:: set/2022
O COLÉGIO DA “ESCOLA NORMAL” ESTÁ PASSANDO POR OBRAS DE REVITALIZAÇÃO
Algumas informações deram conta de que o Governo do Estado estaria se desfazendo de mais uma escola, e esta é símbolo e orgulho dos conquistenses que ali aprenderam as primeiras letras; estudaram e se formaram rumo ao sucesso do conhecimento e do ensino. Muitos se tornaram até famosos pelos seus feitos.
Não por menos, bateu a revolta dos jovens e da velha geração em defesa de um patrimônio histórico com 70 anos de existência em Vitória da Conquista (foi criado em 1952). A notícia correu por causa dos movimentos das máquinas derrubando a fachada do prédio. Entidades, instituições, colegiados e a sociedade começaram a se mobilizar.
Estamos falando sim da Escola Normal, ou Instituto Euclides Dantas, localizada na famosa Praça Guadalajara, palco de muitas manifestações, encontros e ponto de partida para passeatas e reivindicações da sociedade. Pela sua grandiosidade e importância na cidade, não se pode desfazer de uma edificação daquele porte. Basta de destruição do nosso patrimônio!
No entanto, de acordo com a professora e vice-diretora, Margareth Rocha Lima Matos, não se trata de derrubar o prédio como muitos têm comentado. Seria um absurdo e motivo de ira, principalmente daqueles que ali frequentaram suas instalações por muitos anos.
Conforme explicou, a Escola Normal está no momento passando por obras de reforma e revitalização, especialmente do seu auditório e laboratório que já estavam a reclamar reparos para atender a demanda dos professores e estudantes.
“Os próprios professores já vinham solicitando a realização desses serviços” – disse, ao assegurou que sua estrutura arquitetônica não será descaracterizada. O ginásio coberto com quadras esportivas é outra construção em andamento bem adiantada, que deverá ser concluída ainda neste ano.
Com cerca de mil alunos nos três turnos matutino, vespertino e noturno, o Instituto absorveu estudantes do Colégio Adélia Teixeira que, infelizmente, foi fechado pelo Governo do Estado. Pela precarização da nossa educação, já não é nada correto encerrar as atividades de nenhuma escola, não importando os motivos, especialmente quando se fala em reduzir gastos.
Pelas informações da professora Margareth Rocha, desde 2009 lecionando naquela unidade, a Escola Normal hoje abriga onze turmas, sendo três do antigo colégio Adélia Teixeira. Sete turmas são de tempo integral onde são oferecidas merendas e refeições para que os jovens tenham mais tempo para aprimorar seus trabalhos e estudos.
Da formação de professores, a unidade hoje realiza cursos profissionalizantes de técnico de segurança do trabalho, de nutrição, de alimentação, de enfermagem e educação, sem contar que na parte da noite existe o programa Eja – Educação para Jovens e Adultos.
O VALONGO DA MORTE
A própria mídia brasileira deu pouco destaque à questão da escravidão nas “comemorações” do bicentenário da independência. Em seu lugar, assistimos a espetáculos e cenas de terror protagonizadas, principalmente, pelo capitão-presidente, que destilou ódio e intolerância, fazendo simplesmente campanha eleitoral dentro dos 200 anos de “emancipação”. A festa cívica foi uma decepção e, porque não dizer, uma vergonha nacional.
No entanto, queria aqui me reportar a um capítulo do último livro da trilogia “Escravidão”, do jornalista e escritor Laurentino Gomes que fala do Valongo, e o que representou esse nome, no Rio de Janeiro. O chamado Cais do Valongo começou a funcionar no final do século XVIII e só terminou lá pelos meados do século XIX.
De acordo com o autor da obra, o Valongo foi o maior entreposto de compra e venda de seres humanos do continente americano. Por mais de 70 anos, aquele lugar significou a morte para os escravos africanos que atravessaram o Atlântico até o Brasil.
Na primeira metade do século XIX, segundo Laurentino, o Brasil bateu todos os recordes em 350 anos de escravidão africana. “No espaço de apenas cinco décadas, 2.376.141 homens e mulheres foram arrancados de suas raízes, marcados a ferro quente e despachados rumos às cidades e lavouras brasileiras. Nunca tantos escravos chegaram ao país em tão pouco tempo”.
Cita o escritor que ao todo foram 10.923 viagens, quase um terço do total de 36.110 catalogadas para todo continente americano ao longo de três séculos e meio. Do total de embarcados, apenas 2.061.624 atingiram o destino. Os demais 314.517 morreram e foram sepultados no mar, isto nos primeiros 50 anos do século XIX.
Consta das suas pesquisas que, uma vez embarcados, muitos não tinham condições de sobreviver mais do que alguns dias em solo brasileiro. Conforme historiadores, cerca de 15% dos “pretos novos” morreriam nos três primeiros anos de vida no Brasil, o que corresponderia a 310 mil pessoas no período citado, quase a metade das mortes pela Covid-19 em pouco mais de dois anos.
