A QUESTÃO DO RACISMO NO BRASIL
É um assunto delicado e polêmico, porque todo cuidado é pouco para você não ser mal interpretado e até servir de peça para um processo. Mais de 300 anos de escravidão deixaram marcas que jamais podem ser apagadas e ainda hoje se vê atitudes, comportamentos de ódio e menosprezo ao ser humano tão somente por causa da cor negra de uma pele.
No entanto, está existindo uma onda perigosa do tipo indústria do racismo onde qualquer gesto, olhar ou palavra são logo caracterizados como racismo e injúria racial. Isso pode levar a um distanciamento entre as pessoas e até de animosidade. Nem tudo pode ser logo criminalizado como racismo.
A mídia tem muito contribuído para alardear com um toque sensacionalista determinados fatos como procedimento racista, sem antes fazer seu papel elementar de apurar os acontecimentos com imparcialidade. É evidente que as imagens de xingamentos, como chamar o outro de macaco e fedorento, agressões físicas e verbais contra outra pessoa só porque ela é negra, não deixam dúvidas quanto à prática de crime.
O que pretendo chamar aqui a atenção é que está havendo exageros e nem tudo está ligado ao ato racista. Cito aqui o exemplo da professora que insistiu em não despachar a mala na área de embarque do aeroporto e ainda dentro do avião se alterou numa discussão com membros da tripulação.
Por questões de normas estabelecidas pelos órgãos de aviação, principalmente depois dos atentados do 11 de setembro nos Estados Unidos (considero rígidas demais), a professora foi proibida de prosseguir sua viagem. Aqui não cabe mencionar qual cargo ou função o passageiro exerça.
Em nenhum momento a mídia televisiva mostra esse ponto, a outra versão do caso e nem os motivos reais que levaram a empresa a agir daquela maneira. Diante do exposto, em minha opinião, não vi nenhuma consistência para cravar que houve uma intenção direta de racismo ou injúria racial por parte dos funcionários da Gol.
Não é porque a pessoa é negra ou preta que ela possa descumprir as regras de um estabelecimento ou prestador de serviços e não ser advertida e punida. Os racistas precisam ser punidos de acordo com as leis, mas que haja uma separação daquilo que é tipicamente racismos do que não é, senão vamos alimentar mais ainda um ambiente de ódio e extremismos.
A mídia, como formadora de opinião (muitas vezes tem agido de forma irresponsável e até criminosa) tem por obrigação ser correta na informação. Deve apurar e mostrar todas as versões dos fatos, e não ser tendenciosa, com intuito de angariar simpatia e audiência. Além de enganar e confundir, ela está prestando um desserviço.
É TUDO UMA DEMAGOGIA PARA NÃO CORTAR AS MORDOMIAS DOS PODERES
Grande coisa o governo federal isentar do imposto de renda quem ganha até R$2.600,00 e promete chegar até R$5.000,00. Para os tempos bicudos atuais de inflação em alta, essas cifras não passam de merrecas. É tudo uma demagogia para encobrir as mordomias e benesses dos três poderes (os servidores do executivo vão ter aumento de 9%).
Numa economia como a nossa, que cambaleia pra lá e pra cá, dar aumento do salário mínimo acima da inflação, com mais a média do PIB (Produto Interno Bruto) pode ser uma faca de dois gumes. O capitalista empresário, que só visa o lucro, vai repassar esse índice para os preços de seus produtos e aí tudo se dilui no custo de vida. Com inflação, a economia não gira, retrocede.
Acima dessa reforma tributária, o Brasil precisa é de uma administrativa, política e eleitoral, mas eles lá de cima não querem nem saber falar nisso. São 513 deputados e 81 senadores que consomem 15 bilhões de reais por ano, sem falar nas assembleias e nas câmaras de vereadores que estão entupidas de parlamentares. No judiciário tem magistrado com bônus e outras regalias ganhando 200 e 300 mil mensais
Os maiores problemas do Brasil estão no Congresso Nacional e no sistema eleitoral arcaico coronelista. Jogam tudo isso por debaixo do tapete e enganam o nosso povo com essas reformas que mantém o nosso país na mesma situação, ou até pior. O povo sempre paga o pato e carrega toda carga nas costas.
Um exemplo claro foi a reforma trabalhista, ou melhor escravista, que deixou o trabalhador garroteado. Na época, toda classe do empresariado aplaudiu, porque amordaçou e escravizou o empregado. Por que o Governo Lula não toca nesse assunto? Quem não é “burro” sabe muito bem o motivo.
