É um assunto delicado e polêmico, porque todo cuidado é pouco para você não ser mal interpretado e até servir de peça para um processo.  Mais de 300 anos de escravidão deixaram marcas que jamais podem ser apagadas e ainda hoje se vê atitudes, comportamentos de ódio e menosprezo ao ser humano tão somente por causa da cor negra de uma pele.

No entanto, está existindo uma onda perigosa do tipo indústria do racismo onde qualquer gesto, olhar ou palavra são logo caracterizados como racismo e injúria racial. Isso pode levar a um distanciamento entre as pessoas e até de animosidade. Nem tudo pode ser logo criminalizado como racismo.

A mídia tem muito contribuído para alardear com um toque sensacionalista determinados fatos como procedimento racista, sem antes fazer seu papel elementar de apurar os acontecimentos com imparcialidade. É evidente que as imagens de xingamentos, como chamar o outro de macaco e fedorento, agressões físicas e verbais contra outra pessoa só porque ela é negra, não deixam dúvidas quanto à prática de crime.

O que pretendo chamar aqui a atenção é que está havendo exageros e nem tudo está ligado ao ato racista. Cito aqui o exemplo da professora que insistiu em não despachar a mala na área de embarque do aeroporto e ainda dentro do avião se alterou numa discussão com membros da tripulação.

Por questões de normas estabelecidas pelos órgãos de aviação, principalmente depois dos atentados do 11 de setembro nos Estados Unidos (considero rígidas demais), a professora foi proibida de prosseguir sua viagem. Aqui não cabe mencionar qual cargo ou função o passageiro exerça.

Em nenhum momento a mídia televisiva mostra esse ponto, a outra versão do caso e nem os motivos reais que levaram a empresa a agir daquela maneira. Diante do exposto, em minha opinião, não vi nenhuma consistência para cravar que houve uma intenção direta de racismo ou injúria racial por parte dos funcionários da Gol.

Não é porque a pessoa é negra ou preta que ela possa descumprir as regras de um estabelecimento ou prestador de serviços e não ser advertida e punida. Os racistas precisam ser punidos de acordo com as leis, mas que haja uma separação daquilo que é tipicamente racismos do que não é, senão vamos alimentar mais ainda um ambiente de ódio e extremismos.

A mídia, como formadora de opinião (muitas vezes tem agido de forma irresponsável e até criminosa) tem por obrigação ser correta na informação. Deve apurar e mostrar todas as versões dos fatos, e não ser tendenciosa, com intuito de angariar simpatia e audiência. Além de enganar e confundir, ela está prestando um desserviço.