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TIMES NÃO PODEM SER PENALIZADOS PELA VIOLÊNCIA DE CERTOS TORCEDORES

No Brasil sempre se procura o atalho mais simples para se resolver questão mais complicadas por falta da aplicação de medidas e leis mais rígidas das autoridades que deveriam cuidar do problema. É fácil se eximir da responsabilidade e punir um terceiro que não tem culpa no cartório. É uma maneira de querer tapar o sol ou a chuva com uma peneira.

Um caso típico disso está relacionado com a crescente violência nos estádios de futebol no Brasil, a exemplo, do que ocorreu esta semana na Vila Belmiro no jogo entre Santos e Corinthians e no São Januário entre o Vasco e o Goiás onde torcedores soltaram foguetes, bombas, rojões e objetos perigosos no campo, revoltados com as derrotas de seus times.

Imediatamente a Justiça Desportiva da CBF penaliza as equipes com as perdas de público em seus estádios como se os times tivessem algum controle sobre a estupidez e a violência de determinados torcedores em momentos de raiva e ira. Não passam de bandidos assassinos que deveriam ser encarcerados. Para o reconhecimento desses brutos existe toda uma tecnologia disponível.

Como esses indivíduos violentos passam nesses portões com todo esse arsenal de guerra? Não existe fiscalização da polícia e dos agentes que cuidam da organização das partidas? Cadê o Ministério Público estadual e federal que não toma outras providências para evitar essas ocorrências e distúrbios de agressão? Quais órgãos estão sendo negligentes na manutenção da ordem?

A mesma coisa é quando grupos de torcedores praticam o racismo, a xenofobia e a homofobia contra jogadores. Por ser mais fácil, a tal justiça cega e os órgãos preguiçosos multam financeiramente o time e até existe ameaça de tirar os pontos ganhos no certame. Confesso que não consigo compreender essa lógica.

Como é possível a diretoria de um time ser responsável por um cara ou caras malucos que numa multidão de 50 ou 70 mil pessoas soltam palavrões e xingamentos racistas contra um atleta? Existem certos episódios que nem se tem certeza que esses agressores são mesmo torcedores do time que é penalizado.

Enquanto perdurar esse modus operandi simplificado, a violência e as atitudes de racismos vão perdurar nos estádios porque o sujeito malfeitor não está nem aí se seu time vai ser punido. A raiva e o ódio dele sempre vão estar acima da razão. É uma questão de educação e formação de caráter. Tem que haver outra forma rígida de se acabar de vez com esses tipos de comportamentos inadmissíveis.

Se vão continuar com a decisão de somente penalizar os times, pode até fomentar a ideia de “torcedores”, com a camisa de outro clube, penetrarem na torcida adversária para provocar violência e racismo, justamente com intuito de prejudicar seu rival. Afinal de contas, estamos num país da malandragem onde o absurdo pode acontecer.

 

“FLUXO E REFLUXO” XXV

BRIGAM OS PORTUGUESES, OS INGLESES, HOLANDESES, FRANCESESS E OS BRASILEIROS PELO TRÁFICO NEGREIRO NO GOLFO DO BENIN, NA COSTA DA ÁFRICA OU SOTAVENTO, TUDO PELA COMPRA DE CARNES HUMANAS EM TORCA DO TABACO, DO AGUARDENTE, DO AÇÚCAR, DO OURO CONTRABANDEADO E ATÉ POR CONCHAS – MOEDAS CHAMADAS DE CAURI (MALDÁVIA) e do ZIMBO (ILHA DE LUANDA, NA ANGOLA.

Em Notas de pesquisadores, relatadas no livro “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, conta que o rei do Dahomey (Daomé) Adandozan, por volta de 1778, tinha visto durante muito tempo com olhos invejosos Apée, Porto Novo (pertencente a Ardra) e Badagre, em razão do grande número de vasos que iam traficar nesses portos, enquanto Whidah (Uidá) estava quase totalmente abandonado. Ele adotou a política do seu avô Agaja, e resolveu estender suas possessões e apropriar-se das mercadorias europeias acumuladas por seus vizinhos.

Como seus vizinhos estavam cercados de lagos e pântanos, difíceis de serem atingidos, o rei resolveu fazer amizades com um dos príncipes da região, no caso o rei de Ardra. No fim a conspiração foi descoberta. Apée era a vítima prevista, que foi devastada e muitos foram feitos prisioneiros pelos daomeanos. Mesmo assim, o rei com sua tropa de fieis conseguiu escapar para outro reino. Apée resistiu e colocou Ardra em fuga, com ajuda de um negro brasileiro negociante chamado Antônio Vaz Coelho que conseguiu uma boa posição política em Ardra.

