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A DITADURA, A GUERRILHA DO ARAGUAIA E OS MORTOS DESAPARECIDOS POLÍTICOS

As feridas continuam abertas porque a Anistia de 1979 não permitiu a punição dos torturadores da ditadura civil-militar de 1964, que, aliás, foi negada durante todo governo do capitão-presidente aloprado, isso sem contar as comemorações do primeiro de abril (dia da mentira) dos generais das forças armadas à “revolução”, assim considerada por eles.

Até o momento, por parte do governo esquerdista do PT, não vi nenhuma alusão a esta questão no sentido de desfazer essa negação de que não houve uma ditadura. O Ministério dos Direitos Humanos e outros correlatos precisam resgatar a nossa história, a nossa memória e fazer respeitar a luta pela liberdade de todos aqueles que tombaram durante a ditadura, de forma cruel e covarde.

A literatura está recheada de fatos documentados e testemunhados, como no livro “Uma Conquista Cassada”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, e não podemos deixar que tudo isso caia no esquecimento, inclusive entre nossos jovens que foram induzidos nestes últimos quatro anos de que esse regime opressivo de brutalidades não existiu. É necessário que o governo coloque esse item em pauta para discussão.

Dentro dessa ditadura, da qual milhares de brasileiros que se opuseram ao regime foram vítimas (só de desaparecidos tivemos 243), existiu a Guerrilha do Araguaia, no Bico do Papagaio (Amazonas, Pará e Goiás) que está completando 50 anos que 69 combatentes do PC do B e mais camponeses da região foram esquartejados, tiveram suas cabeças cortadas e seus corpos desaparecidos, jogados em rios, no mar e enterrados no meio da selva.

Entre os tantos desaparecidos insepultos, cujas famílias até hoje choram pelos seus filhos, filhas, sobrinhos e primos, temos aqui de Vitória da Conquista a guerrilheira Dinaelza Santana Coqueiros e seu marido Vandick. Seus irmãos, como Diva Santana, até hoje não tiveram o direito de realizar o ritual fúnebre da sua irmã, conforme mandam os costumes. Não tiveram o direito de fechar esse ciclo porque o Estado deixou de fazer a justiça e negou a verdade. Muitos arquivos daqueles anos tenebrosos ainda continuam fechados e secretos.

Sobre esse assunto, de forma didática, fundamentada e pesquisada em livros de autores, bem como em entrevista com seus familiares, a obra “Do Corpo Insepulto à Luta por Memória, Verdade e Justiça”, da professora Gilneide Padre, desseca a problemática dos desaparecidos políticos no Brasil, focando o caso de Dinaelza Coqueiro.

Gilneide também faz um mapeamento sobre a Guerrilha do Araguaia que começou entre o final dos anos 60 e início dos 70 por um grupo do PC do B que, sob orientação da linha maoísta chinesa, acreditou na luta armada contra a ditadura a partir do campo. As forças armadas chegaram no Araguaia em abril de 1972 e só saíram de lá no início de 1974 quando executaram e deram sumiço aos corpos de mais de 50 combatentes.

Devido a repressão e a censura na mídia que era fortemente vigiada naquela época na base da força bruta das prisões, das torturas e das mortes, a existência da Guerrilha do Araguaia só passou a ser conhecida lá pelo final dos anos 70.

A questão dos desaparecidos (estima-se mais de mil mortos e desaparecidos) só tomou força a partir dos movimentos dos familiares que antecederam a Anistia de 1979, a Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos, o Grupo Tortura Nuca Mais, culminando com a caravana dos familiares dos guerrilheiros que estiveram no Araguaia em outubro de 1980.

O Governo do PT, através do seu Ministério dos Direitos Humanos, além de outras demandas em pauta, como das desigualdades sociais, da defesa das mulheres, do combate ao racismo e a homofobia, precisa também voltar seu olhar para reafirmar que a ditadura existiu sim e evitar que essa memória caia no esquecimento. Muita coisa tem ainda que ser feita para que essas feridas não continuem abertas e esse episódio tão triste e vergonhoso da nossa história nunca mais se repita.

