Longe de mim criticar uma ação da cidadania de combate à fome, criada há 30 anos pelo saudoso Betinho. O mais lamentável é que depois de todo esse tempo o nosso Brasil registra hoje 33 milhões de famintos que vivem em plena miséria, dependendo de um Bolsa Família de cerca de 700 reais por mês. É bom deixar claro  que, além do governo, existem ajudas de milhares de brasileiros através das doações de cestas básicas.

Não consigo entender que durante esses anos os governantes não implantaram políticas públicas sólidas, programas e projetos para se sair desse sistema de doações e esmolas. Preferem dar o peixe do que ensinar a pescar, tanto a direita como a esquerda, porque é uma forma de manipular o voto do eleitor pobre, sem instrução e ignorante.

Imaginem se nesses 30 anos tivesse ocorrido uma ação pública e privada da sociedade no sentido de priorizar a educação, desembolsando bilhões de reais, ou até trilhões, no sentido de proporcionar um ensino de qualidade para as crianças!

Certamente hoje teríamos uma geração de jovens de 25 a 30 anos bem mais qualificada para o mercado de trabalho, e a fome não teria tomado essas proporções alarmantes e vergonhosas. Nada mais estimulante do que o cidadão ganhar o pão do seu próprio suor.

Digo isso porque sou cria de uma família de pobres lavradores que vivia na zona rural, e meus pais se sentiam dignificados de ganhar seu próprio dinheiro. Meu pai, por exemplo, aprendeu a pescar aprendendo outras atividades além da roça. Quando se dá, existe a propensão ao comodismo.

Somente neste ano o Governo Lula vai gastar do Tesouro Nacional 176 bilhões de reais com o Bolsa Família. Concordo que a fome não espera, tem pressa, mas não se apresenta uma saída para tirar esses milhões da extrema pobreza. Mesmo que a pessoa receba três refeições por dia, não quer dizer com isso que ela deixa de ser pobre e dependente.

Posso até estar falando besteiras, mas se o governo investisse esses 176 bilhões em obras de saneamento básico e construção habitacional, priorizando o emprego a todo esse contingente de miseráveis brasileiros, inclusive com programas de capacitação? Não estaria realizando dois benefícios à população?

Essas ações de Bolsa Família, Auxílio Brasil e ou qualquer coisa que se dê o nome, a depender do slogan marqueteiro de cada presidente, vão perdurar até quando? Sem educação e cultura, vamos sempre continuar sendo um país em desenvolvimento, com milhões vivendo na linha da pobreza e da desigualdade social.

Até quando a nação vai suportar volumosos gastos para matar a fome, sem ativar um mecanismo onde as pessoas vivam por conta própria? Na verdade, tudo isso não passa de uma tremenda máquina de fabricar votos e deixar ainda mais o cidadão envergonhado e usado politicamente.