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QUAL O DESTINO DO MADRIGAL?

Por várias vezes já comentei aqui sobre este assunto, ou esse equipamento municipal que há anos está fechado, mas não custa nada voltar à questão. Os artistas, principalmente do audiovisual e do teatro, estão ansiosos que suas portas se abram para espalhar cultura pela cidade.

Uma pergunta que constantemente está sendo levantada é qual o destino do antigo Cine Madrigal? Estava previsto para ser reaberto em setembro de 2021, e o Conselho Municipal de Cultura já colocou a questão em pauta diversas vezes, inclusive através de ofícios e documentos, um deles entregue em audiência com a prefeita, em julho do ano passado.

Lá está aquele imponente prédio na rua Ernesto Dantas fechado há 16 anos, sendo desgastado pelo tempo. Ali tem história quando bons filmes atraíram milhares de conquistenses. Guarda lembranças na mente de muita gente, namorados, casais, jovens, professores, intelectuais e gente do nosso povo. Eu mesmo estive lá por várias vezes assistindo boas películas.

Com capacidade para mais de mil assentos (poltronas luxuosas) o Cine Madrigal foi aberto em 22 de maio de 1968 com o filme “A Noite dos Generais” e fechado em 2001. Um ano depois, em 2002, voltou às suas atividades, mas teve que encerrar em definitivo suas ações em 30 de julho de 2007. Portanto, foram 38 anos de bons filmes, como o Titanic, que teve maior público. Conquista foi pioneira em salas de cinema (chegou a ter cinco abertas) e experimentou seu bum na década de 40.

O Madrigal foi o último dos cinemas de rua de Vitória da Conquista. Como se diz no popular, o último dos moicanos. Quando fechou as portas por causa da onda da internet, dos DVDs e fitas cassetes, a Igreja Universal – se não me engano – tentou comprar o prédio, mas não deu certo.

Depois de muito discutir, a Prefeitura Municipal, entre os anos 2015/16, no governo de Guilherme Menezes, adquiriu o antigo Cine Madrigal por cerca de um milhão e 100 mil reais, barato pela sua estrutura e localização. Foi utilizado o dinheiro do Tesoura, isto é, do povo, e passado para a gestão da Secretaria de Educação.

São sete anos sem ser utilizado, coisas da Bahia e do nosso Brasil. A intenção do governo passado era transformar o antigo Madrigal num cineteatro, conforme garantiu o secretário de Educação da época, Valdemir Dias, hoje vereador. Até o momento nada aconteceu e lá está o “elefante branco”.

Quando de uma audiência do Conselho Municipal de Cultura, a prefeita Sheila Lemos explicou que o propósito era reativar o Cine Madrigal, mas antes teriam que ser realizadas obras de reforma interna e externa de acessibilidade, de modo a atender as exigências do Corpo de Bombeiros e do Conselho de Engenharia e Arquitetura.

Estamos sabendo que já existe um projeto de licitação para fazer os devidos reparos visando a abertura de suas instalações. No entanto, fica uma interrogação, inclusive dos artistas em geral e da população sobre a sua utilização. Vai ser mesmo um cineteatro, ou apenas mais um estabelecimento de uso da Secretaria de Educação para reuniões, oficinas de capacitação e local de eventos de formatura? É isso que toda sociedade está querendo saber.

Existe a discussão de que haja uma gestão compartilhada entre as Secretarias de Educação e a de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel, mas até o momento pouco se sabe e se anunciou sobre o assunto. O poder público tem a obrigação de informar e dar uma satisfação, mesmo porque é recurso do contribuinte. A Câmara de Vereadores também precisa se pronunciar e entrar nesse debate.

Com a interdição do Teatro Carlos Jheová, na Praça 10 de Novembro, os artistas em geral, músicos, as artes cênicas e outras linguagens ficaram sem local para realizar seus ensaios e eventos. Estão indo, com sacrifícios para outros locais, como o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima que pertence ao estado.

O antigo Cine Madrigal seria o ideal para atender a demanda, mas a nossa cultura, infelizmente, está órfã de pai e mãe. Essa nossa “pobre” cultura anda aí pelas ruas como uma mendiga maltrapilha com a cuia na mão pedindo esmolas. Todos passam e poucos dão atenção jogando umas moedinhas em seu prato.

