:: 27/mar/2023 . 23:58
TODOS PREFEREM SER CHAMADOS DE “JORNALISTA” E NÃO DE REPÓRTER
Está no dicionário que jornalista é a pessoa que escreve em jornal e jornalismo se entende por imprensa periódica, profissão de jornalismo referente a jornal. Jornalista era somente aquele que escrevia em jornal.
Quando surgiram, o rádio, a televisão e, nos últimos anos, a internet, manteve-se por algum tempo a distinção entre jornalista, radialista, o profissional de TV e aquele que atua no mundo virtual dos sites e blogs.
Hoje, justamente quando os jornais entraram em decadência em decorrência do avanço dos meios eletrônicos, todos que lidam nos veículos de comunicação são chamados de jornalistas, mesmo sem trabalhar em jornais. Basta uma pessoa colocar um blog e logo vira jornalista.
Repórter, de reportare do latim (trazer uma resposta, levar ou trazer; refletir a luz) é aquele que procura notícias para a imprensa periódica. Informador ou noticiarista dos periódicos do rádio e da televisão. O fotógrafo está incluído como repórter que colhe material fotográfico.
Não houve aí uma deturpação do termo jornalista? Não seria melhor que todos fossem denominados de repórteres. Ninguém diz eu sou blogueiro, radialista ou repórter, mas jornalista porque é mais bonito e charmoso.
Em Vitória da Conquista, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb e em Guanambi, por exemplo, existem os cursos de jornalismo, com disciplinas mais voltadas para esta área. Não deveria ser de comunicação que abrange todos meios noticiosos?
Aos poucos os jornais estão sumindo porque nos tempos atuais só um número restrito ler, embora sempre vá existir um periódico por aí, como o livro de papel. Mesmo assim, todos fazem questão de dizer que são jornalistas no lugar de repórter ou radialista.
Por falar em repórter, não existe mais como antigamente, com raras exceções, que sabia como conduzir uma entrevista, cutucar, investigar e extrair do entrevistado as respostas do interesse do público. Perdeu-se a objetividade, a técnica do entrevistar, do ser sucinto e direto nas perguntas, sem rodeios.
Hoje, talvez por querer se exibir, por mera vaidade de “jornalista” que acha que “sabe tudo”, o repórter-entrevistador passa o tempo falando mais que o entrevistado e acaba adiantado o assunto, deixando o convidado numa posição até desconfortável.
Muitas vezes, as perguntas se tornam respostas e afirmativas do próprio entrevistado. Para não ser deselegante ele afirma que é isso mesmo, ao invés de dar uma de seu Lunga e dizer: Nada mais a declarar, se você já adiantou o tema e a informação.
As escolas não ensinam mais técnica de entrevista? Quando o assunto, por exemplo, é complicado que incrimina o personagem da entrevista, as perguntas mais difíceis devem ficar por último depois descontrair e passar confiança à pessoa em questão.
O repórter não está ali para concordar ou julgar. Quem deve fazer isso é o público. Faça a pergunta que alguém de fora gostaria de fazer. Seja atrevido e ousado, sem ser arrogante. Seja mais repórter que jornalista.
- 1










