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A DESONERAÇÃO DE IMPOSTOS DOS RICOS ONDE OS POBRES FICAM A VER NAVIOS

É sempre assim. Eles dizem que vão repartir, mas é tudo uma mentira, como foi a reforma trabalhista, ou escravista, onde os empresários gananciosos garantiram que iam gerar mais empregos e rendas para os trabalhadores. Tudo uma mutreta para explorar e escravizar mais ainda a mão-de-obra subserviente e necessitada que é obrigada a calar a boca a denunciar a transgressão às leis.

Aliás é mais uma lei “para inglês ver”, como foi a de 1813 selada num tratado entre Inglaterra e Portugal para acabar com o tráfico de negros trazidos da África para o Brasil. Ao contrário, os traficantes aumentaram mais ainda seus negócios ilegais e continuaram com seus navios negreiros comprando carnes humanas no Golfo do Benin, na Costa da Guiné e em Lagos.

A esta altura estou falando da dita desoneração de impostos dos setores mais ricos da economia onde eles prometem distribuir essas benesses coloniais, imperiais e republicanas mantendo os empregos e contratando mais gente, só se for para serviços de baixa qualificação, sem carteira assinada no chamado subemprego temporário ou intermitente. Enquanto isso, nossa educação, a saúde e o saneamento básico estão na lista dos níveis mais baixos do mundo. Aqui, os mais pobres pagam o máximo e recebem o mínimo.

Essa desoneração vai servir para encher mais ainda os bolsos deles e aumentar a concentração de rendas com o consequente aprofundamento das desigualdades sociais. Alguém aí acha que eles vão ser bonzinhos e dividir a bolada com seus trabalhadores, melhorando o salário ou promovendo cargos? O brasileiro acredita em tudo, mesmo depois de levar uma porrada. É do tipo que dá a outra face para apanhar.

Com um forte lobbie dos empresários (a maioria dos parlamentares é do ramo), esse Congresso Nacional aprova com a maior rapidez qualquer projeto do interesse de seus pares (caso da desoneração de impostos) e, com a maior cara de pau, dizem que é para o bem do Brasil.

No Senado e na Câmara existe todo tipo de bancada, desde a evangélica, a ruralista, do comércio, da indústria, da máfia e até a da bala, menos a do povo, que só serve mesmo para votar. Esse Congresso aristocrático, anacrônico e coronelista sempre foi imoral. Com ele, o Brasil vai continuar atrasado como nos tempos coloniais.

Para enganar os otários e fazer de conta que estão trabalhando, agora eles vão exibir, em horários nobres nas televisões, as novelas das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquéritos) para distrair e divertir a população. O lamentável em tudo isso é que ainda tem gente que acha que essas CPIs vão resultar em punição contra criminosos e ladrões da pátria. Temos o pior e o mais caro Congresso do mundo.

O AGRO É TAMBÉM QUILOMBOLA?

O Brasil carrega o agro nas costas com um plano safra de 348 bilhões de reais e isenção fiscal, inclusive do ICMS de exportação pela velha Lei Kandir, para beneficiar o mercado exterior dos produtos in natura, os chamados grãos de “ouro” (soja, milho, algodão e outros).

Na propaganda, o agro é tech, é pop, é riqueza do Brasil e agora é até quilombola para convocar o pequeno a defender a pauta do grande empresário. Até pouco tempo, o pequeno era considerado pela economia como trabalhador autônomo individual ou familiar, mas passou a fazer parte do grupo empreendedor, incluso na pauta do capital, para confundir.

O roceiro que tem um sítio, ou o assentado do movimento do sem-terra com seu lote, acha que é agro porque dizem para ele que faz parte da categoria tech e pop. No sistema sempre os “sabidos e estudiosos” estão mudando a nomenclatura para ninguém entender nada. O propósito é este mesmo.

AGRICULTURA FAMILIAR

Costumo afirmar que minha alimentação na mesa do dia a dia vem da agricultura familiar e não da desse agro devastador dos nossos biomas (cerrado, pantanal, caatinga, pampas, amazônico e até da mata atlântica) que queima e derruba nossas vegetação e floresta, para expandir suas lavouras e criar gado para exportar para o mercado internacional.

