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:: 22/maio/2023 . 22:22

OS ARTISTAS “BRIGAM” PELOS EDITAIS E CADÊ OS EQUIPAMENTOS CULTURAIS?

Será que somente o dinheiro vos une? Não quero aqui criticar e nem julgar os nossos artistas conquistenses que agora vejo a se reunir e a se organizar para apresentar seus projetos e trabalhos com vista à Lei Paulo Gustavo que contemplará Vitória da Conquista com pouco mais de dois milhões e setecentos mil reais.

É mais que louvável a atitude, mas quero aqui chamar a atenção de que a categoria deve sempre estar unida o tempo todo na luta para que Conquista tenha o seu plano municipal cultural e não fique apenas a depender desses editais. Para começar, o município hoje não tem um equipamento cultural aberto e funcionando onde a classe possa fazer suas oficinas e exibir suas produções.

Há anos que estão fechados o Teatro Carlos Jheová, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha, estes dois últimos adquiridos há pouco tempo pelo poder executivo. Onde serão apresentados os projetos da Lei Paulo Gustavo? Ao lado dos editais, temos que nos manifestar e cobrar no sentido de que esses equipamentos sejam reformados e abertos para os artistas e a população.

Insisto num manifesto conjunto de todas as linguagens artísticas, deixando as diferenças e o individualismo de lado. Comentei várias vezes e repito que o Carlos Jheová está fechado desde o período da pandemia e até o momento nada foi definido sobre seu destino ou uma reforma do prédio.

O Cine Madrigal foi comprado com recursos do Tesouro Municipal por pouco mais de um milhão de reais há dez anos e está sob a gestão da Secretaria da Educação, quando deveria ser também compartilhado com a Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel como sala de cinema e um cineteatro. Caso contrário, poderá ficar subutilizado.

A Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, foi adquirido recentemente e o tempo está se encarregando de destruir suas instalações, como as duas outras unidades. A proposta ali é transformar o local num espaço multicultural, um cineclube, uma cinemateca, audiovisual ou coisa assim.

Não em termos de talentos, que são muitos e valiosos que chegam a brilhar em outras paragens, mas com referência a espaços culturais, planejamento e atividades, Conquista ainda é uma província cultural, o que é uma vergonha para uma cidade de 350 mil habitantes e a terceira maior da Bahia.

Conquista representa o quinto PIB (Produto Interno Bruto) da Bahia, conta com obras estruturantes, uma das cidades mais bem saneadas do Brasil, um dos melhores aeroportos do interior, além de ter um papel importante nos setores privados da educação e da saúde.

Agora mesmo a prefeita Scheila Lemos está requerendo da Câmara de Vereadores a aprovação de um empréstimo internacional no valor de 160 milhões de reais, para serem aplicados em calçamentos, pavimentações de ruas e outras obras de infraestrutura. Não dá para entender que a cultura fique descoberta com seus equipamentos fechados onde sua memória está simplesmente sendo destruída.

Aqui não existe um museu municipal. O Regional e o Pedagógico Padre Palmeiras são administrados pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Uesb. As obras do artista Aurino Cajaíba estão se perdendo lá no alto da Serra do Periperi por falta de um museu que abrigue seus trabalhos.

Os artistas têm que buscar, reivindicar e lutar por muito mais, além dos editais do governo federal. Estamos esquecendo do nosso patrimônio material e imaterial, como os ternos de reis, a capoeira, os terreiros de candomblé, a conservação do arquitetônico, a nossa expressão forrozeira, a cultura popular e oral.





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