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:: 8/abr/2023 . 0:15

NÃO VEJO NENHUMA GRAÇA

Sei de antemão que muitos vão me censurar, mas não vejo nenhuma graça ricos e pobres correndo às prateleiras dos supermercados para comprar um ovo de Páscoa, recheado de chocolate, ao custo que varia de 10 a 300 ou 500 reais, a depender do tamanho e dos ingredientes nele embutidos!

O ovo em si tem uma relação com o coelho por simbolizar fertilidade e era presenteado para celebrar a passagem do solstício, época de fartura. Alguns historiadores dizem que essa tradição pode ter vindo dos persas ou dos chineses. Essa associação do coelho com os ovos de Páscoa foi levada da região da Alemanha para os Estados Unidos pelos imigrantes.

O de chocolate é derivado de um costume iniciado no século XII, na França, depois da volta de Luis VII da Segunda Cruzada. Ele foi recebido com festa e com vários produtos da terra, incluindo o ovo. O seu retorno coincidiu com o jejum da Quaresma.

O de Páscoa, segundo Wikipédia, é um ovo, normalmente de chocolate, pintado com gravuras e em cores, para significar a ressurreição de Cristo. A Páscoa é uma festa anual dos judeus, comemorativa da saída deles do Egito para a terra prometida. Tudo isso, incluindo os festejos considerados pagãos, foi incorporado pelo cristianismo.

Nos tempos modernos, no caso específico da Páscoa, o sistema capitalista da indústria chocolateira aproveitou essa tradição secular para aumentar suas vendas e, consequentemente, incrementar o consumismo, como acontece com outras festas durante o ano, a exemplo do Natal.

Depois desse bolodoro todo, o que quero dizer é que as pessoas entram na onda como manadas no estouro da boiada para comprar um ovo de páscoa, muitas vezes sem nem saber o simbolismo daquilo. As propagandas e a mídia televisiva, sobretudo, empurram o povo a consumir o tal ovo, atraído, principalmente, pelas crianças.

Nessa época, quem mais sofre com isso é o pobre que, com seu poder aquisitivo baixo, vê o filho pedir um ovo de páscoa e termina se sacrificando para satisfazer o apetite da mídia. Mais uma vez, o pobre, sem condições financeiras, termina imitando o rico.

Podem me chamar como quiserem, mas não vejo nenhuma graça nessas festas puramente consumistas, copiadas de outros países e introduzidas pelo cristianismo. No caso da Páscoa, sua origem é judaica. Pior ainda é que o símbolo capitalista de consumismo é substituído hoje pelo o de Cristo, como o Papai Noel durante o Natal.

Como uma coisa está relacionada a outra, antigamente os cristãos     católicos jejuavam (hoje são poucos) na Semana Santa, principalmente na Sexta-Feira da Paixão, e comiam pouco no almoço. Atualmente se empanturram numa mistura de peixe caruru, vatapá, azeite de dendê e outros ingredientes acompanhados de bebidas alcoólicas.

O mais irônico é que muitos, sem saber o que está fazendo, trocam a Sexta-Feira da Paixão pelo Domingo de Páscoa, como vi numa entrevista de uma mulher na televisão falando do sacrifício e morte de Cristo na cruz para salvar a humanidade do pecado. Ela misturou as bolas, confundiu paixão com ressurreição, e terminou dizendo um bocado de besteiras.

“FLUXO E REFLUXO XIII

O PERÍODO MAIS CRÍTICO DO TRÁFICO NEGREIRO

No livro “Fluxo e Refluxo”, do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, de mais de 900 páginas, ele faz um trabalho detalhado e acadêmico com cartas e documentos da época, desde o século XVI, sobre o tráfico negreiro, especificamente do Golfo do Benin (Reino de Daomé) para a Bahia.

No início do século XIX, por volta de 1807/08, quando a Inglaterra decretou a abolição da escravatura, esse tráfico entrou em seu período mais crítico, justamente por ter se tornado ilegal através dos acordos e convenções estabelecidos entre os ingleses e Portugal e depois com o Brasil independente.

Como esses tratados não eram obedecidos pelos governos e comerciantes de escravos, os britânicos passaram a usar a força naval para aprisionar navios que continuavam a embarcar ilegalmente cativos para o Brasil, especialmente para os centros da Bahia e do Rio de Janeiro.

Por pressão da Inglaterra, após Brasil independente, o Governo Imperial criou várias leis, como a de 1831 que ficou conhecida para “inglês ver”, porque os traficantes faziam suas trapaças, como desvios de rotas, embarques e desembarques em outros locais fora dos portos tradicionais e uso de bandeiras estrangeiras, para manter o tráfico ilícito.

Nas trocas de cartas com as autoridades do Império (também faziam seus conluios com os senhores patrões e traficantes), os cônsules ingleses se irritavam com os brasileiros até que por volta do final dos anos 40 a Inglaterra começou a apertar o cerco com cruzadores que aprisionaram dezenas de navios que estavam com cargas irregulares.

Nesse interim, houve um acordo onde determinava que os traficantes só podiam transportar escravos abaixo da linha do Equador, ou seja, eram proibidos fazer esse tipo de negócio no Porto de Uidá ou Ajudá, no Golfo do Benin. Mesmo assim o comércio ilegal não parou de ser feito.

Chegou ao ponto que os navios ingleses invadiram as águas brasileiras para impedir o tráfico e até ameaçou bombardear o Porto do Rio de Janeiro. O estopim de tudo ocorreu no Porto de Paranaguá quando o forte daquele local reagiu atirando contra um cruzador inglês matando um marujo.

Os comerciantes colocavam o povo contra os ingleses e estes tentavam comover a população de que aquele comércio era vergonhoso e desumano. Como o poderio britânico era de longe maior que o do Brasil, o Império apressou uma lei mais dura em 1950 que ficou conhecida como Lei Eusébio de Queirós. Somente em 1951 esse tráfico ilegal cessou, mas alguns ainda se atreviam a colocar navios para realizar esse comércio.





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