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TÃO FALADO E ODIADO!

Autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário

Terra árida nordestina,

Do Assaré retirante,

Na “Triste Partida”

Da sua terra, amante,

Sou essa gente latina,

Tão falado e odiado

Por andantes trovadores,

Cordelistas e repentistas,

Escritores, mestres e doutores,

Da Bahia, Maranhão ao Ceará,

De todo estado nosso irmão,

Que ultrapassaram além-mar,

Desde os tempos coloniais,

No melaço dos canaviais,

E nas manchetes dos jornais.

 

Sertão agreste nordestino,

Pelos coronéis, escravizado,

De tanta canção que nos encantou,

No voo lamentoso da Asa Branca,

Na palavra libertária do Conselheiro,

Que deu voz ao catingueiro;

Da Coluna Prestes,

Que cortou nosso chão,

Como os jagunços de Lampião,

Onde nasceram os bravos e fortes,

Com suas tradicionais culturas,

Escritas nas lápides das sepulturas.

 

Tão falado e odiado,

Sou o Nordeste,

Não sou trapo farrapo,

De nazistas sulistas,

Senhores opressores,

Imigrantes intolerantes,

Que derrubam nosso cerrado,

Com suas cercas farpadas,

E ainda sugam nossos canais,

Das águas do “Velho Chico”

E nos chamam de macaco-mico,

Seus extremistas venais.

E OS NOSSOS OUTROS APAGÕES?

NO VENTRE DA BARRIGA DA MÃE SE VIVE UM APAGÃO DE NOVE MESES. DEPOIS HABEMOS LUZ. UNS CONTINUAM SENDO ILUMINADOS E ILUMINANDO OS SERES POR ONDE PASSAM. OUTROS, INFELIZMENTE, PERMANECEM APAGADOS E PASSAM A VIDA SEM SER VIVIDA. NEM SÃO NOTADOS.

O apagão elétrico dos nossos tempos tecnológicos da era da informática e da inteligência artificial nos deixa desesperados, angustiados e ainda mais estressados. É a internet que não funciona, o metrô que para, o trânsito que fica louco sem os semáforos, os doentes que correm risco de vida nos hospitais, os alimentos que se deterioram nos frízeres; perdem-se bilhões nos negócios e até a violência com mortes aumenta nas grandes cidades. Os bandidos aproveitam para cometer suas atrocidades.

Quando era menino na pequena cidade de Piritiba, lembro do velho gerador a diesel que só funcionava das 18 às 22 horas, como se marcasse a hora de se recolher para dormir. A molecada não ligava e fica na rua de terra. No Império até a República eram os lampiões e, quando chegou a eletricidade, esta ainda era bem precária. Os apagões de hoje nos fazem retornar aos tempos antigos do fifó, das velas, das lenhas e de outros meios naturais.

O corte da energia nos deixa atordoados e paralisados, mesmo que seja em plena luz do dia, e nem valorizamos mais o nosso rei Sol que brilha nossos caminhos. Deixamos de louvar e abençoar o sobrenatural, o divino. Nos tornamos ingratos e cuspimos no prato que comemos.

Esquecemos, no entanto, que o nosso mundo atual vive outros apagões aos quais nem nos damos conta disso. Só nos importamos com o artificial físico que move nossos corpos gananciosos e competitivos. Para nós, o único alimento útil é somente aquele que entra pela boca. Estamos até desaprendendo a pronunciar corretamente as palavras.

Não paramos para pensar e refletir que os apagões espirituais dos tempos modernos são muito mais graves e são estes que estão levando os seres humanos ao desastre e à autodestruição. Não observamos, mas estamos vivendo no apagão da virtude, da paz, do amor, da tolerância, da preservação do meio ambiente, da perseverança, da bondade, da cordialidade, do respeito ao outro, da obediência aos pais, do bom viver, da valorização da vida, da amizade sincera, da cooperação e do perdão.

Vivemos no apagão das justiças e das igualdades sociais, de gênero e de cor, do saber e do conhecimento, da dignidade e dos direitos humanos, da liberdade e preferimos viver na escuridão da ignorância, da opressão, da ambição a todo custo, do consumismo sem trégua, do emporcalhar e desmatar a natureza, do errado que virou certo e do anormal que se tornou comum, do egoísmo e do individualismo.

