O GALO CANTOU ERRADO
Em tempos passados o matuto lavrador nordestino não tinha relógio, rádio e outros meios de comunicação para se orientar no horário e tocar sua tropa de cargas de farinha nas madrugadas de sábado para pegar a feira cedo na cidade de Piritiba.
Seu guia era o velho galo que sempre cantou na hora certa, de forma a ser um dos um dos primeiros a arriar os sacos dos jumentos, mas numa noite, pela primeira vez, o galo cantou errado. Com o sono leve, no sentido da feira, o agricultor levantou avexado e foi logo gritando para o mirrado menino pegar os animais no pasto.
Foi aquele bafafá e, por um motivo qualquer, a mulher alertou que o galo havia cantado errado. “Homem doido agoniado, parece que está endiabrado”! Resmungou algumas palavras e na pisada ligeira logo passou em frente da casa do vizinho concorrente que estava toda fechada e nem sinal de movimento na porta. Foi aí que ele começou a desconfiar que o galo cantou errado.
Com seu jeito ranzinza e carrancudo de ser, tipo seu Lunga sertanejo brabo, começou a cafangar o tempo todo na estrada. Próximo da cidade foi que ele teve a certeza de que o galo tinha cantado errado. Passou a injuriar e a xingar o bicho, até com ameaça de que na volta iria botar o danado na panela. Nas ruas, tudo escuro e deserto. Nada do dia clarear.
Na feira desceu os sacos e os couros no chão e ainda os dois tiveram um tempo para tirar um cochilo, mas continuava a esbravejar contra o galo, que já estava caduco gagá e não prestava mais para cantar na hora correta.
No retorno para casa, mesmo cansado da labuta do dia, não parava de falar no assunto e queria degolar o pobre do animal, mas a esposa tentou contornar sua quizila em defesa do galo que, por sinal, ao perceber seu erro se entocou no mato e só apareceu dias depois.
Moral da história é que, assim como o galo, a pessoa sempre pode fazer as coisas cem por cento certas, mas quando comete um deslize é reprovada e cobrada. O ser humano tem, entre outros, esse grande defeito de não reconhecer os acertos dos outros e recriminar quando se comete um erro, como se houvesse perfeição. É um ingrato que não sabe ver no outro o lado prestativo e dedicado, apenas condená-lo quando comete uma falha.
NO PARAÍSO DAS TRAMBICAGENS E TRAPAÇAS
Existem os paraísos fiscais, os paraísos das belezas naturais e os dos céus prometidos pela Bíblia aos que fazem o bem, pelo Alcorão e até pelos islâmicos fanáticos para quem matar o ”inimigo infiel” recebe a glória dos reinos. Aqui perto de nós, na fronteira (não difere muito do nosso) existe o paraíso dos contrabandos, do narcotráfico e dos produtos falsificados, no caso o Paraguai.
Em nosso Brasil varonil, terra de Santa Cruz e do Pau Brasil, desde que aqui aportou a esquadra de degredados corruptos de Cabral, prospera e floresce o paraíso das trambicagens e das trapaças. Caminha não citou em sua carta ao El Rei D. Manuel, mas foram as culturas que mais se adaptaram ao fértil solo, com invejáveis produtividades, graças ao benemérito da impunidade.
São 523 anos de trambicagens e trapaças de todas espécies inimagináveis praticadas por astutos e espertos que deixam embasbacadas a nossa vã filosofia de procurar entender o que ocorre na cabeça desses seres humanos que entregam suas almas ao diabo da ganância, ou com ele fazem um pacto, como se não existisse o infalível ciclo da vida e da morte.
Umas das características do trapaceiro golpista é o cinismo, a frieza para o mal e ausência total de sentimentos para com o outro, que sempre enxerga sua vítima simplesmente como uma presa a ser abocanhada. É o maior predador que não mata apenas para saciar sua fome. Por natureza, é um masoquista com má formação congênita.
A consequência de tudo isso é que atualmente ninguém confia mais em ninguém e nos tornamos desumanizados. Sempre existiram golpes de trapaceiros, mas, ao passar do tempo, a ordem é crescente. Temos desde o velho conto do vigário, o bilhete falsificado, a venda de produtos falsificados como autênticos aos mais sofisticados com ajuda da internet através das redes sociais, inclusive de dentro das penitenciárias.
