QUEM TEM A FELICIDADE?
Estava aqui pensando numa maluquice, dessas de deixar qualquer um pirado. Já imaginou, pelo menos por um ano, todos os brasileiros se tornarem, em corpo e alma, norte-americanos ianques (me deixa fora dessa) e forem viver nos Estados Unidos, com tudo quanto tem direito! Por sua vez, eles viriam para o Brasil, para sentirem a barra pesada e descobrirem o que é mesmo felicidade!
Poderia proceder o mesmo colocando os países africanos mais pobres dentro dos nórdicos, e vice-versa. Riquinhos passando fome! Os latinos seriam asiáticos, e os asiático latinos. A Europa seria o Oriente (Iraque, Turquia, Egito e outros do mundo islâmico), ou poderia o Brasil ser Europa e levar os EUA para a terra dos “infiéis” terroristas islâmicos. Cada um se colocando no lugar e na pele do outro.
Seria a maior experiência laboratorial nunca realizada na história da humanidade. Quem sabe assim, depois de um ano, o mundo não seria melhor e mais feliz? Coisa de doido, mas que deve ser analisada com muita seriedade. Impossível, mas vale a pena tentar! Poderia ser uma solução e uma aprendizagem e tanta de vida!
Não sou muito de acreditar em estatísticas e tem aquelas óbvias ululantes, como as que dizem que o Brasil é um dos países mais desigual do mundo e que nossa educação é uma das piores. Tem também certas pesquisas, sem muita utilidade prática, que são feitas por cientistas desocupados. Não que seja negativista do tipo da terra plana!
Nos tempos atuais, valorizam mais os animais silvestres e domésticos que os seres humanos, que também são animais, os quais são chamados de racionais. Nem tanto assim, meu amigo camarada! São tantas as barbaridades, violências, ganâncias, incoerências e paradoxos! Como são racionais? É questionável!
O que tudo isso tem a ver com a felicidade? Que cara chato sou eu que não entra logo no âmago do assunto proposto! É que vi uma pesquisa, não olhei bem quem fez e qual o órgão, dizendo que os países gelados são os que têm mais felicidade. Pensei logo, por que não despejar toneladas de gelos em nossas cabeças? O Brasil se tornaria numa grande geleira, como no Alasca, no Polo Norte!
Pela apuração dos desocupados, a Finlândia é o país mais feliz do mundo pela sexta vez. Os outros são os gelados nórdicos da Noruega, Dinamarca, Suécia, Islândia e, nesse caso, por que não a Rússia, especialmente a região siberiana onde para lá são levados os opositores do governo, desde os tempos de Stalin. Os presos políticos chegam lá e ficam logo felizes.
O que mais transmite felicidade? É o gelo, o grau de instrução, a soberania, a segurança, a proteção e a qualidade de vida? Ah sim, ia me esquecendo que no ranking da pesquisa o Brasil ocupa a quadragésima nona posição no item felicidade. Aleluia! Aleluia!
Para dizer a verdade, sob a análise do nosso caldeirão de problemas, desde o racismo, a xenofobia, a homofobia, a pobreza e a miséria, o ódio e a intolerância, até que estamos numa boa colocação. Merecemos até umas medalhinhas, mesmo que sejam de latão. É por isso que não sou muito ligado nessas estatísticas.
Outra pesquisa feita por uma professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que o dinheiro, sim o dindim, todas daquelas notas de 100 numa carreta (as de 200 são fake news), fabrica felicidade. Nesse sistema capitalista burguês consumista sou obrigado a concordar, com algumas controvérsias, como dizia o aluno da “Escolinha do Professor Raimundo”. “Há controvérsias mestre”!
É, sem dinheiro a pessoa fica macambúzia e banza, como africano escravo aprisionado num porão de navio negreiro e levado para longe da sua terra natal, para receber chibatadas do seu dono, essas de cortarem o lombo. Dizem que comprar presentes em shopping aflora a felicidade, mesmo que seja por um certo período.