Preferimos viver na escuridão da cegueira, da surdez e do silêncio, da indiferença para com os outros e nem notamos que dentro de nós falta luz porque apagamos ela como se não mais tivesse serventia. Acendemos a outra turva e sombria que nos consome, que nos torna mais brutos primitivos. Aos poucos estamos apagando a luz da razão.

O nosso mundo de hoje sofre do apagão humanitário, que mais interessa soltar foguetes aos ares do que cuidar dos bilhões que cá embaixo passam fome e miséria. Ao invés da limpeza do planeta, o mundo optou por soltar seus gases tóxicos que afetam o aquecimento global para até 50 graus. O negócio é elevar o PIB, fabricar mais armas e criar mais guerras.

O apagão energético progressista é temporário, polêmico e até conspiratório, mas existem os outros que fazemos questão de não os vês porque não queremos enxergá-los e estão dentro de nós, na escuridão das entranhas. As trevas internas do espírito são as piores e estas estão nos deixando mais desumanizados, numa sociedade mais cruel, mesmo com todas tecnologias nas palmas das mãos.

COM UMA ECONOMIA DESENVOLVIDA E AINDA CARENTE EM CULTURA E LAZER

Fotos de José Silva
Se não me engano, há quatro ou cinco anos (dois somente durante a pandemia da Covid-19), a Exposição Agropecuária de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia com quase 400 mil habitantes, simplesmente deixou de existir no histórico e famoso Parque Theopompo de Almeida.

Hoje, uma enorme área, numa localização privilegiada da cidade, está subutilizada e somente abriga por ano o Festival de Inverno, ou shows musicais, evento promovido pela TV Bahia com sua filiada da TV Sudoeste. Existem algumas outras programações de menor porte que não são da Coopmac (Cooperativa Mista Agropecuária de Conquista.

Não dá para entender essa lacuna deixada pelos empresários responsáveis pelo equipamento, enquanto outros municípios da região, como Itapetinga, Jequié, Guanambi, Brumado e até nossa Belo Campo continuam a realizar suas exposições que são utilizadas na promoção de grandes negócios, sem falar no entretenimento e no lazer que proporcionam à nossa população em geral.

A Exposição Agropecuária de Conquista já recebeu vários ministros de Estado, como Allysson Paulinelli e presidentes da República, como João Goulart por volta de 1962 e viveu seu auge de prosperidade quando da introdução da cultura cafeeira em meados dos anos 70 e início da década de 80.

Lembro das memoráveis exposições com aquele parque superlotado com gente vinda de todas as partes da Bahia e do Brasil, além dos parques de diversão, leilões de gado e equinos, um grande número de animais e a Feira de Negócios e Cursos do Sebrae. Ali sempre foi local de encontro de amigos e famílias com suas crianças nos finais de semana.

Estou citando esse grandioso evento para dizer que Conquista é uma das cidades do Norte e Nordeste que mais se desenvolveu economicamente nos últimos anos e está no ranking do alto nível no setor de saneamento básico, bem como da educação, com destaques para várias universidades (estadual e federal), faculdades e na saúde no atendimento a tratamentos de alta complexidade.

No entanto, Conquista ainda deixa muito a desejar no quesito de cultura, entretenimento e lazer. Não estou aqui nem falando em turismo porque não temos muita coisa para mostrar pois não dispomos do suporte cultural para atrair os visitantes.

Sem contar alguns poucos locais e algumas raras atividades no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, nos finais de semana os conquistenses e o visitante não tem muita opção, a não ser os bares e restaurantes que oferecem músicas ao vivo.

Não vou aqui me estender porque sobre esse assunto temos muito mais coisa para falar. Cada um que faça sua análise e apresente seus argumentos de contestações, ou mesmo acrescente mais fatos.  Volto a repetir, mais uma vez, que nossos equipamentos culturais permanecem fechados necessitando de urgentes reformas, sem apontar que nem temos uma feira literária em nosso calendário.

 

 

 

 

ESSA DIFÍCIL VIDA NOSSA DE CADA DIA!

