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:: 1/set/2022 . 23:32

A PAUTA É COLOCAR COMIDA NO PRATO E ELOGIAR OS BARÕES DA ELITE

“SAI DAÍ, CÃO, QUE TE FAÇO BARÃO”.

A LINGUAGEM DA DIREITA E DA ESQUERDA SE CONFUNDEM. ELAS SE ACASALAM QUANDO SE TRATA DO SOCIAL E POUPAM OS AFORTUNADOS BARÕES DO AGRONEGÓCIO, BEM COMO OS EMPRESÁRIOS QUE FIZERAM A REFORMA TRABALHISTA ESCRAVISTA. SÃO OS INTOCÁVEIS. ABRAÇAM OS POBRES PARA SE BANQUETEAR COM OS MAIS RICOS.

Nos tempos do império, principalmente no segundo período, e em épocas de crise, o imperador D. Pedro II agraciou os fazendeiros do café (Vale do Paraíba), os comerciantes em geral e até os traficantes ilegais de escravos africanos com títulos de nobreza de barões, duques, marqueses, condes, viscondes e coronéis em troca de dinheiro, na base do “toma lá, dá cá”, para sustentação no poder, que foi derrubado por eles mesmos.

Dessa enxurrada de condecorações surgiu o ditado “Saí daí, cão, que te faço barão”. Muitos se passaram por “mecenas” das artes; e construíram obras de caridade e hospitais, como as Santas Casas das Misericórdias. Para eles, que praticaram crueldades e enriqueceram com a escravidão (milhares morreram na travessia do Atlântico, cemitério dos cativos), foram erguidas estátuas em suas homenagens.

Os poderosos da oligarquia e da aristocracia atual, sem mais as medalhas de nobres, mas com outros tipos de premiações, continuam sendo os protegidos dos reis a ganhar fortunas transgredindo a ordem e a lei. Parta eles, elogios e promessas de mais recursos baratos. Para o agricultor familiar uns trocados cheios de burocracias.

O “toma lá e dá cá” nunca acabou para as castas de políticos, executivos e judiciário, bem como para os barões da soja, do milho, do gado, do café, do algodão, do comércio e da indústria que recebem polpudos subsídios da União (grana do povo), e ainda exploram a mão de obra do trabalhador através de uma reforma escravista.

As campanhas eleitorais estão de vento em poupa, com a mesma linguagem chata e nojenta invadindo nossos lares com o nosso dinheiro. Todos são alinhados à direita capitalista, mas uma parte se acha sangue puro da esquerda quando a questão é fome, miséria e comida na mesa. Fazem “gracinhas” para as minorias.

No entanto, os dois lados e mais o centro saem pela tangente quando se fala em cortar as benesses dos barões das elites, como por exemplo, os donos do agronegócio e os empresários que construíram essa maldita reforma trabalhista para encherem mais ainda seus bolsos.

Outros temas também como aborto e a descriminalização das drogas são evitados, e cada um tem uma palavra “mágica” mentirosa para resolver o problema do tráfico de armas e ilícitos, os quais geram mais violência e mortes.

A saída deles é sempre de mentalidade militar, no sentido de reforçar o armamento (tanques, fuzis e metralhadoras nas ruas e nas favelas) e o número de efetivos do policiamento, as mesmas medidas direitistas retrógradas arcaicas que há séculos não têm dado resultados, só desastre e matanças. Somente alguns pequenos partidos de esquerda condenam essas políticas.

A esquerda de hoje no Brasil só existe quando se fala do social, das minorias, dos negros e indígenas para enganar e embromar essas classes. A reforma agrária nesse Brasil nunca foi levada a sério e posta em prática porque a elite não deixa. Da última vez que se tentou, os generais e os civis burgueses deram um golpe que virou ditadura com dias de chumbo.

Gritam e berram para dizer que vai acabar com a fome e a miséria, oferecendo mais esmolas, sem, no entanto, apontar um projeto socialista verdadeiro de distribuição das riquezas, que faça esses milhões de brasileiros caminhar com suas próprias pernas, sem depender dessas bolsas e doações eleitoreiras. É a perpetuação da ignorância, da falta de educação, de cultura e do aumento do analfabetismo.

Quanto mais auxílios, sem alternativas econômicas e sociais, mais filas de pobrezas e mais sofrimentos para adquirir a prometida ajuda. Entra ano e sai ano, e o quadro só tende a piorar, com choros e derramamento de lágrimas. Nessa de dar aos pobres sem tirar dos barões, a renda só faz concentrar mais ainda nas mãos dos poderosos, gerando mais desigualdade social, que envergonha a nós e ao mundo.

Esse esquema só faz afundar o Brasil numa crise fiscal sem fim, porque tudo vem do Tesouro que é sustentado pelo povo, e aborta mais inflação e desemprego. A nossa esquerda não passa de um fantasma brasileiro que vive às custas da desgraça da pobreza, da fome e da miséria. É um verdadeiro estupro explícito. O sistema eleitoral vigente não passa de um grande estelionato.

 

 

MORADORES E OS ANIMAIS

Como criaturas, todos somos animais, inclusive na classificação social onde uns poucos vivem com dignidade e outros muitos na mais profunda desigualdade. Como os humanos moradores de rua, os cachorros, principalmente, vagam abandonados pelos seus donos nas ruas e praças das cidades, sujeitos à fome, ao calor e ao frio, dormindo debaixo de marquises e viadutos. No caso dos cachorros, existem aqueles bem tratados em mansões de ricos que levam uma vida melhor que milhões de seres humanos brasileiros. Como na imagem da foto, estes são os considerados miseráveis renegados. A mesma coisa acontece com os humanos que também são divididos por classes, e comem o que os outros dão. Quanto aos cachorros, nem existe essa capacidade de colaboração e solidariedade entre eles. Numa análise mais filosófica no campo da superioridade racional, o homem é ainda pior porque larga seu bicho na rua, com a mínima condição de sobrevivência. Nessa ótica de visão, somos mais estúpidos que os outros animais. São os paradoxos que se cruzam com as comparações da vida na terra.

PARADO NA ESQUINA

Mais uma produção poética social do jornalista Jeremias Macário

Ei, seu cabra suspeito!

O que está a pensar,

Aqui parado,

Neste poste da esquina,

Com esse jeito,

De quem vai roubar?

 

Seu polícia,

Meu nome é fome,

Que não me deixa raciocinar.

Só estou assuntando,

Essa sociedade assassina,

Metida a grãnfina,

Que concentra toda riqueza,

Pra gerar nossa pobreza.

 

É, seu preto meliante!

Com esta cara de traficante,

Se vire pra uma revista,

E “tege” preso,

Vagabundo subversivo,

Que nem deve estar vivo.

 

Seu soldado,

Só estou aqui parado,

Neste poste da esquina,

Esperando o carro do osso,

Pra pegar umas pelancas,

Fazer um angu,

Pra Zefa de Manu,

E minha criança menina.

Não passo de um cidadão,

Sem no bolso um tostão,

E o senhor, um cativo

Do capital patrão.

 

Está algemado e detido

Por desacato à autoridade,

Sem essa de liberdade,

Seu bandido atrevido.

 

Por ter reagido,

Jogaram o moço na viatura,

Nem passaram na delegacia,

Muita porrada e tortura,

Deram cabo do coitado,

Com tiros na travessia.

 





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