Viver em mansões, ter carrões de luxo e viajar, mesmo que sejam frutos da corrupção, também oferecem felicidade. Que se dane a consciência e a ética! Ela também tem seu preço e se rende quando se possui sacos e sacos de grana. A pesquisadora esqueceu de citar que o poder também traz felicidade. Aliás, poder e dinheiro andam de mãos dadas. São donos da felicidade.
Entretanto, como o homem não é tão racional assim, o money dos imbecis traz desgraças e até mortes em famílias (as malditas heranças) e incita o indivíduo a passar a rasteira no outro, sem dó e compaixão. A corrida do ouro, tão comentada pela história, deve ter ligação direta com a corrida pela felicidade, não importando o preço a pagar. Que viva a felicidade, mesmo que seja uma mera ilusão pas
“FLUXO E REFLUXO” XI
AS REBELIÕES, OS MOTINS E O
RETORNO DOS NEGROS Á ÁFRICA
A partir do início do século XIX, por volta de 1807, ocorreram na Bahia várias rebeliões dos negros nagôs, haussás e da etnia tapas, culminando com a grande revolta dos malês, em 1835, que deixaram os brancos assustados com um possível massacre como aconteceu no Haiti no final do século XVIII.
Esses fatos narrados em “Fluxo e Refluxo”, obra do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, deram sequência a um retorno dos africanos para suas terras de origem. Muitos ainda eram escravos recém-chegados como levas do tráfico ilegal e foram deportados como punição por participarem dos levantes.
A partir de 1835, o cerco da polícia começou a se fechar contra os negros nascidos no Brasil, mesmo os emancipados, com punições severas e todos passaram a ser vistos como ameaças à segurança da província. Não podiam sair à noite e, por qualquer motivo, eram presos e submetidos a chibatadas em praça pública.
Diante da situação, houve um movimento de retorno dos africanos livres para suas nações de origens, com o consentimento do próprio governo da província e apoio dos brancos que temiam por mais rebeliões. Com os acontecimentos, as outras províncias recusavam comprar os negros escravos que fossem da Bahia. Com isso, os preços despencaram e os donos tiveram grandes prejuízos.
Conta Pierre Verger que a primeira rebelião na Bahia estava prevista para 28 de maio de 1807. Os escravos haussás haviam preparado arcos e flechas, facões, pistolas e até fuzis. Tanto os negros da cidade quanto os dos engenhos deviam se juntar fora de Salvador na noite do dia 28. A proposta era fazer guerra aos brancos, matar seus senhores e envenenar as fontes públicas.
Eles tinham também em mente retornar à África apoderando-se de navios ancorados no porto. No entanto, dias antes o governador foi prevenido por uma habitante, colocado a par da conspiração por um de seus escravos. O movimento foi abafado e seu líder de nome Antônio, haussás, e seu amigo Balthazar foram condenados à morte.
Ocorreram outras tentativas de rebeliões entre os anos de 1809 e 1810. Em fevereiro de 1814, todos escravos das peixarias Manuel Ignácio da Cunha, João Vaz de Carvalho e de agricultores vizinhos, entre mais de seiscentos, atacaram as instalações dos senhores aos quais pertenciam, ateando-lhes fogo. Ao todo, treze brancos foram mostos e oito gravemente feridos. Os negros resistiram às tropas de infantaria e 56 negros perderam a vida, a maioria de haussás.
Apesar das medidas de repressão, as revoltas continuaram, como em 1816, 1826/27/28, com invasões em engenhos, peixarias e instalações de empresas. Em 1830, mais de uma dezena de negros invadiram uma loja de Francisco José Tupinambá, na rua Fonte dos Padres, na Cidade Baixa.
A polícia e a tropa fizeram quarenta prisioneiros e mataram cinquenta negros. Muitos outros fugiram na mata e foram perseguidos pelos policiais. A revolta de 1835 teve maior repercussão em toda colônia.
