QUEM CUIDA DA NOSSA CULTURA?
CARTA ABERTA
Numa troca de ideias sobre a situação em que vive a nossa cultura em Vitória da Conquista, um grupo de artistas se reuniu e, de forma sensibilizada e indignada, resolveu fazer uma carta aberta às autoridades, relatando os pontos mais graves que atualmente atravessa o setor em nosso município.
Esta carta está circulando nas principais redes sociais para ser assinada por artistas e demais pessoas da sociedade para ser entregue ao poder público, principalmente ao legislativo e ao executivo. Infelizmente, como se tudo estivesse a mil maravilhas, poucos até agora aderiram à proposta. Fica, então, uma pergunta: Quem cuida da nossa cultura?
CARTA
Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 300 mil habitantes, berço de Glauber Rocha e Elomar Figueira, precisa com urgência romper essa inércia na cultura que já viveu seus tempos de efervescência em todas linguagens artísticas, principalmente entre os anos 50, 60 e 70. Com tantos movimentos, chegou a ganhar a fama de cidade politicamente cultural.
Nos últimos anos, tudo isso virou mito. Os artistas de um modo geral dos setores da música, do teatro, da dança, da literatura, das artes plásticas, do audiovisual, da fotografia, artesãos e demais expressões se sentem decepcionados e desesperançosos com essa inércia do presente e de um futuro incerto desanimador.
Diante do exposto, em forma de manifesto, conclamamos todos artistas conquistenses a formarem uma frente única nesta carta aberta à sociedade em defesa da nossa cultura que tanto gera emprego e renda, e ainda devolverá à Vitória da Conquista o título de cidade cultural, com a volta dos festivais de música, teatro, dança, salões de fotografia e artes plásticas e feiras literárias.
A mudança desse cenário de inércia começa por essa mobilização dos artistas, subscrevendo este documento, divulgando seus anseios na mídia, em manifestações, mas é imprescindível o estímulo e apoio direto do poder público em suas atribuições legais de promover e realizar eventos culturais tão escassos em nossa cidade, hoje uma capital do sudoeste baiano.
Nesse conjunto de esforços para soerguer a nossa cultura, é importante também que o setor privado, as empresas em geral, se juntem a nós, acreditando que cultura é um investimento com retorno no turismo e proporcionando benefícios para as áreas do comércio e serviços.
Vivemos em tempos de acomodação e desânimo. Um exemplo disso é que hoje nossa Conquista, como bem expressam os músicos, vive limitada aos bares como opção de entretenimento e precisa retomar o caminho do crescimento cultural, a exemplo de outras cidades, até menores, onde acontecem festivais, eventos nas praças, feiras e centros culturais movimentados.
A verdade é que a nossa cultura hoje se resume aos calendários do São João e do Natal que ilumina bastante a praça e muito pouco a arte. É só vazio nos restantes dos outros meses. Necessitamos urgentemente preencher essa lacuna.
Para piorar ainda mais a situação, os equipamentos municipais, como o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, estão fechados sem definição de reformas e reabertura, sem falar na Praça Céus (J. Murilo) no Alto Maron, que funciona de forma precária.
Sem muitos exageros, é um quadro desolador. Para reverter essa situação, queremos a reativação desses pontos ou a construção de um centro cultural à altura da nossa cidade para a constante realização de eventos.
Nós, abaixo-assinados desta carta, queremos também a implantação de um Plano Municipal de Cultura que sirva de diretrizes básicas para o estabelecimento em lei de uma política cultural do poder público, que ocupe de vez esse vazio cultural.
Queremos tão somente o que nos é de direito constitucional que é o conhecimento, o saber, o fomento à cultura e o estímulo à diversidade artística de uma terra tão rica e talentosa nas artes, as quais, infelizmente, se encontram adormecidas. Queremos sair dessa inercia cultural.
Queremos o apoio de todos artistas, da sociedade em geral, dos jovens estudantes, professores, intelectuais, da Câmara Municipal de Vereadores, promotores culturais e demais interessados na subscrição dessa carta, tão fundamental para o desenvolvimento cultural e artístico da nossa cidade.











