:: 9/mar/2023 . 23:13
QUEM CUIDA DA NOSSA CULTURA?
CARTA ABERTA
Numa troca de ideias sobre a situação em que vive a nossa cultura em Vitória da Conquista, um grupo de artistas se reuniu e, de forma sensibilizada e indignada, resolveu fazer uma carta aberta às autoridades, relatando os pontos mais graves que atualmente atravessa o setor em nosso município.
Esta carta está circulando nas principais redes sociais para ser assinada por artistas e demais pessoas da sociedade para ser entregue ao poder público, principalmente ao legislativo e ao executivo. Infelizmente, como se tudo estivesse a mil maravilhas, poucos até agora aderiram à proposta. Fica, então, uma pergunta: Quem cuida da nossa cultura?
CARTA
Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 300 mil habitantes, berço de Glauber Rocha e Elomar Figueira, precisa com urgência romper essa inércia na cultura que já viveu seus tempos de efervescência em todas linguagens artísticas, principalmente entre os anos 50, 60 e 70. Com tantos movimentos, chegou a ganhar a fama de cidade politicamente cultural.
Nos últimos anos, tudo isso virou mito. Os artistas de um modo geral dos setores da música, do teatro, da dança, da literatura, das artes plásticas, do audiovisual, da fotografia, artesãos e demais expressões se sentem decepcionados e desesperançosos com essa inércia do presente e de um futuro incerto desanimador.
Diante do exposto, em forma de manifesto, conclamamos todos artistas conquistenses a formarem uma frente única nesta carta aberta à sociedade em defesa da nossa cultura que tanto gera emprego e renda, e ainda devolverá à Vitória da Conquista o título de cidade cultural, com a volta dos festivais de música, teatro, dança, salões de fotografia e artes plásticas e feiras literárias.
A mudança desse cenário de inércia começa por essa mobilização dos artistas, subscrevendo este documento, divulgando seus anseios na mídia, em manifestações, mas é imprescindível o estímulo e apoio direto do poder público em suas atribuições legais de promover e realizar eventos culturais tão escassos em nossa cidade, hoje uma capital do sudoeste baiano.
Nesse conjunto de esforços para soerguer a nossa cultura, é importante também que o setor privado, as empresas em geral, se juntem a nós, acreditando que cultura é um investimento com retorno no turismo e proporcionando benefícios para as áreas do comércio e serviços.
Vivemos em tempos de acomodação e desânimo. Um exemplo disso é que hoje nossa Conquista, como bem expressam os músicos, vive limitada aos bares como opção de entretenimento e precisa retomar o caminho do crescimento cultural, a exemplo de outras cidades, até menores, onde acontecem festivais, eventos nas praças, feiras e centros culturais movimentados.
A verdade é que a nossa cultura hoje se resume aos calendários do São João e do Natal que ilumina bastante a praça e muito pouco a arte. É só vazio nos restantes dos outros meses. Necessitamos urgentemente preencher essa lacuna.
Para piorar ainda mais a situação, os equipamentos municipais, como o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, estão fechados sem definição de reformas e reabertura, sem falar na Praça Céus (J. Murilo) no Alto Maron, que funciona de forma precária.
Sem muitos exageros, é um quadro desolador. Para reverter essa situação, queremos a reativação desses pontos ou a construção de um centro cultural à altura da nossa cidade para a constante realização de eventos.
Nós, abaixo-assinados desta carta, queremos também a implantação de um Plano Municipal de Cultura que sirva de diretrizes básicas para o estabelecimento em lei de uma política cultural do poder público, que ocupe de vez esse vazio cultural.
Queremos tão somente o que nos é de direito constitucional que é o conhecimento, o saber, o fomento à cultura e o estímulo à diversidade artística de uma terra tão rica e talentosa nas artes, as quais, infelizmente, se encontram adormecidas. Queremos sair dessa inercia cultural.
Queremos o apoio de todos artistas, da sociedade em geral, dos jovens estudantes, professores, intelectuais, da Câmara Municipal de Vereadores, promotores culturais e demais interessados na subscrição dessa carta, tão fundamental para o desenvolvimento cultural e artístico da nossa cidade.
COMO ENTENDER O SER HUMANO?
Está lá bem visível, conforme mostra a imagem da nossa lente, que a vaga está reservada para o idoso, mas três motoqueiros estacionam seus veículos no lugar, num claro desrespeito ao estabelecido por um conjunto de lojas localizadas na Avenida Juracy Magalhães nas proximidades do Hotel Ibis. A própria foto já diz tudo e vale por mil palavras, mas temos que insistir num comentário, infelizmente, inglório neste país das leis que são feitas para serem transgredidas. Como entender a cabeça do ser humano? Ele é acima de tudo egoísta, individualista e hipócrita porque em público numa entrevista e numa mesa de bar são esses mesmos imbecis das motos que, no maior cinismo, defendem o respeito aos outros. O acinte é bem escancarado e se você for lá falar com eles pode levar até porrada ou ser morto, não importando se a pessoa é idosa e merece consideração. Vivemos numa sociedade primitiva brucutu dos tempos das cavernas, mas com celular na mão para fofocar, odiar, xingar, passar fake news e depois arrotar de que é um civilizado, mesmo não respeitando os outros. É uma terra de ninguém onde impera a lei do mais forte, do mais safado, do sem ética e daquele que só pensa em levar vantagem em tudo. Assim caminha a humanidade, mas, os mais otimistas acham que estamos indo em direção à harmonia e ao bem-estar igualitário de todos. Acredite se quiser e quem viver verá.
