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:: 12/set/2022 . 23:06

ELEIÇÕES, FOME E MISÉRIA

Tentei falar com Brasilino da Silva Santa Cruz, mas ele se manteve recluso e apenas disse que ainda não se recuperou da decepção que teve com o Bicentenário da Independência. Definitivamente respondeu que só iria sair do seu silêncio depois das eleições. Parou de usar celular, ler jornais ou revista e, acima de tudo, assistir televisão, principalmente agora com essas propagandas mentirosas dos candidatos.

Devido a minha insistência, ele mandou que eu fosse catar coquinho ou conchas na praia. Sem sua opinião, fui obrigado a falar um pouco das eleições que já estão batendo em nossas portas no dia 2 de outubro.

Como todas as outras passadas, a propaganda eleitoral é mesmo um tédio, porque você não vê conversa séria de projetos para resolver os principais problemas do nosso país. É o prior horário na Tv que uma lei eleitoral teve a proeza de instituir. Poderia até ser premiado como o mais enfadonho.

Nesses dias ouvi o papo de alguém que também escutou de um andarilho numa discussão com um assistente numa dessas casas de abrigo do governo que acolhe pessoas que estão de passagem pela cidade, viciadas e moradores de rua.

Num certo momento, o cara, que se recusava a seguir as regras da casa, se dirigiu ao agente de forma grosseira e afirmou que o mesmo deveria agradecê-lo e a todos que ali estavam pelo emprego que tinha. Consultei os meus botões e refleti que de certa forma o indivíduo acertara em sua fala, filosófica, econômica, social ou sei lá o que.

Grosseiramente conclui que a fome e a miséria no Brasil têm sido incentivadoras de empregos quando as secretarias estaduais e municipais montam suas estruturas exclusivamente para cadastrar a pobreza nos bolsas famílias, nos auxílios e outros serviços de assistência social.

Como só tem aumentado o número de necessitados passando fome e vivendo na extrema pobreza (quem precisa tem pressa), pouco espaço tem sobrado no sentido de realizar programas voltados a tirar essa gente desse estado de calamidade. Veio-me à cabeça o ensinamento do não dê o peixe, mas ensine a pescar.

Com base nisso, até que o cabra desaforado lá do abrigo tem certa razão. No fundo ele quis dizer que as eleições, a fome e a miséria têm sido grandes empreendedoras na geração de emprego. É lamentável termos chegado a esse ponto tão paradoxal.

Para completar esse quadro de horror, nas campanhas, as palavras fome e miséria são, infelizmente, as mais pronunciadas pelos pretendentes aos cargos nos executivos e legislativos. Todos prometem que vão aumentar os auxílios e dar isso e aquilo aos pobres, mas não se vê um projeto de renda e emprego parta tirar essa gente das esmolas que não estão mais envergonhando o cidadão, como, ao contrário, cantou em sua sanfona Luiz Gonzaga, o rei do baião.





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