O valor dessa isenção do imposto e aumento do mínimo são irrisórios diante dessa inflação em alta. É o mesmo que dar com uma mão e tirar com a outra. Por que eles lá de cima não cortam na própria carne através de uma reforma administrativa? É o poder que está em jogo, meu camarada! A direita, o centro e nem a esquerda querem saber disso. Preferem deixar tudo como está mesmo e, enquanto isso, vamos enrolando a população com migalhas e demagogias.
O que o trabalhador tem nos dias de hoje para comemorar o Dia do Trabalho? Até as conquistas da era de Getúlio Vargas e Jango, com a CLT, mesmo fascista, foram roubadas e vilipendiadas com a reforma escravista no Governo Temer, o mordomo de Drácula. Milhões se sujeitam a trabalhar sem carteira assinada, em regime temporário, em situação precária e com ganhos abaixo do mínimo.
Tudo não passa de conversa para boi dormir, e o pior de tudo é que os sindicatos e as centrais pelegos ficam calados. Na França os trabalhadores têm uma jornada menor, mais benefícios e se aposentam mais cedo. Mesmo assim, eles estão lá brigando por mais. Aqui nos contentamos com o pouco e até aceitamos cortar muitos direitos obtidos há anos.
CULTO À MEDIOCRIDADE
Um marqueteiro virtual em uma palestra disse que para você passar uma mensagem só precisa saber o mínimo de português. O que mais interessa é transmitir a mensagem, não importa se truncada, com erros ortográficos, pronominal ou de concordância.
Sua visão vesga não é nenhuma surpresa para os tempos atuais do endeusamento das novas tecnologias que pregam o culto à mediocridade. Você não precisa mais saber de história, de conhecimentos gerais, de geografia e nem da tal filosofia que afina seu raciocínio do penso, logo existo.
A tendência é que as escolas passem a abolir essas disciplinas porque, como muitos já dizem, elas na prática não lhe servem para nada. O negócio é apenas ser um técnico numa determinada profissão para ganhar dinheiro no mercado on-line da internet.
O culto à mediocridade despreza o saber desenvolver uma redação, uma dissertação, interpretar um texto, ser argumentativo e opinativo. Hoje o usual é o copiar e colar. Não precisa entender. Por que o português é o bicho papão nas provas do Enem?
Em todas as redes sociais, com linguagens codificadas que eu não consigo captar, as tais “mensagens” estão cheias de erros bárbaros. O nome disso é assassinato da nossa língua. Nas portas das lojas os nomes e as propagandas são todos em inglês. Até parece que você está na Inglaterra ou nos Estados Unidos.
Esse culto à mediocridade não está tão somente no ensino público, cada vez mais em decadência. Está visível nas pessoas e em todo país onde tudo se copia e nada se cria, como nos eventos e festas comerciais. De autêntico só temos mesmo o forró e o samba.
No Brasil colonial, o charme era imitar os franceses em tudo, e de lá vinham as etiquetas, os costumes, hábitos, os talheres, xícaras, pratos e, principalmente, a moda. No Brasil República passamos a trazer tudo dos Estados Unidos.
A mediocridade também está impregnada na política, na vida social, na falta de cordialidade para com o outro, na falsidade quando você diz ser amigo-irmão do outro somente por interesse. Basta você dar as costas ou cair em desgraça que a pessoa nunca mais lhe procura. Está até na “falta de tempo” para dar um alô e saber como o outro está passando.
No emprego ou no cargo do “quem indica”, não mais importa a meritocracia. Vale muito mais a bajulação e que você seja servo em tudo, como um vassalo ou súdito do rei. O assessor do político não mais corrige seu comportamento, apenas diz amém a tudo. Isso também é prestar culto à mediocridade.
Nem vou mais me alongar porque, como bem sabemos, quase ninguém se dedica à leitura. No mínimo passa as vistas numa manchete ou num título. E é tão rápido que a pessoa ler errado e sai por aí falando besteiras e fazendo perguntas idiotas. Não passamos de uma ilha cercada de mediocridades.
O LIVRO “NA ESPERA DA GRAÇA” FOI LANÇADO DIA 27 NA LIVRARIA NOBEL
Não são textos pandêmicos, mas, em sua maioria foram inspirados durante o período da pandemia da Covid-19 (2020/22) quando as pessoas estavam angustiadas, isoladas e até desesperadas na espera de uma graça para se livrar do vírus.