Queremos uma posição sobre este e outros equipamentos culturais, como a Casa Glauber Rocha, que também se encontra fechada a mercê do tempo que não perdoa no quesito desgaste e destruição do nosso patrimônio histórico, na verdade, um resto que ainda está de pé.

 

 

“FLUXO E REFLUXO” XV

OS DETALHES SOBRE O TRÁFICO ILEGAL DE  ESCRAVOS NA BAHIA.

Eram muitas as trapaças dos navegantes baianos para burlar as vigilâncias inglesas contra o tráfico ilegal de escravos da África na Costa do Benin, principalmente ao norte acima da linha do Equador. Todas irregularidades e transgressões às leis, tratados e convenções estão documentadas na obra “Fluxo e Refluxo”, do etnólogo e fotógrafo francês Pierre Verger.

Veja o que o autor descreve, através de cartas do cônsul Poter, sobre o assunto: “Uma declaração feita em 10 de abril de 1834 (o tráfico tornou-se ilegal no início do século XIX) por um marinheiro do navio Musca dá detalhes a respeito do desembarque na Bahia de 228 escravos mandados pelo Xaxá de Souza (Francisco Félix de Souza).

O marinheiro desceu para terra com o segundo capitão para tomar disposições com o consignatário na região da “Torre” (Casa Garcia D´Ávila). Então navegaram quatro ou cinco dias ao largo da “Torre”, e uma grande garoupeira veio pegar os escravos a bordo e trouxe uma carga de pedras como lastro”.

Em outra passagem, conta que um cruzador britânico vindo do Rio de Janeiro, em setembro de 1838, trazia uma declaração sobre o caso do brigue americano Dido que chegou a Salvador com 575 escravos e estava à vista das dunas de areia das praias da Bahia.

Como viu uma corveta inglesa, o Dido içou as cores americanas. Na mesma noite, 570 cativos (cinco morreram na travessia) foram entregues no povoado perto da ponta de Itapuã. O navio foi limpo e no dia seguinte apareceu na Bahia com a bandeira dos Estados Unidos.

Em agosto de 1841, o cônsul Poter escrevia para Hamilton Hamilton, no Rio de Janeiro, a respeito do brigue Picão que havia desembarcado 480 escravos na costa oeste da ilha de Itaparica. Após o sucesso da empreitada, indivíduos organizaram uma companhia a fim de promover o tráfico. Compraram cinco vasos (navios) que estão prontos para partir para a Costa da África. O cônsul pedia reforço de cruzadores britânicos para apertar a fiscalização.

Em 1842, o cônsul confirmava que os mercadores de escravos, para evitar as intervenções no livre usos das embarcações, declaravam que retornavam de portos afastados da costa da África, o que tornava difícil a obtenção de informações corretas com relação ao movimento dos navios.

No ano de maio 1846, o cônsul assinalava a carga sem precedentes de 1350 cativos (perdeu 40 na viagem) que o Três Amigos tinha desembarcado. Esse navio figurava na lista de partida de três de julho para os Açores, de onde voltou em setembro em arribada depois de 71 dias. Não havia dúvidas que tinha ido fazer seu tráfico nesse intervalo e deixado uma carga em um dos pontos de desembarque nos arredores da cidade da Bahia.

No mesmo ano, o Andorinha, pertencente a Joaquim Pereira Marinho, um dos maiores traficantes da Bahia (tem uma estátua dele em frente do Hospital Santa Isabel), começava uma série de viagens à costa da África, anunciando sua primeira partida em outubro de 1846 para as Canárias. O cônsul dizia que a importação era feita com a maior atividade, citando que três mil foram desembarcados na Bahia durante o último trimestre de 1846.

Os comerciantes e as autoridades afirmavam que o tráfico cessaria com a saída dos cruzadores britânicos na fiscalização. O lorde Palmerston argumentava que isso não passava de uma falácia. Segundo relatos de 1847, a importação aumentou ainda mais. Foram 2233 escravos no terceiro trimestre, contra 1500 para o segundo e 1180 para o primeiro.

Fazia-se o tráfico sem esconder. Na ilha de Itaparica foram construídos locais de desembarques normais. Em plena noite eram utilizadas luzes para guiar os vasos. Dali os cativos eram levados para depósitos da cidade da Bahia, onde são vendidos sem medo de intervenção das autoridades, apontavam os agentes do cônsul Poter. “Tenho a satisfação de declarar que sete vasos pertencentes a este porto foram capturados pelos cruzadores ingleses. Apesar das perdas, muitos estão equipados para irem à costa africana”. Foram desembarcados 3.500 escravos nos arredores da cidade durante o quarto trimestre de 1847, a maior importação que houve durante os últimos oito anos.