AS LUTAS NAS BUSCAS POR ESCRAVOS

Durante mais de 300 anos, entre o final do século XV ao XIX, os traficantes donos de navios, capitães das embarcações (os vasos), os senhores de engenhos e das minas, diretores de feitorias, negociantes de todas as partes e até escravos emancipados arriscavam suas vidas na busca incessante por cativos que rendiam altos lucros.

Nesse comércio ambicioso, valia a lei do mais forte, as astúcias, armadilhas, as trapaças e as traições entre eles. Cabeças eram decapitadas, muitos eram encarcerados em calabouços e exilados por reis por enganar e sonegar o pagamento do fisco pela parte que cabia aos reinos e coroas. Holandeses e piratas perseguiam e saqueavam as cargas dos navios, principalmente dos portugueses e brasileiros.

Nessa época, a costa africana era um coito de intrigas e um enxame de maribondos na disputa para ver quem mais lotava de escravos os navios negreiros nos porões da morte, sujos e fedorentos. Os oceanos se transformaram em cemitérios de negros que eram jogados vivos e doentes nos mares para a festa dos tubarões.

Os reis do Daomé (Golfo do Benin) sempre foram os poderosos e guerreiros que brigavam pelo domínio de outros reinos (de Ardra, Porto Novo, Badagre, Lagos) na conquista por mais e mais prisioneiros que eram vendidos como escravos. Reis, rainhas e príncipes, considerados como inimigos, eram embarcados em navios como cativos.

Toda essa tragédia humana, vergonhosa e criminosa, institucionalizada pelos governantes onde até o escravo desejava ter um escravo como um bem que dava status e servia como uma  hipoteca, inspirou escritores, intelectuais, pesquisadores e, especialmente, poetas, como o baiano Castro Alves em “Espumas Flutuantes” no célebre poema “O Navio Negreiro” onde clama num trecho: Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, Senhor Deus!/ Se é loucura… se é verdade/ Tanto horror perante os céus…/ Ô mar! Por que não apagas/ Com a esponja de tuas vagas/ De teu manto este borrão?…/ Astros! Noite! Tempestades!/ Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão… / Quem são estes desgraçados…

Foram estes negros trazidos de vários reinos da África, dominados pelas potências de colonizadores que aqui deixaram no Brasil suas culturas na música, nas comidas, na capoeira, em seus gingados, nas palavras e no sincretismo religioso.

Aqui foram colocados nos troncos e sofreram horríveis torturas de seus senhores, e até a Igreja Católica foi escravista e conivente. No entanto, até hoje são vítimas de racismo e de todo tipo de discriminação, como a social. A maioria vive na pobreza em favelas e nas periferias das cidades.

Muitos desses relatos estão na obra do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, “ Fluxo e “Refluxo”, que da Bahia se fez filho e se tornou adepto da religião de matriz africana. Pelos meados do século XIX, a partir de 1835, com a revolta dos malês, esses negros, por vontade própria e outros por expulsão das autoridades brasileiras, fizeram  a viagem de volta para suas terras de origens e formaram colônias, sobretudo em Ajudá (Uidá), Porto Novo, Badagre e em Lagos.

Eram várias etnias e nações, como os nagôs-iorubás, os jêjes-mahis, os tapas, haussás que atravessaram o Atlântico com suas bagagens e pertences, mas, mesmo assim, a grande maioria não teve o destino certo porque os brancos roubaram seus bens e não lhes deixaram nos portos desejados e contratados.

Tiveram que amargar o sofrimento de se aventurar pelo interior africano para alcançar sua terra natal ou aportar em outros reinos diferentes. Em vários locais formaram “colônias brasileiras”, hostilizadas pelos nativos e indígenas. Muitos eram até chamados de “brancos” por serem considerados boçais que falavam o português e praticavam o catolicismo e o islamismo.

