:: set/2022
CONVERSA COM DEUS
De autoria do jornalista Jeremias Macário
Alô, Senhor Deus!
De todas religiões e Zeus,
A terra aqui está à toa:
Suas criaturas fazem loucuras,
E matam pelo cajado e a coroa,
Nessa maldita pressa,
Peço só um dedo de prosa,
Um minuto de sua palestra,
Da sua porta pela fresta,
Sobre essa gente cavernosa.
Na seca um pede chuva,
O outro quer seu sinal;
Tem o que só quer gol,
E até o infeliz matador,
Que se benze para o mal.
Tudo nesse louco planeta,
Dizem ter a sua caneta,
Até que age certo,
Por linhas tortas,
Mas, meu camarada, para mim,
Sua terra está chegando ao fim,
Pelos brutos do deserto.
Se existe esse livre arbítrio,
De ser até um assassino,
Que cada um dita seu destino,
Por que sempre se diz:
Que foi Você que assim quis?
Não é contradição de raiz?
Nem sei mais o que pensar,
Quando vejo o pássaro a voar,
No alto da minha cabana cigana,
Ou quando os olhos miram o mar,
Nesse universo de mistério,
Não passo apenas de um verso.
Se apareceu pra Moisés e Abraão,
Por que não mais pra ninguém,
Nem com reza e oração?
Se puder, por favor me responda:
Por que poucos com tanto;
Muitos na miséria sem nada,
Em seus casebres vivem em pranto?
Por que esses caras humanos,
Dizem ser sua semelhança,
Fazem um monte de lambança,
São cruéis, perversos e insanos?
Uns acreditam ser Você um cristão,
Outros que é judeu e muçulmano,
Até budista, hindu indiano,
Que está no terreiro dos orixás,
No ateu que ama seu irmão,
Em que estrela Você está?
O DIA DA ÁRVORE DEVERIA SER DE PROTESTOS E NÃO DE COMEMORAÇÕES
Nada tenho nada contra o samba, a baiana do acarajé, as passeatas LGBT, as marchas por Jesus, da Consciência Negra e outras celebrações que enchem ruas, avenidas e praças das grandes cidades de multidões. Tudo em defesa de uma causa, inclusive religiosa, ideológica e da igualdade racial. No Brasil temos dia para tudo que se possa imaginar, a maioria nem é lembrado.
No entanto, o Dia da Árvore – 21 de setembro, véspera da primavera (não existem estações definidas nesse Brasil de regiões totalmente diferentes) – decretado por quem não sei e o que motivou, poucas comemorações são realizadas, a não ser em algumas escolinhas e fleches relâmpagos da mídia.
Sabemos que não temos muita coisa para se comemorar quando já nos sentimos inertes e impotentes com as derrubadas e queimadas das florestas. Infelizmente, até consideramos os incêndios, com suas labaredas de fogo, como fatos normais e corriqueiros.
As chamas que destroem nossos biomas têm tempos mais certos e fixos que as estações do ano. Em nosso país, o verão, o inverno, a primavera e o outono se confundem, dependendo de cada lugar. Acho até engraçado e hilário quando anunciam que a primavera vai chegar no dia 22 de setembro, com hora, minutos e segundos.
Com meus botões, fico comigo a pensar: Como essa primavera é pontual, justamente num país dos atrasos em todos sentidos, principalmente quando se trata de encontros marcados! No Nordeste, por exemplo, as estações são indefinidas. Acho que não sou um sujeito bem-humorado, mas ranzinza, reclamão e crítico.
Peço desculpas porque terminei desviando do assunto que é o Dia da Árvore. Sou assim mesmo. Vez por outro me pego viajando nas nuvens, ou em outro espaço sideral. Uma coisa vai puxando outra, e aí, lá estou eu fugindo do tema. Pode ser a mania de misturar alhos com bugalhos.
Com os pés fixos no planeta terra, queria apenas afirmar que o Dia da Árvore poderia ser de protestos, manifestações e movimentos de todas as classes, em forma de contestação contra as agressões praticadas pelo ser humano contra o meio ambiente. Quando se fala em árvore vem logo em nossa cabeça as matas que ainda sobraram e os descampados sem cobertura vegetal.
