:: set/2022
UM DEBATE DANTESCO E MENTIROSO
O povo já não aguenta mais as propagandas eleitorais, da forma como elas são expostas, nas emissoras de rádio e televisão, nem dos formatos dos debates. Eles viraram motivos de chacotas e piadas. São todos enfadonhos, e a maioria das pessoas desligam essas mídias.
O debate de sexta-feira na Globo foi um exemplo claro de como esses programas eleitorais perderam a credibilidade. Não decidem mais votos, nem dos indecisos. O “padre” Kelmon foi o destaque com aquela figura dantesca como se estivesse ressurgindo das sombras da inquisição da Idade Média.
Sempre disse que o capitão-presidente era imbatível em termos de pensamentos retrógrados, anacrônicos e ações de retrocesso. No debate de sexta descobri que me enganei, tendo em vista que o “padre” laranja superou o seu mandante a se candidatar a presidente. Com aquela indumentária esquisita, ele chamou a atenção do Brasil.
Outro fato de destaque foi a avalanche de mentiras propaladas pelos dois pretendentes ao cargo que estão na ponta das pesquisas. Nesse embate, o Bozó ganhou com larga vantagem do seu adversário. Como disse num de meus versos, ele mente descaradamente.
O mais hilário de tudo isso foi a cena do “padre” impostor lado a lado com seu aliado capitão discutindo políticas culturais. O “sacerdote” fez uma pregação dos “bons costumes morais” dos tempos da inquisição, condenando as peças teatrais de nudez e tantas outras que não rezam em sua cartilha. Só rindo para não chorar!
Coitada da nossa cultura, tão pisoteada e maltratada! O capitão em tudo concordava com que dizia o “padre” e acrescentava mais outras asneiras. Falaram de pátria, família, Cristo, catequese com as crianças nas escolas e tradição, mas nada de cultura. Aliás, temos que admitir que é a cultura deles. Sobre o tal debate vergonhoso, nada mais a comentar.
A ESCRAVIDÃO NA PRÓPRIA ÁFRICA
“No passado, nós pensávamos que era da vontade de Deus que os negros deveriam ser escravos dos brancos. Os brancos primeiro nos disseram que era para vender escravos para eles e nós vendemos. Agora, dizem que não devemos mais vender. Se os brancos pararem de comprar, os negros vão parar de vender”.
Isto foi o que o chefe africano, obi Assai, de Aboh, reino situado no delta do rio Níger, disse a uma comissão britânica que o visitou em 1841. Ele não conseguia entender por que até poucas décadas antes os europeus faziam todos os esforços para obter cativos na região e, de repente, haviam decidido parar com as compras.
O jornalista e escritor da trilogia “Escravidão”, Laurentino Gomes, em suas pesquisas, constatou que os chefes africanos achavam comum que seus próprios povos e prisioneiros de guerra de outras etnias e reinos se tornassem cativos. Muitos venderam príncipes e rainhas que eram seus rivais para o Novo Mundo.
Mesmo com as proibições do tráfico negreiro pelos britânicos, por Portugal e o Brasil, em 1831 e 1850, o comércio continuou clandestino e aumentou a procura por escravos na própria África. A escravidão, na verdade, era a atividade mais lucrativa para os dois lados e prosperava a troca de mercadorias, como tecidos, cachaça do Brasil, tabaco e outros utensílios.
A Costas da Mina (Golfo do Benin, no trecho entre o Togo e a Nigéria) era tão importante no tráfico de escravos que os principais chefes de estado a reconhecer a Independência do Brasil eram dessa região, conforme destacou Laurentino. O gesto, de acordo com ele, aconteceu mediante uma embaixada enviada ao Rio de Janeiro, em 1824, pelo ologum Osinlokun, rei de Onim, atual cidade de Lagos, na Nigéria.
Sobre o estranhamento da proibição do tráfico, o governador de Angola, Adrião Acácio da Silveira, em 1849, fez o mesmo comentário sobre as pressões dos ingleses pelo fim do comércio. Ele disse que, enquanto houver quem compre escravos, há de haver quem os venda. o pensamento tem semelhanças com o que ocorre atualmente no Brasil com relação ao tráfico de drogas. O reino do Daomé era uma das peças centrais dessa lógica escravista. O próprio reio Guezo (Benin) recusou-se a assinar, em 1848, um tratado sob o argumento de que a proibição seria o mesmo que mudar a maneira de sentir do seu povo.
