a frase “Deus é fiel”.

 

 

 

 





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