:: 27/out/2022 . 20:59
VAMOS FALAR A LÍNGUA DO POVO
A esquerda brasileira precisa deixar de ser metida a besta intelectual, tirada a acadêmica analítica e falar mais a língua do nosso povo para que todos entendam o recado. Em uma reunião de partido, o que mais se vê é gente querendo falar difícil, com citações de filósofos, sociólogos e pensadores estrangeiros de todas as partes e tendências.
Não se trata de questão de baixar o nível, mas de dar um mergulho na realidade dos fatos, na vida como ela é, e fazer um discurso que seja compreensível para todos, como se é feita na técnica jornalística impressa que visa atingir do doutor ao menos instruído. Nos últimos anos as bases foram esquecidas.
Quando se vai a um encontro partidário de esquerda, a impressão que se tem é que estamos ouvindo uma dissertação de mestrado ou doutorado, numa dialética dirigida somente para um grupo restrito de cultos. O resultado é que se passa o tempo fazendo rodeios científicos, circulando e não se chega a lugar algum em termos de ação.
Sempre digo que essa esquerda precisa ser mais objetiva e não ficar fazendo elucubrações abstratas, falando de metafísica quântica ou coisa parecida. Afinal de contas, estamos num pais de semianalfabetos, de uma educação de baixa qualidade e de maioria inculta.
Talvez essa seja uma razão de vermos poucas pessoas do povo, das periferias, operários e iletrados filiados e participando dos partidos de esquerda. Muitos ali presentes se sentem alijados e até com medo de abrir a boca diante daquele falatório rebuscado e barroco.
Parece que cada um vai ali para exibir suas intelectualidades de conhecimento e sabedoria sobre o processo político, cheio de diagnósticos e historicidade. É um tal de falar difícil pra lá e pra cá como se estivessem num sinédrio de cientistas políticos a interpretar o Antigo Testamento.
Essa esquerda necessita ser mais direta e agir bem mais do que falar. É por isso que muitos candidatos bons, com boas intenções, honestos e preparados para o cargo eletivo não conseguem se eleger porque passa uma campanha toda falando línguas estranhas ao povo. Um partido não é para ficar fechado a um grupo. Acima de tudo, é para agregar e somar mais gente.
Se na oralidade a esquerda não tem alcançado a mente do brasileiro menos esclarecido, agora imagina nos textos escritos na mídia em geral! Tem vezes que começo a ler e não consigo chegar ao meio por ser enfadonho, longo e pedante. Os termos mais apropriados são pedantismo, exibicionismo e prepotência.
Essa esquerda solta um intrincado de termos recheados de citações e interpretações incompreensíveis. Muitos se enrolam no próprio pensamento. Entendo que falta mais senso crítico de que estamos falando e escrevendo para uma massa excluída e ansiosa por uma mensagem que leve esperança e seja compreendida. Ela busca pelos seus direitos essenciais.
EM BENEFÍCIO DA APAE
Foi na noite iluminada desta quinta-feira (dia 26/10) que Eugênio Avelino, mais conhecido como Xangai, sempre inspirado em suas cantorias, de palavras afiadas como as espadas do Samurai, nos brindou com seu show de convidados no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima.
Dessa vez, o mais importante é que foi em benefício da Apae de Vitória da Conquista onde fui diretor e conheci de perto as dificuldades que sempre atravessa essa instituição, a qual acolhe crianças e jovens com necessidades especiais. Um bom ato de solidariedade do músico, cantor, compositor e poeta Xangai.
A arte é respiro da vida e o artista precisa repartir o dom que ganhou para também fazer o bem, senão não terá sentido sua existência. O gesto é um grande exemplo, e suas canções de menestrel nordestino encheram as almas de quem lá esteve parta escutá-lo. Todos ganharam.
A apresentação por si só já diz tudo e se for ficar aqui descrevendo e falando pode acabar tirando seu brilho, sua poesia e borrar a imagem. A Apae que, infelizmente, às vezes é usada por oportunistas para interesses próprios, como a venda irregular do seu terreno, na Avenida Juracy Magalhães (triste episódio), deve ter ficada muita grata pela ação e que venham outros artistas para fazerem o mesmo.
DE ENCHER A ALMA…
Um canteiro de flores, principalmente de belas hortênsias nessa cidade de pedra, carregada de boas e ruins energias no ar, nos faz encher a alma de mais vigor e esperança nesse planeta tão destruído pela mão do homem. A mesma mão que faz as guerras, é a mesma que rega as flores, as quais inspiram os poetas para desvendar os mistérios da vida que muitos acham sem sentido. A própria flor já é uma poesia que contrasta com o prédio de concreto onde as pessoas vivem fechadas em seu eu individual. Esse canteiro de hortênsias na imagem clicada reflete também na lente das almas que entram e saiam, mesmo as mais angustiadas e secas de espírito. O mundo precisa de amor e flores para encher nossas almas de fé e esperança.
Do outro lado da rua, na Siqueira Campos, o burburinho das manifestações políticas. Outros pensamentos, outras ideias onde os jovens começam a desperta para a realidade de que política faz parte de nossas vidas, não a demagoga, a mentirosa, a corrupta ou aquela que só visa os interesses próprios de quem se elege. Costumam dizer que os jovens são a esperança do futuro do Brasil. Pode até ser um chavão ultrapassado, mas não é. Se não for, quem mais será? Só que é preciso ter consciência política do servir e não querer ser servido e só aproveitar dos mais fracos para se dar bem. É tempo de cobrar. É tempo de reivindicar e ir para as ruas denunciar e protestar. Sejamos hortênsias e também espinhos quando for necessário!