Os vasos chegavam frequentemente dos Estados Unidos e do Mediterrâneo comprados por essas companhias e enviados à África sob a bandeira das nações às quais pertencem originalmente. A bandeira do Brasil é substituída no momento em que recebem suas cargas a bordo.

Tem ainda o caso do brigue George, que partiu para África, em agosto de 1847, e voltou com o nome de Tentativa com cores brasileiras, com uma carga de 726 cativos em um miserável estado de fome (11 morreram por falta de água e provisões). O iate Andorinha, de Joaquim Pereira Marinho fez oito viagens com sucesso. Desembarcou 3392 escravos no porto da Bahia. O lucro era considerável. Em agosto de 49 foi capturado. Fez dez viagens, desembarcou 3.800, ganhando 46 mil libras no curto espaço de 32 meses.

Em maio de 1850, “o tráfico de escravos continua na Bahia com o maior sucesso. Durante o último mês, foram desembarcados mais de 1100, na maioria nagôs, haussás, tapas e jejes. A maior parte provém dos portos de Onim e Ajudá” – relatava o cônsul.

LIVRARIAS E LANÇAMENTOS

Que bom que as vendas de livros em Vitória da Conquista estão registrando uma forte retomada depois do período da pandemia, conforme nos relata o empresário José Maria, da Livraria Nobel. De acordo com ele, o crescimento é tímido, mas constante. Isso já é uma boa notícia, mas o lamentável é que numa cidade do porte de Conquista, com cerca de 350 mil habitantes ou mais, só tenha três lojas, sendo duas nos shoppings e a outra na Avenida Otávio Santos, que é a Nobel, onde acontece a maioria dos lançamentos de obras dos autores locais, inclusive já fiz várias apresentações dos meus trabalhos naquele local de cultura e tenho outro marcado para o próximo dia 27/04 (quinta-feira) a partir das 19 horas. São textos poéticos intitulados “Na Espera da Graça”. Agradeço a José Maria e sua esposa Valmária que sempre têm recebido bem os escritores da nossa cidade. Acho muito importante prestigiar a nossa prata da casa que, sem dúvida, tem grandes talentos, mas carece de mais apoio de toda sociedade e de mais leitores. Da minha parte, dentro do possível, procuro valorizar a literatura regional que, de uma forma ou de outra, não importando o gênero, está enaltecendo a cultura conquistense e elevando o nome da cidade lá fora, inclusive em outros estados. A Livraria Nobel está de parabéns por receber nossos escritores de braços abertos.

 

AMOR CONTIDO

Autoria de Jeremias Macário

Amor contido,

Que irradia energias,

Olhos em meus  olhos,

Luz que ilumina e seduz,

Em seus longos cabelos,

De finos fios de poesias.

 

Ainda lembro daquela fonte,

De água cristalina serena,

A refletir nossa imagem,

Dos beijos de amante,

No arco-íris do horizonte.

 

Amor contido

De eterno segredo,

Que não passa na TV,

Nem ninguém pode saber,

Só a alma criança sente,

Esse sublime presente.

 

Amor contido,

Deleite do sol poente,

Sabor de proibido,

Até o último respirar.

Minação da serra nascente,

Que vira correnteza de rio,

E se encontra com o mar.

 

Sempre existe o amor contido,

Que chega para sempre ficar;

Envenena nossa mente,

No físico visível latente,

Para não mais se separar.

 

É como semente do tempo,

Esse amor contido ardente,

Que vem do vento platônico,

Biônico na gente a grudar,

Para nunca mais largar.

 

 

“DIA DO ÍNDIO” PARA “DIA DOS POVOS INDÍGENAS” OU ORIGINÁRIOS DO BRASIL

Ainda no primário (cinco anos escolar), quando existia essa primeira etapa no ensino brasileiro, lembro muito bem das comemorações do “Dia do Índio”, quando o professor ou professora falava alguma coisa da sua história e mandava que a gente pintasse alguma figura em alusão a esse povo.