A obra “Na Espera da Graça – Entre Engaços e Bagaços”, textos poéticos do jornalista e escritor Jeremias Macário, foi lançada em março, na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves) e no último dia 27 de abril na Livraria Nobel, da Avenida Otávio Santos.
Quem não teve condições de comparecer ao evento, o livro pode ainda ser ainda adquirido na própria livraria, bem como outros trabalhos do autor, como “Uma Conquista Cassada”, “Andanças” e “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste”.
O título “Na Espera da Graça” foi exatamente inspirado numa letra musicada pelo companheiro músico, cantor, poeta e compositor Walter Lajes, em sua viola mágica no ritmo do boi em diversos festivais.
Outros versos da obra também foram musicados por artistas locais e do Nordeste, como Edilsom Barros, de Fortaleza (A Dor da Finitude) e Antônio Dean, de Campina Grande (Lembro Ainda Menino e Minha Filha Cintia). Outras letras foram musicadas por Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.
Além disso, diversos poemas foram gravados em vídeos com minha esposa Vandilza Gonçalves e meu amigo José Carlos D´Almeida, que resultaram em dois curtas metragens, um dos quais premiado pelo edital da Lei Aldir Blanc, lançado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
Para finalizar, o livro contém o capítulo “Entre Engaços e Bagaços”, um épico sobre o nosso resistente Nordeste. Trata-se de uma viagem que o autor faz a partir do Maranhão, descendo pelo Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e a Bahia onde são louvados Câmara Cascudo, José de Alencar, José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Tobias Barreto, Rui Barbosa, Gregório de Matos, Jorge Amado e tantos outros.
“FLUXO E REFLUXO” XVII
PRINCIPAIS COMERCIANTES DA BAHIA QUE TOMARAM PARTE NO TRÁFICO CLANDESTINO DE ESCRAVOS
No início do século XIX quando, através de tratados, convenções e acordos com a Inglaterra o tráfico de cativos foi proibido, os maiores centros comercias eram a Bahia e o Rio de Janeiro.
No livro “Fluxo e Refluxo”, Pierre Verger abre um capítulo onde aponta os maiores traficantes ilegais, com destaque para Francisco Félix de Souza, o Xaxá de Uidá, como era mais conhecido. Naquela época, segundo Verger, esse comerciante era considerado o homem mais rico da terra.
Esses traficantes eram vistos como úteis e desejáveis para o bem maior da economia nacional. “Eles tinham, consequentemente, “boa consciência”. A correspondência oficial brasileira fala “de um comércio triste”, mas o único capaz de fornecer os braços indispensáveis para as minas e para as culturas do Brasil”.
O autor assinala em sua obra que os navios apresados pelos ingleses geralmente iam para a Serra Leoa onde se dava o julgamento dos traficantes. Libertados, esses negros terminavam seguindo para as Antilhas britânicas como trabalhadores livres. No entanto, de acordo com historiadores, eles não eram consultados para onde queriam ir.
Comerciantes baianos acumularam fortunas, tanto com o tráfico de escravos quanto em outras operações comerciais, como José de Cerqueira Lima, Antônio Pedroso de Albuquerque, José e Joaquim Alves da Cruz Rios e Joaquim Pereira Marinho. Este era outro rico que chegou a ser provedor da Santa Casa da Misericórdia. Até hoje tem uma estátua dele em frente do Hospital Santa Isabel.
Muitos passavam uma parte do seu tempo na Bahia e outra no Golfo do Benin, como André Pinto da Silveira e Manuel Joaquim D´Almeida. Existiam ainda aqueles que viviam completamente instalados em Benin, os casos de Francisco Félix de Souza, Domingos José Martins, Marcos Borges Ferras, Joaquim D´Almeida e José Francisco dos Santos (o Alfaiate).
Muitos capitães de navios negreiros se tornaram proprietários de vasos comerciantes, como Inocêncio Marques de Santa Anna, antigo intérprete da embaixada do rei do Daomé, em 1805. Verger cita também João Cardosos dos Santos que, de 1825 a 1827, chegou a ser capitão do Henriqueta pertencente a José de Cerqueira Lima.