De tanto ver tanta violência e crueldades, de tanto o homem destruir a natureza para mais consumir, de tanto ódio e intolerância, de tanta politicagem, de tantas catástrofes e tragédias pelo mundo num prenúncio do apocalipse, o ser humano vai perdendo a fé e a esperança de dias melhores, e a palavra otimismo vai ficando escassa em nosso dicionário.

O tempo parece passar cada vez mais rápido e temos que encarar essa difícil vida onde cada dia tem que se matar vários leões para sobreviver, principalmente os mais pobres, de menor poder aquisitivo, que têm que lidar com as contas a pagar e se virar para colocar o alimento na mesa. As desigualdades sociais são assombrosas e a concentração de renda só aumenta.

Apesar de todo esse quadro sombrio cheio de nuvens pesadas que nos rondam, a vida ainda vale a pena ser vida quando se busca a paz e o amor e se procura isolar a inveja, a maldade contra os outros e desejar bem ao mais próximo. Só assim podemos enfrentar essa vida difícil.

Quando olhamos ao nosso redor, não é nada fácil juntar forças para manter o ânimo e encarar as adversidades. As pessoas estão cada vez mais brutas e preferem usar seus instintos primitivos do que a razão. Não paramos para refletir que esse sistema que fica cada vez mais embrutecido fomos nós mesmos que o construímos com nosso individualismo, comodismo e falta de indignação contra as injustiças sociais.

Nos dias atuais, chegamos ao ponto onde só reagimos quando o mal nos atinge, quando alguém da nossa família é vítima de uma bala perdida ou quando nos é negado um atendimento médico e alguém do nosso convívio familiar vem a óbito.

Nos tornamos mais insensíveis diante de tantas notícias de extermínio, de atrocidades, massacres e gente que faz o errado e quase nada acontece por causa da impunidade. Vivemos numa sociedade dividida pelo racismo, pela xenofobia, pela homofobia e outras formas de separação, quando essas questões nem mais deveriam ser discutidas.  Depois de tantos anos ainda estamos longe do sonho sonhado de Martin Lutter King. Os movimentos, ao invés de nos unir e nos aproximar, eles nos distanciam.

 

AS FEIRAS LITERÁRIAS PRECISAM TER UMA PARTICIPAÇÃO MAIS DEMOCRATIZADA

Quando se decide organizar uma feira literária logo se pensa no convite de um, dois ou três escritores famosos de fora e nos palestrantes mais conhecidos do público. Sempre se esquece da prata da casa por considerar que não é atrativo de público e o evento pode se tornar num fracasso.

Até certo ponto isso é lógico em se tratando de mercado, maior visibilidade na divulgação da mídia e até na atração de visitantes locais e de fora, mas é preciso colocar mais o foco na democratização dos autores onde a festa vai ser realizada para que as pessoas conheçam e interajam com os novos talentos da sua cidade e região.

No entanto, quando vemos vários municípios realizando feiras literárias como agora no interior baiano, inclusive por parte de pequenas cidades, isso nos enche de esperanças e expectativas porque servem de incentivos para disseminar a leitura, principalmente entre nossos jovens que perderam o hábito de pegar um livro para ler.

Só para citar algumas cidades, como Feira de Santana, Salvador (Flipelô), Cachoeira, Rio de Contas, Lençóis, Andaraí, Caculé, Barreiras, Itabuna, Ilhéus, Mucugê, Belo Campo aqui perto de nós e outras que estão se programando para também ter a sua, como escritores isso nos deixa animados e a sensação que, até enfim, a literatura, como a músicas e outras linguagens artísticas, está sendo prestigiada e valorizada pela sociedade e os poderes públicos.

Por que não formar um consórcio de feiras literárias regionais para fortalecer o setor? Seria uma maneira de reduzir os custos e também introduzir as empresas como patrocinadoras. Está na hora dos organizadores pensarem nisso e criarem uma rede de feiras entre os municípios. Com isso, os escritores poderiam ter uma ajuda de custos para participar da festa.

As feiras literárias são por demais saudáveis para a nossa cultura, para todos aqueles que com muita luta e garra produzem suas obras, a maioria sem apoio do poder público e privado. Por outro lado, fica a frustração porque somente poucos têm condições financeiras próprias de se deslocar de suas cidades para participar dessas festas literárias.

