CONVERSA COM DEUS
De autoria do jornalista Jeremias Macário
Alô, Senhor Deus!
De todas religiões e Zeus,
A terra aqui está à toa:
Suas criaturas fazem loucuras,
E matam pelo cajado e a coroa,
Nessa maldita pressa,
Peço só um dedo de prosa,
Um minuto de sua palestra,
Da sua porta pela fresta,
Sobre essa gente cavernosa.
Na seca um pede chuva,
O outro quer seu sinal;
Tem o que só quer gol,
E até o infeliz matador,
Que se benze para o mal.
Tudo nesse louco planeta,
Dizem ter a sua caneta,
Até que age certo,
Por linhas tortas,
Mas, meu camarada, para mim,
Sua terra está chegando ao fim,
Pelos brutos do deserto.
Se existe esse livre arbítrio,
De ser até um assassino,
Que cada um dita seu destino,
Por que sempre se diz:
Que foi Você que assim quis?
Não é contradição de raiz?
Nem sei mais o que pensar,
Quando vejo o pássaro a voar,
No alto da minha cabana cigana,
Ou quando os olhos miram o mar,
Nesse universo de mistério,
Não passo apenas de um verso.
Se apareceu pra Moisés e Abraão,
Por que não mais pra ninguém,
Nem com reza e oração?
Se puder, por favor me responda:
Por que poucos com tanto;
Muitos na miséria sem nada,
Em seus casebres vivem em pranto?
Por que esses caras humanos,
Dizem ser sua semelhança,
Fazem um monte de lambança,
São cruéis, perversos e insanos?
Uns acreditam ser Você um cristão,
Outros que é judeu e muçulmano,
Até budista, hindu indiano,
Que está no terreiro dos orixás,
No ateu que ama seu irmão,
Em que estrela Você está?