Interessante nisso tudo é que os “empresários” trapaceiros não são considerados bandidos. Coisas da nossa sociedade hipócrita. Vejam o caso recente da “123 Milhas”. Com a ganância de ganhar mais dinheiro, eles enganaram os clientes com passagens aéreas promocionais além da conta, como a famosa pirâmide. Não honraram os compromissos, e os compradores ficaram a ver navios.
A empresa pede falência na Justiça, como de praxe, e um dos sócios, com a maior cara de pau, ler um discurso pronto diante de uma comissão do Congresso Nacional dando sua fajuta justificativa e pede desculpas. Depois se abraçam com tapinhas nas costas e saem com seus motoristas em carros importados. E a grande maioria dos nossos políticos? Também fazem parte desse paraíso dos batedores de carteiras.
Ninguém é punido exemplarmente. Gostaria de saber se esses caras ficaram pobres. Que nada, compraram bens em nomes de laranjas e vivem em suas mansões luxuosas, viajando em outros paraísos financeiros, tomando seus uísques e curtindo com a cara dos outros. Os diretores das Lojas Americanas fizeram praticamente o mesmo. Deram um rombo nas contas da empresa.
Os banqueiros também estão dentro desse rol de fechamento das instituições bancárias. Os clientes perdem poupança, investimentos e depósitos. O pior é que no sistema financeiro o Governo do Estado ainda entra com o dinheiro do contribuinte para socorrer os estabelecimentos. É o mesmo que premiar os corruptos. Ninguém vai para a cadeia e quando chega lá, demora pouco tempo.
Nesse paraíso das trambicagens devemos ter mais de 100 milhões de safados (estou sendo generoso) dos 200 milhões de habitantes. Poucos são sérios, tendo em vista que uma grande parcela é culpada porque quando ver facilidades cai dentro visando tirar vantagem e termina se lascando, inclusive nos golpes mais comuns.
A Divina Comédia, de Dante Alighieri, quando ele visita os pecadores no inferno com Virgílio cai muito bem no caso brasileiro. Lá estão eles com os demônios, cada um em sua camada ou círculo de penas, os trambiqueiros, os trapaceiros, os astutos, os avarentos, usurários, golpistas, os fraudadores e os violentos contra o meio ambiente no fundo dos abismos sendo açoitados.
Veja no que diz o autor em um de seus cantos: “Da antiga ponte divisamos triste,/ Longa fileira: Contra nós andava./ Cruel açoite em flagelar persiste”. Noutra estrofe, Dante descreve: “Estão lá no fundo nus os pecadores:/Do meio contra nós muitos caminham, / Outros conosco, em passos já maiores”.
A DIVINA COMÉDIA-INFERNO
DANTE ALIGHIERI – Tradução de José Pedro Xavier Pinheiro
No XIX Canto, em sua visita ao inferno com Virgílio, o florentino Dante descreve que no terceiro compartimento, aonde os poetas chegam, são punidos os simoníacos (mercadores das coisas sagradas). “Estão eles, de cabeça para dentro, metidos em furos feitos no fundo e nas encostas do compartimento”.
Em sua descrição, o autor de A Divina Comédia assinala que “as plantas dos pés, que estão fora dos buracos, são queimadas por chamas. Ele quer saber quem era um danado que mais do que outros agitava os pés. É o Papa Nicolau III da Casa Orsini, o qual diz que estava à espera de ser rendido por outros papas simoníacos”.
O poeta descarrega toda sua verve contra a avareza e os escândalos dos papas romanos. Na primeira estrofe do Canto XIX, Dante começa dizendo: “Ó Simão Mago (queria comprar a virtude de chamar o Espírito Santo), ó míseros sequazes/Por quem de Deus os dons só prometidos/A virtude, em rapina contumazes”.
Nesse Canto, o autor fala da subversão dos papas por ouro e prata pelos quais são prostituídos. “Saber supremo! Que inefável arte/Mostras no céu, na terra e infernal mundo!/Oh! Teu poder quão justo se reparte!”
Em outro Canto da sua obra, na XVIII, Dante faz uma visita aos punidos pelo pecado da bajulação para se dar bem na vida, passando por cima dos outros, sem nenhum escrúpulo. Sua visão daquela sociedade do século XIII (Dante nasceu em Florença no ano de 1265) ainda está atual para o mundo de hoje.