Mais tarde, este capitão passou a ser dono da goleta Umbelina. Em 1829 ele tirou um passaporte que lhe permitia trazer de Cabinda 358 escravos, só que ia para outro local proibido acima da linha do Equador. Em Lagos, por exemplo, ele embarcou 377 cativos. Sua embarcação foi capturada em 1830 e levada para Serra Leoa. Nessa travessia morreram 214 negros.
O grande nome do comerciante daquela época de 1824, conforme relata o governador Francisco Marques de Góes Calmon era José Cerqueira Lima, com um enorme tráfico de importação de escravos da costa ocidental da África, proprietário do pequeno palácio no Corredor da Vitória, que conhecemos durante muitos anos como palácio presidencial dos presidentes da província e, em seguida, dos governadores, no momento da República.
Aquele imóvel comunicava com a praia por um longo subterrâneo que servia de passagem aos comboios de escravos. Ele mandou abrir um subterrâneo, a fim de poder fazer vir com segurança sua mercadoria para terra desde o mar, tendo em vista que o tráfico não era mais permitido. Esses e outros eram riquíssimos que possuíam mansões luxuosas, móveis da Europa e pratarias em ouro.
O LÁPIS E O CONSELHO
Quem nasceu primeiro, o lápis ou a pena do tinteiro? Talvez nem um e nem o outro. Na civilização mesopotâmica e egípcia, do vegetal se extraia a tinta e se utilizava algum instrumento rústico, que não eram chamados de lápis e pena para fazer anotações e escrever as histórias em tábuas de barro e papiros. Da evolução antiga para os tempos mais modernos, o lápis e a pena de tinta guardam lembranças na memória de muitas gerações que aprenderam a ler e a escrever com essas invenções. Hoje, embora se faça quase tudo através do teclado do computador (antes era a máquina datilográfica), é a caneta que ainda é empregada para assinar documentos, tratados, contratos, convenções e emitir sentenças de juízes, empresários e até por pessoas simples no ato de compra e venda de algum bem.
Mas, onde entra mesmo essa história de Conselho? É um grupo de gentes notáveis que usas de vários objetos para, deliberar, criticar, aprovar, fiscalizar, julgar e sentenciar um réu ou ente público e privado, sem que antes não tenha passado por uma peça documental assinada pela caneta, que veio do lápis feito da madeira com a introdução de um material da espécie do carvão. Essas duas figuras, tão importantes na história da humanidade (o Conselho pode ser também um Tribunal), estão em forma de esculturas no Museu de Kard, do grande artista conquistense Alan Kardec. Essas e outras artes estão lá neste museu a céu aberto que muito orgulha a nossa cidade, embora não tenha sido citado no folheto turístico de Vitória da Conquista, lançado recentemente pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Uma pena que o museu não tenha sido incluído no roteiro do visitante, que o órgão pretende promover para atrair o turista da região e de outros estados.
SOMBRA ARTIFICIAL
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Sonhei que era uma sombra,
De um primitivo passado,
De antigos ancestrais,
De atraso e evolução;
Um ente invisível global,
Fora do corpo, com razão,
Sem o emotivo sentimental.
Era mesmo uma sombra,
De inteligência artificial,
Uma cópia do carbono,
Dentro de um longo sono,
Na forma de outro animal.
Sonhei ser a deusa Atenas,
Das penas dos sábios imortais,
Sombra parida do cristão-judaico,
Dos imperadores romanos generais,
Das trevas do pensador arcaico,
Cruzado do inquisidor carrasco,
Filha dos ideais dos iluminismos,
Saída do frasco das eras dos ismos,
Sombra anarquista-comunista,
Mistura entre direita-esquerdista.
Sonhei ser apenas uma sombra,
Que se foi no vulto da luz,
No escurecer do lenho da cruz,
Em noites de sonhos me assombra,
Essa máquina maluca artificial.
AS CPIS QUE NÃO DÃO EM NADA
É só bate-boca, aparição na mídia para ganhar mais visibilidade e voto, mais dinheiro gasto do contribuinte e depois tudo é arquivado. Os responsáveis pelos crimes cometidos continuam impunes. A mais recente que foi para apurar as responsabilidades nas possíveis compras superfaturadas de vacinas e atrasos na vacinação contra a Covid-19 é um bom exemplo disso.
Existiram tantas outras CPIs, como a do mensalão, em 2005, onde depois todos foram inocentados pela Justiça tardia e cega. Tudo não passa de uma palhaçada e um circo dos horrores que os brasileiros já estão cansados de assistir pelas redes sociais e televisão. Elas perderam totalmente a credibilidade, tanto que ninguém nem dá mais importância.