Por isso é que falo da democratização e ajuda aos escritores locais desde seu processo de produção, divulgação e distribuição até o apoio financeiro para se fazer presentes nas feiras.  Para ser mais claro, como um escritor ou poeta independente, sem recursos, pode sair de Vitória da Conquista para ir divulgar suas obras em Salvador, Feira de Santana, Barreiras, Ilhéus ou Itabuna?

Bem que todos gostariam de mostrar seu trabalho e, ao mesmo tempo, adquirir mais conhecimento e aprendizagem de como os outros estão lidando com suas dificuldades inerentes ao fazer literatura. É, sem dúvida, uma troca de informações. Está faltando esse intercâmbio entre as organizações das cidades para que haja um engajamento de autores, de forma a enriquecer e democratizar mais a arte literária.

Se está ocorrendo uma onda de feiras é porque delas estão saindo bons resultados socioeconômicos, como nos festivais de músicas, bem como na divulgação das cidades, especialmente se ela tem vocação turística. Porém, é necessário que essas feiras sejam mais democratizadas e socializadas porque no fim todos ganham.

Gasta-se muito com a contratação de escritores já consagrados, com estruturas até sofisticadas, com embalagens exageradas e não se tem dado o devido espaço para os autores regionais. Por que o poder público não oferece uma ajuda de custo aos seus escritores locais (nem todos) para que estes representem a cultura de sua cidade em outro município, ou que se faça um intercâmbio entre as diversas feiras?  Garanto que todos saem ganhando, inclusive as populações em geral.

As feiras têm que ser menos fechadas, mais abertas e democráticas e não somente premiar os “grandes” já conhecidos. Existem muitos talentos escondidos por falta de oportunidades, como aqui mesmo em Vitória da Conquista que deve seguir o exemplo dos outros municípios e realizar sua feira literária, não aquela com viés totalmente político e eleitoreiro onde somente poucos têm acesso.

Como modesto jornalista, escritor e agora tateando na poesia, como minhas obras de contos, poemas, causos, prosa, inclusive no gênero de ensaios históricos, me sinto mais otimista com essa onda de feiras literárias, se bem que, infelizmente, não posso ir em todas como desejaria. É por isso que defendo a união ou uma associação de escritores conquistenses para possibilitar a participação de nossos companheiros nessas feiras.

O mais importante nisso tudo é que a nossa mãe literatura, alicerce para todas as outras linguagens, está sendo lembrada e valorizada, sem contar o estímulo que esses eventos proporcionam para que as pessoas, jovens e idosos retornem ao antigo hábito da leitura. Essas feiras devem ser compartilhadas entre as secretarias de Cultura e Educação.

 

GALERIA VAZIA

Existem certos locais onde os negócios não conseguem funcionar por muito tempo. Um desses espaços em Vitória da Conquista é a Galeria Dom Climério onde, às vezes no ano, os boxes estão ocupados e logo voltam a ficar vazios. Atualmente só está funcionando uma loja da própria Arquidiocese e outra de informática, xerox e encadernações de apostilhas. Qual explicação para as empresas que ali se instalam demorarem pouco tempo de vida empresarial?  Falta uma boa administração do prédio? E olha que a galeria por ser bem central tem uma boa movimentação de gente entre as ruas Zeferino Correia (próximo da Praça Tancredo Neves) e a rua coronel Gugé, na Câmara de Vereadores. Existe alguma coisa de errado.  Nossas lentes flagraram muitas placas de “Aluga-se” e o corredor vazio.

COISA

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

“Uma coisa é uma coisa,

Outra coisa é outra coisa”.

 

Tudo que se faz,

É inspirado numa coisa,

Como esta coisa.

 

Coisa pode ser

Masculino ou feminino,

Substantivo, adjetivo e advérbio,

Até verbo.

 

Tem o coisa ruim,

Que é o capeta belzebu;

Tem a coisa boa,

Que pode ser tanta coisa.

 

Vou lhe contar uma coisa,

Que você não pode revelar,

Então não me conte sua coisa.

 

Cante aí nessa viola,

Uma canção MPB, samba ou forró,

E não me deixe aqui,

Com essa coisa só.

 

Rapaz, me deu aqui

Uma coisa na espinhela,

Não seria na costela?

 

Estou com uma virose,

Pode ser qualquer coisa.