É precisamente essa riqueza do Brasil latifundiário que encarece nossos produtos aqui dentro, porque é esse agro que dita os preços de suas culturas de acordo com as cotações das bolsas no mercado internacional. Sem consciência política do que ocorre, o pequeno termina defendendo a pauta que é só deles, dos grandes das bancadas ruralistas.

Neste último final de semana terminou no município de Luis Eduardo Magalhães, no oeste baiano, a maior feira agro do Norte e Nordeste, que movimentou mais de oito bilhões de reais. A exposição foi um desfile grandioso de máquinas potentes e sofisticadas. Não se ouviu falar sobre os financiadores, mas certamente lá estiveram o BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Esse agro é tão “pop” que, ironicamente, o milho e seus derivados, os quais fazem parte das comidas típicas do nosso São João Nordestino, sofreram aumentos em seus preços nessa época do ano porque esses grandes produtores beneficiários do suor do pequeno trabalhador preferem vender a matéria-prima (o milho) para o exterior (bem mais lucrativo e em dólar) e não para os próprios brasileiros.

Por causa deles vamos ter que substituir o milho por outro item alimentar fora da nossa tradição cultural, talvez por aqueles bagulhos norte-americanos, como o hambúrguer, o sanduiche ou o cachorro-quente. Só nesse pequeno detalhe, ou exemplo, você tem uma ideia mais exata de como funciona esse agro capitalista que vem causando sérios impactos ao nosso meio-ambiente.

Ainda na semana passada estava assistindo uma reportagem na televisão sobre a seca e a falta de água para os pequenos agricultores no sertão agreste de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Paraíba por onde passam os canais da transposição do Rio São Francisco, o nosso “Velho Chico”, tão maltratado.

As imagens mostravam justamente o contraditório desse sistema. De um lado, em Petrolina (Pernambuco), um assentamento do movimento do sem-terra praticamente sem água onde vizinhos chegam até a brigar pelo líquido. Pouco mais adiante, ao lado, um canal do rio nas terras de um empresário, com água em abundância, para irrigar suas frutas (uva, manga, melão, melancia) e outras lavouras.

Os assentados e até um núcleo de um quilombo sem acesso à água, enquanto o rico se deleita produzindo em grande quantidade suas frutas para exportação. Agora os assentados e os quilombolas estão inclusos como “agro é tech”, “agro é pop”.

OS ELEITOS DE DEUS

Tudo isso me faz lembrar a Nobreza Real e a Igreja Católica latifundiárias na Idade Média. A Igreja consolava os servos e vassalos de que a nobreza era eleita por Deus e que os pobres tinham que servir e trabalhar para ela, incluindo a própria Igreja, com todo fervor, devoção e submissão.

Bem, como nos tempos atuais do nosso capitalismo selvagem ocidental, herdado dos burgueses do Norte, tanto a plebe de lá, como a de cá também desses tempos modernos tecnológicos, acreditava e acredita, aceitava e aceita, com toda sua humildade, nesse papo sobrenatural dos eleitos do Senhor, isto porque dizia para si mesma e ainda diz que eles estavam e estão certos, com toda razão, porque detinham e detém a “sabedoria e o conhecimento” sobre os assuntos mais profundos e teológicos do Reino de Deus.

 

O DESCARTE DE “AMIGOS” COMO COISAS QUE PERDEM A VALIDADE E AS DESCULPAS

Nos tempos atuais, amigos são tratados como se fossem aparelhos celulares, geladeiras, fogões ou outros bens materiais que só servem enquanto estão funcionando. Quando dão defeitos, joga-se no lixo como imprestáveis ou objetos descartáveis. O mesmo se faz com os “amigos” quando eles não representam mais interesse para o interessado. Simplesmente joga-se fora, pede-se desculpas e vira-se as costas. “Amigo” hoje tem prazo de validade.

Antigamente, amigo não tinha prazo de validade vencida. Valia para sempre. Podia ter em conta que o amigo era sincero e eterno. Hoje, o tempo de duração, na maioria das vezes, é bem curto, dependendo do ter posses ou do sucesso social e econômico.

Se entre os dois um entra em fracasso financeiro ou perde seu destaque na sociedade, o outro que ainda estiver numa boa, não mais o procura e, quando o encontra por acaso, sempre vem com aquelas desculpas fajutas na tentativa de justificar seu afastamento, ausência ou sumiço. Não existe mais aquele amigo certo nas horas incertas, dos problemas e dos momentos difíceis.

