Autoria de Jeremias Macário

Arranco na primeira;

Jogo na segunda;

Entro na terceira;

Acelero o pé

Entre a quarta e a quinta,

Na dor da solidão,

Borrado de tinta.

 

O ponteiro marca agora

Cento e cinquenta por hora,

Ouço uma balada canção,

Que me leva ao passado,

De parar o tempo,

Na dor da solidão.

 

Abro as janelas;

Desligo o ar,

Para sentir o vento assobiar,

E reduzo nas curvas,

Sem pisar no freio,

Para não capotar.

 

Avanço nas retas,

Dos cento e setenta,

Na linha do horizonte,

Que nunca some,

E desligo o presente

Que a mente consome.

 

Nada de avivar o futuro,

Trava de escuro muro,

Como aquelas nuvens

Da tempestade que vem,

Com chuva varrendo o além.

 

Volto à marcha lenta,

E no peito me atormenta,

Essa dor da solidão,

Da saudade do amor

Que um dia me deixou,

 

Falo só com o universo

No meu íntimo do verso,

Da vida finita,

De massa bruta,

De confusão e luta.

 

Ninguém me escuta,

Nem a dita filosofia,

Que não me cura

Dessa dor tão dura:

Coisa do sentimento,

Que não se fecha,

Nem com cimento.

 

É uma dor varada,

De lança sangrada,

Como fio da espada,

Essa dor da solidão,

Que não tem oração.