CULTURA PRECISA DE ESPAÇO

Carlos González – jornalista

Quatro das mais importantes atividades na vida de uma comunidade com quase 400 mil habitantes não podem ser atribuídas a um único órgão público, porque todas elas vão funcionar precariamente, principalmente quando há falta de interesse do gestor municipal. Isso é o que vem acontecendo há muitos anos em Vitória da Conquista com a cultura, o lazer, o turismo e o esporte. A Cultura não pode dividir seu espaço.

Consta na página que a Prefeitura mantém na internet que “a Sectel tem por finalidade desempenhar as funções do Município em relação à cultura, ao esporte, ao lazer e ao turismo, sendo responsável por planejar, coordenar, controlar e executar programas relevantes a essas áreas”.

Vamos analisar cada elemento desse “quarteto”. Como a nossa finalidade é mostrar o estado de abandono da cultura conquistense, faremos um breve comentário sobre o entretenimento, o turismo e o esporte, mesmo porque o titular da Sectel, o cantor, compositor e violeiro Eugênio Avelino, conhecido nacionalmente como Xangai, dedicou sua vida a escrever e musicar suas composições de raízes sertanejas.

Na estrutura administrativa da Sectel constam coordenadorias e gerências encarregadas de fomentar o turismo e de promover o esporte e o lazer, mas no dia a dia a população observa que nada é realizado por esses órgãos.

O turismo em Vitória da Conquista é uma falácia. O quê a cidade tem para mostrar ao visitante? O projeto de urbanizar a Serra do Piripiri e o entorno do Monumento ao Cristo Crucificado anda de forma lento. O lazer dos finais de semana do conquistense se limita aos barzinhos e ao passeio nos shoppings.

A prática do esporte se resume às “peladas” de futebol e futsal nos campos da periferia, e nos três meses de atividade do time profissional, ocupando divisão inferior do futebol baiano, impedindo o torcedor local de assistir jogos de clubes de expressão no cenário nacional.

Acessando a página oficial da Prefeitura, o leitor toma conhecimento de que, entre os eventos do calendário anual promovidos pela Sectel, constam uma mostra de cinema e o Festival Suíça Baiana. A administração municipal precisa explicar quando e onde serão realizados esses dois encontros culturais.

A 7ª Arte – não nos referimos aos filmes de aventuras de monstros e super-heróis exibidos nos Multiplexes – entrou num processo de involução desde que o poder público permitiu o fechamento da Casa de Glauber Rocha e o Cine Madrigal.

Esse mesmo processo de abandono se aplica ao Teatro Carlos Jheovah e a outros equipamentos que abrigam as diferentes expressões artísticas, como o Conservatório de Música, a Biblioteca José Sá Nunes, o Centro de Artes e Esportes Unificados José Murilo, que funcionam precariamente e precisam de reformas e mais atrativos e divulgação.

A Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Lazer e Esporte (Sectel) vem recebendo o apoio altruístico de um grupo de pessoas com décadas de dedicação à arte. Eleito para um mandato de dois anos, o Conselho Municipal de Cultura, chefiado pelo jornalista e escritor Jeremias Macário, vem fazendo um relevante trabalho voluntário.

Os membros do Conselho constataram desde os primeiros dias de atividade que suas proposições esbarravam num vírus que contamina todo o serviço público no país. A burocracia, aliada ao desprezo pela finalidade de sua função, onde o poder executivo empurra as pautas elaboradas pelos conselheiros para debaixo do tapete ou para o fundo das gavetas alegando falta de recursos, como se a cultura fosse coisa secundária.

Reza o manual da Secretaria de Cultura que cabe ao município apoiar manifestações culturais independentes. Nos últimos dez anos um grupo de amigos e admiradores das artes vem preenchendo o desapreço do poder público pela cultura em Conquista. Refiro-me ao Espaço Cultural “A Estrada”, localizado no bairro Guanabara, ao lado de dezenas de espécies vegetais.