Nos governos, especialmente no Brasil, os bajuladores, indicados pelos políticos, o chamado QI (não conta aqui a meritocracia) se vendem e são passíveis de corrupção e subornos e fazem o que seus chefes mandam, cometendo desatinos e malfeitos.
LULA FAZ UM GOL CONTRA
Carlos González – jornalista
A política partidária, quase sempre agindo com sordidez, tem colocado o Esporte e a Cultura numa condição de inferioridade no âmbito governamental, tanto no Federal quanto nos estados e municípios. Esses dois importantes segmentos da sociedade organizada, ou são completamente ignorados, como ocorreu no governo Bolsonaro, ou são relegados a uma posição secundária, na condição de “anexos” de ministérios ou secretarias, com direito a uma sala. Vitória da Conquista é um exemplo.
Ao tomar posse, em janeiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou para 37 o número de ministérios, levando o povo a acreditar que, depois de um longo tempo, o Esporte e a Cultura gozariam de privacidade na Esplanada dos Ministérios. Duas mulheres, com larga vivência em suas áreas de atuação, foram indicadas para os cargos: Ana Beatriz Moser e Margareth Menezes.
A escolha de Ana Moser, 55 anos, para integrar a equipe do novo governo foi recebida com aplausos pelo mundo esportivo do País, por se tratar de uma ex-atleta de ponta, com reconhecida dedicação ao esporte, particularmente ao voleibol indoor. Nos seus 23 anos de carreira, iniciada aos 7 anos na cidade catarinense de Blumenau, submeteu-se a quatro intervenções cirúrgicas e a incansáveis horas de fisioterapia.
O voleibol (na quadra e na praia) e o judô são responsáveis pelo maior número de medalhas (37 de ouro, 42 de prata e 71 de bronze, num total de 150) conquistadas pelo Brasil em 23 edições dos Jogos Olímpicos de Verão. Moser integrou o grupo que ganhou a primeira medalha olímpica de um esporte por equipe (bronze em Sidney – 1996). A atleta catarinense esteve também em Seul-80 e Barcelona-84, além de dezenas de torneios internacionais.
Eternizada como um dos quatro brasileiros ao entrar para o seleto Hall da Fama do Voleibol e autora do livro “Pelas Minhas Mãos”, onde relata sua experiência como atleta, Ana Moser fundou e preside o Instituto Esporte e Educação, uma ONG destinada a incentivar a prática esportiva nas escolas públicas e privadas.
Os rumores para a demissão de Ana Moser – sua ex-colega de governo Margareth Menezes deve ficar de sobreaviso – ecoavam nos corredores do Planalto e na Câmara dos Deputados há mais de uma semana, provavelmente esperando que a ministra tomasse a iniciativa de sair, o que não ocorreu.
Em seu último ato no cargo, Ana Moser divulgou nota onde diz que “vê com tristeza e consternação a interrupção temporária de uma política pública de esporte inclusiva, democrática e igualitária no governo federal”, lamentando que as promessas de campanha, sem citar o presidente, “tenham tido tão pouco tempo para se desenvolverem”.
A reação nos meios esportivos foi imediata. Um grupo de 80 atletas e ex-atletas, das mais diferentes modalidades, se manifestou numa nota, lembrando que, pela primeira vez, as políticas públicas estiveram no centro das discussões do ministério. A nota foi assinada pelos jornalistas Cleber Machado, do SBT, e Juca Kfouri e José Trajano, do Uol. Petista de carteirinha, Trajano afirmou: “O esporte está de luto. Mais uma vez foi tratado como barganha política. Vergonha!”
Lula repetiu, em várias oportunidades, antes das eleições, que não adotaria a política do “toma lá, dá cá”, o loteamento de cargos instituído por todos os presidentes, inclusive ele, após a redemocratização, em 1985. Promessa não cumprida diante da fome de poder do Centrão, liderado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, cujos membros não se sentem saciados. Estão sempre querendo mais. Sem ideologia, votam de acordo com seus interesses e não com os do País. Recebem altos salários, que são acrescidos de sinecuras, além das emendas parlamentares, verbas do Fundo Partidário e do orçamento secreto.