“As pedras nuas do Valongo e os ossos da Gamboa são testemunhas dessa história brutal e dolorosa. Ali jazem os dez escravos que o traficante Miguel Gomes Filho mandou sepultar de uma só vez, na mesma vala, em agosto de 1826”. O cemitério de escravos foi por décadas ignorado nos mapas de ruas e nos guias turísticos.
Situada entre os bairros da Gamboa, da Saúde e do Santo Cristo, a antiga rua do Valongo mudou de nome e hoje se chama Camerino. Ao final dela, em direção à Praça Mauá, uma ladeira denominada Morro do Valongo, é a única referência geográfica que restou.
Os escravos, diferente dos brancos, eram jogados em terrenos baldios ou valas comuns, nas quais se ateava fogo, como relata o escritor. Tudo era depois coberto por uma camada de cal, para evitar a propagação de mau cheiro e doenças.
Em razão das descobertas de ossadas e materiais usados pelos escravos, somente em 2017 o Valongo foi incluído na lista dos patrimônios mundiais da humanidade pela Unesco, uma agência da Organização das Nações Unidas.
Antes da criação do Valongo, as operações de compra e venda de escravos aconteciam na rua Direita, atual Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro. Os africanos desembarcavam na antiga Praia do Peixe (atual Praça XV). Muitos eram ali mesmo comercializados ou entregues a compradores que os haviam encomendados com antecedência aos traficantes. Os demais iam para a rua Direita, onde ficavam expostos em meio a caixas e fardos de mercadorias. Aqueles que morriam eram levados para o Cemitério dos Pretos Novos, no Largo de Santa Rita.
Segundo Laurentino, por volta de 1817, já havia 34 grandes estabelecimentos de comércio de escravos em atividade no Valongo. Era um dos locais mais movimentados do Rio de Janeiro. Os recém-chegados deixavam os navios negreiros completamente nus e eram levados para a Casa da Alfândega. Em seguida passavam por uma quarentena de oito dias. Depois disso seguiam para as mãos de um mercador de escravos no Valongo.
Como a passagem de escravos nus pelas ruas criou constrangimento entre as famílias, D. João VI ordenou, em 1808, que os cativos fossem vestidos até o Valongo. Dali em diante poderiam continuar nus. Ao chegar ao Valongo, os escravos eram banhados e untados com óleo de dendê, como disfarce para parecerem saudáveis. Os homens tinham a barba e o cabelo raspados. As rações eram mais generosas como forma de engorda.
Pais, mães, filhos e irmãos eram vendidos separadamente, sem nenhum respeito aos vínculos familiares. Laurentino destaca que o processo de venda envolvia uma série de humilhações, como exame minucioso de seus corpos, incluindo as partes íntimas. Inteiramente nus, eram pesados, medidos, apalpados e cheirados nos mínimos detalhes, sem contar os dentes.
O doutor francês Jean Baptiste Imbert, que chegou ao Brasil em 1831, numa espécie de cartilha médica, descrevia que os compradores evitassem negros de cabelos demasiadamente crespos, testa pequena ou baixa, olhos encovados e orelhas grandes, todos, segundo ele, tinham indícios de mau caráter. Desaconselhava ainda a compra de negros com nariz muito chato e ventas apertadas, sinais de que prejudicavam a respiração, comprometendo a capacidade de trabalho. Para uma boa compra, Imbert recomendava os cativos de “pés redondos”, barrigas das pernas grossas, tornozelos finos, pele lisa e sem manchas no corpo.
UM SURTO PSICÓTICO E DIABÓLICO
Brasilino da Silva Santa Cruz, depois de 200 anos de ser testemunha de tantas barbaridades, de encontros e desencontros, avanços e retrocessos, finalmente estava contente em poder celebrar o bicentenário da independência do seu país, mas ficou estupefato e horrorizado com o que viu, mais para cena de terror do que homenagem pela magna data do seu povo.
Eu, que nasci há 200 anos atrás, vi com os próprios olhos que um dia a terra há de comer, que o cara capitão-presidente negacionista deu um surto psicótico e diabólico – desabafou o próprio Brasilino, que ficou, por um instante, praticamente mudo de tanta indignação.
Meninos eu vi! Estava lá no asfalto misturado àquela multidão de gente e presenciei atos de ódio, de intolerância, de racismo, machismo, misoginia, homofobia e tantos outros malefícios saídos daquela boca, do alto de um palanque eleitoral, sem nenhum pudor e respeito ao Dia da Nossa Pátria.
Foi horrível, meu amigo! Eu vi e ouvi tudo! Disse-me Brasilino cabisbaixo, triste e envergonhado. Se não fosse ele a me contar, confesso que não acreditaria, diante de tantas mentiras e fake news soltas por aí. É uma pura verdade, porque tudo foi registrado pela sua máquina do tempo.
