Um dos trechos do Livro II da obra “Airyl”, de Luis Altério, pseudônimo de Luis Filipe da Silva, Edições Uesb – prêmio professora Zélia Saldanha – Poesia:

Nada amarga mais que doce utilidade do carme.

Avanço a pleitear contenção…

Os glúteos amam o assento áspero,

Trespassa de feixes luzentes a laje fria,

Derrete o vínculo dial na escrivaninha e

Tomando desses elos a liberdade

Espargindo cada uma das partes do todo.

Todo o desaire mofo com pompa

(sacudido no estendal farpado)

Ostenta lapela de trato fino.

< fino quilate na arruinada peneira.

A picareta mole contentado,

Preconiza bebedeiras e mulheres

Nas ruas de luxilo,

Grão diamantífero em punhado escanifrado,

Sua dama de regresso à cubata

Equilibrava pequena cápsula

(dez kwanzas de óleo alimentar),

Os filhos debaixo da frondosa mangueira

Sortidos nas mínguas da terra batida

(que pela arraiada requestaram no capim ratos

Colhidos pelos seus engenhosos ardis) e juntos

Pingo dilatado e à vez de iguaria grossa e indelicada

Cevam sopa de rato e funge de mandioca.

A picareta mole ruma ao dundo

Deixando as margens do rio migigi,

Dançando na lâmina vil do mercado negro>

Agora desfeita a quimera,

No cárcere sonha com o cascalho

Coado com a arruinada peneira

Luis Altério nasceu na França e foi para Portugal com a família quando tinha seis anos. Hoje reside em Vitória da Conquista.