Para garantir a governabilidade, Lula abriu as torneiras do Tesouro, distribuindo R$ 16 bi às vésperas de votação de projetos de grande interesse do Executivo. A previsão para este ano do orçamento secreto é de R$ 46 bi. Os afagos do presidente ao Centrão incluem cargos de relevância. Por que foram criados 37 ministérios? Lógico, para abrigar os “famintos”.
Com a última “reforma” ministerial – a única sacrificada foi Ana Moser – , o governo aumentou de 9 para 11 os partidos sua base de apoio no Congresso. Lula criou mais um ministério, o de Micro e Pequenas Empresas, entregue a Márcio França, que se encontrava na pasta que cuida dos portos e aeroportos, transferida para o deputado Sílvio Costa Filho (Republicanos – PE). O Ministério do Esporte foi colocado nas mãos do deputado André Fufuca (Progressistas – MA).
No preenchimento de cargos públicos no Brasil, o especialista nem sempre é indicado para ocupar uma função dentro de sua área específica. O Fufuca, por exemplo, é diplomado em Medicina, mas desde jovem se inclinou para a política, uma vocação familiar. Não há registro de que o novo ministro seja um aficionado pelo esporte; que frequente o “Castelão”, vestindo a camisa do Sampaio Correa, representante maranhense no Brasileirão da série “B”.
Fica a pergunta no ar: “Por que Lula não demitiu, por justa causa, o ministro das Comunicações?”. Deputado pelo União, Juscelino Jr. é investigado pela Polícia Federal por fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Pesa sobre o ministro a acusação de ter destinado verbas do orçamento secreto para o município de Vitorino Freire (MA), onde sua irmã Luanna Rezende era prefeita até ser investigada pela PF. Juscelino responde também por ter usado dinheiro público para asfaltar a estrada que leva até sua fazenda, onde cria cavalos de raça.
Sem dúvida, o Lula dessa vez chutou a bola contra suas próprias redes.
OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Quem aqui não se lembra, entre os mais velhos, que quando se terminava o curso médio (clássico ou científico naquela época) e o indivíduo precisava trabalhar, tinha logo que fazer um curso de datilografia para ingressar no mercado, principalmente num banco ou escritório de uma empresa? Pois é, mas hoje você tem que ser muito bom em informática. Era a era do rádio e início da televisão, sem contar o jornal impresso, muito mais antigo. Quem não se recorda do mimeografo, que servia até para imprimir às escondidas folhetos subversivos de protestos contra o governo? A máquina fotográfica era analógica com rolos de filmes e hoje tudo é digital. O gravador para o jornalista fazer uma entrevista mais parecia com um tijolo de alvenaria. As gravações atuais são através de um celular ou um micro aparelho cheio de memórias e chips. Os telefones eram fixos e complicados para uma conversa mais longa. O repórter quando ia a uma cidade para uma cobertura jornalística não dispunha dos recursos que existem hoje, mas fazia um bom trabalho, talvez melhor que nesses tempos do avanço tecnológico, na tela virtual. Lembro bem de um dia que fui obrigado a passar uma matéria de Bom Jesus da Lapa através do telefone público, cheio de moedas na mão, na maior agonia. Quando não havia laboratório fotográfico na cidade pequena ou estava fechado em final de semana, era um “terror” para enviar o filme. Tudo era muito mais complicado para qualquer veículo de comunicação e para o profissional, mas o cara tinha que se “virar nos trinta”.
O avanço tecnológico facilitou em muito a evolução dos meios de comunicação de massa. Com esse progresso, as notícias e os fatos são divulgados de forma instantâneos, mas nada substitui o conteúdo e a qualidade se não houver uma boa formação profissional da escola. Mesmo com toda essa evolução, não houve, em termos proporcionais, uma melhoria do material que hoje é oferecido ao público ou à sociedade. A culpa disso tudo está no ensino que sofreu uma queda na aprendizagem. Fala-se muito em mudanças tecnológicas nos meios de comunicação, no sentido do visual, na parte gráfica, no áudio e outros itens, mas a qualidade do trabalho ainda deixa muito a desejar.
ANGÚSTIA SOCIAL
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Senhor, alivia minha angústia que por dentro rói!
Acalma esta minha alma na procura de um sentido
Desse incerto futuro e desse presente que tanto dói.
Afasta essa exclusão cruel dos diferentes oprimidos.
Aos pobres são dados a exploração e o sofrimento,
Para uns céus e festas, para outros, penas e gemidos.