“Eu nasci há 200 anos atrás” e nunca vi um presidente surtar tanto, justamente no bicentenário do grito da “Independência ou Morte”, quando a festa deveria ser cívica e civilizada, e não de xingamentos de campanha eleitoral. Um atentado flagrante que deveria ser punido com o rigor da lei”.
Foram estas as palavras amargas de repúdio ditas por Brasilino, entre uma talagada e outra de pinga, e olha que ele não é muito de beber, a não ser para comemorar as coisas boas da vida. Sem dúvida, será um dos capítulos mais macabros que a história irá escrever sobre nossa nação – profetizou.
Com seu sentimento peculiar de tristeza e sinceridade, Brasilino afirmou que nos seus 200 anos de existência nunca viu tamanha estupidez e agressão. O pior de tudo foi quando ele leu os cartazes dos extremistas raivosos, inconsequentes e fanáticos, os quais pediam ditadura das forças armadas, fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso. Ele viu militares, evangélicos e talibãs.
“O bobo da corte a tudo aplaudia. Um circo de enlouquecidos, um bando de ensandecidos raivosos, cães das estepes” – foi assim por ele pintado o quadro de horrores que acabara de ver. Logo o velho Brasilino que estava animado em festejar o bicentenário da sua vida.
Com sua idade já avançada e calejado de ver tantas desgraças, maldades, violências hediondas e injustiças por aí, em suas longas andanças, Brasilino voltou a entrar em profunda depressão de tanto escutar, nesse sete de setembro, os montes de contradições e paradoxos em nome de Deus, da pátria e da família brasileira.
Apenas pronunciou que nasceu há 200 anos atrás e não tinha mais vontade de continuar a existir. Preferiu o silêncio e, com sua expressão de protesto, repreendeu duramente quem lhe fez mais perguntas sobre o que viu no Bicentenário da Independência.
Simplesmente pegou sua surrada mochila e avisou que ia sumir para uma terra bem distante, talvez morar numa caverna qualquer nesse ermo de mundo. Pediu para que ninguém lhe procurasse mais.
EM NOME DE DEUS…
Este é o monumento à Bíblia, erguido na Praça Vitor Brito, em Vitória da Conquista. Trata-se de um símbolo do cristianismo, e dizem ser o livro mais lido no mundo. Tenho minhas dúvidas nos tempos de hoje. Por que não temos em Conquista outros monumentos dedicados às outras religiões? Por que não temos, por exemplo, a Praça dos Orixás? No Brasil de hoje, do fundamentalismo fanático dos evangélicos, influenciados por falsos pastores, inclusive corruptos que colocam o poder político acima de tudo, este livro, chamado de Bíblia, vem sendo mal interpretado e deturpado. É triste ver que em nome de Deus, para defender sua religião como a única que salva, muitos, e não são poucos, praticam o ódio e a intolerância contra aqueles que adotam outra fé em seus rituais religiosos. Aqui reitero os comentários feitos pelo meu amigo e jornalista Carlos Gonzalez, que do alto da sua visão, condena o extremismo e o conservadorismo que avançam em nosso território. Segundo ele, usam o nome de Deus para jogar pedras nos templos dos outros e destilar sua raiva naqueles que não seguem sua doutrina. Essas pessoas não se contentam somente com isso: Pregam o retrocesso medieval, negam a ciência e se alimentam do preconceito, do racismo e da homofobia. Para eles, só existe a luta do bem contra o mal. Em nome de Deus e da sua Bíblia, odeiam, ao invés, de amar o próximo. Em nome de Deus, roubam e até matam. O péssimo exemplo disso vem do Planalto com as barbaridades proferidas pelo capitão-presidente que engana os incultos quando fala em Deus, pátria e família. Infelizmente temos um povo de fácil manipulação onde os “fieis” são vítimas de lavagem cerebral.
O SERTÃO VAI VIRAR DESERTO
Mais um poeminha de autoria do jornalista Jeremias Macário
Do alto tem um vigia,
Que nos espia.
Vagueiam o mistério e a magia,
No meu sertão catingueiro,
Onde a lua prateia nosso terreiro.
Poetas, profetas e cancioneiros!
Entre amores e dores,
Os ventos rasgam os montes;
A seca devora açudes e fontes,
E o nordestino temente penitente,
Em seu oratório,
Sem mais adjutório,
Implora a Nossa Senhora.
O sal engole a terra,
Não mais há mata naquela serra;
Lá se foram os bravos e os fortes;
Nos engaços rondam as mortes,
Nesse tempo tão incerto,
O sertão vai virar deserto.
Não quero ser coveiro,
Meu amigo Conselheiro!
O sertão já foi mar,
E nunca mais será.
Agora o certo:
É o sertão virar deserto.
Não adianta ser esperto,
Criar barragens e canais,
A natureza dá seus sinais,
Que o sertão vai virar deserto.
EU NASCI HÁ 200 ANOS ATRÁS
VAI DAR PASSADO OU PRESENTE?