O forte de São Batista de Ajudá (Benin) onde Francisco Felix de Souza, o maior traficante baiano, se estabeleceu após chegar à África, foi erguido pelos portugueses em 1721 para proteger o tráfico negreiro na Costa da Mina. Em 1727, o reino Hueda, do qual Ajudá fazia parte, seria invadido e devastado pelos exércitos de Agaja, um soberano implacável e perverso. Os derrotados eram vendidos como escravos.
O ENCANTADO
Por que as pessoas de um modo geral ficam encantadas com o pôr-do-sol? Em meu entendimento porque acalma o ser humano e o faz refletir sobre a vida que nos tempos atuais é tão corrida em busca da sobrevivência e da solução dos problemas. O pôr-do-sol tranquiliza o espírito como se fosse um encantado e nos faz pensar sobre os mistérios do universo. Transmite paz, amor e esperança de que depois do pôr-do-sol virá o alvorecer, o nascer de novo. Além do mais, um pôr-do-sol é sempre diferente do outro, dependendo do local onde a pessoa esteja colocado e em que ponto ele se despede do dia para dar passagem à noite. É reflexão e meditação. Ele faz você dar um mergulho em si mesmo, sem contar que é poesia e canção.
CULTURA! CULTURA!
Alguém aí ouviu eu falar cultura?
Dizem ser essa economia criativa;
O homem arrastando enxada,
Papo da comadre e do compadre,
Cantoria no mutirão do adjutório,
A pegada da parteira,
A folha benta da rezadeira,
Os versos do Assaré Patativa,
A batida do martelo na noite calada,
O som do violino e do violoncelo,
Boiada e foice cortando roçado.
Cultura! Cultura!
Um banquinho, voz e violão,
Pena imaginativa da literatura,
A vida no campo ou na cidade,
Vênia do súdito à sua majestade,
Luta pela liberdade de expressão.
Cultura! Cultura!
Está em tudo que se faz,
Na lida atrás daquele monte,
Onde o índio faz sua dança;
É água da primeira fonte,
Mergulhar no desconhecido,
Transgredir o “proibido proibir”,
Dar sentido à sua andança.
Cultura! Cultura!
Maracatu, Congo, Ternos de Reis,
Canção, violar, forrozar e sambar;
Embolada de nó, sarau e repente;
Cordel nas feiras do varal;
Inventar uma nota de três;
Ser sal e aceitar o diferente;
Viajar pelos mistérios do Além Mar.
Cultura! Cultura!
É o Baobá do africano,
A gameleira do baiano,
O atabaque no terreiro do orixá,
A tradição do cigano,
A arte do escrever e pintar,
E zelar da terra e do mar.
Cultura! Cultura!
Luz, lente, cinema e imagem;
Está na batida da palha do feijão;
Ternura, bravura e razão.
Cultura! Cultura!
Está no canto da poesia,
Nos editais da burocracia,
Nos relatórios e falatórios,
Na fome do conhecer,
No maldito corte da censura,
No saber traçar sua travessia,
Sou eu, o outro e você.
UNS TÊM E OUTROS NÃO…
“Não sei, só sei que foi assim” – é como diz o personagem Chicó (se não me engano agora) na peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, para explicar os causos mirabolantes e estranhos contados por ele no sertão nordestino. Tudo é mistério, tudo é confusão!
Na dialética da vida, enquanto uns nascem outros morrem, e não se sabe ao certo sobre esse outro lado do além de que tanto falam. Cada religião externa sua filosofia própria sobre o sobrenatural. Poucos com tantos e outros sem nada a viver na pobreza e na miséria.
Existe uma razão lógica? Todos são diferentes. Sem essa de iguais. Isso soa a uma tremenda demagogia. Igual só se for na morte. Muita gente a guerrear nos campos de batalhas, na maioria das vezes pelo poder e domínio de territórios. Outros lutam pela paz e pelo amor.
É assim que a roda gira nesse viver passageiro do planeta terra de cerca de oito bilhões de habitantes, cada qual em suas delimitadas fronteiras de muros, postos de vigilância com guardas de fuzis e metralhadoras nas mãos ou arame farpado.