PORTA FECHADA
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Como aranha a tecer sua teia,
Uma porta fechada,
É outra que se abre.
Assim é a vida, camarada,
Como onda levada,
Que espuma na areia.
Às vezes, bate em sua memória:
Sonhos do passado,
De caça e de caçado,
De porta fechada,
E de outra que lhe serviu,
Para conduzir sua história,
No calor ou no frio.
Não lamente e chore,
Se teve uma porta fechada.
O vento que assovia lá fora,
Traz depois a calmaria,
E sua porta se abre,
Para uma outra Maria.
A vida corta como sabre,
De uma porta fechada,
E de outra que se abre.
Se o futebol lhe deixou,
Médico, filósofo, cronista,
De poeta, professor ou artista,
O destino lhe reservou.
Não se apoquente, seu moço!
Você veio do ventre da terra:
É foice, facão e machado,
Montanha e serra,
Arrasto do arado,
Paz, amor e alvoroço.
POR QUE TEMOS MAIS PARLAMENTARES HOMENS QUE MULHERES NO BRASIL?
Quando se fala em desigualdades entre homens e mulheres, no campo político sempre se cita que no Brasil existe uma grande discrepância entre o número de homens, bem maior, em cargos eletivos nos legislativos do que mulheres. A isso se chama de machismo, mas não é bem assim.
É uma verdade quanto ter mais homens que mulheres na política, mas essa discussão precisa ser mais aprofundada, muito além de comentários simplistas de que o problema se resume no machismo brasileiro. Sei que a esta altura quem me ler já deve estar me chamando de machista, com interpretações equivocadas.
Ora, pelo que nos consta, mal ou bem, vivemos num regime democrático de eleições diretas onde todos, sem distinção de gêneros, sexo ou cor da pele, podem ser votados e votar, tanto para o legislativo ou para o executivo.
Se convencionou falar, principalmente a mídia que não se presta a fazer uma análise mais histórica e cultural do problema, que a raiz de tudo está no machismo, quando se deve laborar outras indagações para se encontrar a culpa ou os culpados.
Quando refletimos sobre o assunto, caímos sempre num paradoxo do porquê não temos mais mulheres exercendo cargos políticos no âmbito legislativo do que homens, se existem mais eleitoras que eleitores no Brasil?
Uma das explicações pode ser porque a nossa sociedade, desde os tempos coloniais, sempre foi patriarcalista e, por isso, as mulheres demoraram de avançar em suas conquistas. Elas só vieram ter o direito de votar a partir de 1932. Portanto, há mais de 90 anos.
De lá para cá, em outros setores sociais e trabalhistas, tanto no privado quanto no público, as mulheres progrediram e avançaram muito mais que no político. Existem empresas que existem mais mulheres que homens. Será que o xis do problema não está na falta de interesse de ingressar na política, como fazem os homens mais sérios, honestos e éticos?
Com mais candidatas, as mulheres não poderiam votar em mais mulheres, já que representam a maioria? Os homens mais preparados em nível intelectual e que não são corruptos também não se arriscam na política porque sabem que são excluídos. É o chamado silêncio dos bons.
A culpa também não pode estar no próprio sistema anacrônico eleitoral onde quem tem mais poder econômico para gastar numa eleição se elege do que aquele desprovido de recursos? Isso hoje vale para a mulher e para o homem.
Não estaria ainda na perpetuação do cargo, tanto nas câmaras de vereadores, nas assembleias, câmaras de deputados e no senado onde quem entra se utiliza da máquina e não dá chance para uma renovação? Não deveria se acabar com essa reeleição indefinida?
Um exemplo mais próximo está aqui mesmo na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista onde de 21 parlamentares só existem duas mulheres que também se perpetuam no poder como os homens, caracterizando machismo dos dois lados. A questão não se resume simplesmente dizer que a Câmara de Conquista é machista, ou outra casa legislativa qualquer.
É correto o ex-governador Ruy Costa, hoje ministro da Casa Civil do Governo Lula indicar sua mulher para o Tribunal de Contas do Estado, sabendo que tem os deputados em suas mãos para elegê-la? Se os direitos são iguais, não deveria levar em conta a meritocracia, não importando ser homem ou mulher?
Quando todos são picados pela mosca azul do poder, termina não havendo distinção de comportamento entre ambos os sexos. Talvez pelo mau exemplo dos homens, que sempre foram maioria no poder, muitas mulheres também enveredaram no caminho dos malfeitos.
Qual critério teve o ministro Alexandre de Morais de conceder alvará de soltura para mais de 100 mulheres que invadiram os três poderes em oito de janeiro com a intenção de dar um Golpe de Estado, exatamente no Dia Internacional da Mulher? Todos não são culpados e têm as mesmas responsabilidades e consciências do que estavam fazendo?
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