OS DESABRIGADOS DOS ABRIGOS
Mais parece coisa do destino, ou reencarnação de outro espírito a padecer na alma para se redimir dos males praticados no passado, como forma de purificação, como explica a doutrina espírita. Assim é o sofrimento das pessoas desabrigadas que ficam a perambular de um conto para outro em abrigos sociais, a vagar sem rumo.
Essa gente perdeu a esperança de viver porque a ela, lá atrás, não foi dada uma oportunidade. Se entregaram e apenas vai passando o tempo de dia pelas ruas nas drogas e nos furtos, e a noite nos abrigos. Muitas são vítimas de transtornos psicológicos e problemas familiares. Não fazem mais planos, nem aceitam regeneração.
São, então, casos perdidos? Talvez, não. Há salvação para tudo. Nos últimos anos, esse quadro de degradação e miséria humana só tem aumentado no Brasil. São pessoas que nem estão no censo, como se não existissem. O pior é que isso é a dura realidade.
Cada um é um tipo diferente que exige uma análise diferenciada desde suas origens. Tem mulheres grávidas, idosos sem mais sentido para viver, desaparecidos, penitenciários que cumprem pena no semiaberto, usuários de drogas e até gente com instrução de nível superior. Pois é, tem de tudo que você pensar.
Falo dos desabrigados dos abrigos porque são simples passageiros que vão e voltam, mesmo obrigados a seguir as devidas regras dessas casas que acolhem essas pessoas que, na verdade, não podem ser chamadas de andarilhos que se destinam a conhecer o mundo. Esses têm objetivos, inclusive de se tornaram mais preparados para a vida.
Pela própria natureza, muitos são violentos e trazem dentro de si uma revolta por serem considerados párias da sociedade. Preferem a embriaguez que a lucidez. Acham consigo mesmos que não têm mais nada a perder. Ás vezes a calmaria, mas, a maior parte fica escrava da agitação, com características diferentes.
Muitos recebem aposentadorias e auxílios do governo através do cadastro único. Pegam o dinheiro e estouram tudo, até em boates de luxo que seja apenas por uma noite. Eles têm um período limite no abrigo e depois ficam nas ruas ou vão para outras cidades. Muitos retornam e ficam naquela vida do vaivém, sem destino certo.