Naquela época os livros de história ainda contavam que Pedro Álvares Cabral havia descoberto o Brasil e aqui chegando fez o primeiro contato com os índios através da troca de presentes (espelhos, pentes e outras bugigangas), levando madeira, plantas e outras riquezas preciosas da natureza.

Como descoberta, se os indígenas já viviam aqui?  Na verdade, foi uma invasão continuada e recheada de massacres, guerras, tentativas de escravidão, imposição da religião católica, no caso os jesuítas, sem falar nas doenças que dizimaram centenas de tribos.

O resto dessa história de 523 anos muitos já conhecem, mas ela foi sempre contada pelos vencedores brancos. O “Dia do Índio”, um termo genérico, por exemplo, 19 de abril, perdurou por muitos séculos e somente no ano passado passou a ser “Dia dos Povos Indígenas”.

De acordo com a professora e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), Márcia Mura, a alteração era necessária para refletir as ideias e lutas das diversas sociedade indígenas. Cada povo ou tribo tem sua especificidade linguística, cultura, costumes e hábitos.

Para a professora, o termo índio reproduz a visão do colonizador que remete a ideia eurocêntrica de que os indígenas são atrasados e iguais, desconsiderando suas diferenças. Mas, não é somente isso, a palavra indígena nos leva a originário da terra.

Outra coisa é que “índio” sempre foi visto como um ser atrasado, coisa sem valor, sem importância e atrativo, daí o deboche “isso é programa de índio” quando um evento e ou uma festa não agrada a alguém. Coisa monótona, sem graça. Fala-se muito da discriminação contra o negro, mas pouco com relação ao índio que a sociedade burguesa capitalista simplesmente excluiu.

Não somente a escravidão foi vergonhosa na história brasileira, mas também o que cometeram e praticaram de atrocidades contra o índio. Para os primeiros colonizadores e jesuítas que aqui chegaram, esses povos não tinham alma e eram tidos como pagãos porque eles cultuavam seus deuses e praticavam seus rituais.

A matança contra os índios e as expulsões de suas terras (caso mais recente dos ianomâmis em Rondônia) não aconteceram somente no Brasil, mas em todas as américas. O livro “As Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Galeano, narra o que os espanhóis fizeram em termos de atrocidades e barbaridades. Foi um verdadeiro extermínio.

Os Estados Unidos não ficaram atrás quando resolveram tirar os índios de suas terras na conquista do oeste, com seus generais cruéis cometendo todos os tipos de crimes hediondos. É outra história vergonhosa da humanidade.

Aqui em mesmo em Vitória da Conquista pelo século XVIII e até meados do XIX, o colonizador João Gonçalves da Costa, com seus ajudantes e oficiais, perseguiu impiedosamente os mangoiós e os imborés, descendentes dos Pataxós, tanto que essas etnias praticamente foram extintas da região.

 

 

 

A VIDA É ASSIM, MEU CAMARADA!

Fui ontem (terça-feira, dia 18/04) ao centro da cidade para resolver uns problemas que estão me deixando agoniado e me deparei com uma cena triste na Praça Barão do Rio Branco: Na via ao lado da Caixa Econômica um lençol branco cobria o corpo de uma mulher que foi atropelada por uma moto e veio a óbito no local. A vida é assim, meu camarada! O nascer está ligado umbilicalmente com a morte, não importa como e quando. Ela sempre está à sua espera.

Mesmo com toda tecnologia na mão onde você atualmente resolve muitas coisas na base dos cliques (nem sempre funciona o chamado passo a passo), cada um continua com suas agruras, angústias, alegrias e tristezas. Cada pôr-do-sol e cada amanhecer são diferentes. Podem ser de prazer ou de tristeza, de vitórias ou de derrotas. Cada um tenta viver como pode, ou sobreviver com sua história particular, só sua.

A vida é assim, meu camarada e cada um sabe de si. Vivemos numa sociedade onde mesmo com sua dor sofrida, você tem que dizer que está tudo bem, para não ser desagradável, rabugento e pessimista de energias negativas. Até aparece gente para nos consolar e animar de que as coisas vão melhorar. Que depois da tempestade vem a bonança. Um bom dia, uma boa tarde e uma boa noite nem sempre são para todos. O jeito é disfarçar!

Tem uns que falam que os tempos de hoje são melhores que no passado da carroça, da máquina de datilografia, daquele namoro que ainda era distante e o máximo que se fazia era pegar na mão e dar um beijo no rosto. Fazer um flerte de elogias na morena que passava, não era assédio sexual, mas significava um bem ao ego da mulher.