 

NA VILA DO SÃO JOÃO

O São João, uma festa tipicamente nordestina, apesar de ter sido descarecterizada nos últimos anos com a mistura maléfica de outros ritmos, como do arrocha e da sofrência, caso do cantor Thierry, que foi contratado pela Prefeitura de Vitória da Conquista onde se apresentou no Espaço Glauber Rocha, ainda é o melhor evento festivo popular, superando o bagunçado e elitizado carnaval. Melhor para quem foi à Vila Junina, armada na Praça Nove de Novembro, no centro da cidade, onde se apresentou somente bandas forrozeiras que mantiveram a nossa tradição cultural, sem falar nas comidas e bebidas típicas. Todo ano se fala e se bota a boca no trombone contra deturpação do nosso forró, mas prefeitos, politicamente incorretos e eleitoreiros, continuam contratando bandas sertanejas, de axé music e pagodeiras por altos preços que variam de 300 a 500 mil reais (muitas superfaturadas), ao invés dos autênticos pés-de-serras ou arrasta-pés como eram chamados desde o surgimento do ritmo por volta de 1930 e 1940/50 com Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Sivuca e Marinês de saudosas lembranças com o triângulo, a sanfona e o zabumba.

MIL DESCULPAS

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Desculpa, desculpa, desculpa,

Peço mil desculpas,

Nem todas são sinceras,

Meras palavras de boca oca,

Por vezes tão maquinal;

Desculpas pelo meu verso,

Se atravessou o seu,

Entre a linha do bem e do mal.

 

Desculpa, desculpa, desculpa,

Por não ter lhe telefonado,

Não retornado seu recado,

É que ando muito ocupado;

Desculpa ter acabado nosso amor,

Pela mensagem do celular,

Sem sentir de perto seu olhar,

Sua expressão de raiva e dor.

 

Desculpa, desculpa, desculpa,

Por ter matado o tempo,

Negado sua existência;

Seguir contrário ao vento;

Confundir anormal com normal,

Religião, fé e ciência,

Ser repetitivo superficial,

Como um agressivo ativo,

Com desculpas de passivo.

A BAHIA DE HOJE E A DE 200 ANOS NAS LUTAS PELA INDEPENDÊNCIA

Quando chega o “Dois de Julho”, data da independência da Bahia livre do jugo dos portugueses, historiadores e pesquisadores escrevem muito sobre a história daquela época, os fatos, os personagens, os símbolos e as lutas travadas que contaram com a participação popular de brancos, negros, mulatos, senhores de engenhos e índios.

No entanto, pouco se fala sobre a Bahia de hoje no campo socioeconômico e a de 200 anos na época das lutas pela independência. Os sociólogos, antropólogos e estudiosos precisam mais se aprofundar nesta questão e mostrar que, depois de 200 anos, continuamos um estado pobre, subjugado pelos poderosos e ainda com os mais baixos índices nos níveis da educação, da saúda, do desemprego e do saneamento básico em relação aos outros estados da federação.

É claro que evoluímos nos setores da economia, no progresso industrial e tecnológico, nos programas de políticas públicas e outros itens humanos, mas ainda é uma Bahia de muita pobreza, de baixa qualificação educacional, carente na saúde e ainda discriminatória e preconceituosa. Em termos de desenvolvimento humano e justiça social, a Bahia está atrasada depois de 200 anos.

Hoje Salvador é uma capital de cerca de quatro milhões de habitantes, onde mais da metade vive em habitações irregulares em terrenos insalubres e nos morros, sem a devida infraestrutura (um grande contingente proveniente do êxodo rural vindo do interior a partir dos anos 70 do século passado), cheia de problemas e com uma grande dívida social. As desigualdades sociais são gritantes.

Era uma Bahia de cerca de 100 ou 200 mil moradores da época da escravidão, do tráfico ilegal praticado pelos senhores de engenho, capitães de navios e traficantes de carne humana da costa africana, principalmente do Golfo do Benin, mesmo após as leis e acordos feitos, em 1831, com a Inglaterra para acabar com este comércio.

Foram estes mesmos negros cativos e emancipados que tiveram uma grande parcela de contribuição nas lutas pela independência do Dois de Julho de 1823. Ainda hoje, depois de 200 anos, de uma forma mais sofisticada, ao estilo selvagem capitalista, permanece a escravidão no trabalho com a exploração da mão de obra e com o poder na mão dos brancos, como os portugueses de outrora.

UM POUCO DE HISTÓRIA E O INTERIOR

Sobre um pouco de história desse bicentenário, um comentário de Alan Rodrigues, num jornal impresso da capital, diz que a conquista da independência do Brasil na Bahia é resultado de uma série de movimentos e mobilizações espalhados por todo estado. O sonho era se libertar da coroa portuguesa. O sonho continua em outras frentes libertárias, especialmente dos direitos humanos.

