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:: 21/abr/2023 . 22:26

QUAL O DESTINO DO MADRIGAL?

Por várias vezes já comentei aqui sobre este assunto, ou esse equipamento municipal que há anos está fechado, mas não custa nada voltar à questão. Os artistas, principalmente do audiovisual e do teatro, estão ansiosos que suas portas se abram para espalhar cultura pela cidade.

Uma pergunta que constantemente está sendo levantada é qual o destino do antigo Cine Madrigal? Estava previsto para ser reaberto em setembro de 2021, e o Conselho Municipal de Cultura já colocou a questão em pauta diversas vezes, inclusive através de ofícios e documentos, um deles entregue em audiência com a prefeita, em julho do ano passado.

Lá está aquele imponente prédio na rua Ernesto Dantas fechado há 16 anos, sendo desgastado pelo tempo. Ali tem história quando bons filmes atraíram milhares de conquistenses. Guarda lembranças na mente de muita gente, namorados, casais, jovens, professores, intelectuais e gente do nosso povo. Eu mesmo estive lá por várias vezes assistindo boas películas.

Com capacidade para mais de mil assentos (poltronas luxuosas) o Cine Madrigal foi aberto em 22 de maio de 1968 com o filme “A Noite dos Generais” e fechado em 2001. Um ano depois, em 2002, voltou às suas atividades, mas teve que encerrar em definitivo suas ações em 30 de julho de 2007. Portanto, foram 38 anos de bons filmes, como o Titanic, que teve maior público. Conquista foi pioneira em salas de cinema (chegou a ter cinco abertas) e experimentou seu bum na década de 40.

O Madrigal foi o último dos cinemas de rua de Vitória da Conquista. Como se diz no popular, o último dos moicanos. Quando fechou as portas por causa da onda da internet, dos DVDs e fitas cassetes, a Igreja Universal – se não me engano – tentou comprar o prédio, mas não deu certo.

Depois de muito discutir, a Prefeitura Municipal, entre os anos 2015/16, no governo de Guilherme Menezes, adquiriu o antigo Cine Madrigal por cerca de um milhão e 100 mil reais, barato pela sua estrutura e localização. Foi utilizado o dinheiro do Tesoura, isto é, do povo, e passado para a gestão da Secretaria de Educação.

São sete anos sem ser utilizado, coisas da Bahia e do nosso Brasil. A intenção do governo passado era transformar o antigo Madrigal num cineteatro, conforme garantiu o secretário de Educação da época, Valdemir Dias, hoje vereador. Até o momento nada aconteceu e lá está o “elefante branco”.

Quando de uma audiência do Conselho Municipal de Cultura, a prefeita Sheila Lemos explicou que o propósito era reativar o Cine Madrigal, mas antes teriam que ser realizadas obras de reforma interna e externa de acessibilidade, de modo a atender as exigências do Corpo de Bombeiros e do Conselho de Engenharia e Arquitetura.

Estamos sabendo que já existe um projeto de licitação para fazer os devidos reparos visando a abertura de suas instalações. No entanto, fica uma interrogação, inclusive dos artistas em geral e da população sobre a sua utilização. Vai ser mesmo um cineteatro, ou apenas mais um estabelecimento de uso da Secretaria de Educação para reuniões, oficinas de capacitação e local de eventos de formatura? É isso que toda sociedade está querendo saber.

Existe a discussão de que haja uma gestão compartilhada entre as Secretarias de Educação e a de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel, mas até o momento pouco se sabe e se anunciou sobre o assunto. O poder público tem a obrigação de informar e dar uma satisfação, mesmo porque é recurso do contribuinte. A Câmara de Vereadores também precisa se pronunciar e entrar nesse debate.

Com a interdição do Teatro Carlos Jheová, na Praça 10 de Novembro, os artistas em geral, músicos, as artes cênicas e outras linguagens ficaram sem local para realizar seus ensaios e eventos. Estão indo, com sacrifícios para outros locais, como o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima que pertence ao estado.

O antigo Cine Madrigal seria o ideal para atender a demanda, mas a nossa cultura, infelizmente, está órfã de pai e mãe. Essa nossa “pobre” cultura anda aí pelas ruas como uma mendiga maltrapilha com a cuia na mão pedindo esmolas. Todos passam e poucos dão atenção jogando umas moedinhas em seu prato.

