:: 27/abr/2023 . 23:14
O LÁPIS E O CONSELHO
Quem nasceu primeiro, o lápis ou a pena do tinteiro? Talvez nem um e nem o outro. Na civilização mesopotâmica e egípcia, do vegetal se extraia a tinta e se utilizava algum instrumento rústico, que não eram chamados de lápis e pena para fazer anotações e escrever as histórias em tábuas de barro e papiros. Da evolução antiga para os tempos mais modernos, o lápis e a pena de tinta guardam lembranças na memória de muitas gerações que aprenderam a ler e a escrever com essas invenções. Hoje, embora se faça quase tudo através do teclado do computador (antes era a máquina datilográfica), é a caneta que ainda é empregada para assinar documentos, tratados, contratos, convenções e emitir sentenças de juízes, empresários e até por pessoas simples no ato de compra e venda de algum bem.
Mas, onde entra mesmo essa história de Conselho? É um grupo de gentes notáveis que usas de vários objetos para, deliberar, criticar, aprovar, fiscalizar, julgar e sentenciar um réu ou ente público e privado, sem que antes não tenha passado por uma peça documental assinada pela caneta, que veio do lápis feito da madeira com a introdução de um material da espécie do carvão. Essas duas figuras, tão importantes na história da humanidade (o Conselho pode ser também um Tribunal), estão em forma de esculturas no Museu de Kard, do grande artista conquistense Alan Kardec. Essas e outras artes estão lá neste museu a céu aberto que muito orgulha a nossa cidade, embora não tenha sido citado no folheto turístico de Vitória da Conquista, lançado recentemente pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Uma pena que o museu não tenha sido incluído no roteiro do visitante, que o órgão pretende promover para atrair o turista da região e de outros estados.
SOMBRA ARTIFICIAL
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Sonhei que era uma sombra,
De um primitivo passado,
De antigos ancestrais,
De atraso e evolução;
Um ente invisível global,
Fora do corpo, com razão,
Sem o emotivo sentimental.
Era mesmo uma sombra,
De inteligência artificial,
Uma cópia do carbono,
Dentro de um longo sono,
Na forma de outro animal.
Sonhei ser a deusa Atenas,
Das penas dos sábios imortais,
Sombra parida do cristão-judaico,
Dos imperadores romanos generais,
Das trevas do pensador arcaico,
Cruzado do inquisidor carrasco,
Filha dos ideais dos iluminismos,
Saída do frasco das eras dos ismos,
Sombra anarquista-comunista,
Mistura entre direita-esquerdista.
Sonhei ser apenas uma sombra,
Que se foi no vulto da luz,
No escurecer do lenho da cruz,
Em noites de sonhos me assombra,
Essa máquina maluca artificial.
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