Mesmo com todos xingamentos, bravatas, ameaças à democracia, preconceitos, atos de racismo e homofobia, destruição do meio ambiente, fazer do Brasil um pária, desdenhar a vida e debochar dos nordestinos, o capitão Bozó ainda teve uma careta de milhões de votos, perdendo apertado para o Lula, de 77 anos, o mais velho a ser eleito presidente.

Que povo é esse? Ou foi o ódio ao PT de 2018 que veio ainda mais forte em 2022? O despertar dos extremistas nazifascistas e fanáticos que estavam no armário e ganharam voz com seu líder autoritário? Muitos têm seus diagnósticos filosóficos, sociológicos e versões academicistas. Ou é coisa para ser analisada num divã psiquiátrico? Como explicar tudo isso?

Fico aqui a burilar em minha mente que se fosse outro candidato com um partido de centro mais palatável, sem costas largas do passado para bater, a diferença da vitória teria sido bem mais larga. Pelos resultados dessas eleições e da anterior, o país vai continuar dividido, cheio de ódio e intolerância. O outro lado não vai se conformar em apertar as mãos.

Podemos até dizer que nos livramos de um inferno, mas vamos ter de enfrentar momentos difíceis e não sabemos se o Lula irá terminar seu mandato. Será que não se vai repetir o mesmo que ocorreu com Dilma, quando passaram a rasteira nela e assumiu o Temer, mordomo de drácula?

Outra questão é que pela idade já avançada, o Lula não deverá partir para outra eleição. Como sempre arrogante e prepotente, o PT não vai querer largar o osso, ou seja, o poder. Na hora do vamos lá, não existe essa de coligação com objetivo único de se pensar no bem do Brasil. Vamos continuar penando por mais algum tempo até que paguemos nossos pecados, nossos erros e tropeços. Precisamos de purificação.

Pelo estilo louco, raivoso e psicopata do capitão-presidente, não vai haver governo de transição como recomenda o estilo democrático e o “centrão” no Congresso Nacional vai começar a armar seus complôs para que continue o esquema do escambo do toma lá, dá cá. Será que o Lula e o PT vão sentar na mesa e corrigir os erros do passado? Sim, porque houve muitos e precisam ser evitados.

Entendo que, ao lado de matar a fome e dar comida a todos, como insistiu o Lula em toda sua campanha, são mais que necessárias políticas públicas para que esse 33 milhões de famintos não engrossem mais ainda as fileiras das esmolas miseráveis.

As pessoas precisam ganhar autoestima e começar a viver por conta própria através do seu emprego e do seu trabalho. As bolsas, os vales, auxílios e doações viciam, principalmente quando se trata de gente sem instrução que acha que não tem mais saídas para suas vidas.

É preciso fazer diferente, com honestidade, seriedade e, acima de tudo, moralidade com a coisa pública, sem roubos e maracutais, como o PT pregou na sua fundação lá no início dos anos 80. Essa é a única oportunidade para fazer a coisa certa e tirar essa pecha de ladroagem que ainda está impregnada na cabeça de muitos.

Infelizmente, houve desvios de conduta e mudança de rota com alianças burguesas e gente inescrupulosa do pior quilate, sem contar que muitos do partido se deslumbraram e passaram da cachaça para o uísque.

É isso que o povo mais consciente politicamente e os partidos de esquerda que o apoiaram esperam que ocorra. Senão, será outro grande desastre, outra desilusão, outra grande decepção e deixará a porta aberta para volta dos lobos raivosos fascistas. É bom não ficar brincando de se locupletar do poder. Caso contrário o ódio será bem pior, a maldição mais maligna e haverá uma verdadeira convulsão social.

Em seu discurso na Avenida Paulista num caminhão de som, em algumas palavras, Lula não deu aquele tom de conciliação quando em certo momento disse que iria se dirigir à multidão da outra ponta do veículo que estava à esquerda e ao centro, nunca à direita. Isso pode até ser irrelevante, mas não é bom para unir o país. Que nunca mais exista essa de “é nós contra eles”.