De dois em dois meses, sempre num sábado, o Espaço reúne novos amigos, artistas e pessoas do universo cultural conquistense, para ouvir cantorias, poesias, e participar de debates sobre os mais variados assuntos, priorizando as coisas da região, no caso, a música, a literatura, o folclore e as histórias.

Sem nunca ter recebido ajuda oficial, nem mesmo uma menção de aplauso do Legislativo Conquistense, o Espaço “A Estrada” edita um blog com o mesmo nome e coloca à disposição dos interessados um acervo de mais de cinco mil itens, entre livros, vinis, revistas, CDs e DVDs, peças artesanais e quadros fotográficos. Essa valiosa coleção tem como curador vitalício o combatente Jeremias Macário, sertanejo de Piritiba, com 32 anos residindo em Conquista, onde exerceu a chefia da Sucursal do jornal “A Tarde”.

Graças a uma iniciativa do Governo do Estado, através da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Social pela Música, 2.324 crianças, adolescentes e jovens integram os 13 núcleos do programa Neojiba, “para que possam desenvolver competências e aptidões múltiplas e assumir diferentes papéis em resposta aos desafios de nosso tempo”. Criado em 2016, o núcleo de Vitória da Conquista tem levado às plateias lotadas o pouco que resta da cultura do Sudoeste baiano.

Festivais literários

Os escritores e interessados em obras literárias – Conquista tem três livrarias e umas quatro ou cinco bancas de jornais e revistas – estão constantemente a perguntar: “Por que a Prefeitura não promove anualmente um festival literário?”. Cidades baianas com menor potencial econômico e cultural têm contado com apoio dos gestores municipais. As feiras, algumas delas com perfil internacional, atraem personalidades literárias e “devoradores” de livros de todo o país, aquecendo a economia da região e dinamizando o turismo, com a oferta de restaurantes e hotéis.

Segundo a Fundação Pedro Calmon, 30 eventos desse tipo foram realizados no ano passado no interior e um em Cajazeiras, periferia de Salvador. “As festas literárias estão chegando para fortalecer o pensamento cultural de cada localidade”, comemora o cordelista  Maviavel Melo, curador da Fliu, em Uauá.

Um aviso aos escritores conquistenses, que “comem” a poeira das estradas como mascates para vender sua produção literária: a cidade de Mucugê, na Chapada Diamantina, promove a 6ª edição da Fligê entre os dias 16 e 20 deste mês.

 

 

 

O JARDIM JAPONÊS

Ainda no Jardim Botânico, o portal da paz de espírito que separa a selva de pedras e a violência da Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, conforme nos mostra a foto que brotou das minhas lentes. No final do passeio, tragado pela natureza, me deparei com o Jardim Japonês e duas crianças que pegavam a água com as mãos para encher as copas de uma planta, tendo ao lado uma verdadeira tenda daquele país de cultura oriental lá nos confins da Ásia. A cena dos meninos me fez lembrar a fábula do beija-flor que pegava água do mar com o bico para apagar um incêndio.  Um animal ficou espantado com aquela atitude e disse que o pássaro jamais iria apagar o fogo com aquelas gotículas de água, se nem os bombeiros dariam conta do tamanho das labaredas que avançavam. Simplesmente o beija-flor respondeu que estava fazendo a sua parte. Bem, a moral da história todos sabem e pode ser aplicada em qualquer circunstância da vida, como na paz, na solidariedade para com o outro, no espírito da coletividade deixando de ser individualista e tantas outras formas de ajuda. Se cada um fizer a sua parte no bem, o planeta será outro bem melhor do que este em que vivemos, cheio de mentiras, calúnias, atrocidades, ódio, intolerância e egoísmo.

POR QUE SERÁ?

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Por que será?

Que a mais gloriosa criação,

Após bilhões de anos,

Galgou a inteligência,

Para se curvar

À arte da corrupção,

E colocou no pódio

O ódio e a intolerância?

 

Será o instinto primitivo,

O real motivo?

 

Por que será?