 

Tenho uma coisa por ela,

Que não sei explicar essa coisa.

 

Não me venha com essa coisa,

Que já estou cheio de tanta coisa,

E não vou mais falar dessa coisa,

Porque você está sendo chato

Com tanta coisa.

 

Mostre sua coisa,

Que eu mostro minha coisa.

 

Me dê sua coisa,

Pra eu dar uma tragada,

Quero ficar doidão com essa coisa.

 

Sua coisa é de primeira

Não é da misturada.

 

Vá pra lá com sua coisa,

Que fico com minha coisa,

E quem quiser,

Que acrescente outra coisa.

SESSÃO DA CÂMARA CONDENA A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Costumam dizer que o Brasil tem uma grande dívida social para com os negros que durante 350 anos foram escravizados e para com os povos indígenas que foram explorados e massacrados desde a chegada dos portugueses há 523 anos.  Por que não também com relação às mulheres que durante anos foram subjugadas pelo patriarcalismo e consideradas como inferiores?

No entanto, os tempos estão mudando e algumas políticas públicas estão fazendo pontuais reparações. No dia de ontem (09/08), a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista realizou uma sessão mista para lembrar os 17 anos da Lei Maria da Penha e condenar a violência contra as mulheres.

Durante o evento, a vereadora Viviane Sampaio, do PT, fez um pronunciamento da tribuna onde condenou os atos de violência contra as mulheres e cobrou do poder executivo a implantação de políticas, não somente de proteção física, como no âmbito econômico e social.

Na ocasião, os vereadores aprovaram uma proposição no sentido de que a prefeita Sheila Lemos crie a Secretaria das Mulheres com uma dotação orçamentária em torno de 10 milhões de reais. Outra indicação foi de que a Prefeitura Municipal construa a sede dessa Secretaria na área onde foi derrubado o Clube Social.

Pela sua dimensão e localização estratégica na cidade, entendo que aquele espaço não deve somente ser aproveitado para uma Secretaria. Ali deveria abrigar diversos equipamentos multiuso, inclusive a Biblioteca Municipal que fica escondida lá no Conquistinha, dificultando o acesso de estudantes, professores, intelectuais e interessados pela leitura e pela pesquisa.

Quando as mulheres, que sempre foram oprimidas e somente tiveram direito a votar em 1932, sem contar a exclusão do mercado de trabalho por serem consideradas de segunda classe, não restam dúvidas que a dívida é alta, como dos negros e indígenas. A sessão mista, presidida pelo parlamentar Hermínio Oliveira, também aprovou outros projetos (títulos de cidadãos conquistenses) e moções de aplausos.

No tocante aos negros, o último censo do IBGE traz dados importantes sobre o número de quilombolas no Brasil, estimados em 1,3 milhão de brasileiros, tendo a Bahia como primeiro estado que abriga 397 mil pessoas, vindo em seguida o Maranhão. Dos 1,3 milhão, 70% estão no Nordeste. Na Bahia chamou a atenção o município de Bonito, na Chapada Diamantina, com mais de 50% da população se identificando como quilombola.

Sobre os indígenas, as estatísticas do IBGE apontaram cerca de 1,7 milhão. Na Bahia, o segundo estado com mais povos originários, a população quase quadruplicou, com um total de 229.103. A maioria habita a região sul do estado, onde se encontram aldeias das comunidades Pataxó e Truká, em Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália, Ilhéus, Pau Brasil e Prado. Pela pesquisa, 14 grupos indígenas residem no estado.  

 

 

 

MAIS DECEPÇÕES QUE TERMINAM NOS EMPURRANDO PARA O DESCRÉDITO

Nesse país, os séculos de história e os anos de vida sempre nos levaram a mais decepções, especialmente na política, que terminam nos levando ao descrédito para aquela velha frase comum de que “o Brasil não tem jeito”, embora os mais otimistas ainda acreditem o contrário.

No dia a dia a gente sente uma certa sensação de frustração e aquela vontade de se recolher em seu canto e desistir até de lutar quando se vê esses montes de leis não serem cumpridas; imperar a impunidade e as mentiras; os governos de esquerda se juntando a gente oportunista e corrupta, tudo pela tal governabilidade; a violência que só faz aumentar; o ódio e a intolerância sempre no pódio; e o luto virando o jogo contra a luta.

