:: 24/maio/2023 . 23:19
NAS ESTÓRIAS DE NINAR CRIANÇAS SEMPRE SE COMEÇA COM “ERA UMA VEZ”…
Um passarinho de papo amarelo entrou subitamente em meu escritório e quase pousou em meu computador para contar uma estória de ninar, daquela dos pais para fazer a criança dormir, se bem que esse hábito se tornou cada vez mais raro. A agitação da vida e a corrida desumana pelo dinheiro excluíram esse afago entre pais e filhos.
Não se narram mais estórias como antigamente de reis e rainhas, príncipes, de bichos da floresta, de terras estranhas, do nosso folclore e de personagens do bem e do mal. O passarinho balançou a cabeça com o bico, como se dissesse que hoje os pais andam em correrias e quando chegam em suas casas cansados pouco falam com seus filhos ou já estão a dormir.
Nem as babás sabem contar as estórias de ninar que sempre começa com “era uma vez… um país rico habitado por indígenas que foi invadido e saqueado por um bando de depravados vindos do outro lado do mar. Aqui chegaram, estupraram as índias e começaram a levar nossas riquezas.
De lá trouxeram os piores hábitos e, entre eles, os maiores até hoje a perdurar foram a corrupção, a pilantragem política de enganar os outros com promessas falsas, não cumprir com os acordos, tratados, convenções e contratos e o vício de levar vantagem em tudo.
Nesse país criou-se o costume de os mais espertos roubarem, trapacearem, desviarem recursos dos súditos, e o rei faz de conta que nada ver. Embora os pais não sejam mais dedicados como antigamente, aqui tudo começa com “era uma vez…
De estórias para histórias, o passarinho cantou em meu ouvido que “era uma vez” uma linha férrea leste-oeste até Ilhéus, na Bahia, que já dura mais de vinte anos, cortando serras, agrestes, matas e morros, deixando um rastro de desvios de verbas, dos quais ninguém mais fala.
É mais um projeto anunciado com alardes e propagandas, cujas obras estão emperradas e não se sabe quando serão concluídas. No início, as entrevistas são sempre bombásticas com manchetes da imprensa. Os relatórios econômicos anunciam milhares de empregos e prosperidade para uma vasta região. Tudo depois é frustração.
Outra história semelhante de “era uma vez” está na ponte Salvador-Itaparica. Está ainda está nos papéis dependendo de uns acertos com os chineses que não são nada bestas quando se trata de negociar com brasileiros, famosos na arte da malandragem.
“Era uma vez”, meu passarinho, o projeto duplica BR-116 da Via Bahia que só fez um pedaço e agora está na encrenca do duplica sudoeste de passagem por Vitória da Conquista. A empresa é de portugueses que por ironia alegam que o Brasil não cumpre os acordos. O filho aprendeu com o velho pai velhaco.
Fora projetos e realização de obras, existem outras tantas histórias com início de “era uma vez”… quando se referem à nossa lenta e cega justiça que só pune os pobres. Nesse campo dos malfeitos e das roubalheiras, são incontáveis um “era uma vez…
A lista é enorme e são conversas para boi dormir, como “era uma vez” uma chamada Operação Laja Jato onde juízes e promotores do Ministério Público viraram réus e estes se tornaram vítimas com direito a promoções e medalhas de heróis.
“Era uma vez” uma mutreta bem armada dos políticos que deram o nome de “Mensalão”, mas existem tantos outros de horrores e de terrores que até o passarinho que veio me visitar bateu assas e foi respirar um outro ar que também “era uma vez… quando a natureza não estava tão poluída como hoje. “Era uma vez”… um meio ambiente…
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