Na cultura zoroastrista e cristã, uns vão para o céu e outros para o inferno. Somente o Supremo é eterno, como nos foi ensinado desde criança na catequese. Todos já foram vítimas de algum tipo de lavagem cerebral. Existe o Deus e o diabo, o bem e o mal que muitas vezes fazem os pactos, principalmente na política, para alcançar o fim depois do início e do meio.
Na luta de classes, sempre o capital e o trabalho viveram se digladiando, cada um com suas armas, mesmo antes de Engls e Marx que atiçaram as consciências políticas e fizeram revoluções. O capitalismo levou a melhor, mas ainda há esperança do socialismo voltar.
Uns sobem e outros descem nessa multidão como carreiros de formigas, numa corrida frenética pelo dinheiro, até mesmo o mendigo da esquina. É a chamada luta pela vida, de um tentando engolir o outro. Não pense que está livre desse emaranhado.
Uns colhem espinhos e dores, outros rosas e flores. Existem os privilegiados e os considerados “amaldiçoados”. Tem aqueles em plena fartura e os que seguem a fila do osso para fazer um escaldado para matar a fome.
Uns a gozar de plena saúde, enquanto outros sofrem com doenças crônicas e exóticas sem cura, na dependência de medicamentos contínuos. Uns em luxuosos hospitais e outros em unidades precárias e sujas, muitas vezes sem médicos.
O escritor poderia dizer que tudo isso faz parte da crônica da vida. É porque é assim mesmo. O filósofo apelaria para a metafísica e os enigmas do ser para explicar o inexplicável. Alguém indaga a Deus do porquê dos casebres pendurados nos morros e favelas e as mansões luxuosas banhadas a ouro e prata cheias de grades e seguranças?
Uns passam a vida a discutir ideologia. Tem o político e o eleitor, a ditadura e a democracia, a tirania e a ternura, o pobre e o rico, o analfabeto e o doutor, o matuto e o “civilizado”. Uns pintam, esculpem e outros fazem poesia. Tem o cancioneiro, o palco e a plateia para lhe aplaudir. Uns choram e outros vivem a sorrir.
Uns governam e outros são governados. Tem os reis, os súditos e os vassalos, os vencidos e os vencedores. Uns têm pátria e outros não. O andarilho não tem pouso, mas tem o espírito livre e o desapego pelo material. Uns na solidão e outros não. Tem a tristeza e a alegria. Tem a felicidade, embora não plena, e os infelizes. Uns têm e outros não…
A INTERVENÇÃO MILITAR E A AMEAÇA À DEMOCRACIA: DOIS CABOS ELEITORAIS
O ontem não é o mesmo do hoje e nem o amanhã, mas a coerência e a ética devem ser. Estou falando das movimentações da política brasileira através dos longos anos, cujas mudanças de posições registradas pela história nos deixam confusos e estarrecidos com os conluios, acordos e apoios que antes seriam imagináveis.
Essas alianças poderiam ser até anormais em tempos remotos quando as pessoas tinham mais caráter e pudor. Hoje perderam a vergonha e, com a cara mais limpa, dizem simplesmente que tudo faz parte da política. A questão não está em você rever seus conceitos, o que é natural e aceitável, contanto que isso seja feito longe dos oportunismos e desvios de conduta.
Na verdade, fiz um certo atalho só para lembrar que na eleição de 2018 foi o ódio raivoso ao PT que elegeu um monstro psicopata para a presidência da República. Nesta de 2022 foram o medo de uma intervenção militar e a ameaça à democracia os principais cabos eleitorais que vão trazer o partido de volta ao poder.
Foram essas duas questões que mais mobilizaram o país nos últimos dias, a começar pelos manifestos suprapartidários de intelectuais, artistas, professores, líderes sindicais e dos estudantes ocorridos na Universidade de São Paulo que deram o tom da arrancada para derrubar o capitão-presidente, nem tanto seus palavrões e desprezo pelos negros, as mulheres, jornalistas e os grupos LGBT.
As incoerências partidárias não contam mais quando o eleitor vai à urna, mesmo porque a maioria não tem memória e acha tudo normal na hora da escolha. Ninguém lembra, ou não dá importância, por exemplo, que foi Dilma quem deu indulto de Natal ao maluco do Roberto Jefferson.