Eu vi quando o príncipe imperador D. Pedro I decretou o “Dia do Fico”, em janeiro de 1822, desobedecendo a ordem do seu pai D. João VI de retornar para Lisboa por causa de suas molequeiras e gastos demasiados. Ele tomou gosto pela coisa e foi ficando na vida boa do Rio de Janeiro, fazendo suas “artes” e dando corno na princesa, a torto e a direito.
Parafraseando o cancioneiro, poeta e visionário Raul Seixas, que tudo viu e tudo falou, eu nasci há 200 anos atrás e me chamo Brasilino da Silva Santa Cruz. Estava lá naquele mundaréu de escravos africanos, de muita gente analfabeta bem longe dos senhores barões quando o imperador soltou aquele grito de “Independência ou Morte”, no riacho Ipiranga, no dia sete de setembro de 1822. Naquele ano eram quase cinco milhões de habitantes.
No momento, o povo passava com seus burros, alforjes e cangalhas e nada entendeu daquele alvoroço. Como no quadro de Pedro Américo, o renegado até pensou ser uma briga entre eles, o título de um novo samba improvisado ali mesmo, um canto sertanejo, uma sofrência, arrocha, um pagode ou axé que depois virou hino de “um gigante adormecido em berço esplêndido”, de um Brasil varonil, retumbante, céu cor de anil e outros palavreados complicados que até hoje pouca gente compreende.
Eu estava lá e vi que foi uma independência de gente rica cunhada na maçonaria, com a pena de uma princesa chamada de Leopoldina, e um tal de José de Bonifácio de Andrada, tramando uma separação. O povão se juntou na praça da capital, dançando e falando palavras de liberdade, liberdade! Depois todos foram para seus casebres, mocambos e descobriram que não passaram de penetras numa festa de gente branca metida a europeia. Foi uma independência dependente!
O negócio foi sério, tanto que os portugueses não gostaram nada daquele grito presepeiro. Então eu vi, logo em seguida, quebrar o pau na Bahia, Piauí e no Pará. Foi uma guerra de faca e facão contra armas de fogo. Os baianos foram à luta, com negros e indígenas, em junho de 1823, e só terminaram a peleja em dois de julho do mesmo ano. Até uma mulher se vestiu de homem para brigar e expulsar os portugueses.
Com aquela popularidade toda, D. Pedro aproveitou, e junto com seu ministro Bonifácio, inventou de fazer uma Constituinte ao estilo da Revolução Francesa, de liberdade, igualdade e fraternidade, mas só saiu uma titica de carta real aristocrática, em 1824. Brasilino leu e não gostou do que viu. Só papo furado. Brasilino viu os excluídos esfarrapados e os africanos cativos, que até ajudaram a pagar uma indenização cara de dois milhões de libras esterlinas pelo divórcio feito com o reinado de Portugal.
Tudo continuou na miséria com uma independência empanturrada de escravos por todos os lados. Eu vi negros desembarcando no Valongo, levando chibatadas no Pelourinho do Calabouço e sendo surrados nas fazendas de café. Vi senhores estuprando negrinhas nas senzalas. Tempos de sofrimento e muita dor, choro e lágrimas.
O príncipe perdeu forças, e Brasilino viu quando ele embarcou num navio de volta para Portugal, em 1831, deixando para trás seu filho Pedro II de doze anos. O Parlamento proibiu o tráfico negreiro naquele ano, mas a oligarquia rural não quis saber nada disso e fazia os embarques e desembarques clandestinos de cativos. Todos eram coniventes, até as autoridades reais.
Veio a Lei Eusébio de Queirós, em 1850 e, mesmo assim, os navios furavam o cerco e comercializavam escravos. O tempo passou e eu vi quando a princesa Isabel sancionou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, quando seu pai curtia viagem pela Europa. Naquele tempo só haviam cerca de 750 mil escravos. O resto já estava alforriado, mas na miséria de sempre.
Os barões, os duques, os marqueses, os viscondes, condes e os coronéis não gostaram de “libertar” seus cativos, tratados como animais de carga e resolveram se vingar. Eu vi quando eles se uniram ao marechal Deodoro da Fonseca e deram outro grito para arrancar o velho D. Pedro II que tirava uma soneca no trono. Isto foi em novembro de 1889. Independência dependente!
Brasilino estava lá quando criaram a tal República, coisa que nunca foi pública, só deles mesmos. Logo em seguida, já no raiar do século XX, Floriano Peixoto baixou uma ditadura e, de lá para cá, só pau e crises, com uma democracia mambembe do tipo tupiniquim.
Nessa República, eu vi de tudo, coisa do arco do velho, de Deus e do satanás. Vi e tomei muito café com leite entre São Paulo e Minas Gerais, até que apareceu um gaúcho, lá dos pampas do Rio Grande do Sul, e golpeou a República. Seu nome era Getúlio Vargas, que em 1930, com mão de ferro tascou outra ditadura, e tome tortura. Até o Brasilino foi preso e apanhou muito na cadeia.