As autoridades da província da Bahia e os senhores patrões suspeitavam que os ingleses, que formavam a maior colônia de estrangeiros em Salvador, moradores do corredor da Vitória e vizinhanças, estivessem envolvidos nessas conspirações por causa das proibições ao tráfico que não eram cumpridas.
“TULIPAS RARAS”
Em conversas informais sobre como anda a cultura em nosso pobre rico país, com destaque para a literatura, ouvi de um dos presentes na Livraria Nobel, antes da apresentação da obra “Tulipas Raras”, da escritora e diretora da Casa da Cultura, Poliana Policarpo, que lançar livro no Brasil é somente para os “loucos”. Que seja no sentido figurado ou uma metáfora irônica, me considero um deles, mas um “louco” que faz parte dessa resistência e que deixa, pelo menos, seu traço e sua marca nessa vida tão passageira onde poucos dão sentido a ela. Quem nada faz para contribuir, seja no que for, simplesmente passa sem ser visto e nega sua própria existência. Dizem por aí que para você ser realizado é preciso ter um filho, plantar uma árvore e lançar um livro, mas é muito mais que isso. Tem que ter perseverança, persistência, consciência e, acima de tudo, cultivar aquilo que fez e faz.
Aqui não estou falando apenas de ter a coragem de escrever e lançar um livro, como fez Poliana na noite de ontem, dia 23 de março. “Tulipa Raras”, como diz a própria autora são histórias extraordinárias sobre coragem, força, fé, esperança e transformação. “A Capacidade feminina de converter a dor em superações”. Enfrentar essa rejeição pela cultura; viajar por esse mundo da literatura, que já foi tão enaltecida e nobre; imaginar, sonhar, contar suas vidas para uma só pessoa ou poucos, é coisa somente para “loucos”, Poliana, loucos por essa arte que nos faz crescer e nos amadurecer espiritualmente como ser humano. É um comentário que mostra como ainda estamos longe da civilização, embora digamos que somos civilizados porque sabemos manusear bem um celular, muitas vezes para odiar, xingar e soltar notícias falsas. Achamos que dominamos a tecnologia. Às vezes, somos espertos em ganhar dinheiro, mas incapazes de ler, apreciar e prestigiar uma obra literária.
NA DOR DA SOLIDÃO
Autoria de Jeremias Macário
Arranco na primeira;
Jogo na segunda;
Entro na terceira;
Acelero o pé
Entre a quarta e a quinta,
Na dor da solidão,
Borrado de tinta.
O ponteiro marca agora
Cento e cinquenta por hora,
Ouço uma balada canção,
Que me leva ao passado,
De parar o tempo,
Na dor da solidão.
Abro as janelas;
Desligo o ar,
Para sentir o vento assobiar,
E reduzo nas curvas,
Sem pisar no freio,
Para não capotar.
Avanço nas retas,
Dos cento e setenta,
Na linha do horizonte,
Que nunca some,
E desligo o presente
Que a mente consome.
Nada de avivar o futuro,
Trava de escuro muro,
Como aquelas nuvens
Da tempestade que vem,
Com chuva varrendo o além.
Volto à marcha lenta,
E no peito me atormenta,
Essa dor da solidão,
Da saudade do amor
Que um dia me deixou,
Falo só com o universo
No meu íntimo do verso,
Da vida finita,
De massa bruta,
De confusão e luta.
Ninguém me escuta,
Nem a dita filosofia,
Que não me cura
Dessa dor tão dura:
Coisa do sentimento,
Que não se fecha,
Nem com cimento.
É uma dor varada,
De lança sangrada,
Como fio da espada,
Essa dor da solidão,
Que não tem oração.
AS COTAS, DÍVIDA SOCIAL E A ÁGUA
Sabemos que o Brasil tem uma grande dívida social para com os negros com a vergonhosa escravidão de mais de 300 anos de sofrimentos, torturas e mortes, mas não são essas cotas que vão pagar e apagar essa história do cativeiro.