Por que aos poetas cabe o enigma do encantamento,
De decifrar o amor e abrir o passado que não passa?
Para o alegre o vento canta, para o triste um lamento.
De fome e frio chora o menino em sua favela canibal.
Os pais abafam o soluço que a angústia do peito brota,
E o sistema segue se alimentando dessa injustiça social.
LULA E SEU PARTIDO CONTINUAM COMETENDO OS MESMOS ERROS
Errar é humano, mas continuar cometendo os mesmos erros já é uma irracionalidade contumaz, e na política isso leva a dar musculatura ao inimigo, no caso a ala extremista que subiu ao poder justamente nessa onda dos tropeços de Lula e do PT no passado.
Só quem não vê o que está ocorrendo são os mais radicais do próprio partido, uma esquerda de extrema. Agora, em nome da tão defendida governabilidade e na ordem da manutenção do poder, o Governo de Lula se junta à ganância retrógrada do Centrão, para retaliar ministérios e criar outros para contemplar os pedidos do bando bandido salteadores da nação.
Foi nessa mesma picada e nesse mesmo método do “toma lá, dá cá” que levou a derrocada do PT e gerou uma avalanche de corrupção, essa mesma que agora está sendo negada por membros do Superior Tribunal Federal depois cinco ou seis anos. Tudo isso dá um nó em nossa cabeça, inclusive da esquerda mais racional e menos fanática.
Acho que tem um parafuso solto em minha cuca porque não consigo entender essa lógica maluca que já deu errada e causou um tremendo estrago em nossas vidas. Novamente, Lula e o PT se conluiem a gente da pior espécie, inclusive seguidores do bolsonarismo que tentaram dar um golpe de Estado.
Trocaram-se apenas os bois mais velhos pelos mais novos e mais perigosos. São mais exímios arrombadores e mais gulosos pela pastagem verde do outro lado da cerca. Como uma esquerda que se diz progressista indica um conservador para ministro do Supremo Tribunal Federal que vota contra a descriminalização da maconha?
Será que estou ficando gagá ou devo me recolher à minha loca como um mocó, ou virar um eremita da caverna como é minha intenção nesse Brasil louco? Virou um samba do crioulo doido, meu camarada! São nesses momentos que a gente fica a pensar quem é e para aonde vai. A coisa não é mesmo para entender. Tem que seguir o caminho, mesmo sendo torto e cheio de espinhos.
Mais atrevido, ousado, impetuoso e até teimoso sou eu que estou colocando minha cara a tapa ao falar tudo isso, sabendo que serei, mais uma vez, esconjurado e excomungado, que não sabe discernir bem o certo do errado e o que é direita e esquerda.
Como se tudo isso não bastasse para deixar minha cachola perturbada ao ponto de ser passível de ser submetido a uma análise psiquiátrica com transtornos mentais graves, vem agora o ministro do STF, Dias Tofilli, para dizer que todo processo da Lava-Jato foi uma armação e o maior erro jurídico da história do Brasil.
O mais contraditório e estúpido é que foi esse mesmo Supremo que há cinco ou seis anos acatou a condenação de Lula e as corrupções dentro da Petrobrás e de outras grandes empresas privadas, como da OAS e Odebrecht!
O próprio Lula veio a público para declarar que o voto particular de cada ministro não deve ser divulgado pela mídia, não deve ser do conhecimento público. Condena até as reuniões abertas. Loucura total, meu irmão! Que democracia é essa?
Todos se fizeram mudos e cegos. Aliás, a Justiça é simbolizada por uma deusa com os olhos vendados. Os acordos de leniência, delações e outros se tornaram inválidos, até quem confessou ter cometido crimes de subornos e propinas. Os valores restituídos dos roubos deverão, então, ser restituídos? Tudo foi feito na base da força do pau de arara, segundo o parecer do ministro.
Fala sério, querem mesmo me deixar pirado! Já disseram que o Brasil não é mesmo um país sério. Nem sei mais qual direção sigo ou de que lado estou. Será que sou mesmo um camaleão ou outro bicho mitológico qualquer, como o Cérbero? Melhor ficar por aqui mesmo, senão posso até ser vítima de um enfarto com essa idade avançada! O inferno é aqui.