Essas imagens me fazem, por exemplo, entrar no túnel do tempo da história de Vitória da Conquista, quando se descrevia que até no final do século XIX e início do XX, a Serra do Periperi era toda coberta por uma mata com várias nascentes de água. Nela hoje só existe um pedaço de nome Mata do Poço Escuro.
Em torno de Conquista, tudo foi derrubado para se plantar café, mas estou apenas citando um caso no Brasil, que não é isolado e exclusivo. Em todas as outras partes ocorreu o mesmo. Mirem as margens dos nossos rios, como o “Velho Chico”! A maioria não tem mais árvores em torno de seus leitos, por isso que se tornaram temporários.
Ao me referir de que o sertão vai virar deserto, e não mar, como profetizou o beato, em um de meus versos falo que naquela serra não existe mais mata. Sem essa de que o sertão vai virar mar. Isso já aconteceu há milhões de anos. Então, o Dia da Árvore deveria ser de protestos e muita gente com a bandeira em defesa da natureza.
ADVOGADO RECEBE TÍTULO DE LENÇÓIS
Pelos serviços prestados à comunidade do município, o advogado Alexandre Almeida Aguiar recebe, nesta sexta-feira (dia 23/09), o título de Cidadão Honorário de Lençóis, numa solenidade na Câmara de Vereadores, no auditório Orlando Senna, na sede da Eco Vida, no Bairro do Tomba.
O ato solene, marcado para ser realizado às 17 horas, será presidido pelo presidente da Câmara, Carlos Roberto A. Oliveira. O título foi concedido através do Decreto Legislativo número 02/202, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo advogado, que exerce suas funções em Vitória da Conquista e na região da Chapada Diamantina, com escritório na cidade de Seabra.
Alexandre é filho do professor e doutor em Ciências Sociais da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Itamar Aguiar, que recentemente, no dia 25 de agosto, recebeu da Assembleia Legislativa da Bahia o título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira.
Pela sua atuação há muitos anos junto às comunidades lençoenses em diversas áreas, principalmente da educação, da cultura e do turismo, visando o engrandecimento da cidade e do município, bem como do seu desenvolvimento econômico, a honraria é por demais merecida, conforme reconhecem os próprios moradores.
O título contou com a aprovação de todos parlamentares de Lençóis. Na solenidade, estarão presentes seus familiares, políticos, amigos e lideranças de entidades e associações das zonas urbana e rural que sempre contaram com o apoio do homenageado em suas lutas pela preservação da identidade e a história daquele povo.
UMA CONSTITUIÇÃO VIOLENTADA
A Rede Globo vem fazendo todos os dias no Jornal Nacional uma série de matérias sobre a nossa Constituição de 1988, exatamente há 34 anos, mas, para nossa frustração, ela é violentada todos os dias, principalmente no tocante a saúde, a educação e nas questões sociais, sem falar que a Magna Carta foi remendada em vários de seus artigos.
Pouco é dito sobre o outro lado manchado e sujo da moeda. A outra versão indigesta precisa ser mais explorada. Ocorre que os ditos guardiões da nossa Constituição têm falhado quando se trata do lado mais fraco. Eles fazem de conta que são legítimos defensores e nos iludem com belas imagens, encenações e coreografias.
A maior ilusão é dizer, por exemplo, que todos são iguais perante a lei. Sabemos muito bem que não é assim. Os poderosos, com seus advogados, sabem como passar por cima desse preceito e burlar as regras através das brechas que deixaram para trás. Quando promulgaram a Constituição, esqueceram do verso do poeta Carlos Drummond de Andrade de que existe uma pedra no meio do caminho.
Essa pedra se chama elite burguesa que nunca quis saber de igualdade para todos e se sente incomodada quando o pobre começa a subir na vida. Da boca para fora, ela fala de distribuição de renda, dividir o bolo e respeitar o meio ambiente, mas logo recua quando é chamada a proporcionar mais direitos aos que menos têm.
Como exemplo visível está aí a reforma trabalhista, toda de comum acordo com o capital. Como resultado virou uma reforma escravista. Disseram que ela iria criar mais empregos, o que não aconteceu depois de cerca de cinco anos, sem contar que enfraqueceu ainda mais os sindicatos, criando uma “negociação” unilateral onde é o patrão quem manda.
