AS COTAS, DÍVIDA SOCIAL E A ÁGUA
Sabemos que o Brasil tem uma grande dívida social para com os negros com a vergonhosa escravidão de mais de 300 anos de sofrimentos, torturas e mortes, mas não são essas cotas que vão pagar e apagar essa história do cativeiro.
Por anos eles foram classificados como raça inferior pelos senhores seus donos e também por autoridades, pela própria Igreja Católica, intelectuais e até estudiosos da ciência naquelas épocas, mas os próprios africanos provaram e ficou comprovado que tudo era falso.
As capacidades são iguais. As oportunidades dadas que são diferentes, tanto para os negros como para os brancos pobres que sempre foram excluídos e escravizados pelo capital. Minha concepção de cotas é de reserva de mercado que inferioriza ao invés de valorizar a autoestima das pessoas.
Pode ser o caminho político demagógico mais fácil para mitigar esse fosso da desigualdade social que o sistema burguês, cruel e bruto ao longo desses mais de 500 anos criou no Brasil, mas não é a solução porque o próprio nome cota menospreza e desvaloriza o mérito da pessoa.
Entendo que tudo está na raiz da educação pública de qualidade para todos, com mais escolas estruturadas, mais vagas nas universidades mantidas pelo Estado, professores preparados e não oferecer uma bolsa numa faculdade particular para encher mais ainda o bolso do capitalista mercenário que vende diplomas.
É uma ilusão dizer que as cotas vão acabar com o racismo. E como ficam os pobres brancos que também lutam bravamente para conseguir seu lugar ao sol? Agora mesmo o Lula está estabelecendo uma cota de 30% para os negros em cargos comissionados de confiança no governo federal.
Será apenas uma escolha pela cor da pele? Deixou de detalhar os critérios para as nomeações. Claro que será por imposição política. Será por mérito ou simples compadrio? Continuamos atrasados e fazendo arremedos quando em pleno século XXI ainda estamos discutindo a cor de pele, se negra, branca ou amarela. Será que a pessoa se sente bem em dizer que seu cargo é uma cota?
O que existe é um racismo estrutural difícil de ser eliminado no Brasil. As indicações deveriam ser feitas tendo como base única a meritocracia de quem quer que seja. Sabemos que não é assim. A cota obriga, separa e até pode aumentar a animosidade. Não devolve a autoestima e até cria aquele sentimento de insegurança na função em que o indivíduo está exercendo.
DIA DA ÁGUA
Não deveria estar aqui hoje (dia 22 de março) falando desse assunto tão polêmico, com o risco de ser mal interpretado, se bem que não mais me incomoda, mas sobre o Dia Internacional da Água, do qual nada temos a celebrar porque o homem já se encarregou de lentamente destruir nosso planeta com sua ação poluidora e predadora.
Como sempre, fazem conferências e recomendações para preservação da terra que já está dando suas respostas com o aquecimento global. Não sou nenhum profeta do tempo, mas por várias vezes já comentei que chegamos a um estágio sem reversão porque a própria humanidade não para de aumentar o consumo; derrubar as florestas; matar os mananciais de água; desperdiçar o precioso líquido; aterrar as nascentes; e jogar sua lixeira e esgotos nos rios.
Foi dito por um organismo da ONU que dois bilhões de habitantes (temos cerca de oito bilhões) consomem água não potável e até passam sede. Claro que as nações pobres da África, da Ásia e da América Latina são as mais atingidas. Os ricos depredam, e a desgraça sobra para os pobres. Seria um ordenamento natural das coisas?