Que a terra está pegando fogo,

Com ameaça existencial;

O mal virando o jogo,

Nessa era da ebulição global,

Onde o luto ganha da luta?

 

O progresso abiu as portas do inferno,

E eu aqui a queimar neurônios,

Entre o calor de 50 graus,

E o verão do inverno.

 

Por que será?

Que você se contorne

Entre o medo e a ansiedade

Do louco competir,

Atrás de uma felicidade passageira,

Que se acaba na saideira,

Do exótico vulgar consumir?

 

Por que será?

Uns ricos e outros pobres,

Escravos e nobres,

Tantas doenças,

De uns que se agarram nas crenças,

Outros no teorema,

Se Cristo se sacrificou,

Para derrubar o sistema?

 

A MALDIÇÃO DAS DANCINHAS!

Quando a seleção feminina, na Copa da Austrália, ganhou de goleada para a fraca Panamá, as mulheres começaram a ensaiar um estilo de dancinha para comemorar as vitórias.  Não deu para fazer isso porque o Brasil perdeu na outra partida para a França de 2 x 1.

Isso fez lembrar a seleção masculina na Copa do Qatar no ano passado quando também venceu as primeiras partidas e inventaram a “dança do pombo” em que até o técnico Tite entrou na roda. Lá na frente o Brasil foi derrotada pela Croácia, um país pequeno do tamanho de Sergipe nas entranhas dos Balcãs.

Fiquei a imaginar se não seria a maldição das dancinhas brasileiras! Fora as superstições, é muita coincidência. A verdade é que o nosso futebol, masculino e feminino, anda caindo das pernas, mesmo com uma boa estrutura recebida pelos jogadores.

A última Copa Mundial em que o Brasil saiu campeão foi em 2002. De lá para cá o nosso futebol passou a ser desacreditado por outros países que não temem mais a camisa amarela. Jogam de igual para igual e, muitas vezes, com superioridade.

Classificar com a equipes da América do Sul é fácil e assim o Tite remou na onda da mídia e dos torcedores como uns dos melhores do mundo. Nas entrevistas era aquele falatório e exposição de técnicas, táticas e estratégias mirabolantes invencíveis. Como dizia Didi ou Garrincha, só faltou combinar com os adversários.

Quanto ao caso mais recente das mulheres que foram eliminadas na primeira etapa da Copa, foi um outro vexame o empate justamente para a Jamaica, uma pequena ilha no mar do Caribe, sem nenhuma infraestrutura. Para as meninas chegarem a Austrália, a população, com ajuda da família Boby Marley, teve que fazer uma vaquinha.

Do outro lado, com todo dinheiro, assistência médica, técnica e outras mordomias, a seleção não conseguiu dar conta do recado. Seria também a maldição do complexo de vira-lata, carimbado pelo escritor dramaturgo Nelson Rodrigues? Seria bom contratar um investigador com uma lupa para detectar onde está realmente o problema do futebol brasileiro.

Não será a maldita fama que subiu para a cabeça ou a falta de garra daqueles tempos onde o atleta suava a camisa de verdade, não importando o dinheiro? São vários fatores e um deles é a escassez de grandes craques. Tudo na vida tem seu ápice e sua natural queda.

SE A EMPRESA É DEFICITÁRIA, POR QUE NÃO ENTREGA LOGO A CONCESSÃO?

José Marias Caires, do movimento Duplica Sudoeste, trecho da BR-116 de Vitória da Conquista, obra que continua emperrada e incerta, diz não acreditar que a Via Bahia arrecada 362 milhões de reais por ano (muito pouco) e, que mesmo assim, gera um prejuízo de 70 milhões de reais.

Isso é informação da própria empresa. O mais inusitado e incoerente é que, apesar disso, a empresa reluta em entregar a concessão que o governo federal já pediu por várias vezes. Como afirmou José Maria, vá gostar de prejuízo assim! Acho que a Via Bahia é a única que adora trabalhar no déficit sem largar o osso.