Mais manso, o gaúcho voltou em 50, mas não suportou a panela de pressão. Estourou e ele resolveu se suicidar. Entrou general no meio e queria botar os tanques nas ruas. Teve uma tal de Lott que impediu o golpe. Brasilino já estava soltou e acompanhou tudo de perto. Aos troncos e barrancos, um cigano de nome Juscelino foi eleito presidente. Eu vi quando ele construiu uma Brasília, em 1960.
Depois entrou um doido de nome Jânio Quadros e botou tudo a perder. O covarde renunciou. Ai meu amigo, a coisa fedeu mesmo. Botaram merda no liquidificador. Mais um gaúcho chamado Jango quis socializar os bens. Até que Brasilino ficou animado, mas os generais acabaram com a festa e meteram fuzis e metralhadoras em todo mundo.
Eu estava lá e vi toda bagaceira. Foi muita gente morta e desaparecida. Os fardados de coturnos ficaram no poder por quase 30 anos, jogando gente nos porões das mortes. Tudo era feito na base das indiretas, sem nada de civil. Com muita sofrência, no Congresso ganhou um mineiro de nome Tancredo Neves, mas “morreu” antes de assumir. Entrou um bigodudo marimbondo do Maranhão.
O resto, Brasilino nem precisa mais contar porque quase todo mundo já sabe do Collor (parece com marca de tinta) que logo foi deposto. Entrou um Fernando Henrique que passou o bastão para um nordestino pau-de-arara que fez uma confusão danada com o troca-troca de favores entre ser pai dos pobres e mãe dos ricos. Dizem que houve muita roubalheira.
Há duzentos anos, meus camaradas, nunca vi coisa tão feia. Um maluco psicopata, junto com evangélicos fanáticos, nazifascistas, racistas, misóginos e homofóbicos, tomou o poder, e agora os doidos extremistas defensores da supremacia branca batem todos os dias nas portas dos quarteis para que eles voltem a governar sob com a marreta da ditadura.
É Brasilino, você está ferrado! Agora você está num fogo cruzado, denominado de tempo eleitoral, entre o ódio e a intolerância, numa disputa de vida ou morte, do tipo vale tudo. Depois de duzentos anos será que virá por aí outro grito de “Independência ou Morte”? Se você que está aí há duzentos anos vendo toda essa presepada, não sabe, imagina eu. Vai dar passado ou presente?
CONSELHO DEBATE CONSERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE CONQUISTA
Na reunião desta última segunda-feira à noite (dia 05/09), na Casa Régis Pacheco, os membros do Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista se reuniram para debater a questão da conservação do Patrimônio Histórico da cidade, propondo ações efetivas por parte do poder executivo, no sentido de revitalizar nosso patrimônio material e imaterial que vem sendo deteriorado com o tempo. Muitos prédios e casarões, inclusive, estão fechados quando deveriam estar sendo utilizados pelo setor cultural.
Para falar do assunto, como convidados, estiveram presentes o arquiteto e professor Felipe Decrescenzo e Mãe Graça, representante da Rede Caminho dos Búzios. Felipe chamou a atenção sobre a existência de um núcleo de preservação desse patrimônio conquistense, mas que não tem funcionado nosd últimos anos.
O conselheiro e coordenador da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer- Sectel, Alexandre Magno, reconheceu a situação e afirmou que este núcleo está sendo reativado para realizar um levantamento da realidade e fazer as devidas recomendações para preservar os nossos bens culturais.
O professor destacou que há algum tempo vem colhendo material para desenvolver pesquisas sobre a arquitetura, chamando a atenção para a preservação do que ainda resta do nosso patrimônio histórico.
Na ocasião, assinalou que há alguns anos o Ministério Público provocou a prefeitura para adotar medidas quanto a preservação do patrimônio, considerando que desde 1993 temos uma lei para tratar da questão.
Mãe Graça também cobrou mais atenção do poder público no que se refere às necessidades de conservação e reconhecimento dos terreiros de candomblé, atualmente cerca de 200 unidades nas zonas urbana e rural. Segundo ela, a metade desses terreiros, pelo seu tempo de existência, mais de 50 anos, deveria estar tombada (só existe um tombamento).
Outros temas e proposições, como a formação de uma câmara temática para o audiovisual, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha; criação de um catálogo de artistas que vão participar das exposições na Casa Regis Pacheco no final do ano; e realização do projeto “Por Isso é que Eu Canto” no Natal, com premiações, foram discutidos e aprovados pelos conselheiros presentes.
Na oportunidade, ainda com relação ao patrimônio histórico, o Conselho questionou um possível desmonte que vem ocorrendo na Escola Normal por parte do Governo do Estado, condenando qualquer medida que termine na extinção daquele bem, símbolo educacional de Conquista, sem falar na importância da sua arquitetura. Uma comissão foi criada para averiguar os fatos e emitir parecer sobre a real situação.