Outros falam que naquela era as pessoas eram mais solidárias, amigas, de maior respeito e uns ajudavam mais outros nas necessidades prementes, mesmo sem o progresso da máquina, sem as invenções domésticas e laborais que facilitam por demais o trabalho. Ainda se usava o pilão na roça. Nem havia o liquidificador e outros utensílios para facilitar as refeições da dona de casa.

Os jovens estudavam e liam bem mais. Se interessavam pelo conhecimento e pela cultura. Nas escolas, o professor era respeitado e existia até a disputa de quem tirava nota maior em português, matemática, história, geografia e ciências sociais. Ser o primeiro da classe era uma glória. Os vizinhos se conheciam e iam na porta pedir um sal, um pouco de café e açúcar emprestados, que faltavam em suas residências. Hoje não é mais assim…

Os conceitos de felicidade, de amor, de saudades, de confiança no outro, de cooperação, da troca de olhares e do bem-estar consigo mesmo mudaram. Até a poesia, a métrica, a rima e os textos tomaram outra forma, mais livre e libertária. Não se reflete mais, não se mergulha mais em si mesmo e não se tem tempo para meditar.

Mesmo com o computador veloz e o celular na mão para troca de informações instantâneas, vender e comprar seus produtos pelas redes sociais, passar notícias, fazer fofocas e compartilhar fake news, o tempo para a grande maioria parece que deixou de existir. A resposta é sempre de pedida de desculpas porque não houve tempo para responder seu vídeo, sua mensagem ou áudio. Todos estão ocupados.

A colaboração cedeu lugar à competitividade e à competição cerradas, se possível passando a rasteira no outro. Todos só pensam em ganhar, sem olhar o seu “semelhante”. Valem o levar vantagem e ser mais astuto. O outro é visto como um otário por ser ético e preservar seu caráter de honestidade. Quase ninguém liga mais para o que é o certo ou o errado.

Todos hoje nas ruas são suspeitos, desde que se prove o contrário. Não se ajuda mais o caído na calçada ou na estrada a se levantar. Pode ser uma armação, um golpe ou assalto. Cuidado no olhar para a mulher que cruza seu caminho. Não se abre mais a porta, nem para o agente de saúde ou o funcionário do censo.

O racismo está em todos os lados, e as multidões cada vez mais apressadas e suadas para não chegarem atrasadas no trabalho, não perder o ônibus ou o metrô. O tempo virou dinheiro e o humano um simples número sem muita importância, especialmente se não tiver alguma coisa para lhe oferecer. As câmaras vigiam seus passos, seus gestos, seu caminhar e até quando você para num poste ou num banco da praça para pensar como resolver os imbróglios da vida.  Alguém está lhe observando.

Tudo isso, serve apenas como uma reflexão de que a vida é assim mesmo, meu amigo camarada (poucos são os amigos verdadeiros, daqueles certos nas horas incertas). Cabe a você fazer uma análise racional sobre qual tempo era o melhor. O sentido entre a vida e a morte é a razão que está entre o corpo e a alma.

Cada um tem sua visão, sua maneira de ver as coisas e vamos respeitar as opiniões.  Pelo menos isso, porque as coisas estão brabas e pouco se ouve o outro. Tinha um professor que dizia: Quando um burro fala o outro murcha a orelha.

 

LANÇAMENTO DO “NA ESPERA DA GRAÇA-ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS” NO DIA 27

Não são textos pandêmicos, mas, em sua maioria foram inspirados durante o período da pandemia da Covid-19 (2020/22) quando as pessoas estavam angustiadas, isoladas e até desesperadas na espera de uma graça para se livrar do vírus.

O livro “Na Espera da Graça – Entre Engaços e Bagaços” foi lançada no último dia 3 de março, na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves), às 19 horas, com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.

Agora a obra será apresentada na Livraria Nobel, no próximo dia 27 (Avenida Otávio Santos), às 19 horas. Quem não pode comparecer ao outro evento terá a chance de conhecer e prestigiar o trabalho do jornalista e escritor Jeremias Macário.