De acordo com dados do líder do movimento, um trabalhador de salário mínimo com 35 anos de serviço recebe durante todo período pouco mais de 554 mil reais. Num dia a Via Bahia ganha um milhão de reais, o que equivale a 65 anos de salário de um trabalhador. É um absurdo e ninguém toma providências!

Na avaliação de Caires, temos pela frente três grandes obras que farão Conquista aumentar a população a 500 mil habitantes em 2030. Uma dessas obras está ligada à reindustrialização do Brasil. No entanto, o mais importante do momento é a Duplicação da Rio-Bahia.

Para aproveitar esse ensejo desenvolvimentista da cidade, esperamos que daqui para lá, Vitória da Conquista também avance nos outros setores, como da cultura que no momento encontra-se estacionada com equipamentos artísticos fechados há anos. Estou comentando isso porque não podemos ficar somente no Duplica Sudoeste. Os empresários também precisam se engajar nesta causa.

Não podemos ficar tão somente nos calendários do São João e Natal. O Conselho de Cultura tem feito seu trabalho reivindicatório, mas não possui o poder de execução. Tem outras várias demandas que não foram atendidas pelo executivo alegando sempre falta de recursos.

Sobre a Via Bahia, outra informação é que em 28 de abril, por iniciativa do Ministério dos Transportes, foi criada uma comissão de trabalho para fazer um relatório e propor um acordo entre a Agência Nacional de Transportes Terrestres e a firma.  A comissão teria até três de junho para concluir os estudos visando o início imediato dos investimentos da concessionária, paralisados por determinação judicial.

Fala-se em reequilíbrio ou revisão dos contratos, imprescindíveis para começar as obras. Algumas demandas da Via Bahia estão em desacordo com o movimento do Duplica Sudoeste, como o aumento do pedágio, a falta de cronograma com os prazos para duplicação e as modificações que a empresa pretende implantar.

Uma dessas mudanças seria utilizar os acostamentos e transformá-los em faixa adicional.  Isso não passa de um deboche para com os usuários que já sofrem com as deficiências da pista. Caso isso seja feito, adeus duplicação, como alerta José Maria.

É bom lembrar que várias cidades que estão em torno de Conquista já se integraram ao movimento. Porém, essa opção por si só não basta. É urgente que todas se juntem para realizar uma grande manifestação de protesto juntamente com a sociedade e caminhoneiros para pressionar de vez a Via Bahia.

Por falar nessa união dos segmentos das comunidades, aqui eu pergunto: Cadê a participação mais efetiva e ativa dos políticos da região? Afinal de contas são mais de um milhão de habitantes de 80 municípios que podem se beneficiar com a duplicação, não somente na área social como também do desenvolvimento econômico. A Assembleia Legislativa da Bahia está anunciando para breve uma CPI da Via Bahia. Vamos ver no que vai dar.

O CANABIDIOL NUM PAÍS ATRASADO QUE RELEGA A SAÚDE DE SEUS FILHOS

Sinceramente fico horrorizado quando assisto e leio na mídia a polêmica em torno do uso do canabidiol, uma substância derivada da maconha em alto grau (difinol cristalino, obtido da resina da planta cânhamo) que trata e alivia o sofrimento de muitas pessoas, principalmente crianças, com problemas de convulsões, autistas graves, epilepsia e outras doenças que causam muitas dores.

Da maconha canabis, segundo o dicionário, ervas anuais altas, robustas, da família das Moráceas, aclimatadas no Brasil, que tem caules eretos, folhas com três ou sete folíolos, flores pistiladas em espigas ao longo dos caules folhosos.

A importação do produto dos Estados Unidos e outros países é muito caro e somente pouca gente pode ter acesso. Como se isso não bastasse, para adquirir o familiar do paciente tem que entrar na justiça e esperar um bom tempo pela autorização. A Anvisa, a agência reguladora na área da saúde, não permite o cultivo da planta, nem que venha de fora, para a posterior extração do óleo medicamentoso.

