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:: 5/maio/2023 . 23:58

QUADRAS. E VAMOS DE POESIA

Num estilo moderno e simples, linguagem por assim dizer adaptada ao mundo tecnológico virtual da internet, a jovem conquistense poetisa Ana Luz, nascida em 1989, acaba de lançar seu terceiro livro de poesia Quadras. Ela é também autora de “Poeta em Pânico” (2020) e “Fragmentos”, em 2021, em pleno período da pandemia.

Seus poemas são introspectivos com muita leveza, arrancados do interior da sua alma. Sua sensibilidade em Quadras é profunda e leva o leitor ao seu ponto de reflexão consigo mesmo. É como dar um mergulho em si, como traduz a própria capa da sua obra. Ela fala muito bem dos mistérios da vida, do amor, da saudade, do eterno e consegue ver o profundo no simples, coisa que somente o poeta tem o dom de enxergar.

Seu lançamento foi realizado na noite desta quinta-feira, dia 04/08, na Livraria Nobel, com a participação de escritores, poetas, artistas, amigos, parentes e intelectuais. Foi uma noite poética e de encontros literários, numa demonstração de que Vitória da Conquista possui grandes talentos, embora a nossa cultura ainda padeça num leito de hospital. Foi mais uma prova de que Conquista precisa instituir em seu calendário cultural uma Feira Literária.

Da sua autoria em Quadras temos Lampejo: No enorme riacho/ da criatividade,/ às vezes pesco/uma parruda fagulha; Eterno: o instante não existe,/por definição./O agora é crisálida,/lavra infinita; Sesta: Não há maior axioma/ do que a madorna pós almoço./ Sem nenhum alvoroço/(e com muita sonolência) afirmo; No Cartão: Parcelei meus anseios/ em doze vezes sem juros./ O importante/ é postergar tudo; Com Minhas Escusas: abdico do estilo/em favor da liberdade./ Melhor do que estribilho/é andar à vontade; Afagos: Prepare uma beberagem,/deixe a roupa sem passar./Enquanto lê esse poema,/ sinta-se abraçado pelo ar.

 

“FLUXO E REFLUXO” XVI

“CONDIÇÕES DE VIDA DOS ESCRAVOS NA BAHIA NO SÉCULO XIX”

O livro “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, traz uma série de anúncios classificados do Jornal da Bahia onde os proprietários de escravos notificavam as fugas de seus cativos, a maioria de negros nagôs, citando as características e traços físicos da pessoa, trajes, idades, cicatrizes no corpo (a maioria nos rostos, peitos, pés e braços como marcas das torturas), suas atividades laborais, nomes e a quantia da recompensa a ser dada a quem encontrasse o fugido da sua casa, comércio ou fazenda.

Foi a época maior dos caçadores de recompensa. No anúncio, o dono advertia processar quem do seu escravo se apropriasse ou dessa guarida.  Um fato curioso chama a atenção: O surgimento de crianças e jovens pardos de pele branca como escravos. Numa atitude hipócrita religiosa, os chefes de polícia, traficantes e até o presidente da província faziam campanhas filantrópicas para arrecadar dinheiro para alforriar o cativo por causa da cor da sua pele ser bem mais clara.

Os cativos que viviam no campo tinham melhores condições de vida e alimentação do que aqueles que trabalhavam nas indústrias e no comércio nas cidades. Mesmo assim, na zona rural tinham os patrões de menor recurso e sovinas que regravam a comida e maltratavam mais ainda seus escravos que costumavam fugir para fazendas mais ricas.

A obra “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, etnólogo e fotógrafo, destaca as diversas áreas de trabalho dos escravos, tais como os domésticos de casa (eram mais acolhidos), os de aluguel, de ganho de rua (tabuleiros de frutas e quitutes), os carregadores (gozavam de certa liberdade), os vendedores ambulantes que comercializavam mercadorias para seus senhores, os carpinteiros, músicos, barbeiros, carpinas, ferreiros, entre outras atividades.

Em Salvador, como a cidade era alta e baixa, os escravos executavam a função de cavalos e transportavam de um lugar para o outro os mais pesados produtos, usando os palanquins (redes cobertas por intermédio de uma longa vara). Depois passaram a usar as cadeiras.

Verger cita Nina Rodrigues, Gilberto Freyre e observadores viajantes que narravam as condições dos escravos na Bahia durante o século XIX. Sobre Nina Rodrigues, comenta que tinha uma tendência a mostrar o espírito de segregação e de reserva manifestado pelos escravos e alforriados: eles “ficavam segregados da população geral, no seio da qual viviam e trabalhavam, para fechar e limitar seu círculo aos pequenos grupos particulares das diversas nações africanas”. Conservavam sua língua, suas tradições e crenças.

Para os trabalhadores dos campos e das minas, segundo Verger, comprar sua liberdade era praticamente impossível. Os domésticos podiam esperar sua carta de alforria por ocasião da morte de seu senhor, em recompensa aos bons e leais serviços prestados. Os negros de ganho e vendedores ambulantes, ativos e hábeis, que tinham o direito de guardar para si uma parte de suas receitas, compravam mais fácil a liberdade. Havia uma distinção entre africanos e crioulos, negros ou mulatos.

