:: set/2022
MORADORES E OS ANIMAIS
Como criaturas, todos somos animais, inclusive na classificação social onde uns poucos vivem com dignidade e outros muitos na mais profunda desigualdade. Como os humanos moradores de rua, os cachorros, principalmente, vagam abandonados pelos seus donos nas ruas e praças das cidades, sujeitos à fome, ao calor e ao frio, dormindo debaixo de marquises e viadutos. No caso dos cachorros, existem aqueles bem tratados em mansões de ricos que levam uma vida melhor que milhões de seres humanos brasileiros. Como na imagem da foto, estes são os considerados miseráveis renegados. A mesma coisa acontece com os humanos que também são divididos por classes, e comem o que os outros dão. Quanto aos cachorros, nem existe essa capacidade de colaboração e solidariedade entre eles. Numa análise mais filosófica no campo da superioridade racional, o homem é ainda pior porque larga seu bicho na rua, com a mínima condição de sobrevivência. Nessa ótica de visão, somos mais estúpidos que os outros animais. São os paradoxos que se cruzam com as comparações da vida na terra.
PARADO NA ESQUINA
Mais uma produção poética social do jornalista Jeremias Macário
Ei, seu cabra suspeito!
O que está a pensar,
Aqui parado,
Neste poste da esquina,
Com esse jeito,
De quem vai roubar?
Seu polícia,
Meu nome é fome,
Que não me deixa raciocinar.
Só estou assuntando,
Essa sociedade assassina,
Metida a grãnfina,
Que concentra toda riqueza,
Pra gerar nossa pobreza.
É, seu preto meliante!
Com esta cara de traficante,
Se vire pra uma revista,
E “tege” preso,
Vagabundo subversivo,
Que nem deve estar vivo.
Seu soldado,
Só estou aqui parado,
Neste poste da esquina,
Esperando o carro do osso,
Pra pegar umas pelancas,
Fazer um angu,
Pra Zefa de Manu,
E minha criança menina.
Não passo de um cidadão,
Sem no bolso um tostão,
E o senhor, um cativo
Do capital patrão.
Está algemado e detido
Por desacato à autoridade,
Sem essa de liberdade,
Seu bandido atrevido.
Por ter reagido,
Jogaram o moço na viatura,
Nem passaram na delegacia,
Muita porrada e tortura,
Deram cabo do coitado,
Com tiros na travessia.