Segundo Alan, a origem da tropa patriota que enfrentaria os portugueses começou a se formar muito antes do Dois de Julho. Em fevereiro de 1822, antes de D. Pedro I decretar a independência no Grito do Ipiranga (Independência ou Morte), tiveram início os conflitos em solo baiano e tropas recuaram do Forte de São Pedro para o Recôncavo Norte, na Casa da Torre.

Conta o pesquisador que Antônio Joaquim Pires de Carvalho, senhor da Casa da Torre, arregimentou um embrião do exército libertador composto de brancos, negros, mestiços e índios. A Casa da Torre, que servia de ponto de vigilância contra os inimigos estrangeiros no mar, tornou-se uma das principais bases de comando da guerra.

Joaquim Pires de Carvalho, senhor de engenho se tornou capitão-mor agregado à vila de Santo Amaro da Purificação e primeiro comandante da tropa patriota, como ressalta Alan Rodrigues. A Feira de Capuame (Dias D´Ávila) forneceu mantimentos para os soldados e armazenou armas e munições, de acordo com o historiador Diego Copque em seu livro “A Presença do Recôncavo Norte da Bahia na Consolidação da independência”.

Historiadores descrevem que o acesso ao local era feito pela Estrada das Boiadas, com início na freguesia de Santo Antônio Além do Carmo e passava por Pirajá, Água Comprida (Simões Filho), Moritiba do Rio Joanes, chegando a Camassary, Capuame até chegar ao Açu da Torre. Por esse caminho o gado era levado para o matadouro de Barbalho. As tropas bloquearam essa estrada e os portugueses ficaram sem suprimentos.

Alan assinala que foi no primeiro centenário (1923) que foi inaugurada a primeira estrada Salvador-Feira (não essa BR-324). Às margens dessa estrada, em 27 de julho de 1822, foi instalado, no Engenho Novo Cotegipe, um quartel-general, a quatro léguas de São Bartolomeu de Pirajá.

Outros municípios também contribuíram para arregimentar apoiadores. A Câmara da Vila de Nossa Senhora da Purificação de Santo Amaro foi a primeira Casa Legislativa a se pronunciar pelo reconhecimento de D. Pedro I como regente constitucional do Brasil, como informa a diretora geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), Luciana Mandelli.

Outro município que teve importante papel na independência foi Saubara, pois sua localização representava entreposto para o Rio Paraguaçu e proteção de outras localidades. Vlademir Pinheiro, diretor da Fundação Pedro Calmon, enfatiza a participação feminina ao citar o movimento “As Caretas do Mingau”.

Eram mulheres de religião de matriz africana se fantasiavam para assustar os portugueses católicos e, assim, levar mingau para as tropas que se escondiam na mata. Dentro da história da independência, muita coisa foi resgatada através da oralidade do povo, como foi o caso de Felipa, de Itaparica, considerada uma das heroínas nas batalhas.

A Ilha de Itaparica teve também papel decisivo nos confrontos, interrompendo o abastecimento de tropas de Portugal – segundo Alan Rodrigues.  Outra cidade de destaque nas lutas foi Caetité, aqui em nossa região sudoeste, que aderiu, em 15 de agosto de 1822, a proposição do Brasil ter um único poder central executivo.

Caetité mobilizou o sertão baiano, com apoio financeiro, homens, armamentos e mantimentos para Cachoeira, sede do governo provisório. Os combatentes desta cidade ainda expulsaram os portugueses remanescentes após a vitória através de lutas travadas pelo grupo chamado “mata-marotos.

Embora o Dois de Julho seja tombado como bem imaterial da Bahia, em tese ficou resumido ao cortejo de Salvador. A diretora do IPAC, Luciana, vai entregar um projeto de revalidação do cortejo através de um edital para recebimento de propostas de inventário (Lei Paulo Gustavo), para levantamento de acontecimentos e personagens que fizeram parte das lutas.

De acordo com informações, cada município vai ganhar um busto que simbolize a passagem do Dois de Julho. Luciana cita a luta dos abolicionistas, a participação de Caetité e Vera Cruz. O projeto visa incluir todos baianos na luta de resistência e organização cívica, política e popular.