Por anos eles foram classificados como raça inferior pelos senhores seus donos e também por autoridades, pela própria Igreja Católica, intelectuais e até estudiosos da ciência naquelas épocas, mas os próprios africanos provaram e ficou comprovado que tudo era falso.
As capacidades são iguais. As oportunidades dadas que são diferentes, tanto para os negros como para os brancos pobres que sempre foram excluídos e escravizados pelo capital. Minha concepção de cotas é de reserva de mercado que inferioriza ao invés de valorizar a autoestima das pessoas.
Pode ser o caminho político demagógico mais fácil para mitigar esse fosso da desigualdade social que o sistema burguês, cruel e bruto ao longo desses mais de 500 anos criou no Brasil, mas não é a solução porque o próprio nome cota menospreza e desvaloriza o mérito da pessoa.
Entendo que tudo está na raiz da educação pública de qualidade para todos, com mais escolas estruturadas, mais vagas nas universidades mantidas pelo Estado, professores preparados e não oferecer uma bolsa numa faculdade particular para encher mais ainda o bolso do capitalista mercenário que vende diplomas.
É uma ilusão dizer que as cotas vão acabar com o racismo. E como ficam os pobres brancos que também lutam bravamente para conseguir seu lugar ao sol? Agora mesmo o Lula está estabelecendo uma cota de 30% para os negros em cargos comissionados de confiança no governo federal.
Será apenas uma escolha pela cor da pele? Deixou de detalhar os critérios para as nomeações. Claro que será por imposição política. Será por mérito ou simples compadrio? Continuamos atrasados e fazendo arremedos quando em pleno século XXI ainda estamos discutindo a cor de pele, se negra, branca ou amarela. Será que a pessoa se sente bem em dizer que seu cargo é uma cota?
O que existe é um racismo estrutural difícil de ser eliminado no Brasil. As indicações deveriam ser feitas tendo como base única a meritocracia de quem quer que seja. Sabemos que não é assim. A cota obriga, separa e até pode aumentar a animosidade. Não devolve a autoestima e até cria aquele sentimento de insegurança na função em que o indivíduo está exercendo.
DIA DA ÁGUA
Não deveria estar aqui hoje (dia 22 de março) falando desse assunto tão polêmico, com o risco de ser mal interpretado, se bem que não mais me incomoda, mas sobre o Dia Internacional da Água, do qual nada temos a celebrar porque o homem já se encarregou de lentamente destruir nosso planeta com sua ação poluidora e predadora.
Como sempre, fazem conferências e recomendações para preservação da terra que já está dando suas respostas com o aquecimento global. Não sou nenhum profeta do tempo, mas por várias vezes já comentei que chegamos a um estágio sem reversão porque a própria humanidade não para de aumentar o consumo; derrubar as florestas; matar os mananciais de água; desperdiçar o precioso líquido; aterrar as nascentes; e jogar sua lixeira e esgotos nos rios.
Foi dito por um organismo da ONU que dois bilhões de habitantes (temos cerca de oito bilhões) consomem água não potável e até passam sede. Claro que as nações pobres da África, da Ásia e da América Latina são as mais atingidas. Os ricos depredam, e a desgraça sobra para os pobres. Seria um ordenamento natural das coisas?
SEM MÉDICOS NOS BAIRROS E ZONA RURAL PARA ATENDER NOS POSTOS DE SAÚDE
Quando o governo federal lança o programa “Mais Médicos” para atender a população carente nas cidades e nas zonas rurais, em Vitória da Conquista parece que foi implantado o plano do “sem médicos”. Marquei uma consulta para um otorrino, no posto do Bairro Felícia ou Jardim Guanabara, que já completou agora um ano de aniversário sem ser chamado. Caso fosse uma doença grave já estaria morto. Tente fazer uma mamografia ou uma tomografia!