Não precisamos ir muito longe para confirmar e provar que a nossa Constituição é violada todos os dias, principalmente nos artigos sobre igualdade e direitos. Ela diz que a saúde e a educação são direitos fundamentais de todos brasileiros, mas não é assim que a banda toca. O buraco está mais embaixo.
Se a saúde é um direto sagrado do cidadão, indagaria o porquê de se recorrer à Justiça quando um doente sem dinheiro, internado num hospital do SUS, precisa ser deslocado para uma outra unidade mais estruturada, para realizar uma operação de média e alta complexidade? O mais grave é que mesmo com a lei na mão o Estado desobedece a ordem judicial. O coitado termina falecendo sem a devida assistência.
Ainda sobre a saúde, a mídia mostra quase que diariamente gente sofrendo e até morrendo nas portas e corredores dos hospitais por falta de atendimento médico. São nas áreas da saúde e da educação onde estão centradas as maiores violências cometidas contra a Constituição.
Ter esse livro em 1888, que deu mais voz às pessoas e criou mais proteção aos vulneráveis foi, sem dúvida, uma grande conquista dos brasileiros, mas também uma decepção quando boa parte desse conjunto de leis não está sendo cumprida. Até os menos letrados e ignorantes sabem disso e não têm forças para ter seus direitos respeitados.
A realidade está aí nua e crua quando assistimos mais de 30 milhões de brasileiros passando fome. O quadro é desolador nas filas dos ossos e das pelancas. O contingente de moradores de rua só aumenta, bem como o analfabetismo e a evasão escolar porque a educação foi violentada criminosamente com os cortes nos orçamentos.
Poderia me alongar nesse texto para citar os inúmeros pontos onde a nossa Constituição foi violada. Ficaria mais ainda enfadonho, mesmo porque já não temos leitores. A nossa história está sendo jogada no lixo porque as pessoas não dão mais importância para ela. Não querem saber de memória. Estamos mais preocupados com o visual das embalagens do que com o conteúdo do produto.
Até já ouvi juristas dizerem que temos leis avançadas em relação a países desenvolvidos, especialmente quando se fala dos estatutos voltados para as crianças, os jovens e os idosos. No entanto, isso não nos serve de consolo quando na prática não funcionam, ou pouco é observado.
Não adianta construir um lindo prédio, com uma bela arquitetura, se seus espaços não forem totalmente preenchidos para a finalidade a qual foi proposta. Para que presta um hospital ou um posto de saúde se neles não houver médicos e técnicos da área suficientes para atender a demanda da população? O mesmo pode ser dito das escolas públicas que oferecem ensino deficitário.
OS LEILÕES COMO SE FOSSEM ANIMAIS
Desde quando começou a escravidão africana rumo ao continente americano no início do século XVI, os cativos eram leiloados nos entrepostos ou armazéns como se fossem objetos ou animais, na base do peso, da idade, dos dentes e do estado de saúde. O Valongo, por exemplo, no Rio de Janeiro, foi um dos maiores entrepostos de escravos das Américas.
Em sua terceira obra “Escravidão”, o jornalista e escritor Laurentino Gomes relata que “a prática antiga, herdada dos primeiros tempos da colônia portuguesa, os leilões de pessoas só foral legalmente proibidos no Brasil por decreto de 15 de setembro de 1869, faltando menos de duas décadas para a Lei Áurea”.
No mesmo decreto, segundo ele, se proibiu a separação de marido, mulher e filhos em idade inferior a quinze anos. No entanto, como tudo em nosso país até nos dias atuais, dava-se um jeitinho para burlar as leis. Como sempre, a prática ilegal era feita pelos poderosos senhores escravistas que terminavam ficando impunes.
Nos leilões, uma vez fechada a compra, os escravos eram marcados a ferro quente, com o nome de seus donos. De acordo com citação de Laurentino, o tenente alemão Julius Mansfeldt, que visitou o Rio de Janeiro, em 1826, contou que primeiro o marcador lambuzava a área da pele com gordura animal e depois aplicava sobre ela um pedaço de papel mergulhado em óleo. Por fim, uma haste aquecida sobre um braseiro, recortada com as iniciais do senhor, era pressionada sobre esse retalho de papel.
