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:: 18/maio/2023 . 22:49

ARTISTAS DOS SEMÁFOROS

Em tempos bicudos de mais de dez milhões de desempregados no país, cada um se vira como pode, que os digam os sem ocupação trabalhista, que vivem na informalidade e sem emprego. Para seu sustento e das suas famílias, eles precisam fazer seus bicos nos semáforos, vendendo balas, livros, CDs, distribuindo folhetos de propaganda e outros produtos quando o sinal fecha. Eles têm que se “virar nos trinta” ou mais alguns segundos para conseguir uns trocados dos mais abnegados. Eles sabem muito bem na cabeça o tempo que têm para dar conta do recado, pois o tempo não para. É aquele negócio de correr contra o tempo, e ele não perdoa para quem fica parado. Cada segundo é tudo e é preciso ter arte para acompanhar o tic-tac, tic-tac do relógio.

Além desses vendedores, estão lá os artistas dos semáforos que merecem destaque e alguns segundos de atenção pelo que fazem, como este rapaz na foto flagrado pela lente da minha máquina no cruzamento entre a Avenida Luis Eduardo Magalhães com a Juracy Magalhães. Seu malabarismo de jogo de facões (três) para o alto é impressionante, e o mais difícil é pegar todos de volta pelos cabos na descida, sem se ferir. Pela sua agilidade e treino, ele conseguiu chamar a atenção de todos que passavam, não somente dos motoristas, motoqueiros e ciclistas, como dos pedestres. É um verdadeiro artista dos facões, coisa que somente se ver em circos. Pela sua plasticidade e habilidade, sua arte é poesia e coragem. Imagino que deve ter passado muito tempo de treinamento para apresentar suas exibições com destreza e maestria. É o Brasil da criatividade para ganhar um dinheiro, se bem que ainda tem gente indiferente que passa sem nem olhar para o trabalho desses verdadeiros artistas dos semáforos. Ele não brinca apenas com bolas no ar. O mais incrível é que não perde uma e nem deixa um facão cair no asfalto.

INGRATA

De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Quando te conheci

Pedra reluzente ametista,

Arco-íris do horizonte,

Me encantou teu olhar cigana:

Foi amor à primeira vista,

Religiosa e profana,

Solene nos beijamos;

Bebi da tua fonte,

Como amantes viajantes.

 

Te cobri de ouro e prata,

Entreguei minha alma a ti;

Tudo fiz para te ver,

No jornal, na rádio e na TV,

Como deusa rainha,

Mas com o tempo,

Não passastes de ingrata,

Individualista,

Com teu ego narcisista,

Moça nordestina,

Com ar de sulina.

 

Doei minhas veias,

Para pulsar teu coração;

Ajudei a tecer tuas teias,

E esquecestes, afinal,

De ao menos,

Afagar minha mão,

Impávida Ingrata,

Depois de farta,

Me tratas como anormal.

 





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