– Oh, “amigo”, desculpa aí não ter comparecido ao seu aniversário. É que tenho andado com a vida corrida, com falta de tempo. Sabe como é a vida hoje: É aquela loucura! Desculpe por não ter lhe telefonado, passado uma mensagem ou feito um áudio! Meu celular estava com problema! Esqueci totalmente…

É assim o papo que rola quando o “amigo da onça” se encontra com o outro que tanto lhe dava atenção e depositava nele consideração e confiança. O sujeito até inventa que estava doente ou em viagem, na maior cara de pau. Ele já está em outro esquema, se passando de “amigo” para um novo conhecido abonado.

-Entendo a situação, tudo bem, sem problema! Para um bom entendedor, tudo basta, só que não dá para engolir as desculpas mentirosas. Lá se vai mais uma “amizade” em que o outro achava ser firme e sincera. Lá se vai mais uma ilusão, mais uma decepção com o ser humano.

Por falar em desculpas, coisa também são as quantidades delas que se pedem atualmente ao outro, desde a falta de pontualidade corriqueira nos encontros marcados até às agressões verbais e físicas, principalmente quando se trata do homem que bate na mulher.

A desculpa se tornou tão maquinal que a pessoa repete a palavra tantas vezes sejam as ofensas cometidas, isto sem corrigir o erro, e nem sente. No caso da violência contra a mulher, ele pede mais desculpas do que o número de agressões. É um rosário de desculpas

Existe até a desculpa pelas desculpas, e a do namorado ou namorada que termina o relacionamento pelo celular e depois pede desculpas pelo mesmo aparelho por não ter praticado o ato pessoalmente, como deveria ser.

Essa ação repetitiva de pedir desculpas e não refletir depois que foi errado se tornou coisa normal nos dias de hoje. Você solicita desculpa hoje por um gesto desagradável contra o outro e amanhã faz a mesma coisa e volta a pedir desculpas da mesma forma, sem perceber que está sendo falso.

Tem também os grosseiros e as grosseiras que nem pedem desculpas, quanto mais perdão pelo que faz. Há quarenta ou cinquenta anos, as pessoas tinham mais consideração uns para com os outros, e um pedido de desculpas era carregado de sentimentos verdadeiros, sem contar que se procurava não mais cometer o mesmo erro.

Nesse mundo tecnológico e superficial, a desculpa virou sinônimo de falsidade na boca das pessoas, tanto quanto chamar o outro de amigo-irmão numa mesa de bar, puramente por interesse. Basta um aperto de mão para a pessoa desconhecida chamar a outra de “amigo”.

 

“FLUXO E REFLUXO” XXIII

“INCENTIVO OFICIAL DAS AUTORIDADES BRITÂNICAS AOS IMIGRANTES “BRASILEIROS”

De acordo com a obra “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, os imigrantes de Serra Leoa formavam em Lagos uma classe média de comerciantes e de funcionários subalternos na administração britânica.

A formação que recebiam em seu pais, a adoção da língua inglesa, o protestantismo que exibiam e a sua condição de cidadãos britânicos os tornavam mais próximos dos funcionários e comerciantes ingleses vindos da metrópole do os imigrantes brasileiros, separados dos britânicos pelos seus hábitos do Brasil, pela religião católica e pela própria condição de estrangeiros.

Os “brasileiros” simplesmente eram vistos como parentes pobres ao lado dos habitantes de Serra Leoa. A administração britânica adotava um certo preconceito com relação ao Brasil e aos brasileiros. No entanto, africanos emancipados que voltavam para Lagos eram bem-vindos, e o cônsul Benjamin Campbell procurava estimular os navios da Bahia a irem para Lagos e não para Uidá.

A mesma linha de conduta foi também seguida pelos governadores de Lagos até fins do século XIX, mas eles consideravam “iorubás repatriados” e não “imigrantes brasileiros”.

Em 1871, o governador de Lagos, John Hawley Glover, dizia que a terra estava destinada a ser povoada e cultivada pelos escravos emancipados de volta do Brasil e pelos imigrantes do interior. Em 1872 ele escrevia sobre as constantes chegadas de imigrantes brasileiros. John recomendava que esses brasileiros, para ele semicivilizados, fossem acolhidos por serem bons agricultores.

