:: 24/mar/2023 . 23:37
QUEM TEM A FELICIDADE?
Estava aqui pensando numa maluquice, dessas de deixar qualquer um pirado. Já imaginou, pelo menos por um ano, todos os brasileiros se tornarem, em corpo e alma, norte-americanos ianques (me deixa fora dessa) e forem viver nos Estados Unidos, com tudo quanto tem direito! Por sua vez, eles viriam para o Brasil, para sentirem a barra pesada e descobrirem o que é mesmo felicidade!
Poderia proceder o mesmo colocando os países africanos mais pobres dentro dos nórdicos, e vice-versa. Riquinhos passando fome! Os latinos seriam asiáticos, e os asiático latinos. A Europa seria o Oriente (Iraque, Turquia, Egito e outros do mundo islâmico), ou poderia o Brasil ser Europa e levar os EUA para a terra dos “infiéis” terroristas islâmicos. Cada um se colocando no lugar e na pele do outro.
Seria a maior experiência laboratorial nunca realizada na história da humanidade. Quem sabe assim, depois de um ano, o mundo não seria melhor e mais feliz? Coisa de doido, mas que deve ser analisada com muita seriedade. Impossível, mas vale a pena tentar! Poderia ser uma solução e uma aprendizagem e tanta de vida!
Não sou muito de acreditar em estatísticas e tem aquelas óbvias ululantes, como as que dizem que o Brasil é um dos países mais desigual do mundo e que nossa educação é uma das piores. Tem também certas pesquisas, sem muita utilidade prática, que são feitas por cientistas desocupados. Não que seja negativista do tipo da terra plana!
Nos tempos atuais, valorizam mais os animais silvestres e domésticos que os seres humanos, que também são animais, os quais são chamados de racionais. Nem tanto assim, meu amigo camarada! São tantas as barbaridades, violências, ganâncias, incoerências e paradoxos! Como são racionais? É questionável!
O que tudo isso tem a ver com a felicidade? Que cara chato sou eu que não entra logo no âmago do assunto proposto! É que vi uma pesquisa, não olhei bem quem fez e qual o órgão, dizendo que os países gelados são os que têm mais felicidade. Pensei logo, por que não despejar toneladas de gelos em nossas cabeças? O Brasil se tornaria numa grande geleira, como no Alasca, no Polo Norte!
Pela apuração dos desocupados, a Finlândia é o país mais feliz do mundo pela sexta vez. Os outros são os gelados nórdicos da Noruega, Dinamarca, Suécia, Islândia e, nesse caso, por que não a Rússia, especialmente a região siberiana onde para lá são levados os opositores do governo, desde os tempos de Stalin. Os presos políticos chegam lá e ficam logo felizes.
O que mais transmite felicidade? É o gelo, o grau de instrução, a soberania, a segurança, a proteção e a qualidade de vida? Ah sim, ia me esquecendo que no ranking da pesquisa o Brasil ocupa a quadragésima nona posição no item felicidade. Aleluia! Aleluia!
Para dizer a verdade, sob a análise do nosso caldeirão de problemas, desde o racismo, a xenofobia, a homofobia, a pobreza e a miséria, o ódio e a intolerância, até que estamos numa boa colocação. Merecemos até umas medalhinhas, mesmo que sejam de latão. É por isso que não sou muito ligado nessas estatísticas.
Outra pesquisa feita por uma professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que o dinheiro, sim o dindim, todas daquelas notas de 100 numa carreta (as de 200 são fake news), fabrica felicidade. Nesse sistema capitalista burguês consumista sou obrigado a concordar, com algumas controvérsias, como dizia o aluno da “Escolinha do Professor Raimundo”. “Há controvérsias mestre”!
É, sem dinheiro a pessoa fica macambúzia e banza, como africano escravo aprisionado num porão de navio negreiro e levado para longe da sua terra natal, para receber chibatadas do seu dono, essas de cortarem o lombo. Dizem que comprar presentes em shopping aflora a felicidade, mesmo que seja por um certo período.