 

OS INIMIGOS DO POVO LEGISLAM A IMORALIDADE EM CAUSA PRÓPRIA

Além de se acharem intocáveis para cometer qualquer crime com a imunidade parlamentar, o Congresso Nacional não para de abusar da nossa paciência e nos tripudiar com suas leis imorais em defesa unicamente de seus interesses. Sem o menor respeito ao povo, e com o maior cinismo, esses parlamentares legislam em causa própria. Um dia a casa cai.

Como se não bastasse, agora mesmo, em votação relâmpago, a Câmara votou a lei da carteirada e quer punir com cadeia quem praticar a discriminação de políticos. Enquanto isso, a turma do mal suprime os direitos individuais e ninguém faz projeto para acabar com o desemprego, com a fome, a miséria no Brasil e a falta de punição.

Após quase um mês de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal ter anulado a condenação do ex-deputado ladrão Eduardo Cunha, a Câmara aprovou um projeto histórico vergonhoso. Com rápida tramitação, passou por 252 votos contra 163, um projeto de Dani Cunha (União Brasil – RJ), filha do doutor Eduardo onde criminaliza práticas que venham a ser consideradas discriminatórias da atividade pública e a medida estende-se aos seus familiares.

Entre outras blindagens dos intocáveis inimigos do povo, os bancos não podem negar crédito a algumas pessoas de qualquer um dos três poderes porque elas têm atividade pública. Entre outras imoralidades esdrúxulas, o nojento projeto blinda cerca de 10 mil pessoas, parlamentares, magistrados, procuradores e dirigentes de partidos políticos e seus familiares.

Nessa hora, meu amigo eleitor do voto de cabresto e vendido por favores, direita, centro e gente das esquerdas se unem em causa própria, e que se dane a população. Para nos debochar por completo, ainda aparecem aqueles caras parlamentando da tribuna de que tudo está sendo feito pelo bem do Brasil.

As castas brasileiras da nossa frágil democracia cada vez mais se protegem e se fortalecem, enquanto os súditos e vassalos do rei ou dos reis, rainhas e príncipes são esmagados como farelos na máquina de triturar humanos. O projeto inconstitucional institucionaliza mais ainda a corrupção e protege os milhões de laranjas.

No século XIX (1826/27, 1831 e 1850), o parlamento brasileiro com sua aristocracia, procurava travar a aplicação de leis que proibiam o tráfico ilegal de escravos africanos e ainda dava guarida aos negociantes contrabandistas, como ainda ocorre nos tempos atuais.

Em pleno século XXI, essa Câmara imoral está a criar uma categoria especial de cidadãos com base em suas atividades ou malfeitos. As outras leis de proteção dos negros, dos menores, do consumidor e idosos são todas genéricas e desrespeitadas. Se o projeto passar pelo Senado, os 10 mil formarão uma máfia, uma gangue ou quadrilha organizada.

Somente cinco partidos votaram em bloco contra o projeto (PSOL, PC do B, Cidadania, Novo e Rede), somando 16 votos. Teve até gente do PT, como José Guimarães e Rui Falcão que votaram a favor. Também do PSDB, o senhor corrupto Aécio Neves se juntou a eles.  Para contrariar, Bia Kicis, do PL, votou contra. Nesse saco de farinha ou nesse caldeirão de feijoada, tem de tudo a gosto do freguês.

UM SARAU ARRETADO DE BOM!

Diva Santana Coqueiro, irmã de Dinaelza, morta na guerrilha do Araguaia durante a ditadura civil-militar de 1964, acompanhada da sua irmã Dilma Santana e da escritora Gilneide Padre, se deslocou de Salvador para participar e prestigiar o nosso “Sarau A Estrada” que teve como tema “Festa Junina – Cultura, Tradição e Religiosidade.

O evento colaborativo, que está completando 13 anos de existência e já merece uma grande comemoração em estilo pela sua duração e conteúdo cultural artístico (muitos falam que de fato já é de utilidade pública), foi realizado neste último sábado à noite (dia 17/06/23), no “Espaço Cultural A Estrada”, com as presenças de artistas, intelectuais, professores, jovens e outras pessoas interessadas que estiveram ao nosso encontro pela primeira vez.

Foi um sarau arretado de bom, que varou a madrugada com declamações de poemas autorais, causos e, principalmente, o show de violadas de cancioneiros da nossa música popular brasileira, no caso particular do momento, do nosso autêntico forró, com Walter Lajes, Manu di Souza, Dorinho Chaves, Marta Moreno e outros.

