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:: 15/mar/2023 . 22:19

OS MALDITOS CANAIS DOS SEGUIDORES

A DISPUTA É ACIRRADA, MEU AMIGO! LEVA A MELHOR QUEM CONSEGUIR MAIS SEGUIDORES. É UM DUELO DE VIDA OU MORTE COMO NO VELHO OESTE NORTE-AMERICANO!

– Eu tenho 10 milhões e logo olha para a tela, dizendo que subiu para 12 e 15 milhões com sua última postagem. Basta uma careta ou palavrão de assassinato da gramática. Do outro lado o concorrente grita que já está com mais de 20 milhões. No leilão da caça de seguidores, o mocinho ou a mocinha prontamente rebate que estourou a cifra dos 100 milhões ou mais da metade da população brasileira. Fala-se até em bilhões no exterior.

O entrevistador da mídia banal descartável só aplaude os feitos e faz elogios. Tudo é fantasia, ilusão e fama no mundo das danças, das mexidas, dos rebolados e das piadas sem graça e ofensivas de sentidos duplos, se possível contra os mais excluídos. É a própria cara da decadência da humanidade. É assim que a coisa gira e funciona. Quem não entrar na onda fica para trás. Você que critica não passa de um velho atrasado que perdeu o bonde da vida ou está fora da curva.

Esses seguidores nem lavam os rostos ou escovam os dentes. Mal se alimentam. Os adolescentes e os jovens levantam com o celular na mão imitando as danças e gestos dos tais “influenciadores digitais” e “celebridades” fúteis, inúteis e imorais. São ídolos idolatrados dos tempos modernos chamados civilizatórios da internet infestada de porcarias. A contaminação desse vírus é caso de saúde pública, física e psíquica.

Eles ditam seus padrões para milhões de seguidores, na sua grande maioria sem conteúdo, personalidade própria, com problemas de ansiedade, transtornos psicológicos e sem formação escolar que nunca pegaram num livro para ler. Existem os bons vídeos instrutivos, educacionais e culturais, mas estes são pouco vistos.  Quem acompanha um deles de 33 minutos sobre vida e obra do grande jurista baiano Rui Barbosa? Passa longe.

Eles são filhos da geração dessas redes, que desde criança os pais ausentes não souberam controlá-los. Com dois anos, ele ou ela já sabe manipular bem o celular – dizem com orgulho para seus amigos e familiares. – É craque, gênio e sabe de tudo, um prodígio! Muitos não têm limites e terminam sendo dopados pela droga desses canais malditos.

Conheço alguns jovens viciados nessa rota que estão estragados, sem perspectivas e dominados por aqueles que estão do outro lado da câmara gesticulando e falando um monte de besteiras. Perderam o gosto pela escola, que também é deficitária (algumas sem estrutura e caindo aos pedaços), e mal fazem os exercícios do professor.

O filósofo italiano Humberto Eco dizia que depois da internet e do celular a nossa sociedade ficou mais imbecil. Com a baixa escolaridade da nossa gente brasileira, por exemplo, até agora essa tecnologia avançada nos deu mais desvantagens que vantagens.

Por ironia, esse próprio progresso da revolução da informática, da era das informações (a maioria falsas) que é denominada de evolução do ser humano em seu estado mais avançado, está levando a humanidade para uma destruição de morte (guerras e violências), de engolidor de almas, de neuroses, isolamento, de angústia, individualismo e depressão, atingindo em cheio uma grande massa da nossa juventude.

Bem, como o nosso foco são esses canais dos chamados “influenciadores” que viraram “famosos” por passar o dia todo atrás de um aparelho alimentando de lixo plástico seus milhões de seguidores, conheço pais desesperados com seus filhos que não mais lhes ouvem e nem obedecem. Muito pelo contrário, hostilizam como se fossem seus inimigos e carrascos antiquados.

Piamente, esses jovens seguidores só ouvem seus deuses da alienação verbal, corporal e espiritual. Muitos se enveredam até para o extremismo do ódio e da intolerância ideológica, religiosa, nazifascista, do racismo e da homofobia.

Muitos até se tatuam com símbolos dos seus ídolos ou representações daquilo que propagam como padrões da verdade. Outros procuram se vestir como eles; usar seus estilos de cabelos; adotar seus comportamentos; rosnar; grunhir; e falar palavras de seus vocabulários primitivistas.