Em pleno século XXI tudo isso é simplesmente um absurdo e de um atraso medieval carregado de preconceitos e hipocrisias. O Brasil ainda é um país que parou nos tempos coloniais. É um exímio imitador da cultura dos outros nas áreas da moda, comemoração de dias e eventos comerciais, inclusive da data das bruxas; faz apologia aos super-heróis norte-americanos e traz para aqui muitas coisas que não prestam.

Quando se trata de importar de lá um medicamento da maconha que beneficia a saúde de centenas e milhares de brasileiros, procura dificultar sua introdução por várias maneiras. Não sou médico, nem cientista no assunto, mas não consigo entender esse imbróglio e fico revoltado.

Cadê o nosso governo de esquerda progressista que não toma as devidas providências para uma solução definitiva dessa situação, enquanto fica silencioso e passivo diante de tanta aflição e sofrimento das vítimas e parentes? Será que não poderia quebrar a patente do canabidiol e fabricar o remédio aqui mesmo? Liberar de vez o plantio da maconha (temos em abundância) em quintais e terrenos próprios, pelo menos para este fim?

Pelo Congresso Nacional nós sabemos muito bem que é retrógrado e só sabe fazer suas maracutais através de seus deputados e senadores se darem bem na vida e curtirem em suas mansões com o dinheiro do povo. Quando o assunto é descriminalização das drogas fogem da questão como o diabo corre da cruz, tudo para continuar como está, isto é, manter os cabeças do tráfico e alimentar a violência.

No caso do canabidiol, que mais nos importa e interessa, é de um cinismo e uma hipocrisia sem tamanho, sem contar a passividade, a insensibilidade e a indiferença com relação ao sofrer dos outros. Enquanto isso, sobrecarrega a estrutura das polícias federais e rodoviárias para apreender quilos e toneladas de maconha e até prender e remeter processo à justiça para condenar usuários.

Por sua vez, essa nossa sociedade é também individualista e careta. A única coisa que aprendeu se “evoluir” foi ser altamente consumista de coisas supérfluas, especialmente se for do exterior. Ela não está nem aí para as dores dos outros que podem ser amenizadas com o canabidiol.

Pelo contrário, concorda com esse quadro esdrúxulo onde não se toma uma posição definitiva para solucionar o grito abafado e o choro de mães, pais, avôs e tios que precisam urgentemente do medicamento para conviver com mais tranquilidade com seus filhos, netos e sobrinhos. Como diz a canção, que país é esse! Ou, esse país não é sério.

 

O FUTURO ESTÁ AQUI

Ouço muita gente falar que no futuro podemos sofrer coisas piores, se não cuidarmos bem da terra a partir de agora. Isso me faz refletir que esse futuro já está aqui, gente! Só não está vendo quem é cego, mas não o cego físico que, aliás, tem muita percepção sensitiva, mas o cego mental que só pensa em competir e consumir, para viver na ansiedade, no estresse, no medo e na mentira.

As catástrofes, as tragédias, tempestades, tufões, ciclones no Brasil, terremotos, deslizamentos de terra e essa temperatura de até cinquenta graus em algumas regiões (Estados Unidos, Norte da Europa, África) e o gelado frio em outras, insuportáveis aos seres humanos (milhares morrendo), já é esse futuro que está aqui e entrou em nossa porta. O pior é que temos pavor de admitir isso e aí falamos num futuro que virá, talvez no próximo século.

Quem provocou tudo isso? Nem é preciso responder. Somente o ignorante não sabe, ou procura negar que o homem depredou tanto o nosso planeta que a dívida se tornou impagável, mesmo com essas ações do tipo economia sustentável, reciclagem de plásticos e outros produtos que retornam para o consumo, limpezas de praias onde o mar se transformou numa verdadeira lixeira, dentre outras atividades para tentar enganar a natureza.

Nesses tempos da revolução tecnológica, só se fala em inteligência artificial e robotização, e esquecem que já estamos vivendo na era da ebulição global. Ontem mesmo estava vendo um vídeo (nem sei se é fake news) onde o rei do Bahrein entrou numa feira de alta tecnologia em Dubai com um guarda-costas robô.