A situação aqui é tão crítica e caótica que estabeleceram o absurdo de que se duas pessoas estiverem doentes na mesma família, só um poderá ser atendido. Entre uma criança, um jovem ou adulto, vai a criança como prioridade. Se for dois adultos, escolhe-se o mais idoso. Pode-se também fazer um sorteio, ou par ou ímpar, se as idades forem iguais. Um pode ser o defunto.
A educação, a saúde e a cultura estão a pedir socorro em Conquista, sem contar a falta de pavimentação nos bairros mais periféricos. É bom reformar o Estádio “Murilão”, revitalizar a Lagoa das Bateias e a área do Cristo, mas a educação e a saúde devem estar em primeiros lugares. Sabemos que esse quadro de penúria não acontece apenas em Conquista, mas estou me referindo ao nosso em particular.
Somente num país atrasado e culturalmente ainda colonial como o Brasil não se prioriza a educação e a saúde. Um povo ignorante e sem saúde não sabe nem o significado de nação quanto mais o que é uma democracia. Não existe cidadania num país doente, sem educação e cultura. Não passa de um simples mapa com demarcação territorial que abriga milhões de desassistidos.
O que adianta o desenvolvimento econômico de Conquista, com construções brotando em todos seus pontos cardeais, se temos um povo excluído da saúde? Tem gente que a há anos espera por uma simples marcação de um procedimento simples de uma ressonância para tratar sua doença.
Isso de negar a saúde poderia ser motivo de afastamento de um prefeito ou prefeita, se o Brasil fosse um país sério e respeitasse os direitos humanos. Trata-se de vidas humanas e quem foi eleito tem a obrigação humana de aliviar a dor do outro acima de qualquer tipo de obra.
A lei poderia ser bem mais rígida e criminalizar o executivo ou executiva que deixasse um enfermo sem atendimento médico. O pior é que, mesmo com isso tudo, gasta-se o dinheiro do contribuinte em propaganda. O povo está vendo tudo.
Sei que tem muita gente que não gosta do que falo, mas, paciência, não consigo ver as coisas erradas nessa política para ficar calado. Quando atuava no jornal “A Tarde”, não era bem visto em minhas críticas e observações. Tinha até gente que dizia que eu passava uma imagem negativa de Conquista em minhas reportagens jornalísticas.
Estou completando agora entre março e abril deste ano 50 anos de jornalismo profissional e de diplomação pela UFBA e sempre procurei, mesmo com meus erros e tropeços (somos humanos), fazer meu trabalho com seriedade e ética, seguindo a minha formação familiar. Não minha visão, não se trata de ser de direita, centro ou esquerda. Na minha carreira já tive até inimigos, mas não guardo rancor.
UM PROGRAMA SEM ALTERNATIVAS
Tudo que é dado como benefício para tirar a pessoa da miséria tem que ter o seu limite de terminar para que não se torne em esmola e dependência para sempre. Quem me ler já sabe que estou falando do Bolsa Família de 600 reais e mais 150 para ajudar os filhos menores.
Não estou sendo contra alimentar a quem tem fome porque essa tem pressa e dói muito no indivíduo, principalmente na criança, tanto espiritual no psicológico como fisicamente. O que me incomoda é que o governo federal não apresenta um projeto alternativo do tipo popular de ensinar essa gente excluída a pescar.
Pelo que sei, essa Bolsa Família, que teve seus primeiros passos lá no Governo de Fernando Henrique Cardoso (vale gás) e foi oficializada com Lula, incluindo aí o Auxílio Brasil com o presidente-capitão Bozó durante a pandemia, já tem mais de 30 anos.
De lá para cá, pelo que eu saiba, a pobreza só fez aumentar engrossando o número de dependentes, como na Bahia, o estado com mais inscritos no Brasil. Daqui a mais 30 anos estaremos na mesma situação ou até pior. Não são as três refeições diárias que vão fazer com que as famílias passem à condição de pobreza para classe média baixa. Vão continuar na miséria.