Em mensagem entre autoridades brasileiras, o governador afirmava que o repatriamento de seus artesãos e agricultores qualificados é particularmente desejável e deveria receber incentivo geral. Em 1887, o inglês parlamentar Cornelius Alfred Moloney foi um dos maiores incentivadores para a ida de brasileiros para Lagos. Na época ele sugeriu uma linha direta de navios a vapor saindo da Bahia para Lagos, ao invés da viagem ser feita por veleiros.

Sobre os “brasileiros”, Cornelius dizia que eram os nascidos na região iorubá que foram capturados e enviados para o Brasil como escravos; ou os seus descendentes; ou, em certos casos, alguns que, tendo sido levados também como escravos para o Brasil de outros pontos da África, fixaram-se em Lagos.

Segundo Cornelius, os brasileiros começaram a ser estabelecer em Lagos por volta de 1847, desde que passou a haver certa segurança, em consequência do incentivo e das garantias dadas aos negros do Brasil por uma visita do chefe tapa, conhecido como Osodi, sob a autoridade de Kosoko, então rei de Lagos.

Em 1871 havia 1237 repatriados do Brasil. Dez anos depois esse número passou para 2.732. A mão-de-obra do Brasil naquela época era constituída sobretudo de ex-escravos e seus descendentes e de negros escravos. Só na Bahia, segundo relatório consular de 1884, existiam 108 mil escravos de todo Império do Brasil, a maioria nas culturas de cacau, café, arroz, índigo, tabaco e algodão. Todos esses produtos podiam ser aclimatados em Lagos.

Foram criadas linhas de navios a vapor da Bahia para Lagos em comum acordo com os governos e companhias particulares, mas não deram bons resultados, sem bem que muitos continuaram a fazer esse caminho de volta através de veleiros. O sr. Conerlius acreditava que o retorno dos trabalhadores africanos do Brasil proporcionaria a criação de novas culturas em Lagos.

Os “brasileiros” e os cubanos formavam um grupo homogêneo e compunham uma sociedade em que as preocupações mundanas não estavam ausentes. A abolição da escravidão, em 1888, foi bastante festejada nas colônias em Lagos, conforme descreviam os jornais locais africanos.

CIGANOS EM TEMPOS DE TERROR E TRATADOS COMO MERCADORIAS

O INSTITUTO DOS CIGANOS DO BRASIL ESTÁ RECORRENDO AO GOVERNO FEDERAL PARA TOMAR PROVIDÊNCIAS CONTRA AÇÕES DE PRECONCEITOS AO SEU POVO.

Como nos tempos coloniais e do império quando para o Brasil eles foram deportados por Portugal e aqui perseguidos pela polícia com toda carga de preconceitos e violências como bandoleiros, preguiçosos, embusteiros, ladrões e malfeitores, o povo cigano continua a viver a mesma situação de terror e sendo “tratados como mercadorias”, conforme desabafou Rogério Ribeiro, ex-presidente e assessor de Comunicação do Instituto dos Ciganos do Brasil.

Em nome do presidente do Instituto, Itamar Cigano, com sede no Ceará, Rogério esteve nesta quarta-feira (dia 07/06), em Brasília, no Ministério da Justiça, Flávio Dino, e no Superior Tribunal de Justiça quando protocolou documento de revogação de prisão de ciganos e em defesa do seu povo contra os preconceito e abordagens arbitrárias por parte da polícia, inclusive muitos deles envolvidos em abuso de poder.

Entre outros assuntos, em audiências, Rogério falou da situação de vários sequestros na Bahia, como em Camaçari e Vitória da Conquista, bem como nos estados da Paraíba, Pernambuco e Minas Gerais. “Chega de tanta discriminação, abordagens desnecessárias e cigano não é mercadoria. Estamos solicitando apoio da Força Nacional para que se acabe de vez com essas perseguições” Ele se disse confiante nas tomadas de medidas do governo federal. “Os preconceitos continuam fortes e as coisa devem mudar”

Cita o documento que a Associação Beneficente Cultural e de Desenvolvimento Social dos Povos Ciganos do Brasil – ABECC foi formada por lideranças de diferentes comunidades, com o intuito de promover o desenvolvimento sustentável, para a defesa e garantia dos direitos do seu povo em situação de conflito.