Queremos uma posição sobre este e outros equipamentos culturais, como a Casa Glauber Rocha, que também se encontra fechada a mercê do tempo que não perdoa no quesito desgaste e destruição do nosso patrimônio histórico, na verdade, um resto que ainda está de pé.

 

 

“FLUXO E REFLUXO” XV

OS DETALHES SOBRE O TRÁFICO ILEGAL DE  ESCRAVOS NA BAHIA.

Eram muitas as trapaças dos navegantes baianos para burlar as vigilâncias inglesas contra o tráfico ilegal de escravos da África na Costa do Benin, principalmente ao norte acima da linha do Equador. Todas irregularidades e transgressões às leis, tratados e convenções estão documentadas na obra “Fluxo e Refluxo”, do etnólogo e fotógrafo francês Pierre Verger.

Veja o que o autor descreve, através de cartas do cônsul Poter, sobre o assunto: “Uma declaração feita em 10 de abril de 1834 (o tráfico tornou-se ilegal no início do século XIX) por um marinheiro do navio Musca dá detalhes a respeito do desembarque na Bahia de 228 escravos mandados pelo Xaxá de Souza (Francisco Félix de Souza).

O marinheiro desceu para terra com o segundo capitão para tomar disposições com o consignatário na região da “Torre” (Casa Garcia D´Ávila). Então navegaram quatro ou cinco dias ao largo da “Torre”, e uma grande garoupeira veio pegar os escravos a bordo e trouxe uma carga de pedras como lastro”.

Em outra passagem, conta que um cruzador britânico vindo do Rio de Janeiro, em setembro de 1838, trazia uma declaração sobre o caso do brigue americano Dido que chegou a Salvador com 575 escravos e estava à vista das dunas de areia das praias da Bahia.

Como viu uma corveta inglesa, o Dido içou as cores americanas. Na mesma noite, 570 cativos (cinco morreram na travessia) foram entregues no povoado perto da ponta de Itapuã. O navio foi limpo e no dia seguinte apareceu na Bahia com a bandeira dos Estados Unidos.

Em agosto de 1841, o cônsul Poter escrevia para Hamilton Hamilton, no Rio de Janeiro, a respeito do brigue Picão que havia desembarcado 480 escravos na costa oeste da ilha de Itaparica. Após o sucesso da empreitada, indivíduos organizaram uma companhia a fim de promover o tráfico. Compraram cinco vasos (navios) que estão prontos para partir para a Costa da África. O cônsul pedia reforço de cruzadores britânicos para apertar a fiscalização.

Em 1842, o cônsul confirmava que os mercadores de escravos, para evitar as intervenções no livre usos das embarcações, declaravam que retornavam de portos afastados da costa da África, o que tornava difícil a obtenção de informações corretas com relação ao movimento dos navios.

No ano de maio 1846, o cônsul assinalava a carga sem precedentes de 1350 cativos (perdeu 40 na viagem) que o Três Amigos tinha desembarcado. Esse navio figurava na lista de partida de três de julho para os Açores, de onde voltou em setembro em arribada depois de 71 dias. Não havia dúvidas que tinha ido fazer seu tráfico nesse intervalo e deixado uma carga em um dos pontos de desembarque nos arredores da cidade da Bahia.

No mesmo ano, o Andorinha, pertencente a Joaquim Pereira Marinho, um dos maiores traficantes da Bahia (tem uma estátua dele em frente do Hospital Santa Isabel), começava uma série de viagens à costa da África, anunciando sua primeira partida em outubro de 1846 para as Canárias. O cônsul dizia que a importação era feita com a maior atividade, citando que três mil foram desembarcados na Bahia durante o último trimestre de 1846.

Os comerciantes e as autoridades afirmavam que o tráfico cessaria com a saída dos cruzadores britânicos na fiscalização. O lorde Palmerston argumentava que isso não passava de uma falácia. Segundo relatos de 1847, a importação aumentou ainda mais. Foram 2233 escravos no terceiro trimestre, contra 1500 para o segundo e 1180 para o primeiro.