Para Nina Rodrigues, os crioulos livres ou escravos achavam que os africanos ficavam sempre marcados por suas origens pagãs, e estes preferem a convivência dos patrícios, pois sabem que, se os temem pela reputação de feiticeiros, não os estima a população crioula. Os africanos importados pelo tráfico contra sua vontade não se integravam na vida do país e não adotavam o Brasil como pátria. Eles ficavam segregados da população em geral e se juntavam aos seus grupos.

O governo brasileiro tinha se comprometido com os ingleses a repatriar os negros de contrabando encontrados nos navios negreiros apreendidos, mas o número era tão grande que as despesas eram superiores aos recursos do Tesouro Nacional.

Muitos viajantes escreveram sobre a situação dos escravos no Brasil, como Henrry Koster, em 1809. Em sua visão, os escravos no Brasil gozavam de maiores vantagens que seus irmãos das colônias britânicas. Os muitos dias de santos da religião católica (35 dias e mais os domingos) davam aos escravos dias de repouso ou tempo para trabalharem para eles próprios.

Entre as fontes de informação figuravam os classificados e notícias dos jornais da época, nas quais Gilberto Freyre muito utilizou para elaborar suas pesquisas. Os inquéritos judiciais, como as revoltas e sublevações, continham boas informações para os pesquisadores e historiadores.

Quanto os bens móveis e gado, Verger ressalta que nos inventários das sucessões dos séculos XVII e XIX, os escravos eram uma parte prioritária do capital que figuravam nas listas antes mesmo do rebanho, dos instrumentos agrícolas e mobiliários da casa. Existiam casos de escravos que possuíam seus próprios escravos.

Os cativos das cidades (vendedores) eram obrigados a levar todos os dias uma certa quantia de seus ganhos para seus senhores. São considerados como um capital de ação que deve render lucros para seus patrões.  Depois de velhos, geralmente eram abandonados.

Sobre as condições de vida entre os do campo e da cidade, Freyre descreve que os da casa grande eram mais nutridos com feijão e toucinhos, milho ou angu, pirão de mandioca, inhame e arroz. Eram alimentos fundamentais para os escravos. Usavam também o quiabo, a taioba e outras folhas de fácil e barato cultivo, desprezados pelos senhores.

De acordo com Gilberto Freyre, os escravos das áreas mais patriarcais tiveram um tratamento, um regime alimentar e um gênero de vida superiores aos dos escravos em áreas já industriais ou comerciais, embora ainda de escravidão, distantes da relação com seu senhor, reduzidos a máquina de fazer dinheiro, principalmente no ciclo do café no Brasil.

De um modo geral, muitos escravos fugiam das casas de seus senhores na cidade para voltar para seus antigos donos no campo, seja porque não se acostumavam com a vida urbana, ou por fidelidade ao ex-senhor, bem como pela lembrança da vida “folgada” na zona rural, onde podiam dispor de pequenos terrenos para cultivar suas hortas.

 

LEMBRANÇAS DO CAMPO

Já comentei aqui sobre meu simples quintal ou minha aldeia onde pela manhã abro as portas e as janelas e me deparo com minhas flores que levam para bem longe meus pensamentos e perfumam minha alma. Elas desabrocham minhas lembranças e me fazem  voltar às minhas raízes de menino no campo onde nasci e convivi até os meus tempos de moleque. Hoje ainda estou na cidade grande por circunstâncias que não dependem de mim e, para fugir dos cotidianos problemas, fico a olhar para elas (flores) até o clímax de uma hipnose. Chegam os pássaros que entoam seus cantos como numa prece de saudação de que a vida, apesar de tudo, deve seguir o seu rito natural para fechar o seu ciclo lá na frente. O beija-flor, em sintonia com a natureza, faz seu balé dançante no bater de suas asas, enquanto alegremente se alimenta do néctar da flor e depois mergulha no ar com seu fino bico para depois repetir seu ritual poético.

LIXO ANIMAL

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Lá fora bate a garoa,

E aqui meu pensamento voa,

Nessa terra que virou lixeira,

Entulhos nos rios e no mar,

Gases tóxicos no ar,

Do lixo animal, bicho porqueira,

Que ainda não aprendeu a amar.

 

A natureza não perdoa,

Devolve tudo na cheia,

Do lixo animal,

Que se enrola em sua teia,

Nem respeita o sinal que soa,

Dos tempos do aquecimento global.

 

Vem a seca inclemente,

A fumaça da floresta a sufocar;

Derretem as calotas polares;

Sobem os níveis dos mares,

Tanto choro e ranger de dentes

Dessa estúpida gente,

A brincar de foguetes,

Pelo espaço sideral,

E o planeta a se acabar,

Com a sujeira debaixo dos tapetes,

Pelo lixo animal,

Onde o bem perde para o mal.





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