SEQUESTROS E UMA TRAGÉDIA EM CONQUISTA

“As ameaças, sequestros e declarações de ódio contra os povos ciganos estão promovendo um verdadeiro medo e insegurança às famílias ciganas no estado da Bahia”- destaca o documento, ao denunciar que mais de 20 pessoas de origem cigana foram vítimas de sequestros, em 2021, na região metropolitana de Salvador, precisamente em Simões Filho e Camaçari.

Essas pessoas somente foram devolvidas mediante resgate com valores que chegaram a 150 mil reais. Em 2022 foram cerca de 10, sem contar outras tentativas. Neste ano, o primeiro ocorreu na tarde de quarta-feira, dia 11 de janeiro, na cidade de São Felipe. A vítima foi um adolescente de 14 anos. Os criminosos ameaçaram matar o jovem. O resgate custou o valor de 200 mil reais.

Os relatos prosseguem em relação aos constantes sequestros, como o do dia sete de março deste ano quando o cigano Lourival Gama, morador de Simões Filho reagiu a uma tentativa de sequestro e trocou tiros com os bandidos. A vítima foi morta com um tiro na barriga. Outros sequestros ocorreram em várias cidades. Outra agressão com assalto aconteceu recentemente no município de São Sebastião do Passé.

Há cerca de dois ou três anos ocorreu, em Vitória da Conquista, uma tragédia onde dois soldados foram mortos, no distrito de José Gonçalves. Em resposta a polícia militar agiu com terror e vários ciganos (uns sete ou oito) foram eliminados em “supostas trocas de tiros”. Como se não bastasse, muitos foram espancados e uma família foi obrigada a fugir do município através de uma medida protetiva.

VÍTIMAS DE UMA SOCIEDADE SEGREGACIONISTA

O autor da obra “Ciganos no Brasil-uma breve história” Rodrigo Correia Teixeira, desmistifica o estigma da visão estereotipada dos ciganos como sujos, embusteiros, baderneiros, trapaceiros e preguiçosos. Eram vítimas de uma sociedade segregacionista. Nascer cigano era ter seu destino marcado do lado oposto da “boa sociedade”. Sempre foram prejulgados, inclusive por crimes não cometidos, como de ladrões, assassinos, salteadores e até sequestradores de crianças.

Perseguidos por D. João V, de Portugal, muitas das vezes condenados injustamente, eram embarcados para o Brasil Colônia, mas até certo ponto bem aceitos na corte de D. João VI e no primeiro Império, como artistas dançarinos, músicos e circenses. Muitos ficaram ricos como negociantes de escravos, mas suas atividades mais fortes eram no ramo do comércio de cavalos, bestas e a prática da “buena dicha” (leitura das mãos), no caso das mulheres.

CAMINHOS INÓSPITOS

Afirma o escritor, na conclusão do seu livro, que, “como nômades ou sedentarizados, perambulavam por caminhos inóspitos, acampavam em áreas pouco propícias e se estabeleciam em espaços insalubres nas cidades”, como é o caso do Campo de Santana, ou Rua dos Ciganos (Constituição – Praça da República, no Rio de Janeiro).

Destaca que “a sobrevivência foi a realização mais duradoura, o grande evento da história cigana”. Ele cita Angus Fraser, como maior historiador sobre o assunto, quando diz que, quando se consideram as vicissitudes que eles encontraram, deve-se concluir que a sua principal façanha foi a de ter sobrevivido”. Teixeira acrescenta que “o universo cigano, mais que de duplicidade, é repleto de multiplicidades, entre as quais estão as relações com os não-ciganos, as identidades dos grupos e as imagens que se formaram dos ciganos”.

UM CIGANO NA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

O Brasil já teve presidentes nordestino (pau-de-arara), gaúcho fazendeiro, mineiros, paulistas, marechal das Alagoas, generais da ditadura civil-militar, um sádico capitão, mas poucos sabem de um presidente-cigano, Juscelino Kubitschek, que construiu Brasília, a qual virou um covil de ladrões, mas não por culpa da nação cigana.