O Bozó deu o perdão ao deputado nazista Daniel Silveira que ameaçou ministros do Supremo Tribunal Federal, inclusive de fechar a corte, sem contar suas ofensas à democracia em campanhas pela intervenção militar, ou seja, a volta da ditadura pelas forças armadas. Gostaria de saber qual o pior dos dois entre o Jefferson e o Silveira?
Quem diria, por exemplo, que o ministro Joaquim Barbosa, o carrasco do PT no mensalão no início dos anos 2000, um dia fosse apoiar Lula? Pelo menos se houvesse certa coerência, não seria o momento dele ficar calado? Onde fica o povo que louvava e aplaudia o Barbosa nas ruas naquela época? O povo sempre foi massa de manobra, iludido pela esperança de trocar a cachorrada.
O grande erro do capitão-presidente, sem citar aqui milhares de outros, como genocida, foi se juntar aos extremistas nazifascistas para se colocar contra a democracia e a favor de uma ditadura, negando que ela tenha existido. Foi o que mais pesou na balança no julgamento da nação, que não levou também em consideração o passado de contradições nos ajuntamentos.
Muitas vezes procuramos enganar a nós mesmos para dar luz às trevas quando queremos defender a nossa “convicção” de que estamos certos na decisão, mesmo sendo contraditórios. Talvez não passe de um velho de discurso atrasado por estar esmiuçando essa besteira de ética e coerência.
Nunca conseguiremos construir uma verdadeira revolução socialista fazendo coligações com essa elite burguesa nojenta que impede o pobre de crescer na vida e sair da miséria. Não consigo imaginar, por exemplo, o Geraldo Alkmin enrolado numa bandeira vermelha da CUT, do MST ou de qualquer outra agremiação de esquerda. Na Bahia, João Leão, carlista desde criancinha, sempre teve DNA de direita. O mesmo acontece com o Otto Alencar.
O POLÍTICO SE BENEFICIA DO FUTEBOL
Carlos González – jornalista
A política, representada pela Bancada da Bola no Congresso Nacional, e o futebol, traduzido na sua entidade máxima, a CBF, celebraram um casamento, com finalidade lucrativa, onde os “nubentes” juraram mútua fidelidade. João Havelange (1916-2016), o mais longevo dos “cartolas”, foi o responsável pela abertura de um canal com os poderes Executivo e Legislativo, independente do viés ideológico dos seus interlocutores.
Sem consulta ao técnico Tite, que não deseja ser recepcionado por Jair Bolsonaro, antes ou após a Copa do Qatar, o deputado José Rocha (União Brasil-BA) e mais 10 membros do Centrão, vão acompanhar os treinamentos da Seleção, “porque nosso futebol precisa recuperar sua liderança no mundo”, argumenta o ex-presidente do Vitória, repetindo constantemente que ninguém vai ao Qatar com dinheiro público e nem sugerir a escalação do jogador “A” ou “B”.
Cumprindo o sexto mandato, Rocha aderiu à Bancada da Bola, que teve como maior preocupação abafar a corrupção na CBF,- a instalação de uma CPI ficou só no papel -, comprovada pela justiça norte-americana e pela FIFA. Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero foram banidos do futebol; Rogério Caboclo foi destituído do cargo por assédio sexual.
A impunidade dos “cartolas” era trocada por financiamentos das campanhas eleitorais, com recursos destinados a candidatos e partidos políticos. Recompensas menores se traduziam em viagens ao exterior para assistir jogos da Seleção, ingressos para camarotes nos estádios e as tradicionais camisas do time brasileiro personalizadas.
Primeira investida
A primeira investida da classe política no futebol ocorreu em 1950. Na onda do “já ganhou”, políticos de todos os matizes, inclusive os presidenciáveis Eduardo Gomes (1896-1981) e Cristiano Machado (1893-1953), acorreram a São Januário, onde a Seleção Brasileira estava concentrada. Os discursos inflamados exerceram um efeito negativo sobre os atletas. O resultado, todos já sabem. Ausente da festa antecipada, Getúlio Vargas (1882-1954) venceu as eleições em outubro daquele ano.
A mais flagrante interferência de um governo na Seleção aconteceu em 1970, em plena ditadura militar – o AI-5 já estava em plena vigência. O general-presidente de plantão Garrastazu Médice (1905-1985) interferiu na comissão técnica, substituindo o treinador João Saldanha (1917-1990), um jornalista comunista, no conceito da ditadura, pelo bicampeão Zagallo, além de convocar o atacante Dario.
