Agora arranjaram um termo bonita na língua portuguesa para chamar de assédio eleitoral. O nome verdadeiro, nu e cru, é coronelismo escravista que o Brasil viveu desde os tempos coloniais até meados do século XX. Muitos achavam que isso nunca mais iria ocorrer.

Confesso que em minha idade não imaginaria que iria ter esse retorno dos coronéis senhores ruralistas donos de terras destruidores do meio ambiente, de empresários e industriais. É, minha gente, o Brasil está mesmo, literalmente, voltando a adotar os mesmos métodos de antigamente.

Para essa geração mais nova e quem pouco conhece a história do país, o coronelismo se destacava pelo poderio que os latifundiários tinham sobre seus empregados, obrigados a fazer tudo quanto eles mandassem, principalmente no quesito voto.

Primeiro os títulos ficavam nas mãos dos patrões e somente seriam entregues no dia da votação. A seção era controlada por eles de modo que sabiam com antecedência a quantidade de votos que iria receber o seu candidato com base no número de empregados que possuíam.

Era o chamado voto de cabresto. Pelo controle, o coronel sabia quem votou nele, ou não. O considerado “traidor” poderia até ser condenado à morte ou levar uma tremenda surra de seus jagunços. Era o parabelo e a chibata quem mandavam.

O uso da tecnologia moderna atual só dificulta essa interferência do coronel atual, mas, como diz o ditado, o brasileiro sempre tem seu jeitinho. Para evitar esse voto de cabresto, ou escravo, como queira, o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) proibiu que o eleitor entre na cabine com o celular para não filmar o voto.

Acontece que nem todos mesários estão obedecendo essa lei (onde votei não me pediram). Além do mais, os coronéis estão ordenando que o trabalhador leve o aparelho dentro do sutiã ou até na calcinha, no caso da mulher, ou na cueca, caso do homem.

Pelo andar da carruagem, vamos ter que continuar nesse inferno, sendo diariamente xingados, vítimas de racismo, de xenofobia, de homofobia, de desprezo pela vida, de misoginia, sob o jugo do nazifascismo e do mau caráter que saiu do armário com a voz, a senha e a bandeira do capitão psicopata.

Vamos continuar vendo o nosso meio ambiente sendo destruído, os índios sendo exterminados, os negros sendo pesados como arrobas, os nordestinos sendo discriminados e ameaçados de morte pelos extremistas seguidores.

Quando todos estiverem nas trevas no ranger de dentes e o Brasil isolado do mundo, tratado como nação selvagem, vão se sentir arrependidos e dizer que não esperavam que o cara chegasse a esse ponto. Assim disseram anos depois os eleitores de Hitler e de Mussolini