Em conversas informais sobre como anda a cultura em nosso pobre rico país, com destaque para a literatura, ouvi de um dos presentes na Livraria Nobel, antes da apresentação da obra “Tulipas Raras”, da escritora e diretora da Casa da Cultura, Poliana Policarpo, que lançar livro no Brasil é somente para os “loucos”. Que seja no sentido figurado ou uma metáfora irônica, me considero um deles, mas um “louco” que faz parte dessa resistência e que deixa, pelo menos, seu traço e sua marca nessa vida tão passageira onde poucos dão sentido a ela. Quem nada faz para contribuir, seja no que for, simplesmente passa sem ser visto e nega sua própria existência. Dizem por aí que para você ser realizado é preciso ter um filho, plantar uma árvore e lançar um livro, mas é muito mais que isso. Tem que ter perseverança, persistência, consciência e, acima de tudo, cultivar aquilo que fez e faz.

Aqui não estou falando apenas de ter a coragem de escrever e lançar um livro, como fez Poliana na noite de ontem, dia 23 de março. “Tulipa Raras”, como diz a própria autora são histórias extraordinárias sobre coragem, força, fé, esperança e transformação. “A Capacidade feminina de converter a dor em superações”. Enfrentar essa rejeição pela cultura; viajar por esse mundo da literatura, que já foi tão enaltecida e nobre; imaginar, sonhar, contar suas vidas para uma só pessoa ou poucos, é coisa somente para “loucos”, Poliana, loucos por essa arte que nos faz crescer e nos amadurecer espiritualmente como ser humano. É um comentário que mostra como ainda estamos longe da civilização, embora digamos que somos civilizados porque sabemos manusear bem um celular, muitas vezes para odiar, xingar e soltar notícias falsas. Achamos que dominamos a tecnologia. Às vezes, somos espertos em ganhar dinheiro, mas incapazes de ler, apreciar e prestigiar uma obra literária.