Esses milhões de jovens seguidores terminam perdendo suas personalidades e identidades, e entram em desagregação com suas famílias. São levas de alienados, sem conteúdo e sem memória. Perdem o gosto pelo ensino, e milhares até viram “nem-nem”, nem estudam e nem trabalham.

 

 

 

NÃO MUITO A COMEMORAR NO DIA MUNICIPAL DA CULTURA E DA POESIA

No Dia Municipal da Cultura de Vitória da Conquista, instituído em 2006 pela lei 1367, em homenagem ao nascimento do cineasta Glauber Rocha (1939- 1981), não temos muito a comemorar, a não ser algumas atividades pontuais, como no Natal, no São João e alguns editais que beneficiaram artistas durante o período da pandemia.

Aliás, nem houve atos comemorativos por parte do poder público e nem a nossa mídia noticiou a data, com raras exceções. Entendo que os artistas em geral em suas diversas linguagens e manifestações, os intelectuais e os fazedores de cultura também comungam comigo dessa mesma visão crítica, principalmente se for levar em conta o porte da nossa cidade, a terceira maior da Bahia com mais de 340 mil habitantes. Não devemos nos contentar com o pouco.

Não temos muito a comemorar quando três equipamentos importantes, como o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a própria Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, continuam fechados por falta de reformas, embora o nosso secretário Xangai, da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel tenha ido nesta data (14 de março) a Brasília conversar com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, sobre essas questões e outras.

Espero que tenha levado em sua pasta os projetos de custos para reformar essas casas e transformá-las em centros culturais de arenas para apresentações de eventos e espetáculos nas áreas da música, do teatro, da dança, da literatura, do cinema, do audiovisual e das artes plásticas, dentre outras expressões. Torço para que as coisas aconteçam e tenhamos uma cultura pungente que lembrem as efervescências de outrora.

Não temos muito a comemorar quando não temos um Plano Municipal de Cultura que contemple durante todos os anos a promoção de festivais de músicas com premiações, feiras literárias, salões de artes plásticas, seminários, encontros e recursos suficientes para apoiar e ajudar os artistas a concretizarem seus projetos.

É verdade que muitos grupos e pessoas, individualmente, vêm fazendo cultura em Conquista por iniciativa própria, mesmo com sérias dificuldades, mas o poder público, tanto o executivo como o legislativo, tem a obrigação de chegar mais. É aquela velha história de nunca se ter dinheiro para a cultura, mas não falta para outras que rendem votos eleitorais.

Não temos muito a comemorar quando a classe em geral não se une para se mobilizar, se organizar profissionalmente e cobrar mais ações do executivo. Falo de provocar, de agir, de todos chegarem juntos e não apenas ficarem na posição confortável da crítica e só pensarem em si. A maioria se contenta com o pouco e se isola. Nada se consegue nada sem brigar, sem lutar.

DIA DA POESIA

Quatorze de março é também dedicado ao Dia Nacional da Poesia em comemoração ao nascimento de Castro Alves (1847-1871), poeta condoreiro que, com seus poemas, que brotavam do fundo da sua alma, condenava a escravidão e as injustiças sociais. Era também um condoreiro romântico e até lírico. Ele transbordava sua dor. Seu lamento era como o tinir do facão no cascalho da pedra ou na terra estorricada do sertão.

Também diria que não temos muito a comemorar quando ainda em pleno século XXI temos um Brasil atrasado culturalmente pela falta de educação de qualidade e, que por isso, não valoriza a poesia, especialmente a nossa juventude que passa o dia agarrada num celular, engrossando os milhões de seguidores desses canais bestiais, fúteis, inúteis e imorais.

Infelizmente, não temos muito a comemorar quando a grande maioria dos nossos jovens ainda confunde um Manuel Bandeira, um Castro Alves, um Drummond, João Cabral de Melo Neto, uma Cecília Meireles, uma Cora Coralina, um Patativa do Assaré, um Zé Dantas, Humberto Teixeira e tantos outros como jogadores de futebol ou até cantores de funk. Só os abnegados e teimosos ainda resistem fazendo poesia, para ouvir das pessoas que ninguém ler isso.

 





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