As boas “peças de qualidade” eram leiloadas nos armazéns do Valongo, e existiam também as encomendas feitas diretamente pelos senhores aos traficantes ou capitães dos navios. As mulheres, crianças, os mais velhos e com defeitos físicos eram comercializados no mercado secundário por preços mais em conta por pessoas de menor poder aquisitivo.
Tropeiros, mascates e até ciganos entravam nesse mercado. Viajavam léguas pelo interior oferecendo esses cativos como se fossem quaisquer mercadorias. Nas transações, existiam também os chamados alugueis de escravos que, como a venda, eram anunciados pelos jornais da época. Todos queriam ter um escravo, até o pobre e o alforriado que juntavam dinheiro para adquirir uma “peça”, mesmo que fosse doente.
Agências de compra, venda e aluguel se multiplicavam pelas cidades brasileiras. O autor de “Escravidão” narra que uma dessas casas, chamada Narcizo e Silva forneceu, em 1856, uma escrava para José Thomaz Nabuco de Araújo, ministro do Império e pai do abolicionista pernambucano Joaquim Nabuco.
Sobre o Valongo, diz Laurentino que é um dos mercados de escravos mais bem documentado na história da escravidão, graças aos relatos de diversos viajantes que estiveram no Brasil entre o final do século XVIII e nas primeiras décadas do XIX. Os armazéns chegavam a acomodar até quatrocentos escravos cada um.
Em 1826, um viajante escocês chegou a calcular dois mil escravos em exposição para venda no Valongo, estocados em cerca de cinquenta barracões. Somente na primeira década do Brasil independente, o mercado e seu vizinho cemitério dos pretos novos começaram a ser alvos de protestos dos moradores por causa do mau cheiro e doenças.
Os mortos eram enterrados em covas rasas e quando batiam as chuvas, seus cadáveres apareciam em terra nua. Eram mais de mil sepultamentos por ano. As reclamações só foram atendidas em 1830 quando o cemitério deixou de funcionar.
CADÊ A PRAÇA DOS ORIXÁS?
Temos belas praças em Vitória da Conquista, algumas bem arborizadas e conservadas, a começar pela Tancredo Neves, a mais visitada, principalmente na época do Natal. Temos ainda a Sá Barreto, a Gerson Salles, a Praça do Gil e a Victor Brito na saída da Avenida Bartolomeu de Gusmão. As mais urbanizadas estão localizadas justamente na zona leste. Os poderes públicos precisam olhar mais para a zona oeste, sempre esquecida. No entanto, a questão maior não é esta. Sempre me pergunto do porquê ainda não termos, em Conquista, a Praça dos Orixás, tendo em vista que o candomblé é forte no município com cerca de 200 terreiros entre as zonas urbana e rural? Temos a Praça do Índio, que demorou de ser criada, a da Bíblia e até, porque não dizer, da Catedral que está integrada à Tancredo Neves? O assunto já foi comentado pelos povos de axé, mas até o momento nenhum prefeito tomou a iniciativa de construir a Praça dos Orixás. Lugares existem de sobra. Será preconceito religioso?
SEUS CABELOS
Mais um verso da lavra de Jeremias Macário
De seus cabelos,
Cor da graúna,
Finos fios,
Tecem nessa teia,
Enredos e segredos.
Seus cabelos ternura,
De pura seda,
Deusa grega,
Tão meiga,
Do cisne Zeus,
Ou cigana alegria,
De alma indiana,
A irradiar energia.
O poeta navegante,
Das espumas flutuantes,
Encantado se enamorou,
Com aquela sereia,
Serena a flutuar,
No mar das águas nua,
Prateada da lua,
E de seus cabelos,
Dela fez musa amor,
Com seu poema eternizante.
Seus cabelos,
Na rede balança,
No vaivém da trança,
Flor da poesia,
De sorriso menina,
Que me ilumina.
CENTRO CULTURAL, DE CONVENÇÕES OU ADMINISTRATIVO PARA A CIDADE?
