Autoria de Jeremias Macário

Um na labuta do campo,

Outro no rio e no mar,

No rigor do calor e do frio,

Nos cortes das fases lunares,

Pra plantar, colher e pescar.

 

Cada qual com suas marés

De altas e baixas.

Aguaceiro molha a terra,

Agricultor vai semear,

E renova no santo sua fé.

Tempestade agita o mar,

Pescador não vai pescar;

Roga a Iansã e Iemanjá,

Para o vento se acalmar.

 

O agricultor mira as nuvens,

O céu, a cigarra e o ar;

Sente quando a chuva vai chegar.

Pescador também pressente,

No escudo do horizonte quente,

Quando o tempo vai fechar.

 

Joga a rede pescador!

Como ensinou a Pedro, seu Senhor!

Ás vezes vem cheia de peixes,

Outras só sai lixo de lá,

Do homem que só faz sujar.

A seca mata de fome o animal,

Plantação mirrada a murchar,

Com esse aquecimento global.

 

Um com sua enxada a olhar o sol,

O outro com seu barco a navegar,

Os dois pedem a Deus uma graça,

Pra na praça da feira sua safra levar

O surubim, o vermelho e a sardinha,

O milho, feijão, arroz e a farinha.