Viver em mansões, ter carrões de luxo e viajar, mesmo que sejam frutos da corrupção, também oferecem felicidade. Que se dane a consciência e a ética! Ela também tem seu preço e se rende quando se possui sacos e sacos de grana. A pesquisadora esqueceu de citar que o poder também traz felicidade. Aliás, poder e dinheiro andam de mãos dadas. São donos da felicidade.
Entretanto, como o homem não é tão racional assim, o money dos imbecis traz desgraças e até mortes em famílias (as malditas heranças) e incita o indivíduo a passar a rasteira no outro, sem dó e compaixão. A corrida do ouro, tão comentada pela história, deve ter ligação direta com a corrida pela felicidade, não importando o preço a pagar. Que viva a felicidade, mesmo que seja uma mera ilusão pas
“FLUXO E REFLUXO” XI
AS REBELIÕES, OS MOTINS E O
RETORNO DOS NEGROS Á ÁFRICA
A partir do início do século XIX, por volta de 1807, ocorreram na Bahia várias rebeliões dos negros nagôs, haussás e da etnia tapas, culminando com a grande revolta dos malês, em 1835, que deixaram os brancos assustados com um possível massacre como aconteceu no Haiti no final do século XVIII.
Esses fatos narrados em “Fluxo e Refluxo”, obra do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, deram sequência a um retorno dos africanos para suas terras de origem. Muitos ainda eram escravos recém-chegados como levas do tráfico ilegal e foram deportados como punição por participarem dos levantes.
A partir de 1835, o cerco da polícia começou a se fechar contra os negros nascidos no Brasil, mesmo os emancipados, com punições severas e todos passaram a ser vistos como ameaças à segurança da província. Não podiam sair à noite e, por qualquer motivo, eram presos e submetidos a chibatadas em praça pública.
Diante da situação, houve um movimento de retorno dos africanos livres para suas nações de origens, com o consentimento do próprio governo da província e apoio dos brancos que temiam por mais rebeliões. Com os acontecimentos, as outras províncias recusavam comprar os negros escravos que fossem da Bahia. Com isso, os preços despencaram e os donos tiveram grandes prejuízos.
Conta Pierre Verger que a primeira rebelião na Bahia estava prevista para 28 de maio de 1807. Os escravos haussás haviam preparado arcos e flechas, facões, pistolas e até fuzis. Tanto os negros da cidade quanto os dos engenhos deviam se juntar fora de Salvador na noite do dia 28. A proposta era fazer guerra aos brancos, matar seus senhores e envenenar as fontes públicas.
Eles tinham também em mente retornar à África apoderando-se de navios ancorados no porto. No entanto, dias antes o governador foi prevenido por uma habitante, colocado a par da conspiração por um de seus escravos. O movimento foi abafado e seu líder de nome Antônio, haussás, e seu amigo Balthazar foram condenados à morte.
Ocorreram outras tentativas de rebeliões entre os anos de 1809 e 1810. Em fevereiro de 1814, todos escravos das peixarias Manuel Ignácio da Cunha, João Vaz de Carvalho e de agricultores vizinhos, entre mais de seiscentos, atacaram as instalações dos senhores aos quais pertenciam, ateando-lhes fogo. Ao todo, treze brancos foram mostos e oito gravemente feridos. Os negros resistiram às tropas de infantaria e 56 negros perderam a vida, a maioria de haussás.
Apesar das medidas de repressão, as revoltas continuaram, como em 1816, 1826/27/28, com invasões em engenhos, peixarias e instalações de empresas. Em 1830, mais de uma dezena de negros invadiram uma loja de Francisco José Tupinambá, na rua Fonte dos Padres, na Cidade Baixa.
A polícia e a tropa fizeram quarenta prisioneiros e mataram cinquenta negros. Muitos outros fugiram na mata e foram perseguidos pelos policiais. A revolta de 1835 teve maior repercussão em toda colônia.
As autoridades da província da Bahia e os senhores patrões suspeitavam que os ingleses, que formavam a maior colônia de estrangeiros em Salvador, moradores do corredor da Vitória e vizinhanças, estivessem envolvidos nessas conspirações por causa das proibições ao tráfico que não eram cumpridas.
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