VAMOS FALAR A LÍNGUA DO POVO
A esquerda brasileira precisa deixar de ser metida a besta intelectual, tirada a acadêmica analítica e falar mais a língua do nosso povo para que todos entendam o recado. Em uma reunião de partido, o que mais se vê é gente querendo falar difícil, com citações de filósofos, sociólogos e pensadores estrangeiros de todas as partes e tendências.
Não se trata de questão de baixar o nível, mas de dar um mergulho na realidade dos fatos, na vida como ela é, e fazer um discurso que seja compreensível para todos, como se é feita na técnica jornalística impressa que visa atingir do doutor ao menos instruído. Nos últimos anos as bases foram esquecidas.
Quando se vai a um encontro partidário de esquerda, a impressão que se tem é que estamos ouvindo uma dissertação de mestrado ou doutorado, numa dialética dirigida somente para um grupo restrito de cultos. O resultado é que se passa o tempo fazendo rodeios científicos, circulando e não se chega a lugar algum em termos de ação.
Sempre digo que essa esquerda precisa ser mais objetiva e não ficar fazendo elucubrações abstratas, falando de metafísica quântica ou coisa parecida. Afinal de contas, estamos num pais de semianalfabetos, de uma educação de baixa qualidade e de maioria inculta.
Talvez essa seja uma razão de vermos poucas pessoas do povo, das periferias, operários e iletrados filiados e participando dos partidos de esquerda. Muitos ali presentes se sentem alijados e até com medo de abrir a boca diante daquele falatório rebuscado e barroco.
Parece que cada um vai ali para exibir suas intelectualidades de conhecimento e sabedoria sobre o processo político, cheio de diagnósticos e historicidade. É um tal de falar difícil pra lá e pra cá como se estivessem num sinédrio de cientistas políticos a interpretar o Antigo Testamento.
Essa esquerda necessita ser mais direta e agir bem mais do que falar. É por isso que muitos candidatos bons, com boas intenções, honestos e preparados para o cargo eletivo não conseguem se eleger porque passa uma campanha toda falando línguas estranhas ao povo. Um partido não é para ficar fechado a um grupo. Acima de tudo, é para agregar e somar mais gente.
Se na oralidade a esquerda não tem alcançado a mente do brasileiro menos esclarecido, agora imagina nos textos escritos na mídia em geral! Tem vezes que começo a ler e não consigo chegar ao meio por ser enfadonho, longo e pedante. Os termos mais apropriados são pedantismo, exibicionismo e prepotência.
Essa esquerda solta um intrincado de termos recheados de citações e interpretações incompreensíveis. Muitos se enrolam no próprio pensamento. Entendo que falta mais senso crítico de que estamos falando e escrevendo para uma massa excluída e ansiosa por uma mensagem que leve esperança e seja compreendida. Ela busca pelos seus direitos essenciais.