Quando aqui cheguei em 1991 para chefiar a Sucursal do Jornal A Tarde, o Clube Social, em frente à Praça Sá Nunes, foi um dos primeiros lugares que visitei e onde recebi as boas vindas por um grupo de empresários. A unidade de lazer, esportes e entretenimento gozava de fama, e muitos ainda se sentiam privilegiados e orgulhosos em ter uma carteirinha como sócio.
Trinta e dois anos depois lá está um terreno vazio de pouco mais de um campo de futebol e que se tornou alvo de discussões sobre o que deve ser construído ali, de forma que Vitória da Conquista seja beneficiada. O que se sabe é que a Prefeitura Municipal adquiriu a área através de uma permuta com outro espaço. Localizado no centro, sem dúvida é um ponto bem valorizado e, por isso, deve ser bem aproveitado.
Correm as conversas que o local será transformado numa espécie de praça de lazer e entretenimento, o que seria um total desperdício, tendo vista que entre o finado Clube Social já existem as praças Sá Nunes e a Tancredo Neves. Numa matéria jornalística, entre os entrevistados, uns concordam e outros apontam outras utilidades.
CENTRO CULTURAL OU DE CONVENÇÕES
Estou no segundo grupo que tem a opinião de ali ser construído um Centro Cultural ou um Centro de Convenções Multiuso, duas edificações carentes em Conquista. Alguém aí lembra do projeto anunciado no Governo do PT quando se falou de criar naquelas imediações um Centro Cultural, numa parceria com o Banco do Nordeste? A instituição, inclusive, entraria com todos recursos. Sobre o assunto, nunca mais se falou.
Outra opção, no meu modesto entendimento, era edificar um Centro de Convenções à altura do porte da cidade, para realização de seminários, congressos e até servir de shows musicais. Com certeza, esse Centro iria atrair grandes eventos empresariais e de lazer, de forma a atrair turistas da região e de outros estados.
CENTRO ADMINISTRATIVO
Outra ideia vem de Armênio Souza Santos, membro do Conselho Municipal de Cultura, no sentido de que no local seja construído um Centro Administrativo Municipal, ao citar Ismael Santana Bastos quando afirma que “cidade sem memória apaga sua história”, ao se referir ao Clube Social.
Ainda em sua defesa, Armênio ressalta que se trata de uma “área muito ampla possibilitando edificar o Centro Administrativo com espaço de estacionamento no térreo e 1° pavimento e, nos demais, setores administrativos e, no último andar, mirante, restaurante, centro de convenções, teatro e base de teleférico circulando pelo Cristo e Poço Escuro
“Neste momento, dentro do contexto do Programa “VITÓRIA DA CONQUISTA – CASOS E CAUSOS DA NOSSA HISTÓRIA COM H”, estamos a sugerir à gestão municipal, a construção do CENTRO ADMINISTRATIVO na área do Clube Social Conquista, para unificar todos os setores da administração em um só local”.
UMA MONARQUIA BRASILEIRA
Tanta nobreza e luxo no funeral da rainha da Inglaterra, e tanta fome e miséria no planeta! São as contradições da humanidade que perduram a milênios. São coisas de uma democracia ocidental onde até os pobres choram pela morte da monarca, e ai de quem protestar porque logo cai no pau.
As imagens são da era medieval dos tempos dos reis e rainhas absolutistas onde eles se consideravam enviados de Deus. Seus súditos fazem filas quilométricas e choram para tocar no caixão da rainha, sem contar as sujeiras que deixam com flores, plásticos e bichos de pelúcia que depois serão desenvolvidos à natureza.
Na verdade, somos todos insanos numa terra que, aos poucos, está se acabando com o aquecimento global. Os incêndios engolem as florestas; as guerras matam e escorraçam milhões de seus lares; e as catástrofes deixam rastros de destruição. Quem importa com tudo isso? As pessoas são hipnotizadas e inebriadas pelo poder e pela luxúria.
Como o Brasil sempre foi um imitador de outras nações desde os tempos coloniais quando a França servia de espelho dos costumes e hábitos dos senhores coronéis escravistas, seguida depois pela própria Inglaterra e pelos Estados Unidos na atualidade, bem que o nosso país poderia criar a sua monarquia ao molde do Reino Unido!