O público que esteve ao lançamento na Casa Régis Pacheco teve a oportunidade de ouvir e acompanhar o cantor e compositor, Walter Lages, que musicou a letra “Na Espera da Graça”, de autoria do próprio jornalista Macário. Estiveram também presentes Luis Altério, da Editora Nzamba e o coordenador da Secretaria de Cultura, Alexandre Magno.

O professor Itamar Aguiar fez a apresentação do livro, destacando a forte pegada nordestina dos textos poéticos do autor quando descreveu sobre os costumes, hábitos e a cultura popular da região, inclusive citando personalidades importantes (escritores, pensadores, poetas e artistas) no poema “Entre Engaços e Bagaços”.

Segundo Itamar, Jeremias fala justamente desse povo sofrido do Nordeste de um modo direto, objetivo e seco, num estilo catingueiro, sem arrodeios, não deixando de abordar também questões políticas, filosóficas, sociais, amor, dor, saudades e o cotidiano da vida.

O título foi exatamente inspirado numa letra musicada pelo companheiro músico, cantor, poeta e compositor Walter Lajes, em sua viola mágica no ritmo do boi em diversos festivais. Os textos têm muita coisa da vida do autor que também faz homenagens aos seus pais e filhos.

Outros versos da obra também foram musicados por artistas locais e do Nordeste, como Edilsom Barros, de Fortaleza (A Dor da Finitude) e Antônio Dean, de Campina Grande (Lembro Ainda Menino e Minha Filha Cintia). Outras letras foram musicadas por Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.

Além disso, diversos poemas foram gravados em vídeos com minha esposa Vandilza Gonçalves e meu amigo José Carlos D´Almeida, que resultaram em dois curtas metragens, um dos quais premiado pelo edital da Lei Aldir Blanc, lançado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.

Para finalizar, o livro contém o capítulo “Entre Engaços e Bagaços”, um épico sobre o nosso resistente Nordeste. Trata-se de uma viagem que o autor faz a partir do Maranhão, descendo pelo Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e a Bahia onde são louvados Câmara Cascudo, José de Alencar, José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Tobias Barreto, Rui Barbosa, Gregório de Matos, Jorge Amado e tantos outros.

Este é o quinto livro do jornalista e escritor Jeremias Macário que já lançou “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” (seis em um) e “Andanças” (dois em um). “Na Espera da Graça” são textos poéticos inéditos e impactantes para o leitor refletir, criticar e divulgar entre amigos, parentes e familiares.

 

E SE FOSSE O CONTRÁRIO?

Lembram do episódio ocorrido semana passada em São Conrado, no Rio de Janeiro, onde uma mulher mordeu outra e avançou com cólera, com a cólera do seu cachorro, para espancar a chibatas (lembra os tempos da escravidão) um rapaz negro entregador?  Até agora não deu nada em termos de punição para a agressora. Depois de dias, somente ontem se apresentou na delegacia.

Vendo aquelas cenas horríveis de uma pessoa descontrolada e raivosa fiquei a imaginar: E se fosse ao contrário em que o moço batesse na mulher? Com certeza, o caso teria maior repercussão na mídia e o cara estaria preso, principalmente porque se tratava de uma violência contra uma mulher.

O advogado arranjou um atestado médico (coisa vergonhosa e mais que duvidosa) que carece de maior investigação contra esse profissional da saúde. Está mais do que sabido que essa nossa sociedade é hipócrita, contraditória e paradoxal. Ela carrega consigo o DNA dos monstros e fantasmas em seu ventre.

Justiça deve ser justiça, mas ela no Brasil sempre foi cega e tardia. Mais uma vez, não me venham com essa de que todos são iguais perante a lei. É a maior mentira que essa lei constitucional e penal nos prega. Como umas das provas estão aí as “condenações” da Operação Lava Jato.

Os arquivos foram engavetados e todos considerados inocentes. A Operação não passou de mais uma mentira. Diziam na época que dessa vez o país iria entrar nos eixos. O que existe mesmo no Brasil é a lei da impunidade onde os ricos e poderosos sempre se safam e os pobres vão para a cadeia, quando não são executados a sangue frio pela polícia.

Não estou aqui, de forma alguma, defendendo que o homem bata na mulher, mas está chegando ao ponto em que ela pode até dar chibatas no homem e ele não pode revidar. Toda ação tem uma reação. As imagens são bem claras, mas a delegada ainda está investigando, ouvindo testemunhas e analisando. É hilário e ridículo!