SE VOCÊ…
Autoria de Jeremias Macário
Se você não tem o paraíso,
Ao menos tenha juízo,
Melhor sair do inferno,
Do que ser escravo eterno.
Se você virou fera,
Nessa era capitalista,
Melhor se livrar dessa lista.
Se você não tem o mel,
Melhor o cheiro da abelha,
Que viver na ilusão do céu.
Melhor morrer com bravura,
Que divagar nessa loucura,
Com o berro preso de ferro.
Se você não é salafrário,
Melhor ser um digno operário,
Na marcha lutar e protestar.
Se você não é filósofo pensador,
Melhor regar sua flor.
Se você não é amado,
Melhor amar a si mesmo,
Sem ser manada e gado.
Se você é discriminado,
Nunca negue seus conceitos,
Defenda seus direitos.
A palavra de Deus,
É você quem faz, meu rapaz.
Melhor não ser religioso,
Que ser fanático criminoso;
Nunca aceite lavagem cerebral,
Siga sua mente livre racional.
ELEIÇÕES SUJAS
Carlos González – jornalista
Dentro de poucos dias o Brasil assistirá a mais suja das eleições nesses 123 anos de República. A produção de toneladas de detritos perigosos está concentrada no Palácio do Planalto, distribuídas por todo o país, em forma de mentiras, através das redes sociais, nos pronunciamentos do candidato Jair Bolsonaro e até mesmo na propaganda eleitoral grátis no rádio e na TV.
O número dos condenáveis “fake news”, como calculou meu colega e amigo o jornalista Jeremias Macário, daria para preencher mil páginas de um livro. Além da enxurrada de mentiras, que o TSE não consegue coibir, o aterro sanitário do Planalto e os seguidores fanáticos do militar expulso do Exército, há todos os tipos de material virulento, impingidos às pessoas sem consciência política.
A pressão ao trabalhador, principalmente na zona rural – no oeste baiano há dezenas de denúncias – não é uma prática, na verdade, dos dias atuais. No tempo dos “coronéis”, o “voto de cabresto” era exercitado livremente – o jagunço levava o homem do arado e da enxada até a cabine “indevassável”. Contou-me uma funcionária aposentada do TRE-BA que as urnas chegavam do interior com os votos “enxertados”, ou seja, fraudados .
O município de Casa Nova, no Médio São Francisco, a 572 kms de Salvador, é um típico exemplo do coronelismo praticado no Nordeste até a ditadura militar (1964-1985). Nas eleições, o candidato do chefe político local recebia 100 por cento dos votos. Certo dia, achou-se um voto contra. Foi decretada caça ao “traidor”.
“Demitam, sem dó nem piedade, quem votar em Lula”. A sentença foi transmitida por uma produtora rural da região de Barreiras, dirigida aos empregadores do agronegócio, que estão orientando seus trabalhadores a esconder o celular no sutiã, calcinha ou cueca, contando, evidentemente, com a ausência de fiscalização de alguns mesários, que no 1º turno não cumpriram o Manual distribuído pelos TREs. Esse crime eleitoral pode também ser coibido pelos partidos que apoiam o candidato de oposição, designando um fiscal para cada seção.
Estão enganados os que pensam que o bolsonarismo acabará com a derrota no domingo do pior presidente que o Brasil conheceu. Assim como os partidários do nazismo, do fascismo, do franquismo e do comunismo modelo soviético, estão espalhados pelo mundo, o bolsonarista, apoiado pelos fanáticos evangélicos, vão continuar exibindo seus arsenais, como fez o ex-deputado Roberto Jefferson. Alguns deles vão se juntar a partir de fevereiro aos membros do Centrão nas casas legislativas.
O bolsonarista sempre existiu, mas se mantinha no anonimato com receio de mostrar as garras. Faltava-lhe um líder, que saiu do baixo clero do Congresso, onde ficou por 27 anos ganhando sem trabalhar. Como estamos num regime democrático, naturalmente, há uma grande parcela do eleitorado que se declara antipetista e que gostaria que não houvesse polarização nessas eleições.
Homofóbico, racista, misógino, violento, odiento. Este é o perfil do bolsonarista, que vem há quatro anos se alimentando dos ideais do seu “mito” com relação ao Nordeste, à destruição das florestas, ao combate às doenças, ao corte nas verbas da educação e saúde, à compra de votos através do orçamento secreto, às agressões físicas aos jornalistas; à destruição de símbolos católicos e umbandistas, à exaltação à ditadura e aos seus torturadores.
Bolsonaro e seus seguidores têm se notabilizado em atacar chefes de governo. A última investida foi contra o papa Francisco, que se referiu à fome no mundo como “um escândalo e um crime contra os direitos humanos”. Os neonazistas brasileiros reagiram, chamando o chefe de Estado do Vaticano de “comunista” (chavão ultrapassado).
Em resposta, a CNBB emitiu nota de repúdio e altos prelados da Igreja inseriram em suas homilias frases como “Pátria amada e não Pátria armada”; “Maria venceu o dragão, mas há outros para serem vencidos”; “um agente de Satanás desrespeitou a casa da Mãe de Jesus fazendo pregação política”. Bolsonaro esteve em Aparecida no Dia da Padroeira.
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