Agora estão instalando a CPI mista da Câmara e do Senado (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as invasões do oito de janeiro nos três poderes (Congresso Nacional, Executivo e Supremo Tribunal Federal), quando o próprio STF já está cuidando disso para apontar os verdadeiros culpados. Mesmo assim, tudo termina em pizza e samba, como já se diz no Brasil.
Além dessa, outras estão vindo aí para “investigar” as ações de invasões de terras do MST pelo Brasil. Tem até a das Lojas Americanas sobre o rombo que deram nas finanças da empresa. Tem outra CPI aí que agora não estou me lembrando porque são tantas!
Podemos afirmar que é uma safra de CPIs, quando o Congresso Nacional deveria sim aprovar um projeto de lei para realizar uma verdadeira reforma política eleitoral, reduzindo seu contingente de parlamentares e os custos de suas mordomais, bem como, mudar esse sistema arcaico de capitanias hereditárias no poder.
Sobre essa questão ninguém quer tocar no assunto, nem a esquerda, o centro e a direita. Todos preferem que as coisas continuem como estão onde eles utilizam a máquina e sempre se elegem. Conheço deputado, por exemplo, que já está no poder há mais de 40 anos. Esse tipo já sabe a medida certa de votos dos ignorantes e daqueles que lhe devem “favores”. De certa forma, o voto continua sendo comprado no estilo coronelista.
Quando não aguentam mais, eles transferem seus eleitores para seus filhos, sobrinhos, primos e netos como espécie de herança de bens. Transformam o público em privado. Para completar a lambança, ainda existe o senador biônico como nos tempos da ditadura civil-militar de 1964, que nunca recebeu um voto.
Quando você vota num senador existe por detrás dele um suplente na chapa que pode ser um amante ou uma amante, um parente e até um empregado seu que é pago com o dinheiro do pobre ignorante contribuinte. Ficam oito anos gozando das benesses pagas pelos otários que somos nós mesmos.
Durante as campanhas, eles nunca revelam quem é o seu suplente. O personagem ou a personagem só aparece quando ocorre um incidente ou acidente em que o eleito é impossibilitado de continuar no cargo.
Entra eleição e sai eleição, entra governo e sai governo, e tudo permanece com dantes na casa de Abrantes, ou seja, nada muda. Agora inventam esses CPIs para enganar o povo de que eles estão preocupados com os malfeitos do país quando os próprios são os malfeitores.
No final, tudo é arquivado e todos inocentados por “falta de provas”, como na Operação Lava-Jato. Esse Brasil, durante todos os meus anos de vida ainda não me deu motivos para me orgulhar dele. Não tenho nenhum receio de dizer que sinto vergonha.
UMA AÇÃO DE 30 ANOS QUE AINDA NÃO RESOLVEU O PROBLEMA DA FOME
Longe de mim criticar uma ação da cidadania de combate à fome, criada há 30 anos pelo saudoso Betinho. O mais lamentável é que depois de todo esse tempo o nosso Brasil registra hoje 33 milhões de famintos que vivem em plena miséria, dependendo de um Bolsa Família de cerca de 700 reais por mês. É bom deixar claro que, além do governo, existem ajudas de milhares de brasileiros através das doações de cestas básicas.
Não consigo entender que durante esses anos os governantes não implantaram políticas públicas sólidas, programas e projetos para se sair desse sistema de doações e esmolas. Preferem dar o peixe do que ensinar a pescar, tanto a direita como a esquerda, porque é uma forma de manipular o voto do eleitor pobre, sem instrução e ignorante.
Imaginem se nesses 30 anos tivesse ocorrido uma ação pública e privada da sociedade no sentido de priorizar a educação, desembolsando bilhões de reais, ou até trilhões, no sentido de proporcionar um ensino de qualidade para as crianças!
Certamente hoje teríamos uma geração de jovens de 25 a 30 anos bem mais qualificada para o mercado de trabalho, e a fome não teria tomado essas proporções alarmantes e vergonhosas. Nada mais estimulante do que o cidadão ganhar o pão do seu próprio suor.
Digo isso porque sou cria de uma família de pobres lavradores que vivia na zona rural, e meus pais se sentiam dignificados de ganhar seu próprio dinheiro. Meu pai, por exemplo, aprendeu a pescar aprendendo outras atividades além da roça. Quando se dá, existe a propensão ao comodismo.