O pessoal foi chegando a partir das 20 horas com aquele espírito junino nordestino, recebidos pelos anfitriões Jeremias Macário e Vandilza Silva Gonçalves que preparou o nosso quentão e um assado de porco para dar mais sustança ao sarau.

Estiveram ainda presentes, João Paulo Oliveira Santana, Antônio Cilmo Monteiro de Brito, Sheila, Jurandi, Lany Fagundes, Adalberto (Dal), Jurandi, Conça, Cleide, Maria Luiza, Lídia, o nosso bom português Luis Altério, o professor José Carlos, o contador de causos Jhesus, o professor Itamar Aguiar, Alexandre Santana, nosso cantador e compositor Baducha que abrilhantaram nossa festa na troca de ideias, cantorias e recitais de poemas.

Como foi uma festa junina, não faltaram as comidas e bebidas típicas da época para não quebrar a nossa tradição cultural nordestina, a exemplo do quentão, do licor e também da cerveja e do vinho. Como sempre, a anfitriã Vandilza fez uns pratos deliciosos que foram saboreados por todos, num clima fraternal e festivo num bom papo bem proseado.

RELIGIOSIDADE, HISTÓRIA E TRADIÇÃO

Sobre o tema falaram o professor Itamar Aguiar, Jeremias Macário e Manu Di Souza. O professor fez uma relação antropológica e filosófica a respeito das festas juninas com as religiões católicas, o candomblé, as influências indígenas e a mistura de culturas africanas em seus ritmos, danças (o toré) e nas comidas.

O jornalista Jeremias Macário fez um breve histórico sobre o surgimento do forró lá pelos anos 30 e sua popularização nos anos 50 com Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Marinês, Trio Nordestino e Dominguinhos. Forró vem do forrobodó e forrobodão de onde depois nasceram os gêneros baião, xote (danças dos salões europeus) e o xaxado que tem muita ligação com o cangaço nordestino.

Entre as décadas de 70 e 80, os chamados cabeludos Zé Ramalho, Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, principalmente, introduziram outros instrumentos no forró, como a guitarra, o sax, a bateria, o violão e o baixo, mas mantendo os mesmos conteúdos das letras que falam dos costumes, da vida nordestina, amor, dos retirantes e saudades da terra natal.

No entanto, a partir dos anos 90 a 2000, o nosso genuíno forro do zabumba, do triângulo e da sanfona, o chamado arrasta-pé do chão batido (o forró pé de serra) sofreu uma tremenda descaracterização, lamentavelmente com a introdução da lambada, do arrocha, do axé music, do sertanejo (sertanojo) e do pagode, com péssimas letras de cunho pornográfico, sendo a maioria de curtos versos sem sentido.

“FLUXO E REFLUXO” XXIV

CURIOSIDADES HISTÓRICAS DO TRÁFICO NEGREIRO, COMO A CAPELA DO SENHOR DO BONFIM E A REVOLTA DO PORTO.

A obra de Pierre Verger, “Fluxo e Refluxo” traz várias curiosidades a partir de pesquisas do autor em documentos e correspondências entre cônsules, vice-reis, capitães de navios e os próprios traficantes de carnes humanas. As negociações entre a Bahia e o Golfo do Benin eram cheias de intrigas e mortes que violavam as leis e os tratados.

Em uma de suas anotações, Verger registra que, em 1745, o capitão Theodózio Rodriguez de Faria, um traficante dono de três embarcações, construiu, por devoção, uma capela dedicada ao Senhor do Bonfim Crucificado de Setúbal, em Portugal, a mesma que, ainda hoje ergue-se acima do altar da mais popular igreja da Bahia. A capela foi inaugurada por ele em 1754.

Diante da desorganização que era o tráfico negreiro, um grupo de negociantes da Bahia propôs criar uma companhia onde limitaria o número de navios em 24 que iriam fazer o comércio na Costa da Mina, divididos e repartidos de três em três com uma espera de três meses entre a saída de uns e a partida de outros, fazendo assim o turno de dois anos. A empresa seria constituída entre Bahia e Pernambuco.

A companhia teria 31 artigos e o projeto previa a duração de dez anos. Os diretores seriam eleitos pelos interessados e a administração da Bahia, sob a proteção do vice-rei. Os navios seriam de uma capacidade de 440 a 600 escravos cada um e seriam armados para se defenderem dos piratas.

