:: 18/nov/2022 . 22:31
A TERRA EM ROTA DE DESTRUIÇÃO
É tudo blábláblá cheio de discursos, promessas de ajuda dos ricos para com os pobres, abraços, confraternizações entre os povos, indígenas para todo lado, cocares, pinturas, falas inflamáveis sobre economia sustentável, energia alternativa, encontros entre chefes e chefões com direito a enxadas no final da festa para o plantio de árvores. A imagem sorridente gira o mundo. Todos se mostram felizes da vida. Mil maravilhas! Finalmente o planeta está a salvo!
Jornalistas de todas as partes de câmaras na mão clicando seus fleches e repórteres a tudo registrando. Movimentos com cartazes e entrevistas de líderes jovens e idosos. Muita euforia nos relatórios e documentos finais. As metas são traçadas para reduzir os gases tóxicos no ar; parar com os desmatamentos florestais; e conter o aquecimento global. Ah, existem ainda os contratos de vendas de carbono.
Todos sabem muito bem do que estou falando. São os retratos das conferências do clima (neste ano no Egito). Chamam de Cop 27. Depois os caciques das maiores potências arrumam suas malas de volta para suas casas e pedem aos seus súditos para consumirem mais e mais a fim de que o Produto Interno Bruto – o chamado rei PIB – cresça. Como consequência de tudo isso, mais lixo, mais sujeira e poluição no ar.
Os maiores produtores de combustíveis fósseis, como o petróleo, o carvão e usinas movidas a diesel, principalmente, ora reduzem ora aumentam suas produções de acordo com as oscilações do mercado capitalista. E as guerras comerciais! Há anos falam em substituir as energias poluidoras pelas as limpas, mas o tempo avança e os projetos se arrastam.
Os projetos de economia sustentável são mínimos em comparação com o máximo de dióxido e metano jogados na atmosfera. A conta nunca bate em favor da preservação da terra. Atualmente são oito bilhões de habitantes vorazes que são induzidos a consumir, sobretudo produtos supérfluos, para gerar mais renda e emprego. A reciclagem não dá conta do volume desperdiçado.
Eles, os países desenvolvidos, como os Estados Unidos, estão mais preocupados em soltar foguetes tripulados ou não para a Lua, Marte e descobrir novas estrelas. Os bilionários fazem seus passeios interplanetários, enquanto a nossa casa onde moramos vive em rota de bagunça, desavenças, guerras, intrigas e muralhas nas fronteiras para impedir a entrada de refugiados e famintos.
De tão castigada, não dá mais para a natureza esperar. Ela se revolta e sacode a terra com suas tempestades, tufões, ciclones, raios, demolições, deslizamentos de morros, terremotos, calor de até 50 graus, derretimento dos gelos polares, aumento do nível do mar e outras tragédias.
No açoite da chibata, os homens religiosos pedem socorro a Deus e até dizem ser castigo Dele. Logo mais teremos outra Cop, a 28, para analisar o avanço dos estragos e apontar os maiores culpados. Será que ainda há tempo para recuperação, ou não tem mais retorno? Como será o nosso planeta daqui a 100 anos?
“NINGUÉM ME CONTOU, EU VI – DE GETÚLIO A DILMA”
Do livro do grande jornalista, escritor, político e memorialista Sebastião Nery, ex-seminarista de Amargosa como eu, só que ele foi de uma safra bem antes de mim, trechos da sua obra que fala de Lula sobre o mensalão de 2002.
Em “Eu Vi o Mensalão Nascer”, Sebastião narra: “Tarde de sábado no restaurante Piantella, o melhor de Brasília. Lula havia ganhado a eleição presidencial de 2002 contra o tucano José Serra e estava em Porto Alegre, com José Dirceu e a cúpula do PT, discutindo com o PT gaúcho a formação do novo governo. Um grupo de jornalistas estava a um canto, almoçando e conversando sobre o país, eu junto.
De repente, entram nervosos, aflitos, os deputados Moreira Franco, Gedel Vieira Lima, Henrique Alves, da direção nacional do PMDB, começaram a discutir baixinho, quase cochichando. Em poucos instantes, chega o deputado Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Nem almoçaram. Beberam pouca coisa, deram telefonemas, saíram rápido. Nada falaram. Acontecera alguma coisa mais grave. Voltariam logo.
Um deles voltou e contou a bomba política do fim de semana. Antes de viajar para o Rio Grande do Sul, Lula encarregara José Dirceu, coordenador da equipe de transição e já convidado para ser o chefe da Casa Civil, de negociar com o PMDB o apoio a seu governo, em troca de ministérios de Minas e Energia, Justiça e Previdência, que seriam entregues a senadores e deputados indicados pelo partido.
Lula já havia dito ao PT que eles não podiam esquecer a lição da derrubada de Collor pelo impeachment, que o senador Amir Lando, do PMDB de Rondônia, relator da CPI de PC Farias, havia definido como uma “quartelada parlamentar”. No Brasil, para governar era preciso ter sempre maioria no Congresso. O PT tinha que fazer as concessões necessárias.
O primeiro a ser chamado era o PMDB, o maior partido da Câmara e do Senado. Lula mandou José Dirceu acertar com o PMDB, combinaram os três ministérios e ficaram todos felizes. Em Porto Alegre, na primeira noite, Lula encontrou a gula voraz do PT gaúcho, que exigia os ministérios de Minas e Energia, da Justiça e da Previdência.
Lula cedeu. Chamou Dirceu e deu ordem para desmanchar o acordo com o PMDB.
Dirceu perguntou como conseguiriam maioria no Congresso.
– Compra os pequenos partidos – disse Lula – fica mais barato.
Dilma virou ministra de Minas e Energia, Tarso Genro, da Justiça e a Previdência ficou para resolver na frente. E assim nasceu o mensalão.
O advogado Luiz Francisco Correal Barbosa disse ao Globo: Não só Lula sabia do mensalão como ordenou toda essa lambança. Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora.
No dia 12 de agosto de 2005, em um pronunciamento, pela TV, a todo o povo brasileiro, Lula pediu “desculpas pelo escândalo”.
No mais, Sebastião Nery considerou Lula como amoral e diz no livro que somente os principais companheiros ficaram no banco dos réus, como Dirceu, Roberto Jeferson, Genoíno, Delúbio, Silvinho, Marcos Valério, Valdemar Costa Neto e outros, chamado pelo autor da obra como “organização criminosa”, uma quadrilha, chefiada por Dirceu, nas palavras do procurador-geral da República. O comando era de Lula, segundo Sebastião.
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