Fui ontem (terça-feira, dia 18/04) ao centro da cidade para resolver uns problemas que estão me deixando agoniado e me deparei com uma cena triste na Praça Barão do Rio Branco: Na via ao lado da Caixa Econômica um lençol branco cobria o corpo de uma mulher que foi atropelada por uma moto e veio a óbito no local. A vida é assim, meu camarada! O nascer está ligado umbilicalmente com a morte, não importa como e quando. Ela sempre está à sua espera.

Mesmo com toda tecnologia na mão onde você atualmente resolve muitas coisas na base dos cliques (nem sempre funciona o chamado passo a passo), cada um continua com suas agruras, angústias, alegrias e tristezas. Cada pôr-do-sol e cada amanhecer são diferentes. Podem ser de prazer ou de tristeza, de vitórias ou de derrotas. Cada um tenta viver como pode, ou sobreviver com sua história particular, só sua.

A vida é assim, meu camarada e cada um sabe de si. Vivemos numa sociedade onde mesmo com sua dor sofrida, você tem que dizer que está tudo bem, para não ser desagradável, rabugento e pessimista de energias negativas. Até aparece gente para nos consolar e animar de que as coisas vão melhorar. Que depois da tempestade vem a bonança. Um bom dia, uma boa tarde e uma boa noite nem sempre são para todos. O jeito é disfarçar!

Tem uns que falam que os tempos de hoje são melhores que no passado da carroça, da máquina de datilografia, daquele namoro que ainda era distante e o máximo que se fazia era pegar na mão e dar um beijo no rosto. Fazer um flerte de elogias na morena que passava, não era assédio sexual, mas significava um bem ao ego da mulher.

Outros falam que naquela era as pessoas eram mais solidárias, amigas, de maior respeito e uns ajudavam mais outros nas necessidades prementes, mesmo sem o progresso da máquina, sem as invenções domésticas e laborais que facilitam por demais o trabalho. Ainda se usava o pilão na roça. Nem havia o liquidificador e outros utensílios para facilitar as refeições da dona de casa.

Os jovens estudavam e liam bem mais. Se interessavam pelo conhecimento e pela cultura. Nas escolas, o professor era respeitado e existia até a disputa de quem tirava nota maior em português, matemática, história, geografia e ciências sociais. Ser o primeiro da classe era uma glória. Os vizinhos se conheciam e iam na porta pedir um sal, um pouco de café e açúcar emprestados, que faltavam em suas residências. Hoje não é mais assim…

Os conceitos de felicidade, de amor, de saudades, de confiança no outro, de cooperação, da troca de olhares e do bem-estar consigo mesmo mudaram. Até a poesia, a métrica, a rima e os textos tomaram outra forma, mais livre e libertária. Não se reflete mais, não se mergulha mais em si mesmo e não se tem tempo para meditar.

Mesmo com o computador veloz e o celular na mão para troca de informações instantâneas, vender e comprar seus produtos pelas redes sociais, passar notícias, fazer fofocas e compartilhar fake news, o tempo para a grande maioria parece que deixou de existir. A resposta é sempre de pedida de desculpas porque não houve tempo para responder seu vídeo, sua mensagem ou áudio. Todos estão ocupados.

A colaboração cedeu lugar à competitividade e à competição cerradas, se possível passando a rasteira no outro. Todos só pensam em ganhar, sem olhar o seu “semelhante”. Valem o levar vantagem e ser mais astuto. O outro é visto como um otário por ser ético e preservar seu caráter de honestidade. Quase ninguém liga mais para o que é o certo ou o errado.

Todos hoje nas ruas são suspeitos, desde que se prove o contrário. Não se ajuda mais o caído na calçada ou na estrada a se levantar. Pode ser uma armação, um golpe ou assalto. Cuidado no olhar para a mulher que cruza seu caminho. Não se abre mais a porta, nem para o agente de saúde ou o funcionário do censo.

O racismo está em todos os lados, e as multidões cada vez mais apressadas e suadas para não chegarem atrasadas no trabalho, não perder o ônibus ou o metrô. O tempo virou dinheiro e o humano um simples número sem muita importância, especialmente se não tiver alguma coisa para lhe oferecer. As câmaras vigiam seus passos, seus gestos, seu caminhar e até quando você para num poste ou num banco da praça para pensar como resolver os imbróglios da vida.  Alguém está lhe observando.

Tudo isso, serve apenas como uma reflexão de que a vida é assim mesmo, meu amigo camarada (poucos são os amigos verdadeiros, daqueles certos nas horas incertas). Cabe a você fazer uma análise racional sobre qual tempo era o melhor. O sentido entre a vida e a morte é a razão que está entre o corpo e a alma.

Cada um tem sua visão, sua maneira de ver as coisas e vamos respeitar as opiniões.  Pelo menos isso, porque as coisas estão brabas e pouco se ouve o outro. Tinha um professor que dizia: Quando um burro fala o outro murcha a orelha.