Quem revelou esta curiosidade, que eu nem sabia, foi o autor do livro “Ciganos no Brasil – Uma Breve História”, de Rodrigo Corrêa Teixeira. Os  Calon, ou Kalé, vieram da Península Ibérica e aqui se aportaram desde o início do século XVI.

No entanto, na primeira metade do século XIX, o Brasil recebeu o grupo Rom, ou Roma, da Europa do Leste, com suas famílias. De acordo com informações, o Rom que mais cedo chegou ao território mineiro foi Jan Nepomuscky Kubitschek, que trabalhou como marceneiro no Serro e em Diamantina. Ele era o avó direto de Juscelino.

 

 

 

UM ENTARDECER NA BRUMADO

Com meu amigo e companheiro fotógrafo José Silva registramos o entardecer de ontem (dia 08/06/23), na Avenida Brumado, em pleno feriado de Corpus Christi com a pista pouco movimentada, diferente da agitação de veículos e pessoas em dias normais. Desse lado oeste, o entardecer vem lentamente com suas cores do sertão catingueiro e invade Vitória da Conquista no apagar das luzes, com nuvens sombrias de uma tarde nublada que esconde o vermelho colorido do pôr-do-sol.  O dia se despede para dar lugar à noite e retorna ao seu ciclo em cada amanhecer. É o tempo a girar que pouca gente não dá conta e até esquece que existe a finitude. Durante vida só se pensa em acumular bens e nem se pensa que um dia será arrebatado pelo entardecer, este que não terá mais o amanhã, nem a aurora. Cada um de nós tem seu entardecer e, se refletíssemos mais nisso, talvez o mundo seria bem melhor, sem tantas maldades, ganâncias, ódios e tolerâncias. Talvez assim teríamos mais amor e paz entre todos viventes.

CARRUAGEM DOS 60

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Lá vai atravessando a ponte,

Pelos confins do horizonte,

A carruagem dos sessenta,

Chamada de renascença,

Resistente como aço,

Na defesa da sua crença,

Que nos deu régua e compasso.

 

Carruagem dos sessenta,

De geração de geniais,

Nascida nos quarenta e cinquenta,

Nunca mais virão iguais.

 

Carruagem dos sessenta,

Das eternas canções,

Composições milenares,

De poemas revolucionários,

Ideias que ultrapassaram mares,

Nos combates libertários,

Com suas visões existenciais,

Surrealismos subversivos,

Das desigualdades sociais,

Contra os regimes opressivos.

 

Lá vai a carruagem dos sessenta,

Muitos apeando na estrada,

Outros no oitenta e noventa,

Nos ensinando o portal de entrada.

 

OS INVASORES DA NOSSA TRADIÇÃO NORDESTINA ESTÃO ROUBANDO NOSSO ESPAÇO

Todos os anos, os artistas, forrozeiros, intelectuais e aqueles que preservam e amam a nossa cultura nordestina fazem discurso inflamados e aplaudidos contra os invasores ou ervas daninhas que encontraram espaço livre para destruir nossa tradicional festa junina, regida pelo famoso “forrobodó” que surgiu por volta de 1930 e se popularizou nos anos 50, sempre com a sanfona, o triângulo e a zabumba

Temos que continuar bradando contra essa avalanche de bandas milionárias de outros ritmos (arrocha, axé, lambada, pagode e até do rock) contratadas pelos prefeitos a preço de ouro para fazer a média política com o povo que, sem a devida consciência e formação cultural, cai na folia dos rebolados que nada têm a ver com o nosso autêntico forró pé de serra ou arrasta-pé que começou em chão batido molhado parra não levantar a poeira.

No entanto, as falas e desabafos não têm surtido muitos efeitos e, a cada ano, os festejos estão mais parecidos com a cara paulista ou outra coisa esquisita de músicas, menos o forro de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Marinês e Sivuca, sem contar Zé Ramalho, Elba, Geraldo Azevedo, Alceu Valença e outros cabeludos nas décadas de 60 e 70, embora tenham introduzido outros instrumentos como a guitarra, a bateria, o sax, o baixo e o violão.

Na década de 90 por aí bandas como Mastruz com Leite, Calcinha Preta e tantas outras no mesmo estilo inventaram o forró eletrônico, quando a nossa dança tradicional nordestina começou sendo deturpada e descarecterizada.