A carga principal seria o tabaco, completada com açúcar e aguardente. O tráfico seria feito à razão de cinco a seis rolos de tabaco, e não doze, quinze ou vinte, como acontecia de se fazer, por força da concorrência. A companhia seria obrigada a trazer todos os anos pelo menos quatro mil escravos à Bahia. Os cativos seriam vendidos por 130 mil reis os da primeira escolha, e por um preço menos elevado os de segunda e terceira escolhas.

Outra questão abordada por Verger foi quanto a criação da Companhia das Vinhas do Alto Douro, em 1757, da qual Joaquim Ignácio da Cruz era o administrador. Isso ocorreu durante o vice-reinado do conde dos Arcos. Fazia parte dessa sociedade o futuro marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Mello.

Na mesma época, na cidade do Porto, os atos e críticas dirigidos contra um organismo administrativo sob a proteção do rei de Portugal, na época D. José, eram considerados crimes de lesa-majestade, conforme a doutrina do futuro marquês de Pombal.

Alguns meses após a sua constituição, a Companhia das Vinhas (um monopólio) tornou-se tão impopular que todos os habitantes do Porto se levantaram contra ela, e os taverneiros lesados provocaram um tumulto, em fevereiro de 1757. Gritavam: Viva o povo! Morra a Companhia! Eles levaram o “juiz do povo” ao chanceler, rogando que a empresa fosse abolida, com ordens para que cada um pudesse vender e comprar o vinho livremente.

Os revoltosos invadiram a casa da companhia, quebraram móveis e rasgaram os documentos. O castigo exigido pelo governo foi o mais severo e foi conduzido pelo desembargador João Pacheco Pereira de Vasconcelos e o escrivão José Mascarenhas.

A manifestação foi considerada como crime de lesa-majestade. No total, 478 pessoas foram condenadas (424 homens e 54 mulheres), sendo 21 homens e cinco mulheres condenadas à pena capital. Outros tantos foram mandados para o exílio em diversas galés da África, além de outras penas, como proibição de permanecer no Porto, confiscos e penas pecuniárias.

AS LENTES FAZEM TUDO

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Sempre falam que uma boa imagem vale por mil palavras, isto é, dispensa até a linguagem dos textos. Existem matérias jornalísticas que, por mais que sejam bem-feitas, têm que vir acompanhadas de uma ou mais fotos. E por falar em fotografia, vem logo na cabeça a máquina fotográfica profissional que ainda sobrevive (estão comentando que a analógica vai voltar), mesmo com o advento do celular que pode registrar tudo, mas não com aquela resolução desejada. No entanto, o nosso papo aqui são as lentes, as peças mais importantes de uma máquina, que fazem tudo. Elas são delicadas e precisam ser bem cuidadas, senão pegam fungos e estraga tudo. São sensíveis à luz, na abertura e no fechamento, com a velocidade ideal para captar a imagem no foco certo. Desde quando foram inventadas, elas são preciosas e poéticas, a depender da imagem, como uma bela paisagem e até o desabrochar de uma flor, mas são também instrumentos de denúncia e registro de tragédias, catástrofes e da nossa história. Mesmo assim, o bom trabalho delas estão nas mãos, na sensibilidade e no olhar de um grande fotógrafo. Em Vitória da Conquista temos muitos bons profissionais, com seus notáveis legados na imprensa e nos acontecimentos em geral, mas não vamos citar nomes para não cometer injustiças. As lentes fazem tudo e ainda nos impressiona.

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DO PARAÍSO AO FIM

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Da explosão, o Supremo fez o paraíso,

O irracional ateou fogo;

O profeta alertou sobre o final juízo;

Ganância e arrogo;

Foguetes rasgam os céus desse espaço,

Do universo sideral;

O homem estúpido dele fez lixo e bagaço,

Selvageria do vil capital;

As florestas em labaredas ardem chamas,

Fumaças, cinzas, poluição;

Enchentes arrastam casas, morros e lamas,

Ciclones, ventos e furacão;

Lero-leros de reduzir gazes na atmosfera;

O incentivo é consumir;

Natureza não perdoa, nem o tempo espera,

Sem essa de choro e mimimi;

Não mais reversão do aquecimento global;

Primeiro vão os pobres,

Na tragédia do derretimento do gelo glacial,

E chega a vez dos nobres;

Aumentam os níveis dos rios e dos mares;

Somem ilhas e cidades;

A enxada tini no agreste salgado dos secos ares,

Prenuncio do fim das eras idades.





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