Imaginou construirmos palácios e castelos para abrigar e sustentar os monarcas? Fazer as devidas venerações e realizar aqueles rituais medievais? Só assim entraríamos no rol das nações civilizadas. Ora, já não temos um dos Congressos de parlamentares mais caros do mundo? Ah, já temos também palácios habitados pelas nobres castas!
Enquanto não chega essa monarquia propriamente dita, vamos nos contentado com os reis, rainhas e príncipes que temos no futebol, nas corridas de fórmula I, nas olimpíadas, na música entre cantores e cantoras, sem contar os heróis que vez por outra dão uma de honestos devolvendo carteiras de dinheiro perdidas nas ruas.
Para acabar com toda essa fuzarca entre os três poderes que recebem salários milionários e gozam de vida nababescas, teríamos um monarca ou uma monarca que faria o papel de conciliador e todos viveriam felizes para sempre.
Os súditos que temos já são conformados com a situação há muitos anos. Portanto, não seriam problema e iriam até agradecer por ganhar uma realeza para adorar, mesmo com a barriga vazia. Esqueci de dizer que já temos uma monarquia disfarçada. Falta somente incorporar o rito e aprender as etiquetas.
ELEIÇÕES, FOME E MISÉRIA
Tentei falar com Brasilino da Silva Santa Cruz, mas ele se manteve recluso e apenas disse que ainda não se recuperou da decepção que teve com o Bicentenário da Independência. Definitivamente respondeu que só iria sair do seu silêncio depois das eleições. Parou de usar celular, ler jornais ou revista e, acima de tudo, assistir televisão, principalmente agora com essas propagandas mentirosas dos candidatos.
Devido a minha insistência, ele mandou que eu fosse catar coquinho ou conchas na praia. Sem sua opinião, fui obrigado a falar um pouco das eleições que já estão batendo em nossas portas no dia 2 de outubro.
Como todas as outras passadas, a propaganda eleitoral é mesmo um tédio, porque você não vê conversa séria de projetos para resolver os principais problemas do nosso país. É o prior horário na Tv que uma lei eleitoral teve a proeza de instituir. Poderia até ser premiado como o mais enfadonho.
Nesses dias ouvi o papo de alguém que também escutou de um andarilho numa discussão com um assistente numa dessas casas de abrigo do governo que acolhe pessoas que estão de passagem pela cidade, viciadas e moradores de rua.
Num certo momento, o cara, que se recusava a seguir as regras da casa, se dirigiu ao agente de forma grosseira e afirmou que o mesmo deveria agradecê-lo e a todos que ali estavam pelo emprego que tinha. Consultei os meus botões e refleti que de certa forma o indivíduo acertara em sua fala, filosófica, econômica, social ou sei lá o que.
Grosseiramente conclui que a fome e a miséria no Brasil têm sido incentivadoras de empregos quando as secretarias estaduais e municipais montam suas estruturas exclusivamente para cadastrar a pobreza nos bolsas famílias, nos auxílios e outros serviços de assistência social.
Como só tem aumentado o número de necessitados passando fome e vivendo na extrema pobreza (quem precisa tem pressa), pouco espaço tem sobrado no sentido de realizar programas voltados a tirar essa gente desse estado de calamidade. Veio-me à cabeça o ensinamento do não dê o peixe, mas ensine a pescar.
Com base nisso, até que o cabra desaforado lá do abrigo tem certa razão. No fundo ele quis dizer que as eleições, a fome e a miséria têm sido grandes empreendedoras na geração de emprego. É lamentável termos chegado a esse ponto tão paradoxal.
Para completar esse quadro de horror, nas campanhas, as palavras fome e miséria são, infelizmente, as mais pronunciadas pelos pretendentes aos cargos nos executivos e legislativos. Todos prometem que vão aumentar os auxílios e dar isso e aquilo aos pobres, mas não se vê um projeto de renda e emprego parta tirar essa gente das esmolas que não estão mais envergonhando o cidadão, como, ao contrário, cantou em sua sanfona Luiz Gonzaga, o rei do baião.