Fazia-se o tráfico sem esconder. Na ilha de Itaparica foram construídos locais de desembarques normais. Em plena noite eram utilizadas luzes para guiar os vasos. Dali os cativos eram levados para depósitos da cidade da Bahia, onde são vendidos sem medo de intervenção das autoridades, apontavam os agentes do cônsul Poter. “Tenho a satisfação de declarar que sete vasos pertencentes a este porto foram capturados pelos cruzadores ingleses. Apesar das perdas, muitos estão equipados para irem à costa africana”. Foram desembarcados 3.500 escravos nos arredores da cidade durante o quarto trimestre de 1847, a maior importação que houve durante os últimos oito anos.

Os vasos chegavam frequentemente dos Estados Unidos e do Mediterrâneo comprados por essas companhias e enviados à África sob a bandeira das nações às quais pertencem originalmente. A bandeira do Brasil é substituída no momento em que recebem suas cargas a bordo.

Tem ainda o caso do brigue George, que partiu para África, em agosto de 1847, e voltou com o nome de Tentativa com cores brasileiras, com uma carga de 726 cativos em um miserável estado de fome (11 morreram por falta de água e provisões). O iate Andorinha, de Joaquim Pereira Marinho fez oito viagens com sucesso. Desembarcou 3392 escravos no porto da Bahia. O lucro era considerável. Em agosto de 49 foi capturado. Fez dez viagens, desembarcou 3.800, ganhando 46 mil libras no curto espaço de 32 meses.

Em maio de 1850, “o tráfico de escravos continua na Bahia com o maior sucesso. Durante o último mês, foram desembarcados mais de 1100, na maioria nagôs, haussás, tapas e jejes. A maior parte provém dos portos de Onim e Ajudá” – relatava o cônsul.

LIVRARIAS E LANÇAMENTOS

Que bom que as vendas de livros em Vitória da Conquista estão registrando uma forte retomada depois do período da pandemia, conforme nos relata o empresário José Maria, da Livraria Nobel. De acordo com ele, o crescimento é tímido, mas constante. Isso já é uma boa notícia, mas o lamentável é que numa cidade do porte de Conquista, com cerca de 350 mil habitantes ou mais, só tenha três lojas, sendo duas nos shoppings e a outra na Avenida Otávio Santos, que é a Nobel, onde acontece a maioria dos lançamentos de obras dos autores locais, inclusive já fiz várias apresentações dos meus trabalhos naquele local de cultura e tenho outro marcado para o próximo dia 27/04 (quinta-feira) a partir das 19 horas. São textos poéticos intitulados “Na Espera da Graça”. Agradeço a José Maria e sua esposa Valmária que sempre têm recebido bem os escritores da nossa cidade. Acho muito importante prestigiar a nossa prata da casa que, sem dúvida, tem grandes talentos, mas carece de mais apoio de toda sociedade e de mais leitores. Da minha parte, dentro do possível, procuro valorizar a literatura regional que, de uma forma ou de outra, não importando o gênero, está enaltecendo a cultura conquistense e elevando o nome da cidade lá fora, inclusive em outros estados. A Livraria Nobel está de parabéns por receber nossos escritores de braços abertos.

 

AMOR CONTIDO

Autoria de Jeremias Macário

Amor contido,

Que irradia energias,

Olhos em meus  olhos,

Luz que ilumina e seduz,

Em seus longos cabelos,

De finos fios de poesias.

 

Ainda lembro daquela fonte,

De água cristalina serena,

A refletir nossa imagem,

Dos beijos de amante,

No arco-íris do horizonte.

 

Amor contido

De eterno segredo,

Que não passa na TV,

Nem ninguém pode saber,

Só a alma criança sente,

Esse sublime presente.

 

Amor contido,

Deleite do sol poente,

Sabor de proibido,

Até o último respirar.

Minação da serra nascente,

Que vira correnteza de rio,

E se encontra com o mar.

 

Sempre existe o amor contido,

Que chega para sempre ficar;

Envenena nossa mente,

No físico visível latente,

Para não mais se separar.

 

É como semente do tempo,

Esse amor contido ardente,

Que vem do vento platônico,

Biônico na gente a grudar,

Para nunca mais largar.

 

 





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