Sem uma alternativa de emprego, obras de saneamento, de treinamento e de educação de qualidade para todos nas escolas públicas, elas vão permanecer pobres morando nas favelas e nas periferias das periferias. Esse benefício vai continuar para sempre, com um alto custo de bilhões, sem uma perspectiva de reduzir o número de beneficiários?
Por outro lado, sabemos que todo programa desse tipo está sujeito a fraudes por mais que seja aperfeiçoado. Sempre vão ter milhares recebendo esse dinheiro quando não deveriam ser contemplados, o que constitui injustiça social. Por que não investir em saneamento básico, casas populares e empregar, de preferência, esse próprio pessoal?
Outro aspecto é que é fato e notório que muitos pegam esse dinheiro para adquirir outros bens, muitas vezes deixando a casa sem o básico alimentar. Sei de muita gente, como moradores de rua que são acolhidos em abrigos municipais que sacam esses 600 e vão comprar drogas ou para uma boate gastar em bebidas e com mulheres. Como controlar quem faz isso e cortar o benefício? É impossível fazer essa fiscalização e apurar os desvios.
O Bolsa Família, que visa dar comida a quem tem fome, sem um projeto de trabalho e renda, é uma dívida social que nunca fecha, além de ser geradora de votos, mantendo o mesmo sistema de poder político que não tem o interesse de melhorar o nível de instrução do povo brasileiro. Melhor assim porque é mais fácil manipular a ignorância.
MUITA ENROLAÇÃO DA VIA BAHIA QUANTO A DUPLICAÇÃO DA BR-116
Não me venha com essa de mimimi, senhor presidente da Via Bahia, José Bartolomeu, sobre a duplicação da BR-116, prometida há 13 anos e que até agora nada foi feito, a não ser uma extensão de Feira de Santana até o Paraguaçu. Muita enrolação e nada de concreto!
O encontro para discutir essa obra, realizado na manhã de ontem (dia 17/03), no auditório do Cemae, com entidades conquistenses, foi uma total decepção em termos de resultados práticos, e a própria organização pecou quando o dirigente falou por último dos pronunciamentos da mesa.
A reunião mais pareceu um debate político em época de eleições para ver quem mais se sobressaia no discurso para ganhar o voto do eleitor. Somente alguns representantes dos segmentos da sociedade tiveram o direito de fazer as ponderações e perguntas.
O debate deveria ter sido aberto ao público em geral, por sinal bem seleto, sem a participação das comunidades e associações de bairros em torno do Anel Viário que mais sofrem com os acidentes e transtornos de locomoção. A representação direta do povo sempre fica excluída nessas ocasiões.
O sr. Bartolomeu começou por narrar a difícil situação financeira da empresa e só faltou propor aos presentes da plateia a formação de uma “vaquinha” para ajudar a Via Bahia cobrir seu suposto “déficit” de caixa. Bem que ele poderia ter vindo com uma cuia!
Em sua fala, o presidente tratou logo de jogar a culpa nos órgãos do governo federal que não aceitam, segundo ele, assinar cláusulas de reavaliação do contrato. Seus advogados incluíram itens absurdos como forma de prolongar o processo que corre na Justiça para que a empresa cumpra com suas responsabilidades ou entregue a concessão.
Essa de descumprimento de acordos, tratados e convenções, sr. Bartolomeu, é uma questão cultural que veio de Portugal e se disseminou pelo Brasil colonial até os tempos atuais. Adotou-se aqui entre empreiteiros e construtores a cultura dos aditivos, sempre com mais verbas para concluir os serviços. Os acordos assinados em papel nunca são respeitados.
Esse contrato da Via Bahia foi feito “para inglês ver”, como a lei da abolição do tráfico negreiro assinada entre Brasil e Inglaterra, em 1831, onde as companhias de traficantes burlavam e transgrediam as normas estabelecidas. Foi preciso os britânicos ameaçarem invadir o país para ser criada a Lei Eusébio de Queirós, em 1850.
