PORTA FECHADA
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Como aranha a tecer sua teia,
Uma porta fechada,
É outra que se abre.
Assim é a vida, camarada,
Como onda levada,
Que espuma na areia.
Às vezes, bate em sua memória:
Sonhos do passado,
De caça e de caçado,
De porta fechada,
E de outra que lhe serviu,
Para conduzir sua história,
No calor ou no frio.
Não lamente e chore,
Se teve uma porta fechada.
O vento que assovia lá fora,
Traz depois a calmaria,
E sua porta se abre,
Para uma outra Maria.
A vida corta como sabre,
De uma porta fechada,
E de outra que se abre.
Se o futebol lhe deixou,
Médico, filósofo, cronista,
De poeta, professor ou artista,
O destino lhe reservou.
Não se apoquente, seu moço!
Você veio do ventre da terra:
É foice, facão e machado,
Montanha e serra,
Arrasto do arado,
Paz, amor e alvoroço.