Diz o texto (sempre com português errado) que o robô fala seis idiomas. Está programado para resgatar o rei e pode aplicar seis artes marciais distintas. Está equipado com taser elétrico, três metralhadoras, sendo uma delas de precisão a laser de calibre 9 milímetros, podendo combater até 15 homens com sistema de câmaras de 360 graus infravermelho. Também carrega medicamentos e água. O segurança robô custou US$7, 4 milhões de dólares.

Fiquei a pensar que estamos num mundo desumanizado onde quase um bilhão de pessoas passa fome e vive na pobreza extrema. Para a grande maioria, tudo isso é encantador e é exemplo de muito orgulho, mesmo sendo feito com o sacrifício de milhões que são explorados nos campos petrolíferos árabes, sem falar que se trata de um combustível fóssil altamente poluidor que já deveria ter sido extinto.

As grandes multinacionais petrolíferas e seus governantes tudo fazem para impedir o avanço da energia limpa, enquanto a terra está sendo há séculos destruída. Diante do consumismo, cada vez mais acelerado, porque está dentro da ordem econômica capitalista do mais produzir e incentivar a demanda para aumentar o desumano PIB, esse futuro de terror de que tanto se comenta, já está presente.

O discurso do capital é de chamar de atrasado e retrógrado o país que ainda não aderiu, ou não se evoluiu para robotizar seu processo de produção industrial e de serviços de um modo geral. Não restam dúvidas que o caminho é esse e não há mais volta. O destino é a autodestruição do ser humano.

A mais gloriosa criação ganhou inteligência depois de bilhões de anos e se curvou ao crime da corrupção, da mentira, das calúnias, da ganância do competir, não importando os meios, e do poluir e degradar o meio ambiente. Essa criação que adquiriu o vírus do medo e da ansiedade, permanece com seu instinto primitivo de liquidar o que vive ao seu redor.

O futuro está aqui, meus amigos, e as novas gerações já estão sofrendo as consequências. Na minha visão, já atingimos o pico da longevidade. A tendência agora é cair em razão das contaminações por doenças estranhas provocadas por gases poluidores e vírus de espécies misteriosas como a Covid-19 que ceifou milhões de vidas humanas.

Para muita gente e até certos “cientistas”, todos esses fenômenos são ocorrências naturais relacionadas com as mudanças climáticas, tentando relativizar o peso da interferência humana. É o mesmo que querer enganar a si mesmo. O certo é que estamos no olho do furacão e daqueles de destruir prédios e edificações.

“DO CORPO INSEPULTO À LUTA POR MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA-Um Estudo do Caso Dinaelza Coqueiro”

“DINAELZA COQUEIRO: MILITÂNCIA IDEIAS E GUERRILHA”

De forma didática, a professora Gilneide Padre pontua com detalhes a militância política da conquistense Dinaelza Coqueiro contra o regime ditatorial iniciado com o golpe civil-militar de 1964, desde estudante, em Jequié, e depois em Salvador. Ela conta como como se deu sua opção para entrar na Guerrilha do Araguaia, na região chamada de Bico do Papagaio (Amazonas, Pará e Goiás).

A autora do livro “Do Corpo Insepulto à luta por Memória, Verdade e Justiça” faz um mapeamento da região e uma cronologia da guerrilha. Em conversa com seus pais, Dinaelza diz que “só nos resta este caminho e é com amor que vamos percorrê-lo”. Ela se referia também ao seu companheiro esposo Vandick Coqueiro. O PC do B, de orientação maoísta, decidiu pela luta armada a partir da zona rural, enquanto outros grupos realizaram seus movimentos na área urbana.

Conforme assinala Gilneide, às vésperas do golpe, em 29 de março de 1964, um grupo de dez militantes viajou para a China com a finalidade de ali realizar um curso político-militar e aprender as táticas empregadas por Mao Tsé-tung, de “quando o inimigo avança, recuamos; quando para, o fustigamos, quando se cansa, o atacamos; quando se retira, o perseguimos”, só que as forças no Araguaia eram desproporcionais, de cinco a seis mil das forças armadas contra 69 combatentes.