Não venha com essa, sr. Bartolomeu, de reequilibrar para voltar mais forte! Ninguém engole mais isso. Foi tão irritante que o público presente ensaiou um movimento de “Fora Via Bahia”, o que significa que essa concessionária não é mais desejada aqui. É persona non grata, e que se faça a licitação com outra empresa, mesmo tendo que esperar por mais quatro anos.
A única promessa amarelada que o presidente da Via Bahia deixou foi a de que as obras de duplicação, a partir de Poções até depois de alguns quilômetros de Vitória da Conquista, começariam a partir do segundo semestre, mas ninguém acredita mais nisso.
Lembro quando foi construído o Anel Viário de Conquista há quase 30 anos no Governo de Fernando Henrique Cardoso por proposição do deputado federal Coriolano Salles e emendas de outros parlamentares. Se não me engano, a princípio o projeto contemplava viadutos e passarelas nas vias de saídas e acessos da cidade.
Hoje esse Anel é uma arapuca da morte, e a Via Bahia fez apenas uns armengues com a colocação de cones e fechamento de ruas e loteamentos com gradis de ferro, impedindo a passagem das pessoas de um local para o outro. O mesmo armengue foi feito na BR na entrada do aeroporto. Cadê o viaduto e a outra pista paralela até a cidade prometidos pelo Governo do Estado e a empresa?
No Centro Industrial dos Imborés a situação é caótica e sempre está ocorrendo acidentes com mortes. O trânsito pesado de caminhões, carretas e veículos pequenos na entrada e saída de quem vem do Rio de Janeiro para o Norte ou vice-versa se tornou um inferno.
São mais de 36 milhões de carros em circulação por ano que atravessam Conquista. Até quando vamos ter que aturar essa Via Bahia, só nos tirando dinheiro nos pedágios? É abusar muito da nossa paciência! Como as vozes que clamaram da plateia: Fora Via Bahia!
TUDO COMEÇOU COM O “VINHO VINIL”
São mais de dez anos de história que nasceu do encontro de amigos que tiveram a ideia de criar o grupo do “Vinho Vinil”. Como a própria denominação já diz tudo, o objetivo era unir as duas coisas, mas com o propósito principal de valorizar o vinil. Não se podia ouvir músicas de outra mídia, tocar viola e nem tomar outra bebida que não fosse o vinho. Não demorou muito e outras pessoas foram chegando. Em pouco tempo, o “Vinho Vinil” se transformou num sarau, com cantorias variadas, declamação de poemas, contação de causos e a concessão de se tomar outras bebidas, mas o vinho permaneceu como carro-chefe. O “Vinho Vinil” tomou outras proporções e formatos se tornando em “Sarau a Estrada”, com um tema em sua abertura, como no último do dia 11 de março (sábado) que foi “Uma Nação em Correrias”, que discorreu sobre a vida e a história do povo cigano. Foi uma noite em que baixou o espírito cigano, com muita alegria e as mulheres todas fantasiadas, de acordo com a temática. Durante esses anos já falamos sobre diversos assuntos, mas existe um princípio que não pode ser quebrado: Não discutir política partidária para não ocorrer atritos. Dito tudo isso, a cereja do bolo é que esse sarau hoje tem sua própria personalidade, história e identidade. Nesses mais de dez anos aconteceram muitas coisas interessantes e curiosas que merecem uma crônica bem contada. A parte triste é que três participantes mais frequentadores já partiram para o além. A história desse sarau e mais detalhes, prometo registrar depois através de um artigo ou uma crônica com fatos interessantes. No mais, por enquanto, o nosso papo vai ficando por aqui.
LUA ADVERSA
Cecília Meireles
Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
Fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e vêm,
No secreto calendário
Que um astrólogo arbitrário
Inventou para meu uso
E roda a melancolia,
Seu interminável fuso!
Não me encontro com
Ninguém
(tenho fases como a lua…)
No dia de alguém ser meu
Não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
O outro desapareceu…






















