Autor: Jeremias Macário

Não quero vagar sem sentido,

Nem ver um amor se separar,

Nem perder de vista,

O horizonte azul do mar,

Nem fazer calar,

A voz do ativista,

Com sua ideologia,

Religião ou filosofia,

Cristã, judia ou mulçumana,

Tanto que seja humana.

 

Queria fazer o tempo parar,

Para nos livrar desse conflito,

Entre início e finitude,

De vida e morte,

Morte e vida,

Sem porta de saída.

 

Não quero mais ver refugiados,

De tantas etnias escorraçadas,

A chorar nas fronteiras farpadas,

Tratadas como chacais,

Numa marcha de desiguais.

 

Queria ver a arte do sorrir,

Ter o livro como lição,

Sem armas na mão,

Nem o açoite da chibata,

Que a alma mata.

 

Não quero ver,

Tanto indiferença e agonia,

Trilhar nessa distopia,

De caminhos de espinhos.

 

Nessa existência de aprendiz,

Tem o alegre e o infeliz,

Onde uns realizam seus planos,

Outros ficam nos desenganos.