A POLÊMICA EM TORNO DA DATA DA CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA
Um grupo de artistas conquistenses está polemizando a questão da data da Conferência Municipal de Cultura ser realizada em dias da semana, no caso, de 11 a 12 do corrente mês, sob o argumento de que poderá ser esvaziada e que isso é intencional por parte do poder público e do Conselho Municipal de Cultura.
Não existe cabimento nessa contestação, embora diga que vivemos num regime democrático e é do direito fazer o “protesto”, desde que haja provas de que a data foi escolhida para que não haja a participação de todos interessados, inclusive da sociedade civil. Todo esse falatório nas redes sociais criou um clima de divisão na cultura, o que não é salutar porque desejamos que a Conferência dê bons resultados.
Um dos propósitos desse evento é extrair dele um Plano Municipal de Cultura que se torne lei a ser aprovada pela Câmara de Vereadores, visando estabelecer diretrizes de políticas públicas que sejam cumpridas pelo executivo, seja quem for o prefeito ou prefeita. Outro problema é que o questionamento veio de última hora quando tudo já está programado para o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima. Dentro do regime democrático existe ainda a apelação judicial com uma liminar para que a Conferência seja em final de semana.
NOTA DE ESCLARECIMENTO DO CONSELHO
Nesse sentido, o Conselho soltou uma nota de esclarecimento na tarde desta terça-feira que segue na íntegra:
“Quem tem medo de CONFERÊNCIA”? Trata-se de um cartaz postado por um grupo solicitando que seja transferida a data dos dias 11 e 12 de setembro (segunda e terça-feira) para um final de semana. Primeiro, responderíamos que muito pelo contrário. Almejamos que o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima esteja lotado e o evento seja ao máximo participativo, para que a Conferência renda bons frutos e dela saia o Plano Municipal de Cultura, que se torne lei no sentido de que o poder executivo cumpra com suas obrigações e diretrizes da política cultural do município.
Segundo, respeitamos de forma democrática as opiniões adversas dos artistas conquistenses quanto a questão da data, mas seria impossível contentar a todos, especialmente no tocante ao tema em pauta. Por outro lado, a data apresentada e agendada pela Secretaria de Cultura, Esportes, Turismo e Lazer-Sectel foi totalmente transparente e aprovada por maioria em reuniões ordinárias do Conselho Municipal de Cultura, realizadas em julho e agosto passados, inclusive o Regimento Interno da Conferência. O assunto foi discutido e acatado pela assembleia do colegiado.
Terceiro, em todo nosso mandato defendemos a não politização da cultura e sim o fazer política cultural e não o inverso. Com isso, não estamos de forma alguma julgando e afirmando que a defesa de mudança da data pelo grupo para um final de semana tenha viés político e pessoal. Como dissemos antes, todos têm o sagrado direito de divergir e contestar.
Dito isso, observamos que o documento protocolado junto à Sectel carece de maior autenticidade e que, pelo menos, fosse assinado por uma comissão responsável, mas não vamos polemizar essa questão. Outro abaixo-assinados argumenta que a conferência sendo realizada num final de semana proporcionaria uma maior participação dos artistas e da sociedade civil.
É um ponto de vista que pode ser relativizado porque muitos setores da nossa cultura, como músicos, do teatro, da dança, da cultura popular e outras linguagens têm maior parte de suas atividades justamente realizadas em final de semana, destacando shows cansativos de sexta a domingo, o que dificultaria uma ativa participação na Conferência. Analisamos as conferências realizadas e agendadas no território sudoeste e constatamos que, dos 24 municípios, somente quatro pequenos tiveram suas datas em final de semana. As maiores cidades, como Feira de Santana, Ilhéus e Itabuna optaram pelos dias da semana.
Por fim, caros artistas conquistenses, todo material, local e programação geral já estão prontos e confeccionados pela Sectel, tornando difícil desfazer de tudo isso para transferência de uma data para um final de semana. Contamos e esperamos, respeitosamente, a compreensão de todos, sem ressentimentos e animosidades para que realizemos uma Conferência onde só a cultura saia ganhando e floresça em nosso município.
O PIB E O MEIO AMBIENTE
Nos tempos passados ninguém imaginaria que haveria ciclones e tempestades com mais de 100 quilômetros por hora como vem ocorrendo no sul do país! Que o deserto de Nevada nos Estados Unidos iria virar lama! Que regiões da Europa atingiriam o calor de 50 graus! Que os tufões ficariam cada vez mais frequentes e arrasadores! Todos os dias a mídia anuncia catástrofes e tragédias em algumas partes do planeta, com centenas e milhares de mortes.
