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:: 4/abr/2023 . 23:52

O TEMPO E AS INVERSÕES DE VALORES

Quando se fala em minha época era assim, alguém pula de lá para dizer que os tempos mudaram, que você está antiquado e que isso é puro saudosismo. Tudo bem, mas estou me referindo às inversões de valores dos seres humanos. Com o “progresso” e o avanço da tecnologia moderna, será que houve mudanças para melhor em termos humanos?

Como estava dizendo acima, em meu tempo, lá pela década de 50 e 60 do século passado, quando se tinha 12 anos ou pouco mais que isso, ainda chamava-se de idade da inocência. A criança ou o pré-adolescente dava benção aos pais quando acordava e ia dormir. Brincava-se de amarelinha, esconde-esconde, bola de gude, pião, pular de corda, cavalo de pau e até com ossos de animais. Os carrinhos eram feitos de madeira.

Na escola, todos iam de farda limpa – quem não estava uniformizado não era recebido – e fazia-se fila para entrar na sala de aula depois de cantar o Hino Nacional. Lembro que meu fardamento tinha uma gravatinha com listras que marcavam o ano em que cursava. No primário eram cinco anos. Os estudantes obedeciam aos professores. Os mais peraltas eram castigados e até ficavam de joelhos em caroços de milho. Fiquei muitas vezes.

Quando um aluno fazia uma coisa errada, a diretora chamava o pai ou a mãe que dava aquela bronca no filho. Não se xingava os mestres. Em casa ainda recebia o castigo. As crianças aprendiam desde pequenas a respeitar os mais velhos ou idosos, como queiram, e até pediam licença para passar entre os adultos. Haviam algumas brigas, mas logo se fazia amizade e se pedia desculpas.

Os tempos mudaram e nem se canta mais o hino. Não se usa mais fardas e estudante entra até armado na escola para matar colegas e professores. Os pais brigam com a diretora quando recebe uma queixa de um filho. O professor tem que ter o maior cuidado para repreender o aluno que está perturbando a aula.

O celular na mão virou o brinquedo para revirar as redes sociais das mentiras, das pornografias, com língua em códigos e sinais esquisitos. Não se é mais inocente como antigamente. O idoso é visto como coisa velha, caduco, que só fala besteiras e é um imprestável ranzinza. O ensino mudou para pior e o mestre é encarado como se fosse um inimigo. Praticamente não existe mais essa de repetir de ano, isto é, não passar para o outro curso.

O tempo foi passando e surgiram outras gerações, como a atual, que é bem mais violenta, estúpida, egoísta e agressiva. Não há mais o senso humanitário de um ajudar o outro. Irmão mata irmão e até pai e mãe. O professor tem medo de ensinar em determinadas escolas porque o aluno pode bater nele ou fazer coisa pior.

Houve uma tremenda inversão de valores onde nem se sabe o que é ética e honestidade. O errado tornou-se certo, e o certo ocupou o lugar do errado. O anormal em normal. O incomum em comum. Vale a lei do levar vantagem em tudo. Por qualquer motivo um atira no outro numa simples discussão de trânsito. A população ficou desumana e ninguém confia mais em ninguém. Temos hoje um mundo mais selvagem.

 

 





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