NÃO ACREDITO SER ASSIM
Confesso que não consigo entender essa visão simplista e até sem lógica que as pessoas fazem de Deus, de Alá, de Javé, Zeus, Tupã, Oxalá ou que seja do Ser Supremo. Cada um diz ter o seu Deus. Não entra em minha cachola, que não usa nem dez por cento de seus neurônios, de que foi assim que Deus quis, quando algo acontece de bom ou ruim.
Diariamente usam o nome de Deus em vão no futebol, no tabuleiro de xadrez, de dominó, nas cartas de biriba, para roubar, furtar, derrubar árvores, na política com promessas ilusórias e até para matar o seu semelhante.
Seu nome já é pronunciado maquinalmente como programa de computador. É só clicar e abrir, ou dar o ctrl c e o ctrl v para copiar. A criança ouve dos pais e cresce repetindo seu nome em qualquer coisa que faz. A impressão que se tem é que não há mais pensar, refletir e raciocinar no ser humano.
Prega-se o livre arbítrio, mas do outro lado fala-se que nada acontece sem a permissão de Deus, incluindo aí as tragédias e as catástrofes. Não se trata de uma grande contradição? Não acredito ser assim, nem naquela versão de que Ele um dia vai destruir o nosso planeta terra.
Que livre arbítrio é esse que nos consideramos impotentes diante Dele? Destino ou o poder de escolher o caminho certo ou errado? Imaginou se todos ficassem parados esperando as coisas acontecerem? Somos movidos por uma energia invisível? Para que serve, então, todo nosso esforço de decisão?
São os próprios homens que estão liquidando com a fatura através das guerras, da ganância do capital pelo consumismo, do egoísmo dos ricos que não importam para aqueles que passam fome, do lixo que jogam na natureza, das derrubadas e incêndios nas florestas e de tantas outras maldades que provocam o aquecimento global.
Deus fez o universo sideral, a terra, as montanhas, os rios, os mares, a fauna e a flora com milhões de espécies, as belas paisagens, o ser humano para viver em harmonia e paz e, depois de tudo isso, Ele vem e acaba com tudo? Não vejo sentido nisso.
Na cabeça desse povo, Deus virou até jogador de futebol e torcedor. Tem em cada país, província ou no mais remoto lugar o seu time preferido. O pior é que, às vezes, Ele esquece do seu clube para atender os pedidos dos fanáticos que rezam com o terço na mão. Para agradar a uns e desagradar outros, Ele faz o perder, ganhar e o empatar. Deve ficar irritado com tantos chatos buzinando em seu ouvido.
Até numa briga de inimigos Ele entra. Um tem que morrer. Numa tragédia, os sobreviventes agradecem sua mão divina salvadora. No momento não deu para socorrer os mortos. Não acredito ser assim que Ele escreveu essa crônica. Ele é tão carrasco que criou a miséria, e tão bondoso que fez os ricos e os poderosos?