O ÓDIO DESONRA O DIA DA PÁTRIA
Carlos González – jornalista
O brasileiro pergunta o que poderá acontecer no feriado do Dia da Pátria após a explosão de ódio que, provavelmente, abafará o ruído dos tiros de canhão do Forte de Copacabana, sob o olhar de reprovação do Cristo Redentor, do Alto do Corcovado. Os mais antigos recordam as comemorações do Sesquicentenário da Independência, em 1972, quando a Igreja Católica esteve ausente, por se opor à ditadura militar (1964-1985), que atravessava seu período mais repressivo.
Membro de devotada família católica do interior paulista, Jair Bolsonaro (PL) converteu-se em evangélico carismático, com as bênçãos e as imersões nas águas do Rio Jordão, do pastor Everaldo Pereira, dirigente do PSC, preso em 2020 por desvio de recursos da Saúde, no governo fluminense. A conversão faz parte de um projeto do presidente de se manter no cargo – até quando? -, a qualquer custo.
Perguntado na sua posse como arcebispo de Aparecida em 1995, sobre as medidas que tomaria para conter a saída dos fiéis da Igreja Católica, o cardeal Aloísio Lorscheider (1924-2007), um dos 273 religiosos detidos pela ditadura, respondeu que havia um engano naquela informação, “porque os que saíram não foram fiéis e sim os infiéis”
Presidente duas vezes da CNBB e indicado para suceder ao papa João Paulo I, o cardeal Lorscheider, se vivo fosse, chegaria a conclusão que a palavra “infiel”, bastante empregada na Idade Média, para nomear os povos árabes que ocuparam a Terra Santa e a Península Ibérica, cairia perfeitamente no Brasil de hoje entre os que estão se armando, “em nome de Deus”, para submeter a sociedade brasileira a um projeto cultural e religioso, que se assemelha à ideologia talibã.
Num artigo publicado há nove anos num jornal de Campo Grande (MS), o doutor em Teologia, Carlos Calvani, da Igreja Anglicana no Brasil, alertou: “O movimento evangélico é um dos maiores perigos para a sociedade brasileira e o estado laico, por seu potencial fundamentalista, com poucas diferenças do fundamentalismo islâmico”.
O reverendo anglicano previu na ocasião que a tomada de poder no Brasil seria alcançada com a ocupação de cargos no Executivo e Legislativo, a custódia do potencial bélico das Forças Armadas, a abolição do ecumenismo, posse dos meios de comunicação, e persuadindo uma plateia de “analfabetos funcionais”, que compram sementes de feijão para a cura da covid.
Ao concluir seu artigo, dom Calvani avisou: festas populares, como Carnaval, São João e shows musicais, serão proibidas, assim como as romarias e procissões católicas; símbolos de outras religiões serão destruídos; a comunidade LGBTQIAP+ será confinada em campos de concentração; e imposto o uso da burca (traje feminino usado em alguns países islâmicos que cobre o corpo, cabelo e rosto).
Os influenciadores do povo evangélico omitem aos seus seguidores que, em setembro de 2009, participaram no Palácio do Planalto (morada de Satanás até a chegada do seu marido em 2018, afirmou Michelle Bolsonaro do alto de um trio elétrico) do ato de assinatura, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do decreto-lei 12.025/09, de criação do Dia Nacional da Marcha para Jesus. No final, de mãos dadas, oraram pela saúde da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
As perseguições àqueles que ousam não declarar seu voto a Bolsonaro estão ocorrendo no interior das igrejas evangélicas, como denunciou a deputada presbiteriana Benedita da Silva (PT-RJ), revelando que na última quarta-feira (dia 31) um fiel foi baleado em Goiânia por discordar da fala do pastor, que “levou o palanque eleitoral para o púlpito”. A parlamentar citou vídeos onde pastores tentam convencer os fiéis de que “Jesus é de direita” e quem não ajuda a reeleger o psicótico do Planalto é “endemoniado”.
Bem contra o Mal
Nessa guerra santa do Bem contra o Mal como os partidários do Bem vão se defender de um inimigo que, nos últimos quatro anos, adquiriu 656.042 armas de fogo, legalizadas por atos administrativos endossados pelo presidente da República?
O mais grave é que parte desse arsenal está nas mãos de políticos, traficantes, milicianos, neonazistas, fundamentalistas, e até de pastores evangélicos (pastor da Igreja Presbiteriana, Milton Ribeiro, acusado de corrupção passiva e tráfico de influência como ministro da Educação, no dia 26 de abril último deixou acidentalmente sua pistola disparar no aeroporto de Brasília, ferindo uma funcionária da Gol).
Moradores das grandes cidades do país ouvidos pela “Folha de S. Paulo” manifestaram preocupação com a mudança nos últimos anos do comportamento de vizinhos, que passaram a portar armas de fogo. O assassinato de um petista em Foz do Iguaçu (PR) está vivo na memória de todos.
