:: 23/nov/2022 . 23:37
ELES NÃO QUEREM ELEIÇÕES
Os canalhas não têm amor à pátria; não prezam pela liberdade nem democracia; tampouco respeitam as famílias; e falam de Deus como se fosse um tirano sarcástico e sádico. São todos criminosos, imorais, insensatos e cometem atentados terroristas contra o Brasil.
Do outro lado tem a banda dos piadeiros e dos memes nas redes sociais, achando tudo isso engraçado. Não vejo humor em nada disso que está acontecendo. É tudo horrível e filme de terror de sexta-feira 13! Fico é entristecido, envergonhado e decepcionado como brasileiro.
Eles não querem eleições, mas uma ditadura militar que começou lá na República com Teodoro da Fonseca e Floriano Peixoto quando foram presos o abolicionista José do Patrocínio e o poeta Olavo Bilac. Aliás, nesses 522 anos de história já estamos empanzinados de ditadura. Poderia haver uma lei de enforcamento para quem se pronunciasse a favor dela.
No golpe de Getúlio Vargas ela durou quinze anos de atentados contra os direitos humanos. Teve ainda o Gaspar Dutra e a última em 1964 que se prolongou por quase 30 anos de torturas, desaparecimentos e mortes nos porões dos quartéis generais. Essa maldita indigesta, nunca mais no Brasil!
Esses aloprados não passam de uns idiotas nojentos imbecis e outros tantos inocentes úteis que estão sendo iludidos. Eles nem imaginam que numa possível intervenção militar serão os primeiros a ficarem na mira dos fuzis como forma de limpar a área dos conspiradores, como aconteceu em 64 com vários políticos (Carlos Lacerda e Adhemar de Barros) e personalidades que estavam na linha de frente apoiando o regime.
Acham que numa ditadura eles vão ser destaques e aplaudidos num governo militar. No mínimo serão usados como buchas de canhão porque o regime não vai suportar e dar guarida a traidores da pátria. A raia miúda que entra nessa onda extremista fascista vai logo sentir na pele a falta de liberdade e democracia, para fazer o que hoje estão fazendo nas ruas e rodovias sem serem presos nas solitárias cheias de ratos e baratas.
Como os generais das forças armadas vão impor mordaças aos brasileiros com seus atos e decretos, como o AI-5, por certo não vão tolerar manifestações de neonazistas e defensores de campos de concentração. A maioria esmagadora nunca viveu numa ditadura e nem leram sobre o assunto. Pelo contrário, juntam-se aos ignorantes negacionistas para afirmar nos botequins que ela nunca existiu.
Os corruptos e canalhas de hoje, como o Waldemar da Costa Neto e sua camarilha, sem falar no Roberto Jefferson, serão sumariamente expurgados e trancafiados. O próprio Bozó não ficaria no poder. Todos eles deixariam de ser golpistas e o comando seria outro, não essa corja imoral que nada tem de patriota.
São tão cretinos que pedem uma investigação do resultado das eleições somente para presidente no segundo turno e deixaram de questionar o primeiro que elegeu Damares e tantos outros do mesmo naipe para o Congresso Nacional. Não têm vergonha de serem contraditórios. Coisa mesmo de psicopata que precisa de cadeia ou internamento nos antigos manicômios, com camisa de força.
Como dizia o tribuno romano Cícero: Até quando Catilina vai abusar da nossa paciência, referindo-se às suas conspirações contra o Império. Em nosso caso, a democracia é o alvo maior, e ainda têm o cinismo de alardear que “a luta” é em nome dela e da liberdade.
Quem lidera essa baderna? Lá estão políticos, pastores evangélicos fanáticos doentes da mente e nazifascistas, todos financiados por empresários, a maioria do agronegócio, que há séculos, desde os tempos da escravidão e do Império, recebem dinheiro subsidiado do Tesouro Nacional e são os responsáveis por colocar na sarjeta da miséria mais de 30 milhões de brasileiros.
Toda essa cambada não está querendo ordem e progresso, mas desordem e retrocesso. Por tudo isso e mais, eles devem sim ser investigados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para pagar pelos danos e sofrimentos que estão causando à nação, mas será o mesmo que colocar raposa no galinheiro.