Estimulada pela marchinha “Pra frente, Brasil”, as “Feras do Saldanha” conquistaram o tri mundial. Anos mais tarde, Carlos Alberto e Tostão, craques daquele notável time, admitiram que ignoravam os atos de repressão nos porões da ditadura. Em São Paulo, o governador Paulo Maluf, um ardiloso político, hoje cumprindo pena em prisão domiciliar, comprou 24 Fuscas, com dinheiro público, para presentear os jogadores.
Com exceção do título de 70, os quatro outros conquistados pelo Brasil não foram flagrantemente explorados politicamente pelos chefes do Executivo. Os bicampeões de 58 e 62 foram recebidos em palácio, respectivamente, pelos presidentes Juscelino Kubitschek (1902-1976) e João Goulart (1919-1976). A mesma estatura moral tiveram Itamar Franco (1930-2011) e Fernando Henrique Cardoso, na recepção aos campeões de 94 e 02.
Lula e Bolsonaro
A chegada de um novo século revelou que os ocupantes do Alvorada viam o futebol – Dilma Rousseff e Michel Temer, nem tanto – com outra perspectiva. Ao tomar posse em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva imaginou que no degrau mais alto do pódio o Brasil alcançaria um lugar relevante no concerto das nações. O empenho do seu governo, somado ao suborno pelo COB a dirigentes africanos, resultaram na vinda da Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, para alegria das empreiteiras, que construíram 12 arenas – a FIFA limita em 10 -, a maioria superfaturada.
Torcedor do Corinthians, Lula solicitou de Emílio Odebrecht a construção de um estádio para seu clube, para receber a partida inaugural do Mundial de 14, em substituição ao Morumbi, que fora, estranhamente, vetado pela FIFA. O Itaquerão, construído em tempo recorde – um poleiro foi instalado na véspera da inauguração para atender a capacidade de 45 mil pessoas. – custou R$ 1,1 bi. Aquela Copa será lembrada pelo torcedor brasileiro pelos 7 a 1 da Alemanha.
Depois de três décadas de repouso no Congresso, como membro do baixo clero, Jair Bolsonaro chegou à Presidência da República ressaltando seu amor ao Palmeiras. Ao notar que seu índice de rejeição estava aumentando, o ex-capitão usou as cores do futebol como elemento político. Nos constantes passeios de jet ski, motos e aeronaves da FAB, enquanto milhares de brasileiros morriam de covid, por falta de vacinas, Bolsonaro posou com as camisas dos mais populares clubes brasileiros, inclusive a do Corinthians, arqui-inimigo do Palmeiras. Fotografado no Lago Paranoá com a camisa do Bahia, provocou protestos da direção e das torcidas organizadas do clube baiano.
Na Bahia
O ex-presidente do Vitória, Alex Portela, se queixou certa vez que o Bahia tinha livre trânsito nos gabinetes dos políticos do Estado. Esqueceu o dirigente que seu clube praticamente não gastou nem um cruzado (moeda da época) na construção do Barradão. O terreno em Canabrava e os serviços de terraplenagem foram presenteados pelos prefeitos de Salvador, Clériston Andrade (1925-1982) e Renan Baleeiro (1930-2014). O governador João Durval Carneiro – o Vitória era presidido por José Rocha – autorizou a construção, a pedido de seu sogro Manoel Barradas (1906-1994), que dá nome ao estádio.
Na Bahia, o futebol foi o trampolim para “cartolas” e jogadores ascenderem à carreira política, com o apoio dos torcedores. Vereador e deputado, Osório Villas Boas (1914-1999) foi o todo poderoso do Bahia nas décadas de 50 e 60; seu afilhado Paulo Maracajá trilhou o mesmo caminho, assim como Marcelo Guimarães (pai e filho); líder do movimento que acabou com a ditadura do Bahia em 2013, Fernando Schmidt (1944-2020) foi ministro, secretário de estado e vereador.
Ídolo das torcidas do Bahia e Vitória, o zagueiro e advogado Roberto Rebouças (1939-1994) ocupou uma cadeira na Câmara de Vereadores de Salvador; Bobô, campeão brasileiro de 88 pelo Bahia, busca um novo mandato como deputado, nas eleições do dia 2.