Não estou aqui para alimentar a depressão, mas, infelizmente, é essa a realidade quando se procura ser sério e brigar pelos direitos humanos e pela redução das desigualdades sociais. Até no convívio pessoal entre os ditos “amigos” sofremos as decepções por causa das falsidades, do doentio individualismo e daquela letargia de apenas cada um cuidar de si.

Tudo isso é um reflexo dos nossos políticos e governantes que não dão o devido exemplo. A grande maioria faz as promessas e, de tanto nos enganar, a população não mais acredita neles e dizem não querer saber de política. Vamos passando o tempo na base da enrolação e no faz de conta de que as coisas estão funcionando. A alienação política (muitos têm raiva quando se fala nessa palavra) vai levando essa gente para o consumismo, como se isso fosse o ponto de partida para a felicidade.

Nos endividamos sabendo que lá na frente tem o desenrola e assim esse ciclo vicioso vai se repetindo todos os anos. Defendemos o meio ambiente, mas jogamos lixo no mar, nas ruas e até admitimos o desmatamento para plantar soja e criar boi para exportar os produtos para o mercado externo. Participamos de campanhas solidárias com certa contribuição financeira, mas quando vemos um ser humano caído na rua passamos indiferentes. Cortamos o outro lado para não vermos a miséria estampada nas calçadas e marquises.

Agora mesmo estava acabando de ler num jornal que por ano o mundo produz 480 milhões de toneladas de plásticos e que 8,3 bilhões somente em 2022. A previsão é chegarmos a 13 bilhões até 2050. O Brasil está entre os cinco maiores produtores mundiais de lixo plástico e recicla apenas 1%. Grande parte é jogada no mar. Petrolíferas estão querendo explorar mais petróleo na Amazônia.

Não acreditamos nos governos, não importa a tendência ideológica. Não queremos saber da nossa história passada. Por isso estamos sempre repetindo os erros, como loucos. Estamos perdendo nossa memória para a inteligência artificial, para tornarmos robôs. Imitamos as culturas alheias superficiais dos super-heróis. Damos mais valor ao que vem de fora do que ao nosso nacional. Assim fica difícil construir uma verdadeira nação se não temos uma soberania própria.

Que me perdoem, mas minha fala é um desabafo e uma provocação. Posso até incomodar muita gente que não quer parar para pensar e refletir nessas questões. O negócio é seguir em frente e não olhar para trás. Ah, nem quero saber dessas coisas! Vou me aporrinhar com isso, se tenho outros problemas pessoais!  Até parece que não vivemos em sociedade. Só gritamos e choramos quando somos atingidos pelas injustiças sociais.

BONS VENTOS PARA A CULTURA

Com a Lei Paulo Gustavo e outros editais saindo por aí, bons ventos estão soprando a favor da nossa cultura que ficou adormecida nos últimos quatro anos. Em Salvador, por exemplo, a classe artística está animada.

De acordo com informações publicadas por um jornal da capital, estão chegando sete editais de fomento das diversas linguagens para a cultura. Esses editais estão contidos no pacote de ações que fazem parte do investimento da Prefeitura Municipal de Salvador, com parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura e a Fundação Gregório de Mattos (Conquista já deveria ter a sua).

As inscrições estão previstas para serem abertas neste mês de agosto com término em setembro. Os recursos são oriundos do Governo Federal e do próprio município no total de 50 milhões de reais. O presidente da Fundação, Fernando Guerreiro, disse que vai reunir um conjunto de mapeamento, informações e estatísticas da realidade cultural de Salvador.

Estamos vivendo uma onda positiva no setor cultural, afirmou Guerreiro. Na pandemia a prefeitura viabilizou benefícios às pessoas necessitadas, mas ninguém sabia que se encaixava nos determinados segmentos. “ O que pretendemos agora é ter um raio x do segmento cultural”.

Destacou que, pelo menos, 69 projetos divididos em três incisos vão ser contemplados. Nesse caso o investimento total é de pouco mais de 20 milhões, sendo 15 do Governo Federal via Lei Paulo Gustavo e mais cinco milhões de suplementação com recursos próprios do poder executivo.





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