As pessoas do Bem pensaram em pedir ajuda à Igreja Católica, mas concluíram que padres e bispos reclamam das perseguições políticas. Em julho de 2020, 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos divulgaram a “Carta ao Povo de Deus”, qualificando o governo federal de “incapaz e inábil” em enfrentar crises, “como o flagelo de milhares de mortes pela covid-19”. O padre Júlio Lancelotti foi ironizado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) por distribuir cobertores e sopa aos moradores de rua, em São Paulo..
OS TRAFICANTES DE ESCRAVOS RECEBIAM HONRARIAS DE NOBREZA
No capítulo “Barões e Fidalgos”, o escritor da trilogia ”Escravidão”, que todo brasileiro deveria ler, Laurentino Gomes, fala do Vale do Paraíba, “o coração do Brasil escravista do século XIX, da nobreza exótica e tropical e da troca de favores entre a Coroa e os senhores da terra”.
Pouca coisa mudou de lá para cá no nosso Brasil oligárquico e burguês provinciano atrasado. “As glebas de terras ao redor do município de Vassouras, um dos grandes centros de produção de café, tiveram a maior concentração de viscondes, barões, marqueses, comendadores, coronéis e detentores de outras honrarias de toda história do império brasileiro”.
Voltemos aos dias atuais e aqui estão os barões da soja e do gado recebendo os elogios e as benesses financeiras dos governantes, sejam de direita ou de esquerda. “A concessão de títulos se acelerou entre 1878 e 1889, período em que a monarquia, sob pressão do movimento abolicionista e da campanha republicana, começou a correr perigo”. Só na década foram criados 370 barões, sendo 155 entre a Lei Áurea e o golpe do marechal Deodoro da Fonseca.
Diante do clima de tensão entre militares e civis, o Visconde de Maracaju, ministro da Guerra, propôs que “os títulos fossem usados como armas para seduzir os oficiais nos quarteis”. Não parece o mesmo retrato borrado de hoje? Na véspera da Proclamação da República, 35 coronéis receberam o título de barão.
“Estamos todos marqueses” – zombou em artigo no jornal Diário de Notícias o baiano Rui Barbosa, ao criticar a inflação nobiliárquica, responsável pele legião de fidalgos baratos – destacou Laurentino no terceiro livro “Escravidão”.
Na guerra contra o Paraguai (1864-1874) os escravos arriscavam suas vidas pegando em armas, enquanto seus donos ficavam em casa recebendo títulos. O escritor sergipano Tobias Barreto se referia à “nobreza feita à mão” que produzia fidalgos de nomes pitorescos, como o Barão de Bojuru, de Botovi e de São José Sepé.
Muitos dos belos casarões senhoriais dessa numerosa nobreza ainda podem ser visitados – assinalou Laurentino. Um exemplo por ele citado é a sede da fazenda Resgate, no município de Bananal (Vale do Paraíba), tombado pelo Iphan. Seu dono Manoel de Aguiar Valim foi um dos homens mais ricos do Brasil.
No Vale do Paraíba, a propriedade que mais impressionava pela riqueza e pelas dimensões era a casa grande da fazenda Flores do Paraíso, no município de Rio das Flores, de Domingos Custódio Guimarães, visconde do Rio Preto.
“O fausto e a riqueza dos fazendeiros escravocratas do Vale do Paraíba eram exibidos também na corte do Rio de Janeiro. Antônio Clemente Pinto, barão do Nova Friburgo, cafeicultor da região de Cantagalo, era dono do mais luxuoso palacete, o atual Palácio do Catete, que serviu de residência para vários presidentes até a transferência da capital para Brasília, em 1960”.
A lista de comerciantes negreiros apontados como cidadãos exemplares e beneméritos é longa. Elias Antônio Lopes doou o Palácio da Quinta da Boa Vista, atual Museu Nacional, para abrigar o príncipe D. João VI.
Joaquim Pereira Marinho, o homem de pedra, primeiro conde Pereira Marinho em Portugal, foi um dos maiores traficantes de escravos na história do Brasil. “Sua estátua erguida há mais de um século no centro da maior cidade negra do mundo fora da África, é hoje alvo de acalorada polêmica”.
“Sua imponente estátua está na entrada do Hospital Santa Isabel, em Salvador, por ter ajudado a construir a unidade. Ele doou dinheiro a instituições de caridade e socorreu flagelados da seca no Nordeste. Como tantos outros, foi um cruel opressor e racista. Um traço comum na biografia dos grandes traficantes e senhores de escravos está exemplificada na história de Joaquim Pereira Marinho”.
Muitos foram convertidos em mecenas, tanto no Brasil, como Estados Unidos, Inglaterra, França e Holanda. “Patrocinaram artistas, apoiaram a construção de museus, organizaram teatros e companhias de dança, financiaram expedições científicas, doaram somas expressivas para igrejas, irmandades religiosas, hospitais, e obras de assistência aos pobres e doentes”.