As prefeituras passaram a contratar esses cantores, sob o argumento de serem do gosto popular por atraírem mais público. O pior ainda é que essas contratações são feitas com valores superfaturados usando recursos dos nossos impostos. Por sua vez, o Ministério Público e os tribunais de contas não exercem uma fiscalização mais rígida para punir os responsáveis.  A coisa não ficou por aí e logo entraram o axé, o arrocha e o “pagadão” para acabarem com a nossa festa.

Deveria ter um decreto federal, uma lei do Congresso Nacional e das próprias câmaras de vereadores proibindo que as prefeituras contratem essas bandas que não têm nenhuma identificação com o nosso ritmo junino do forró, além dos outros gêneros, como o baião, o xote ou o xaxado, tão divulgados e cantados por Gonzagão, Humberto Teixeira, Zé Dantas e Dominguinhos.

Com certeza, essa   lei iria criar uma tremenda polêmica e os invasores do forró iriam logo dizer que se trata de censura. Por outro lado, como tudo nesse país, a norma logo seria desobedecida.

Mas a descaracterização não acontece somente no ritmo musical, como também nos costumes, nos hábitos, nas comidas e bebidas típicas. Em muitas festas rolam mais o hambúrguer e o cachorro-quente no lugar do milho cozido, da canjica e da pamonha. O licor e o quentão perderam espaço para o conhaque e outras misturas de bebidas.

ESTÁ DIFÍCIL O CIDADÃO DE BEM VIVER NO BRASIL DOS GOLPISTAS

A corrupção, os subornos, as propinas, as rasteiras nos outros, o levar vantagem em tudo e os golpes saíram do topo da pirâmide e se alastraram pela base da população. Está tudo dominado, está tudo sujo. Perdeu-se o amor pelo outro. Não é somente o desemprego, a miséria, a fome e a pobreza que levam a essa situação de alta criminalidade. A questão não é somente social.

Não dá mais para se confiar em ninguém, embora temos que ariscar com os olhos bem abertos. Está difícil, meus amigos, o cidadão de bem viver hoje no Brasil porque ele é até ultrapassado numa fila de banco, e isso dói muito. Quando você reclama pode ser até esmurrado por um brutamonte.

As ações de maldades e crueldades aumentaram mais ainda com o avanço das novas tecnologias do mundo virtual, do cartão de crédito, do pix, das contas on-line e outras modalidades que não existiam nos tempos da boca do caixa e do dinheiro em espécie, se bem que ocorriam os assaltos a mão armada com o 38 ou um berro em sua cabeça.

Agora os criminosos estão bem mais inteligentes e agem através de quadrilhas sofisticas de clonagem de cartões, falsificação de pix, transferências bancárias e outras malandragens que enganam os aposentados e as pessoas mais simples que ainda confiam em estranhos nos caixas dos bancos.

Para esses tipos de delitos, sem violência física e mortes, as penas, se não estou equivocado, são mais leves, e o sujeitos logo está solto para praticar os crimes. Assalto hoje com arma ficou mais para ladrão pé de chinelo.

Os caras atualmente atuam dentro das penitenciárias através do celular com seus comparsas lá fora e cada um tem uma tarefa específica dentro da cadeia dos golpes. Quanto mais a tecnologia se evolui, mas eles têm que estudar as formas de aplicar os crimes e driblar a polícia. Uma nova invenção e lá estão eles debruçados nos planos de furtar o cidadão.

Claro que ainda existem os roubos e os arrombamentos de lojas, residências e casas comerciais, mas eles são mais fáceis de serem identificados pela polícia. A bandidagem da tecnologia não fica tão exposta e demora mais de ser presa. Cada vez mais se exige um policiamento mais inteligente para acompanhar escutas no celular, nos computadores e seguir os passos dos elementos por até meses para apanhar toda quadrilha.

Hoje, não se sabe muito bem qual o maior dano psicológico para a vítima que é enganada ou aquele que num assalto entrega tudo para o indivíduo. Quando é por meio da violência bruta, a vítima sofre um choque de imediato, mas depois reconhece que nada podia fazer. Se reagisse poderia até ser assassinado.