O MAIOR E O MAIS FAMOSO TRAFICANTE DE ESCRAVOS AFRICANOS ERA BAIANO
Seu casarão de três andares com uma frondosa gameleira (árvore sagrada no candomblé da Bahia), em Ajudá, atualmente República do Benin (antigo reino de Daomé) tinha dois canhões no pátio para revidar qualquer ataque inimigo. Ele era um senhor respeitado em toda região onde já foi um dos maiores entrepostos de tráfico de africanos escravizados para o Brasil.
Em Ajudá existia a Fortaleza de São João Batista, construída pelos portugueses em 1721. Esse comércio de cativos se manteve ativo por quatro séculos e ele fez grande fortuna. Era católico devoto de São Francisco de Assis, mas seu nome em Benin ficou associado a uma divindade local, um vodum chamado Dogoun (dragão). Em seu funeral sete pessoas foram sacrificadas em sua honra.
Estou falando de um mulato claro nascido em Salvador (alguns até citaram como se fosse de Portugal) de nome Francisco Félix de Souza, o maior e o mais famoso traficante que levava escravos para o Brasil na primeira metade do século XIX.
Quem conta toda essa história é o jornalista e escritor Laurentino Gomes em seu terceiro volume de “Escravidão”, ao atestar que ele era amigo e parceiro nos negócios com o rei Guezo, do Daomé. No local existia um grande aparato de segurança para dar proteção ao mercado negreiro que funcionava como uma feira livre de vender gente.
Diz Laurentino que, ao longo de meio século de atividades nesse ramo, Francisco Félix teria embarcado mais de meio milhão de escravos para o Recôncavo baiano. Ao morrer em 1848 aos 94 anos, deixou 53 viúvas, mais de 80 filhos e dois mil escravos. Teria acumulado uma fortuna hoje calculada em torno de 120 milhões de dólares.
Francisco foi tão importante que ganhou do soberano do Daomé o título de Chachá, honraria hereditária semelhante a um vice-rei. Seus descendentes formam hoje uma influente dinastia no Golfo de Benin, com ramificações na França, no Benin, na Nigéria, Togo e Costa do Marfim.
De acordo com o escritor, um deles, o general Paul Émile de Souza foi presidente da Junta que entre 1869 e 1970 governou o Benin quando o país ainda se chamava de Daomé e vivia sob uma ditadura militar.
Também, o arcebispo Isidore de Souza presidiu o Alto Conselho da República. Autores levantaram a hipótese de que Francisco Félix teria nascido em Portugal pelo motivo da Coroa Lusitana ter lhe dado uma comenda de Cavalheiro da Ordem de Cristo e o considerou “benemérito patriota”. Houve até quem apontou que ele era natural de Cuba ou do Rio de Janeiro.
No entanto, através de pesquisas mais aprofundadas chegou-se à conclusão que ele era mesmo baiano, inclusive confirmado pelos historiadores Alberto da Costa e Silva e Luis Henrique Dias Tavares, com base numa carta de alforria de uma de suas escravas.
O motivo de ter se mudado para África são obscuros, segundo Laurentino. Um relatório britânico de 1821 o descrevia como um renegado, banido dos Brasis, por ter desertado do exército. Acusaram ainda de ter sido falsificador de moedas e se envolvido em conspirações políticas.
Quando Francisco chegou à África, a escravidão se mantinha como uma das atividades econômicas mais importantes e lucrativas do continente. A abolição do tráfico para os domínios britânicos e para os EUA, entre 1807 e 1808, aumentou a escravidão doméstica na própria África, conforme relata o autor da trilogia. Nessa época havia mais escravos no continente africano do que nas Américas.
Além do trabalho forçado, os escravos também foram vítimas de sacrifícios rituais em algumas ocasiões, como no funeral de Opoku Fofie, rei dos achante, a mais poderosa etnia na Costa do Ouro, atual Gana, onde mais de mil teriam sido mortos.
Um dos principais destinos dos escravos dessa região do Golfo do Benin, ou Costa da Mina (Togo e Nigéria), de Angola e do Congo era para a Bahia. A costa da Mina era tão importante no tráfico de escravos que os primeiros chefes de estado a reconhecer a Independência do Brasil eram dessa região.