A PAUTA É COLOCAR COMIDA NO PRATO E ELOGIAR OS BARÕES DA ELITE
“SAI DAÍ, CÃO, QUE TE FAÇO BARÃO”.
A LINGUAGEM DA DIREITA E DA ESQUERDA SE CONFUNDEM. ELAS SE ACASALAM QUANDO SE TRATA DO SOCIAL E POUPAM OS AFORTUNADOS BARÕES DO AGRONEGÓCIO, BEM COMO OS EMPRESÁRIOS QUE FIZERAM A REFORMA TRABALHISTA ESCRAVISTA. SÃO OS INTOCÁVEIS. ABRAÇAM OS POBRES PARA SE BANQUETEAR COM OS MAIS RICOS.
Nos tempos do império, principalmente no segundo período, e em épocas de crise, o imperador D. Pedro II agraciou os fazendeiros do café (Vale do Paraíba), os comerciantes em geral e até os traficantes ilegais de escravos africanos com títulos de nobreza de barões, duques, marqueses, condes, viscondes e coronéis em troca de dinheiro, na base do “toma lá, dá cá”, para sustentação no poder, que foi derrubado por eles mesmos.
Dessa enxurrada de condecorações surgiu o ditado “Saí daí, cão, que te faço barão”. Muitos se passaram por “mecenas” das artes; e construíram obras de caridade e hospitais, como as Santas Casas das Misericórdias. Para eles, que praticaram crueldades e enriqueceram com a escravidão (milhares morreram na travessia do Atlântico, cemitério dos cativos), foram erguidas estátuas em suas homenagens.
Os poderosos da oligarquia e da aristocracia atual, sem mais as medalhas de nobres, mas com outros tipos de premiações, continuam sendo os protegidos dos reis a ganhar fortunas transgredindo a ordem e a lei. Parta eles, elogios e promessas de mais recursos baratos. Para o agricultor familiar uns trocados cheios de burocracias.
O “toma lá e dá cá” nunca acabou para as castas de políticos, executivos e judiciário, bem como para os barões da soja, do milho, do gado, do café, do algodão, do comércio e da indústria que recebem polpudos subsídios da União (grana do povo), e ainda exploram a mão de obra do trabalhador através de uma reforma escravista.
As campanhas eleitorais estão de vento em poupa, com a mesma linguagem chata e nojenta invadindo nossos lares com o nosso dinheiro. Todos são alinhados à direita capitalista, mas uma parte se acha sangue puro da esquerda quando a questão é fome, miséria e comida na mesa. Fazem “gracinhas” para as minorias.
No entanto, os dois lados e mais o centro saem pela tangente quando se fala em cortar as benesses dos barões das elites, como por exemplo, os donos do agronegócio e os empresários que construíram essa maldita reforma trabalhista para encherem mais ainda seus bolsos.
Outros temas também como aborto e a descriminalização das drogas são evitados, e cada um tem uma palavra “mágica” mentirosa para resolver o problema do tráfico de armas e ilícitos, os quais geram mais violência e mortes.
A saída deles é sempre de mentalidade militar, no sentido de reforçar o armamento (tanques, fuzis e metralhadoras nas ruas e nas favelas) e o número de efetivos do policiamento, as mesmas medidas direitistas retrógradas arcaicas que há séculos não têm dado resultados, só desastre e matanças. Somente alguns pequenos partidos de esquerda condenam essas políticas.
A esquerda de hoje no Brasil só existe quando se fala do social, das minorias, dos negros e indígenas para enganar e embromar essas classes. A reforma agrária nesse Brasil nunca foi levada a sério e posta em prática porque a elite não deixa. Da última vez que se tentou, os generais e os civis burgueses deram um golpe que virou ditadura com dias de chumbo.
Gritam e berram para dizer que vai acabar com a fome e a miséria, oferecendo mais esmolas, sem, no entanto, apontar um projeto socialista verdadeiro de distribuição das riquezas, que faça esses milhões de brasileiros caminhar com suas próprias pernas, sem depender dessas bolsas e doações eleitoreiras. É a perpetuação da ignorância, da falta de educação, de cultura e do aumento do analfabetismo.
Quanto mais auxílios, sem alternativas econômicas e sociais, mais filas de pobrezas e mais sofrimentos para adquirir a prometida ajuda. Entra ano e sai ano, e o quadro só tende a piorar, com choros e derramamento de lágrimas. Nessa de dar aos pobres sem tirar dos barões, a renda só faz concentrar mais ainda nas mãos dos poderosos, gerando mais desigualdade social, que envergonha a nós e ao mundo.
Esse esquema só faz afundar o Brasil numa crise fiscal sem fim, porque tudo vem do Tesouro que é sustentado pelo povo, e aborta mais inflação e desemprego. A nossa esquerda não passa de um fantasma brasileiro que vive às custas da desgraça da pobreza, da fome e da miséria. É um verdadeiro estupro explícito. O sistema eleitoral vigente não passa de um grande estelionato.
