Alguns estudiosos preferem explicar que tudo isso está relacionado a fenômenos climáticos naturais e até renegam a tese do aumento da emissão de gases na atmosfera e a destruição avassaladora do meio ambiente pelo terráqueo, sem pena e compaixão. Há séculos que esse ritmo de depredação da natureza vem acontecendo e ela agora está dando sua resposta.
Nas reuniões climáticas, os chefes de Estado e seus staffs discutem, prometem e assinam documentos de que vão reduzir seus níveis de poluição, mas no meio aparece o tal do PIB-Produto Interno Bruto onde cada nação entra na corrida para produzir cada vez mais, o que significa mais consumo. Falam em desenvolvimento sustentável e até nessa venda de carbono para amenizar a situação, mas o estrago já foi feito.
Não sou doutor e nem especialista no assunto, mas não precisa ser nada disso para perceber que a destruição da terra e da humanidade que nela habita não tem mais retorno. Algumas medidas são apenas paliativas porque, enquanto se retira, por exemplo, uma tonelada de lixo do ambiente numa hora, outras milhões de toneladas de sujeiras são jogadas em nosso planeta. A conta nunca bate.
Só para ficarmos aqui no Brasil, perdemos a conta das catástrofes provocadas pelas empresas comerciais e industriais, principalmente mineradoras e químicas, como a da Barragem de Mariana, a de Brumadinho (Minas Gerais), a da Braskem, em Maceió (Alagoas), com o afundamento do solo da capital e tantas outras. São centenas e milhares de vítimas e sempre aparecem outras tragédias.
É o famoso embate entre o PIB, o consumismo exagerado e o meio ambiente, sem falar no instinto primitivista do ser humano de se autodestruir por causa da luxúria, da ganância, do individualismo e falta de educação. Não adianta enganar a natureza e já chegamos a um ponto onde a maior parte degredada não tem mais recuperação.
Como exemplo mais próximo de nós, cito aqui o caso da Serra do Periperi em Vitória da Conquista que durante anos sofreu com o seu desmatamento, retirada de pedras, cascalhos e areia. Nas épocas de fortes chuvas, a Serra devolve os detritos e entulhos para o centro, bairros das encostas, ruas e avenidas.
A DIVINA COMÉDIA-INFERNO
DANTE ALIGHIERI – TRADUÇÃO DE JOSÉ PEDRO XAVIER PINHEIRO
No Canto XV, o autor narra que os poetas encontram a caminho do inferno um grupo de violentos contra a natureza. Entre estes está Brunetto Latini, de Florença, que dá ao poeta ligeiras notícias a respeito das almas que estão danadas com ele e foge para reunir-se a elas.
Em suas estrofes de três versos, Dante fala da força brava do mar e dos gelos que se derretem, o que nos faz lembrar dos tempos atuais onde o próprio homem ganancioso por aumentar seu PIB destrói, impiedosamente, o meio ambiente.
Numa das estrofes Alighieri diz “Mas esse ingrato povo é tão malígno,/Que outrora de Fiesole (pequena cidade perto de Florença) viera/ E tem de penha o coração ferino”.
“Velha fama os diz cegos, sempre useiros/Na soberba, na inveja, na avareza./ Deles te esquiva; em vícios são vezeiros.” Desta ainda que o vilão lavra a terra como deseja. Finaliza seu canto assinalando que “Mais ser quem vence do que ser quem perde”.
No Canto XVI, no terceiro compartimento do inferno do sétimo círculo, os poetas encontram outro bando de almas de sodomitas, no qual se destacam três ilustres compatriotas de Dante. Eles falam da decadência das virtudes políticas e civis de Florença. São temas ainda atuais aos nossos tempos.
Dante se aproxima das almas dos violentos contra a arte e reconhece alguns deles no Canto XVII. Ele e Virgílio descem ao oitavo círculo. No Canto XVIII, os poetas se encontram no oitavo círculo, dividido em dez compartimentos. Em cada um deles é punido uma espécie de pecadores, condenados por malícia ou fraude.