Sobre a guerrilha, segundo apurou a autora, quem primeiro chegou à região foi Osvaldo Orlando da Costa, mais conhecido como Osvaldão, em 1966. Era um negro forte, alto e tinha a simpatia da população do local. Em 1967 chegou o médico João Haas Sobrinho, o Juca, que montou um hospital em Porto Franco. A seguir foi a vez de Elza de Lima Monnerat, Líbero Giancarlo e Maurício Grabois, que se tornaria o comandante geral. João Amazonas e Ângelo Arroyo chegaram em 1968. Outros foram chegando depois, assim entre os anos de 1969 e 1972 até formarem um contingente de 69, dentre os quais Dinaelza e Vandick, em 1971, adotando os nomes de Mariadina ou Dina e João Goiano.

O comando dividiu o grupo em três destacamentos: A, na Faveira, B, na Gamaleira e o C, nos Caianos. Dinaelza e Vandick fizeram parte do Destacamento B, sob o comando de Osvaldão. As forças armadas, a maioria da polícia militar, só entraram na área em 12 de abril de 1972 surpreendendo as Forças Guerrilheiras do Araguaia. Ocorreram três expedições e as investidas do regime só terminaram dois anos depois.

Praticamente todos foram aniquilados (56 foram mortos) de forma cruel, inclusive com cabeças decepadas. Os corpos dos 56 continuam desaparecidos até os dias atuais, inclusive de Dinaelza e Vandick. Muitos foram jogados nos rios e no mar.

 

 

A ARTE DE ESCREVER DO ESCRITOR

Não é somente ter o domínio da língua, embora seja imprescindível. Escrever e ser escritor é como pintar um quadro, fotografar a melhor imagem no devido enquadramento, saber esculpir as palavras, teatralizar, musicar uma letra e colocá-la na melodia certa, é ser um artesão da cerâmica e da madeira e, acima de tudo, imaginar, criar, inventar para atrair e agradar o leitor de modo que ele penetre em sua obra.

Nem tudo isso sensibilizou a nossa mídia e os órgãos do poder público ligados à cultura, no nosso caso específico de Vitória da Conquista, a prestarem uma homenagem ao Dia do Escritor, último 25 de julho. Não menosprezando as outras tantas comemorações e celebrações profissionais, mas a nossa tem passado em branco.

Aliás, a literatura, tão importante para a formação das nossas crianças e jovens estudantes, tem sido o patinho feio das artes que, de modo geral, estão sendo relegadas a planos secundários. Digo que a nossa cultura está sendo sepultado silenciosamente, sem muitas reações, manifestações e protestos. O que mais incomoda é o silêncio dos bons, como dizia Martin Lutter King.

Por incrível que pareça, está faltando até mesmo mais sensibilidade e união dos próprios escritores e escritoras para com seus companheiros (as), de forma a prestigiá-los e incentivá-los a criar e a divulgar suas obras, inclusive nos lançamentos quando vemos a presença de poucos colegas nesses eventos. Nem sabemos quantos somos, nem quem somos e para onde vamos.

Precisamos fortalecer a categoria com uma associação forte, uma editora local que promova os talentos, um encontro de escritores para debater estas e outras questões, uma linha de ação nas escolas e bibliotecas, enfim, um movimento do setor literário conquistense, como uma feira que marque nossas presenças e valorize a chamada prata ou o ouro da casa.

Bem, para abreviar esse papo que não é somente meu, mas é também seu, quero aqui primeiro prestar minha homenagem a todos escritores, escritoras, poetas e poetisas conquistenses que são tantos, cada qual com seu gênero, seu estilo e ideologia, uns mais e outros menos versáteis.

Segundo, homenagear todos escritores (as) baianos, brasileiros e de todo mundo, sem citar nomes, porque, a esta altura, cada um tem os seus preferidos na cabeça, e terceiro, reforçar aqui um apelo de juntarmos forças para que nos tornemos mais visíveis, a começar em nossa própria aldeia, para depois criar asas, voar e ganhar outras plagas.





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