CULTO À MEDIOCRIDADE
Um marqueteiro virtual em uma palestra disse que para você passar uma mensagem só precisa saber o mínimo de português. O que mais interessa é transmitir a mensagem, não importa se truncada, com erros ortográficos, pronominal ou de concordância.
Sua visão vesga não é nenhuma surpresa para os tempos atuais do endeusamento das novas tecnologias que pregam o culto à mediocridade. Você não precisa mais saber de história, de conhecimentos gerais, de geografia e nem da tal filosofia que afina seu raciocínio do penso, logo existo.
A tendência é que as escolas passem a abolir essas disciplinas porque, como muitos já dizem, elas na prática não lhe servem para nada. O negócio é apenas ser um técnico numa determinada profissão para ganhar dinheiro no mercado on-line da internet.
O culto à mediocridade despreza o saber desenvolver uma redação, uma dissertação, interpretar um texto, ser argumentativo e opinativo. Hoje o usual é o copiar e colar. Não precisa entender. Por que o português é o bicho papão nas provas do Enem?
Em todas as redes sociais, com linguagens codificadas que eu não consigo captar, as tais “mensagens” estão cheias de erros bárbaros. O nome disso é assassinato da nossa língua. Nas portas das lojas os nomes e as propagandas são todos em inglês. Até parece que você está na Inglaterra ou nos Estados Unidos.
Esse culto à mediocridade não está tão somente no ensino público, cada vez mais em decadência. Está visível nas pessoas e em todo país onde tudo se copia e nada se cria, como nos eventos e festas comerciais. De autêntico só temos mesmo o forró e o samba.
No Brasil colonial, o charme era imitar os franceses em tudo, e de lá vinham as etiquetas, os costumes, hábitos, os talheres, xícaras, pratos e, principalmente, a moda. No Brasil República passamos a trazer tudo dos Estados Unidos.
A mediocridade também está impregnada na política, na vida social, na falta de cordialidade para com o outro, na falsidade quando você diz ser amigo-irmão do outro somente por interesse. Basta você dar as costas ou cair em desgraça que a pessoa nunca mais lhe procura. Está até na “falta de tempo” para dar um alô e saber como o outro está passando.
No emprego ou no cargo do “quem indica”, não mais importa a meritocracia. Vale muito mais a bajulação e que você seja servo em tudo, como um vassalo ou súdito do rei. O assessor do político não mais corrige seu comportamento, apenas diz amém a tudo. Isso também é prestar culto à mediocridade.
Nem vou mais me alongar porque, como bem sabemos, quase ninguém se dedica à leitura. No mínimo passa as vistas numa manchete ou num título. E é tão rápido que a pessoa ler errado e sai por aí falando besteiras e fazendo perguntas idiotas. Não passamos de uma ilha cercada de mediocridades.












Bem verdade.
Obrigado Mannu Di Souza