Não sou psicólogo, mas fica um sentimento maior quando se é ludibriado na conversa ou na lábia de um safado que não tem a mínima compaixão pelo mais pobre quando passou anos economizando seu dinheiro, e numa questão de minutos ver tudo se evaporar. A pessoa se sente fragilizada e aquilo fica martelando na mente pelo resto da vida. Não dá para esquecer quando se passa por “otário”, e é assim que o meliante o chama.

UM PAÍS INGOVERNÁVEL

Lembro de uma vez como repórter de economia, em Salvador, se não me engano no governo de José Sarney, o ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega declarava numa palestra na Federação das Indústria da Bahia que o Brasil é um país ingovernável por causa dos interesses políticos escusos que acabam engessando o presidente da República em suas decisões. Ele quis dizer que o presidente não manda.

Isso foi há cerca de 40 anos, mas tudo permanece no mesmo lugar porque essa questão é secular e vem desde os tempos coloniais e do império. Tanto D. Pedro I como o II tinham a aristocracia e os políticos para pegarem em seu pé, principalmente o segundo que, para não perder o trono, satisfazia a elite cafeeira e até adiou a abolição da escravatura. Foi essa mesma aristocracia que ajudou a destronar o imperador. A República seguiu no mesmo galope.

O Congresso Nacional está cheio de lobos, hienas e urubus que ditam as normas do governo federal e se este não saciar a fome desses animais será por certo cassado por um motivo qualquer, como já ocorreu várias vezes, sem nenhum escrúpulo. É tudo uma mentira quando dizem que estão lá para defender o que é bom para o Brasil e para o povo. Na verdade, tudo é feito de costas para o povo.

Não viram o Lira, o presidente da Câmara dos Deputados, declarar que estava faltando o Lula fazer o “corpo a corpo” com as “lideranças” e os parlamentares! Para quem não é idiota e ingênuo, esse “corpo a corpo” significa soltar a “bufunfa” das emendas para eles votarem os projetos ou colocarem as medidas em pautas nas sessões.

Para conseguir a tal governabilidade, o próprio PT, que se diz partido do trabalhador e do povo e defendia a honradez e a honestidade, tem que entrar nas negociações do balcão de compras e vendas na base do “é dando que se recebe” ou “toma lá, dá cá”.

Para se manter no poder foi obrigado a começar o governo com 37 ministérios para agradar o “centrão”, a direita e até a extrema direita do ex-capitão-presidente que abriu os cofres do Tesouro. Mesmo assim, eles querem mais emendas e cargos. São insaciáveis.

É o país dos 513 deputados e 81 senadores mais caros do mundo e que legislam em benefício deles mesmos. Não existe nenhuma diferença entre essa gente, com poucas exceções, e a máfia do El Caponne. Aliás, a diferença está nos métodos, mas trabalham em quadrilhas sofisticadas.

O interessante é que para explicar esse universo sujo contra a população, usando o dinheiro nosso, os cientistas políticos, os sociólogos (espécies em extinção), os dirigentes de partidos de esquerda e os jornalistas que cobrem as tramoias do Congresso Nacional usam termos sofisticados e um tanto intrincados, com suas variantes históricas, sem irem direto na linguagem popular.

Os textos são quase todos rebuscados e cheios de rodeios filosóficos-científicos, de modo que a gente simples brasileira (a grande maioria) não entende patavina nenhuma (fica boiando). Ao invés de falar a língua do povo, eles preferem o aramaico ou o hebraico. A maioria não entende bulhufas.

A coisa, meus amigos camaradas e companheiros, é muito simples: Para não sofrer o impeachment (cassação do mandato) tem que soltar a grana para eles; fazer o troca-troca, senão o pau come. O Brasil não é somente um país ingovernável, como também inviável enquanto perdurar essa ganância do Congresso e o presidente vender a alma para o diabo, tudo em nome do poder.

A elite burguesa também faz parte desse “esquemão” ou desse lobbie perverso e cruel, principalmente através das reformas, como a trabalhista-escravista, da desoneração de impostos (não pagar tributos) e outras modalidades.

As corrupções continuam rolando de mesa em mesa, de gabinete em gabinete no chamado tráfico de influência. Aliás, esse bando pode ser considerado como traficante de emendas e cargos, e alguns até de drogas perigosas. Essa corrupção desce até o povo e contamina gerações. A bandidagem cria mil golpes na era da tecnologia do mundo virtual. Está difícil viver nesse país.

 





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