Somente neste ano o Governo Lula vai gastar do Tesouro Nacional 176 bilhões de reais com o Bolsa Família. Concordo que a fome não espera, tem pressa, mas não se apresenta uma saída para tirar esses milhões da extrema pobreza. Mesmo que a pessoa receba três refeições por dia, não quer dizer com isso que ela deixa de ser pobre e dependente.
Posso até estar falando besteiras, mas se o governo investisse esses 176 bilhões em obras de saneamento básico e construção habitacional, priorizando o emprego a todo esse contingente de miseráveis brasileiros, inclusive com programas de capacitação? Não estaria realizando dois benefícios à população?
Essas ações de Bolsa Família, Auxílio Brasil e ou qualquer coisa que se dê o nome, a depender do slogan marqueteiro de cada presidente, vão perdurar até quando? Sem educação e cultura, vamos sempre continuar sendo um país em desenvolvimento, com milhões vivendo na linha da pobreza e da desigualdade social.
Até quando a nação vai suportar volumosos gastos para matar a fome, sem ativar um mecanismo onde as pessoas vivam por conta própria? Na verdade, tudo isso não passa de uma tremenda máquina de fabricar votos e deixar ainda mais o cidadão envergonhado e usado politicamente.
OS DETRITOS DA SERRA DO PERIPERI
A natureza não perdoa, devolve todo mal que é praticado contra ela. Esse enunciado é mais do que óbvio, mas o animal homem nunca aprende e continua a destruir o meio ambiente. Quando este se rebela, os pobres são os que mais sofrem com os estragos, inclusive com mortes.
Primeiro estou me referindo à depredação da Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, quando por muitos anos ela serviu de exploração de pedras e areia, derrubando mais ainda a pouca vegetação que cobria aquela área, antes uma floresta que dela só restou aquele pedaço da Mata do Poço Escuro.
Esse processo criminoso teve início com maior intensidade a partir dos anos 60 do século passado com a construção da BR-116. Quando aqui cheguei, em 1991, caçambas e mais caçambas entravam e saiam da Serra carregadas de materiais para a construção civil. Lembro das muitas reportagens que fiz denunciando o crime, sob ameaça dos exploradores.
Como a Serra ficou sem nenhuma proteção vegetal e cheia de buracos, ela começou a despejar detritos, pedras e lama à cidade todas as vezes que batem fortes chuvas, como as desse último final de semana, destruindo casas e ruas, principalmente nos bairros Panorama e Santa Cecília, conforme apontou muito bem o arquiteto Leandro Fonseca.
Em seus vídeos, como bom conhecedor do assunto, ele mostra com evidência e propriedade as causas e as consequências advindas lá do alto da Serra, bem como a necessidade urgente do poder público implantar o canal leste-oeste para escoamento das águas. Segundo ele, se isso não for feito, a situação vai perdurar por muito tempo. “Se os canais não forem executados, a tendência é piorar com a descida dos detritos da Serra”.
Fonseca alerta que se não for realizada uma macrodrenagem profissional e dentro das técnicas exigidas, vamos ter daqui para frente cenários desse tipo, atingindo diretamente o centro da cidade, como o que acontece hoje na Praça Victor Brito e Avenida Bartolomeu de Gusmão, todas as vezes que chove.
O arquiteto foi bem claro quando apontou para o alto da Serra de onde são carreados todo lixo e detritos para as partes mais baixas dos bairros que estão localizados nas encostas e depois para as ruas do centro de Conquista.
A invasão de terra e lamas das chuvas nas casas já era anunciada por muito anos quando lá atrás as máquinas perfuraram a Serra do Periperi deixando enormes crateras, sem contar que aterraram todos os pontos de minação. Imaginem que nela chegou a funcionar um lixão por muitos anos.
De volta ao ponto inicial, a natureza está apenas devolvendo o mal que lhe fizeram através da ganância de ganhar mais dinheiro. Os prefeitos e os políticos passados foram coniventes com a destruição, em alguns locais irrecuperáveis. O maior predador da Serra foi o próprio poder público.
Não é nenhuma surpresa que os danos à cidade iam logo surgir. E, como declarou o arquiteto Leandro, se não houver construção de canais de escoamento, virão tragédias maiores, não somente materiais, como também de vidas humanas.

