Por falar em ridículo e contraditório, a novela das seis da Rede Globo “Amor Perfeito” está fazendo esse papel para agradar e fazer média (audiência) com os movimentos negros, mostrando um cenário que não era real naquela década de 1940 onde o racismo era bem mais nítido e escancarado.

A novela coloca negros em posição de destaque, como médicos, advogados, engenheiros e ainda a classe mais baixa frequentando eventos, salões, restaurantes e hotéis de luxos, quando isso não correspondia com a realidade. Brancos namorando e se casando com negros sem nenhum olhar racista da sociedade burguesa.

Aqui no Brasil criou-se um clima de animosidade e extremismo alarmante entre classes, cor da pele e gênero quando não deveríamos nem estar mais falando nisso. Não estou mais me referindo sobre a atitude horrível da mulher que ficou bem claro seu ódio racista e menosprezo pelos mais pobres.

No entanto, existem outros fatos que carecem de racionalidade e ponderação quanto o que é mesmo racismo ou não. É que um assunto puxa o outro. Qualquer olhar, aproximação, maneira de falar ou ação, logo a pessoa está sendo enquadrada como injúria racial sujeito às penalidades da lei e até a indenizações. O mesmo ocorre com o tal do assédio moral e sexual.

Tenha cuidado no que vai falar. Tem que medir as palavras, senão você será enquadrado. Até no modo de olhar você pode ser chamado a dar depoimento numa delegacia. Numa entrevista de trabalho entre um branco e um preto, se este último for eliminado do teste, sai logo dizendo que foi racismo, quando não é bem assim.

O mesmo está acontecendo com o assédio moral onde um chefe sente até medo de exigir mais empenho do subordinado. É outra questão muito subjetiva que precisa ser melhor analisada antes que a outra pessoa seja vilipendiada, ultrajada e até sentenciada antes de ser julgada como assediador. Quando cai na mídia, meu amigo, não há mais jeito de reparar os danos.

Falo aqui também do assédio sexual, que deve ser condenado sob todas as hipóteses. No entanto, pergunto se só existe assédio sexual quando é contra a mulher. Muitos homens hoje são assediados e se sentem constrangidos por determinadas mulheres, mas o sujeito vai a uma delegacia para denunciar? Com certeza ele vai ser levado em deboche e vão duvidar da masculinidade dele.

Em muitos casos está existindo muita injustiça como as coisas estão sendo postas e termina se criando um distanciamento entre as pessoas e ativando mais a intolerância. São essas contradições e paradoxos que necessitam ser corrigidos. Como as redes sociais hoje têm uma velocidade enorme, tudo termina sendo considerado racismo, machismo, homofobias e assédios. O sujeito pode até ser linchado moralmente sem ter cometido o “pecado”.

Quem se lembra do caso da Escola de Base, em São Paulo, onde uma família foi toda destruída por ser acusada de pedofilia no estabelecimento de ensino? Portanto, está se criando um ambiente de animosidades e separações absurdas na sociedade num simples gesto e atitude, sem a intenção de discriminar o outro. Tudo agora virou preconceito, desder uma opinião mal interpretada.

 

 

“FLUXO E REFLUXO” XIV

AS BANDEIRAS E OS PASSAPORTES DUPLOS NO TRÁFICO NEGREIRO ILEGAL

Os traficantes negreiros baianos, o mais famoso era Francisco Xavier de Souza, o Xaxá de Uidá, usavam de vários artifícios para burlar a vigilância dos cruzadores ingleses contra o tráfico, tanto na costa brasileira como africana e no mar. Os embarques e desembarques eram feitos em locais distantes e ermos dos portos tradicionais.

Entre as trapaças se destacavam as bandeiras estrangeiras em navios do Brasil, como a portuguesa, espanhola, alemã, francesa, norte-americana, escocesa e as de outros países (a exceção era a Suiça)l, bem como passaportes duplos para enganar a proibição do tráfico selada nos acordos e tratados com Inglaterra, Portugal e o Brasil.

Veja o que escreveu o cônsul geral da Inglaterra no Rio de Janeiro, Chamberlain, para uma autoridade brasileira, em outubro de 1824: “Recebi instruções para fazer saber à Vossa Excelência que os comissários de Sua Majestade em Serra Leoa fazem frequentemente representações para seu governo a respeito dos perniciosos efeitos da prática das autoridades brasileiras, que dão aos vasos (navios) com destino a Molembo para o comércio de escravos  a permissão de fazer escala nas ilhas de São Tomé e Príncipe.

