:: 19/abr/2023 . 22:35
“DIA DO ÍNDIO” PARA “DIA DOS POVOS INDÍGENAS” OU ORIGINÁRIOS DO BRASIL
Ainda no primário (cinco anos escolar), quando existia essa primeira etapa no ensino brasileiro, lembro muito bem das comemorações do “Dia do Índio”, quando o professor ou professora falava alguma coisa da sua história e mandava que a gente pintasse alguma figura em alusão a esse povo.
Naquela época os livros de história ainda contavam que Pedro Álvares Cabral havia descoberto o Brasil e aqui chegando fez o primeiro contato com os índios através da troca de presentes (espelhos, pentes e outras bugigangas), levando madeira, plantas e outras riquezas preciosas da natureza.
Como descoberta, se os indígenas já viviam aqui? Na verdade, foi uma invasão continuada e recheada de massacres, guerras, tentativas de escravidão, imposição da religião católica, no caso os jesuítas, sem falar nas doenças que dizimaram centenas de tribos.
O resto dessa história de 523 anos muitos já conhecem, mas ela foi sempre contada pelos vencedores brancos. O “Dia do Índio”, um termo genérico, por exemplo, 19 de abril, perdurou por muitos séculos e somente no ano passado passou a ser “Dia dos Povos Indígenas”.
De acordo com a professora e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), Márcia Mura, a alteração era necessária para refletir as ideias e lutas das diversas sociedade indígenas. Cada povo ou tribo tem sua especificidade linguística, cultura, costumes e hábitos.
Para a professora, o termo índio reproduz a visão do colonizador que remete a ideia eurocêntrica de que os indígenas são atrasados e iguais, desconsiderando suas diferenças. Mas, não é somente isso, a palavra indígena nos leva a originário da terra.
Outra coisa é que “índio” sempre foi visto como um ser atrasado, coisa sem valor, sem importância e atrativo, daí o deboche “isso é programa de índio” quando um evento e ou uma festa não agrada a alguém. Coisa monótona, sem graça. Fala-se muito da discriminação contra o negro, mas pouco com relação ao índio que a sociedade burguesa capitalista simplesmente excluiu.
Não somente a escravidão foi vergonhosa na história brasileira, mas também o que cometeram e praticaram de atrocidades contra o índio. Para os primeiros colonizadores e jesuítas que aqui chegaram, esses povos não tinham alma e eram tidos como pagãos porque eles cultuavam seus deuses e praticavam seus rituais.
A matança contra os índios e as expulsões de suas terras (caso mais recente dos ianomâmis em Rondônia) não aconteceram somente no Brasil, mas em todas as américas. O livro “As Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Galeano, narra o que os espanhóis fizeram em termos de atrocidades e barbaridades. Foi um verdadeiro extermínio.
Os Estados Unidos não ficaram atrás quando resolveram tirar os índios de suas terras na conquista do oeste, com seus generais cruéis cometendo todos os tipos de crimes hediondos. É outra história vergonhosa da humanidade.
Aqui em mesmo em Vitória da Conquista pelo século XVIII e até meados do XIX, o colonizador João Gonçalves da Costa, com seus ajudantes e oficiais, perseguiu impiedosamente os mangoiós e os imborés, descendentes dos Pataxós, tanto que essas etnias praticamente foram extintas da região.
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