NÃO ACREDITO SER ASSIM
Confesso que não consigo entender essa visão simplista e até sem lógica que as pessoas fazem de Deus, de Alá, de Javé, Zeus, Tupã, Oxalá ou que seja do Ser Supremo. Cada um diz ter o seu Deus. Não entra em minha cachola, que não usa nem dez por cento de seus neurônios, de que foi assim que Deus quis, quando algo acontece de bom ou ruim.
Diariamente usam o nome de Deus em vão no futebol, no tabuleiro de xadrez, de dominó, nas cartas de biriba, para roubar, furtar, derrubar árvores, na política com promessas ilusórias e até para matar o seu semelhante.
Seu nome já é pronunciado maquinalmente como programa de computador. É só clicar e abrir, ou dar o ctrl c e o ctrl v para copiar. A criança ouve dos pais e cresce repetindo seu nome em qualquer coisa que faz. A impressão que se tem é que não há mais pensar, refletir e raciocinar no ser humano.
Prega-se o livre arbítrio, mas do outro lado fala-se que nada acontece sem a permissão de Deus, incluindo aí as tragédias e as catástrofes. Não se trata de uma grande contradição? Não acredito ser assim, nem naquela versão de que Ele um dia vai destruir o nosso planeta terra.
Que livre arbítrio é esse que nos consideramos impotentes diante Dele? Destino ou o poder de escolher o caminho certo ou errado? Imaginou se todos ficassem parados esperando as coisas acontecerem? Somos movidos por uma energia invisível? Para que serve, então, todo nosso esforço de decisão?
São os próprios homens que estão liquidando com a fatura através das guerras, da ganância do capital pelo consumismo, do egoísmo dos ricos que não importam para aqueles que passam fome, do lixo que jogam na natureza, das derrubadas e incêndios nas florestas e de tantas outras maldades que provocam o aquecimento global.
Deus fez o universo sideral, a terra, as montanhas, os rios, os mares, a fauna e a flora com milhões de espécies, as belas paisagens, o ser humano para viver em harmonia e paz e, depois de tudo isso, Ele vem e acaba com tudo? Não vejo sentido nisso.
Na cabeça desse povo, Deus virou até jogador de futebol e torcedor. Tem em cada país, província ou no mais remoto lugar o seu time preferido. O pior é que, às vezes, Ele esquece do seu clube para atender os pedidos dos fanáticos que rezam com o terço na mão. Para agradar a uns e desagradar outros, Ele faz o perder, ganhar e o empatar. Deve ficar irritado com tantos chatos buzinando em seu ouvido.
Até numa briga de inimigos Ele entra. Um tem que morrer. Numa tragédia, os sobreviventes agradecem sua mão divina salvadora. No momento não deu para socorrer os mortos. Não acredito ser assim que Ele escreveu essa crônica. Ele é tão carrasco que criou a miséria, e tão bondoso que fez os ricos e os poderosos?
CACHORROS E MORADORES DE RUA
Eles estão visíveis em todas as partes da cidade, inclusive fora do centro como na foto da Avenida Filipinas, no Bairro do mesmo nome ou Jardim Guanabara, como também é conhecido por muitos. Infelizmente, é a cara do nosso país dos dias atuais, cujos governantes deixaram o povo e os animais, no caso os cachorros, caírem no abandono e na miséria. Uma pátria que não cuida de seus filhos não é amada por todos e dela não se pode orgulhar. Por incrível que possa parecer, o aumento de moradores de rua tem também relação com o de cachorros, pois muitas pessoas entraram na extrema pobreza e foram obrigadas a soltar seus animais em cada canto da cidade por falta de alimento para dividir. Vitória da Conquista não poderia ser diferente. Os pedintes estão espalhados em todas as partes, como nas praças, portas de bancos, supermercados, nas filas e nas sinaleiras. Nesses locais também lá estão os cachorros que vagam famintos lambendo restos de comida ou alguma sobra que alguém oferece. São imagens que nos envergonham, mas a realidade não pode deixar de ser registrada quando uma lente está por perto. Do registro da máquina nascem as palavras que podem até ser dispensadas porque o retrato já diz e denuncia tudo. O dia de votar está chegando e todos os candidatos prometem mudar esse triste quadro. Será mesmo?