O SONHO SOCIALISTA É POSSÍVEL
Quando menino via meu pai na roça dividir com outros vizinhos o pouco que produzia e, ao mesmo tempo, a vizinhança socorria os mais necessitados. No trabalho para a capina ou plantio se fazia mutirão do adjutório com cantorias alegres e fraternais. Na colheita havia a batida do feijão e do milho. Existia uma repartição entre as comunidades.
Somente depois de muitos anos quando me entendi por gente e fui estudar a evolução dos sistemas políticos, compreendi que isso na prática se chama socialismo. Não daqueles que logo rebate citando Cuba, a antiga União Soviética, a recente Venezuela, a Albânia e a Romênia, por exemplo, onde sempre prevaleceu o totalitarismo.
Não vou entrar aqui na questão dialética de Engls ou do marxismo, nem falar do anarquista Prudhon, tampouco na luta de classe gerada pelo capitalismo da Revolução Industrial. O socialismo é uma coisa tão simples de se entender tanto quanto se ver no campo entre os pequenos agricultores familiares, como nas favelas das grandes cidades.
Mirem no exemplo de tribos africanas e sociedades indígenas norte-americanas que viviam em aldeamentos socialistas na base da troca de mercadorias, onde o trabalho comunitário e seus frutos eram distribuídos entre todos de forma igual. Na verdade, o socialismo nasceu com os primeiros grupos primitivistas.
Numa discussão, quando se fala ou se defende esse sistema, logo aparece um montão de gente sem aprofundamento analítico para citar países onde a coisa não deu certo e houve torturas, ditaduras, matanças e atos totalitários tirânicos. Estávamos numa guerra fria e o capitalismo saiu vencedor.
Para essas pessoas, socialismo está ligado à tirania que leva ao fracasso. Tudo depende do conceito que se tem, como se democracia e liberdade não se combinassem com socialismo. É possível sim conciliar democracia e socialismo, como em Portugal, Alemanha (social-democrata), Noruega, Espanha, Finlândia e tantos outros.
No lugar de priorizar o social com políticas públicas para reduzir as desigualdades, a grande maioria prefere esse capitalismo selvagem, avassalador, predador e, antes de tudo, competitivo, sem se pensar na colaboração, na coletividade. Por natureza, o capitalismo é individualista onde cada um só pensa em si.
Numa palestra de negócios, vendas e de empreendedorismo empresarial só se fala em competição e quase nada de contribuição e solidariedade. Socialismo é palavrão e logo dizem que não deu certo em lugar nenhum, o que não é verdade. Está funcionando em muitas nações, e esse sonho é possível.
Estou falando de um socialismo com cara humana que divide o poder de decisões, e não aquele centralizador onde as riquezas e as mordomias ficam nas mãos daqueles que mandam, criando verdadeiras castas sociais. O capitalismo já faz isso com toda crueldade, parindo pobreza e miséria. Esquecem que a democracia em muitos países capitalistas não passa de uma fachada, que só serve aos poderosos.
Por que não pode existir socialismo com respeito à liberdade dentro de um regime democrático onde haja a participação de todos com direito a críticas. Além do mais, o socialismo prima pela educação e a saúde. É o maior defensor contra os preconceitos raciais, de gênero e condena o moralismo hipócrita da elite capitalista.
Tem gente que ainda diz que o socialismo é contra o progresso, a evolução tecnológica, o crescimento econômico e que é símbolo de atraso. É pura ignorância e falta de leitura. Não tem argumento e só sabe falar aleatoriamente que não deu resultado em lugar algum.
Num mundo onde quase um bilhão de pessoas passa fome, uma pequena minoria domina as riquezas e a maioria é excluída e discriminada, qual moral tem o capitalismo para afirmar que esse é o melhor sistema? O socialismo não é contra a competitividade, desde que seja saudável e todos tenham chances iguais. No capitalismo prevalece a lei do mais forte e do faroeste bang-bang.
Tenho certeza que com o socialismo democrático, sem a concentração voraz das benesses na mão do poder dirigente, o mundo seria bem melhor e a humanidade menos desigual. O sonho não acabou, mesmo diante do surgimento do extremismo de direita e do neofascismo, fruto desse capitalismo desregrado.
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