Com tal permissão, esses vasos têm uma desculpa para serem vistos perto da Costa dos Escravos, ao norte do equador, e em geral se aproveitam da ocasião para obter carregamento de negros naqueles lugares onde, pelas leis de todas nações civilizadas, o tráfico de escravos foi proibido. É do meu dever acrescentar que o governo de Sua Majestade espera que o governo brasileiro, agora está ciente dos males que resultam da forma pela qual os passaportes são redigidos, não perca mais tempo para fazê-los mudar”.

Essa e outras observações sobre o tráfico ilegal no século XIX estão no livro “Fluxo e Refluxo”, do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, ao descrever que nessa mesma época um cruzador inglês, nos golfos do Benin e Biafra, apresou três vasos brasileiros de nomes Minerva, Cerqueira e Creola, além de um brigue brasileiro Bom Caminho.

Haviam outorgas de passaportes para Molembo, com faculdade de fazer escala nas ilhas de São Tomé e Príncipe. Os ingleses argumentavam que se alguns vasos tocam aquela linha ao norte do Equador não são para abastecimento ou reparos de avarias e sim para pegar escravos em regiões proibidas.

Pierre Verger cita diversos exemplos de navios que pegavam rotas diferentes para driblar a vigilância no mar, quer com bandeiras estrangeiras ou passaportes duplos. Por volta de 1827, quatorze vasos foram apresados e condenados, fato esse que provocou reações na opinião pública da Bahia.

Os negociantes baianos forneciam dois passaportes, sendo que um levava o nome verdadeiro para ir fazer o tráfico lícito de escravos ao sul do Equador e outro para realizar o comércio de produtos africanos na Costa da Mina, ao norte do Equador. A segunda embarcação ficava na Bahia.

A total abolição do tráfico no Brasil foi decretada em 13 de março de 1830 após o tratado de 1826, mas os traficantes continuavam usando o sistema de dois passaportes. Em suas investigações, os agentes ingleses constatavam essa ilegalidade e advertia as autoridades brasileiras.

Outra saída ilegal era traficar escravos com o pretexto de serem colonos no Brasil, bem como aprendizes. Os comerciantes faziam os cativos entrarem no país com contratos para servir os importadores e seus agentes durante um certo número de anos em troca de uma determinada soma em dinheiro, para depois comprarem suas liberdades.

Também aconteceu, em 1835, a organização de uma pretensa colônia de negros africanos libertos na Banda Oriental de Montevidéu, com a única intenção de reexportá-los para o Brasil. Em 1841 chegaram 24 negros na Bahia vindos da ilha de São Tomé, munidos de passaportes daquele governo, com o título de colonos.

 

 

AS FLORES E AS FRUTAS

Nada mais aprazível do que você adentrar no jardim da Praça Tancredo Neves, em Vitória da Conquista, e se deparar com as flores que acalentam sua alma, como estas clicadas pelas minhas lentes. Elas são como bálsamos para suas feridas abertas pelos problemas e desafios do seu dia. Exalam perfumes da natureza fresca e têm o poder de contrastar com essa selva de pedra agitada do corre-corre. Ainda bem que temos plantas, árvores e flores nas cidades, mas muitos passam avexados em nem param um pouco para se desafogar e sentir o alívio que elas propiciam ao seu espírito. É bom ter momentos de reflexão e conversar com as flores.

Outro colorido que também faz bem à alma e ao corpo são as frutas, de preferência as espalhadas nas bancas e barracas das feiras, uma das tradições mais antigas da humanidade onde cada agricultor, depois da sua colheita, levava seus produtos para comerciar, não por dinheiro em espécie, mas na base do chamado escambo. Tanto as flores como as frutas são saudáveis à saúde do corpo e do espírito. O homem moderno dos grandes centros costuma consumir porcarias enlatadas industrializadas e pouca importância dá às frutas naturais, se bem que elas hoje estão tão caras que somente os de maior poder aquisitivo têm acesso. A maioria das nossas frutas são originárias da agricultura familiar que coloca o alimento na mesa do brasileiro, bem diferente dos plantadores de soja e pecuaristas que visam tão somente o mercado externo por causa dos lucros. Uma mesa deveria ser composta de flores e frutas.





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